{"id":529,"date":"2017-01-06T20:00:56","date_gmt":"2017-01-06T23:00:56","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=529"},"modified":"2017-01-06T20:00:56","modified_gmt":"2017-01-06T23:00:56","slug":"moana-jornada-da-heroina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/01\/06\/moana-jornada-da-heroina\/","title":{"rendered":"&#8220;Moana&#8221;: jornada da hero\u00edna"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_532\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-532\" class=\"size-large wp-image-532\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/moana-624x328.jpg\" alt=\"Uma hero\u00edna sem medo de a\u00e7\u00e3o\" width=\"550\" height=\"289\" \/><p id=\"caption-attachment-532\" class=\"wp-caption-text\">Uma hero\u00edna sem medo de a\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Dentro do &#8220;monomito&#8221;, conceito narrativo composto pelo antrop\u00f3logo Joseph Campbell, todo her\u00f3i parte em uma busca. Nessa procura, ele acaba encontrando a si. A pergunta-chave nessa &#8220;jornada do her\u00f3i&#8221; \u00e9, portanto, &#8220;quem sou eu?&#8221;. \u00c9 essa a base narrativa de algumas das hist\u00f3rias mais famosas do cinema e, notadamente, o alicerce da grande maioria das anima\u00e7\u00f5es da Disney &#8211; desde o shakespeareano &#8220;Rei Le\u00e3o&#8221; (1994) at\u00e9 o protofeminista &#8220;Mulan&#8221; (1998). &#8220;Moana: Um Mar de Aventuras&#8221;, de Ron Clements, Don Hall, John Musker e Chris Williams tamb\u00e9m tem essa base. A protagonista, um &#8220;escolhido&#8221;, tem uma busca, se perde, se reencontra, supera percal\u00e7os e lutos para descobrir quem \u00e9. A novidade \u00e9 que o questionamento sobre onde Moana est\u00e1 \u00e9 t\u00e3o forte quanto sobre quem ela pode ser.<\/p>\n<p>&#8220;Onde Moana est\u00e1?&#8221; admite duas respostas. A primeira, mais \u00f3bvia, \u00e9 na antiguidade da Polin\u00e9sia Francesa. Existem deuses comandando o destino de dezenas (centenas?) de ilhas, dan\u00e7as tradicionais da Oceania e mesmo um tom de pele incomum para uma megaprodu\u00e7\u00e3o da Disney. Houve um deslocamento do eurocentrismo, visto mais recentemente na Su\u00e9cia pintada em &#8220;Frozen&#8221; (2013), para um grupo \u00e9tnico diverso. A trama segue a mitologia pr\u00f3pria polin\u00e9sia, quando acompanha a jovem Moana que ousa sair de seu arquip\u00e9lago seguro para tentar salvar o mundo de uma antiga maldi\u00e7\u00e3o que nasce da irresponsabilidade de Maiu &#8211; transmorfo, semideus da \u00e1gua e do ar e her\u00f3i de todos.<\/p>\n<div id=\"attachment_530\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-530\" class=\"size-large wp-image-530\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/moana2-624x312.jpg\" alt=\"Maiu chama aten\u00e7\u00e3o, mas Moana segue firme\" width=\"550\" height=\"275\" \/><p id=\"caption-attachment-530\" class=\"wp-caption-text\">Maiu chama aten\u00e7\u00e3o, mas Moana segue firme<\/p><\/div>\n<p>A outra resposta para &#8220;Onde est\u00e1 Moana?&#8221; \u00e9 mais complexa, ainda que clara. Diferentemente do lugar f\u00edsico, existe um lugar simb\u00f3lico que a nova princesa Disney ocupa. Lembremos da trajet\u00f3ria da primeira de todas, a protagonista de &#8220;Branca de Neve e os Sete An\u00f5es&#8221; (1937). Pura, bela, ing\u00eanua, inofensiva: uma donzela em perigo. Ela \u00e9 salva por um pr\u00edncipe, um homem, cuja relev\u00e2ncia para a hist\u00f3ria \u00e9 m\u00ednima, mas que ainda assim p\u00f4de se impor. Naqueles tempos, as coisas s\u00f3 eram vista sob este prisma. Hoje, no entanto, uma princesa Disney pode ser mais tenente Ripley, mais hero\u00edna de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se a gente parar para pensar, Moana poderia ser um personagem masculino. Sucessor do chefe de uma vila, sem interesse rom\u00e2ntico, destemido, obstinado. Seria mais um de tantos. Mas as mo\u00e7as, no cinema, parecem sempre necessitar da valida\u00e7\u00e3o masculina. Mesmo a genial, insuper\u00e1vel Mulan tem a muleta de um par rom\u00e2ntico (o capit\u00e3o Li Shang) &#8211; da\u00ed eu ter chamado de &#8220;protofeminismo&#8221;. As duas t\u00eam ainda a semelhan\u00e7a de serem de minorias \u00e9tnicas e de serem hero\u00ednas de fato. Moana \u00e9 um novo degrau. Ela n\u00e3o prescinde de nenhum homem humano. Suas \u00fanicas ajudas s\u00e3o divinas (Maiu) e animal (Heihei).<\/p>\n<div id=\"attachment_531\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-531\" class=\"size-large wp-image-531\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/moana3-624x351.jpg\" alt=\"&quot;P\u00f4 p\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4&quot;, um al\u00edvio c\u00f4mico non-sense\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-531\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;P\u00f4 p\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4&#8221;, um al\u00edvio c\u00f4mico non-sense<\/p><\/div>\n<p>O lugar onde Moana est\u00e1, portanto, \u00e9 o do ativismo. Curioso o caminho das anima\u00e7\u00f5es Disney, outrora comandadas por um g\u00eanio que, infelizmente, tinha s\u00e9rios tra\u00e7os de racismo e misoginia (al\u00e9m de anticomunismo e antissemitismo). Hoje, o est\u00fadio se mostra talvez o mais progressista do cinema hollywoodiano. Qui\u00e7\u00e1 seja s\u00f3 oportunismo capitalista, mas sejamos otimistas.<\/p>\n<p>Voltando ao longa, &#8220;Moana: Um Mar de Aventuras&#8221; \u00e9 previs\u00edvel como toda jornada do her\u00f3i (hero\u00edna). Ainda assim, mesmo que os dilemas sejam antecipados, a emo\u00e7\u00e3o parece genu\u00edna. Por mais formulaica que seja a f\u00f3rmula de humor+a\u00e7\u00e3o+m\u00fasicas, Moana merece carinho. Pode n\u00e3o reinventar a roda, mas, repito, \u00e9 um novo degrau na escada mais importante da discuss\u00e3o social na arte atualmente.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o toda \u00e9 sobre destino, sobre o que o &#8220;escolhido&#8221; pode fazer. Maiu pode ser o destaque. Ele tem for\u00e7a, carisma, gra\u00e7a. Mas a gente sempre sabe que quem vai salvar o dia ser\u00e1 Moana. Ela se sustenta s\u00f3. Assim como quem via &#8220;Star Wars&#8221; (1977) pela primeira vez podia amar Han Solo, no entanto, esperava pelo momento em que Luke vai se impor ao seu destino. Ainda que ela negue o t\u00edtulo, tor\u00e7o que Moana vire molde para toda &#8220;princesa&#8221; que surja hoje &#8211; tanto as da Disney, quanto as do mundo real.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica<br \/>\nMoana: Um Mar de Aventuras<\/strong> (EUA, 2016). Anima\u00e7\u00e3o\/Aventura. Livre. 107 minutos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentro do &#8220;monomito&#8221;, conceito narrativo composto pelo antrop\u00f3logo Joseph Campbell, todo her\u00f3i parte em uma busca. Nessa procura, ele acaba encontrando a si. 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