{"id":515,"date":"2017-01-03T20:00:33","date_gmt":"2017-01-03T23:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=515"},"modified":"2017-01-03T20:00:33","modified_gmt":"2017-01-03T23:00:33","slug":"sing-street-musica-e-sonho-cumplicidade-e-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/01\/03\/sing-street-musica-e-sonho-cumplicidade-e-arte\/","title":{"rendered":"&#8220;Sing Street: M\u00fasica e Sonho&#8221;: cumplicidade e arte"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_517\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-517\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/sing-street-john-carney-pic-624x416.jpg\" alt=\"Toda a gangue da banda Sing Street reunida\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-517\" \/><p id=\"caption-attachment-517\" class=\"wp-caption-text\">Toda a gangue da banda Sing Street reunida<\/p><\/div>\n<p>Um garoto e uma garota se conhecem. Quase sempre come\u00e7a assim. A simplicidade desse encontro guia grande parte das hist\u00f3rias rom\u00e2nticas, tanto reais quanto imagin\u00e1rias. &#8220;Sing Street: M\u00fasica e Sonho&#8221;, de John Carney, n\u00e3o foge do clich\u00ea. Ali\u00e1s, o filme se empodera do chav\u00e3o &#8220;boy meets girl&#8221; para se mergulhar em uma trama\u00a0genu\u00edna.\u00a0Algo original que parte do repetitivo. Indicado ao Globo de Ouro, o filme est\u00e1 dispon\u00edvel atualmente na Netflix.<\/p>\n<p>Um dos fatores mais importantes e significativos do longa \u00e9 o background, o terreno em que a trama se desenrola. Conor (o \u00f3timo Ferdia Walsh-Peelo) \u00e9 um irland\u00eas de 15 anos que usa a m\u00fasica para emudecer as constantes brigas entre pai e m\u00e3e. Era crise na Irlanda de meados da d\u00e9cada de 1980 e v\u00e1rios irlandeses emigravam para a Inglaterra em busca de uma oportunidade. Por falta de dinheiro, Conor muda de uma escola jesu\u00edta para um violento col\u00e9gio comandado por um ditatorial padre cat\u00f3lico. <\/p>\n<div id=\"attachment_516\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-516\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/sing-street-movie-624x416.jpg\" alt=\"A qu\u00edmica de Walsh-Peelo e McKenna \u00e9 tanto que os jovens j\u00e1 t\u00eam feito shows\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-516\" \/><p id=\"caption-attachment-516\" class=\"wp-caption-text\">A qu\u00edmica de Walsh-Peelo e McKenna \u00e9 tanto que os jovens j\u00e1 t\u00eam feito shows<\/p><\/div>\n<p>\u00c9 nessa escola que ele conhece Barry (Ian Kenny), que lhe mostra atalhos para sobreviver ao roteiro de bullying e humilha\u00e7\u00e3o, e \u00e9 na sa\u00edda de l\u00e1 que ele v\u00ea Raphina (Lucy Boynton), uma garota que nunca o notaria em condi\u00e7\u00f5es normais. Como todo ser sensato do mundo faria, ele mente. Em troca do telefone da garota, uma aspirante a modelo, ele inventa ter uma banda e querer fazer um clipe. Ou melhor, ele nem mente: s\u00f3 inverte a ordem dos fatores. Primeiro ele diz que o projeto musical existe, depois trata de fazer a afirma\u00e7\u00e3o ser verdade. <\/p>\n<p>Assim como em dramas musicais anteriores (&#8220;Apenas uma Vez&#8221;\/2007; &#8220;Mesmo Se Nada Der Certo&#8221;\/2013), o roteirista, diretor e compositor John Carney acerta em cheio nas m\u00fasicas. Claro, tudo parece ter qualidade demais para a iniciante Sing Street, mas ainda assim \u00e9 divertido. O cineasta brinca com as refer\u00eancias. Se Brendan (Jack Reynor) joga um LP do The Cure no irm\u00e3o Conor, o visual precisa se encaixar na tristeza alegre do som de Robert Smith e cia. Se a refer\u00eancia \u00e9 Duran Duran, cabe a eles &#8220;envisionar&#8221; o futuro do pop. E assim por diante. Existe um jogo inteligente de cumplicidade entre Conor e o irm\u00e3o e que d\u00e1 o tom de ternura de &#8220;Sing Street&#8221;. Paralelamente, a r\u00e1pida afinidade entre Conor e Eamon (Mark McKenna), Lennon e McCartney do grupo musical, cria um paralelismo interessante.<\/p>\n<div id=\"attachment_518\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-518\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/sing-street-clip-jack-reynor-624x416.jpg\" alt=\"O background familiar, em especial Conor e Brendan, \u00e9 um dos acertos do filme\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-518\" \/><p id=\"caption-attachment-518\" class=\"wp-caption-text\">O background familiar, em especial Conor e Brendan, \u00e9 um dos acertos do filme<\/p><\/div>\n<p>Aos 15 anos, Conor, Eamon, Ngig e o restante da banda entendem mais sobre rock do que grande parte do mundo hoje em dia. Ali, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para exclus\u00e3o, segrega\u00e7\u00e3o. \u00c9 um conjunto de pessoas que precisam da arte para se expressar, para ter voz. Vez ou outra, cabe ser rid\u00edculo e usar maquiagem borrada para ir para a escola &#8211; e o figurino brinca bem com a est\u00e9tica exagerada dos anos 1980. Mas, acima disso, \u00e9 estar junto e ter uma voz. Como s\u00f3 um adolescente conseguiria, o filme prima por mostrar sentimentos e emo\u00e7\u00f5es art\u00edsticas genu\u00ednas, em especial no belo \u00e1pice da trama. N\u00e3o \u00e9 um longa saudosista sobre a musicalidade e breguice dos anos 1980. \u00c9 uma obra sobre aquele momento especial em que um jovem (ou um grupo de jovens) descobre quem eles querem ser pelo resto da vida. E se atiram atr\u00e1s deste sonho.<\/p>\n<p>Para priorizar o sentimento, no entanto, o filme toma uma ou outra liberdade excessiva. Vez por outra, o roteiro parece esquecer da crise financeira familiar ao mostrar investimentos sequenciais de Conor na banda, por exemplo. Alguns subtextos sobre um passado abusivo de Raphina tamb\u00e9m s\u00e3o suprimidos para se explorar melhor os &#8220;dramas leves&#8221; de Conor. O design de som tamb\u00e9m tem seus saltos, com a vers\u00e3o ao vivo de uma can\u00e7\u00e3o ganhando um <em>playback<\/em> que soa falso. Mas, para al\u00e9m disso, &#8220;Sing Street&#8221; consegue, de forma did\u00e1tica, mostrar para quem quer que vejo porque a arte foi, \u00e9, e sempre ser\u00e1 essencial. \u00c9 o ar, o p\u00e3o de quem tem muito a dizer e n\u00e3o sabe como.  <\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8.<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nSing Street: M\u00fasica e Sonho (IRL\/ING\/EUA, 2016), de John Carney. Com\u00e9dia\/Musical. 12 anos. 106 minutos.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um garoto e uma garota se conhecem. Quase sempre come\u00e7a assim. 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