{"id":546,"date":"2017-01-11T20:00:13","date_gmt":"2017-01-11T23:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=546"},"modified":"2017-01-11T20:00:13","modified_gmt":"2017-01-11T23:00:13","slug":"barry","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/01\/11\/barry\/","title":{"rendered":"&#8220;Barry&#8221; antes de Barack"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_547\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-547\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/barry1-624x416.jpg\" alt=\"Barry (Devon Terrell) est\u00e1 sempre com um livro a tiracolo\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-547\" \/><p id=\"caption-attachment-547\" class=\"wp-caption-text\">Barry (Devon Terrell) est\u00e1 sempre com um livro a tiracolo<\/p><\/div>\n<p>\u00c9 natural que ao fim do ciclo de oito anos de uma das figuras mais carism\u00e1ticas da hist\u00f3ria pol\u00edtica mundial, filmes resolvam desvendar alguns pontos nessa trajet\u00f3ria. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, poucas semanas separam o lan\u00e7amento no cinema de &#8220;Michelle e Obama&#8221;, de Richard Tanne, da chegada de &#8220;Barry&#8221;, de Vikram Ghandi, \u00e0 Netflix. <\/p>\n<p>Al\u00e9m do protagonista em comum, os dois filmes se debru\u00e7am sobre o Obama dos anos 1980, d\u00e9cadas antes de sonhar (e conseguir) ser presidente dos Estados Unidos. Se &#8220;Michelle e Obama&#8221; narra o primeiro encontro de Barack com sua futura esposa, Michelle, na Chicago de 1989, &#8220;Barry&#8221; vai ainda mais ao passado. Nova York, 1981. Um jovem nascido no Hava\u00ed, filho de m\u00e3e branca e pai negro e queniano, chega \u00e0 Grande Ma\u00e7\u00e3 para estudar na Universidade de Columbia. L\u00e1, entre a riqueza da faculdade e a pobreza do Harlem, ele acaba aprendendo sobre a carga racial que inadvertidamente teria de carregar por toda a vida.<\/p>\n<div id=\"attachment_548\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-548\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/barry3-624x351.jpg\" alt=\"Aviso: fumar na cama pode causar inc\u00eandios\" width=\"550\" height=\"309\" class=\"size-large wp-image-548\" \/><p id=\"caption-attachment-548\" class=\"wp-caption-text\">Aviso: fumar na cama pode causar inc\u00eandios<\/p><\/div>\n<p>Mesmo que de forma tradicionalista, formal, &#8220;Barry&#8221; tem o m\u00e9rito de trazer uma tens\u00e3o racial de forma did\u00e1tica. Para al\u00e9m de ser algu\u00e9m que viria a ser um dos homens mais poderosos do mundo (se n\u00e3o &#8220;o mais poderoso&#8221;), Obama (Devon Terrell) era um garoto mesti\u00e7o de bom poder aquisitivo e que n\u00e3o se encaixa nem entre brancos, nem entre negros. O filme joga com essa informa\u00e7\u00e3o, tanto ao mostra dilemas do personagem, como para criticar atitudes dele em rela\u00e7\u00e3o a sua ent\u00e3o namorada, Charlotte (Anya Taylor-Joy). O grande m\u00e9rito \u00e9 tratar do tema de forma distanciada, sem condescend\u00eancia. <\/p>\n<p>&#8220;Barry&#8221;, no entanto, tem em si um paradoxo curioso. De forma quase infantil, o filme hesita em citar os nomes &#8220;Barack&#8221; ou &#8220;Obama&#8221;, como se a identidade do protagonista fosse algum segredo. Ora, quem assiste \u00e0 obra a escolhe justo por saber de quem ela fala. Por outro lado, a caracteriza\u00e7\u00e3o de Devon Terrell \u00e9 primorosa como um Obama de 20 e poucos anos. Outra figura marcante \u00e9 Ashley Judd, que interpreta Ann Dunham, m\u00e3e do futuro presidente. Uma aventureira, estudiosa, feminista, meio hippie, antr\u00f3pologa nascida no conservador Kansas.<\/p>\n<div id=\"attachment_549\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-549\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/barry2-624x416.jpg\" alt=\"Barry e Charlotte (Anya Taylor-Joy)\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-549\" \/><p id=\"caption-attachment-549\" class=\"wp-caption-text\">Barry e Charlotte (Anya Taylor-Joy)<\/p><\/div>\n<p>Algo que tamb\u00e9m joga contra &#8220;Barry&#8221; \u00e9 o ritmo burocr\u00e1tico, expositivo. H\u00e1 sempre uma introdu\u00e7\u00e3o aos personagens, antes de eles entrarem de vez na vida de Barack. Acaba que tudo fica repetitivo e se perde uma chance de um mergulho mais profundo nas motiva\u00e7\u00f5es sociais do protagonista. H\u00e1, no m\u00e1ximo, ind\u00edcios de flerte com socialismo, aproxima\u00e7\u00e3o com liberais e uma rejei\u00e7\u00e3o programada \u00e0 pol\u00edtica, mas tudo isso n\u00e3o raspa a superf\u00edcie. Pode ser por purismo da hist\u00f3ria, mas uma cinebiografia tamb\u00e9m tem direito a tomar liberdades. A linearidade do roteiro, assinado por Adam Mansbach, mant\u00e9m o ritmo constante, mas nunca surpreende. <\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, ind\u00edcios do que fariam Barry virar o carism\u00e1tico Obama. O basquete como catarse e fuga, o senso de humor afiad\u00edssimo, a capacidade questionadora. \u00c9 mais um filme sobre potenciais, sobre descobrir quem se vai ser do que sobre quem Obama era aos 20 anos. \u00c9 algo que funciona, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se prende na mente por mais que algumas horas.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 5\/8<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nBarry<\/strong> (EUA, 2016), de Vikram Ghandi. Drama biogr\u00e1fico. 104 minutos. Com Devon Terrell e Anya Taylor-Joy.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 natural que ao fim do ciclo de oito anos de uma das figuras mais carism\u00e1ticas da hist\u00f3ria pol\u00edtica mundial, filmes resolvam desvendar alguns pontos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[119,198,515,554],"class_list":["post-546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica","tag-barry","tag-critica","tag-netflix","tag-obama"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=546"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/546\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}