{"id":588,"date":"2017-01-26T08:00:33","date_gmt":"2017-01-26T11:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=588"},"modified":"2017-01-26T08:00:33","modified_gmt":"2017-01-26T11:00:33","slug":"estrelas-alem-do-tempo-justica-ainda-que-poetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/01\/26\/estrelas-alem-do-tempo-justica-ainda-que-poetica\/","title":{"rendered":"&#8220;Estrelas Al\u00e9m do Tempo&#8221;: justi\u00e7a, ainda que po\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_591\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-591\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/hidden-624x336.jpg\" alt=\"Mary (Janelle Mon\u00e1e), Katherine (Taraji P. Henson) e Dorothy (Octavia Spencer)\" width=\"550\" height=\"296\" class=\"size-large wp-image-591\" \/><p id=\"caption-attachment-591\" class=\"wp-caption-text\">Mary (Janelle Mon\u00e1e), Katherine (Taraji P. Henson) e Dorothy (Octavia Spencer)<\/p><\/div>\n<p>Centro de Pesquisa de Langley, em Hampton, Virginia (EUA), 1961. Enquanto a Guerra Fria se acirrava, a corrida espacial surgia como uma frente de batalha. R\u00fassia e Estados Unidos tentavam p\u00f4r cosmo ou astronautas em \u00f3rbita como forma de comprovar a maior efic\u00e1cia de seus modelos do poder, por assim dizer. Paralelamente, o pa\u00eds s\u00edmbolo do capitalismo no mundo ainda engatinhava rumo aos direitos civis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra, que s\u00f3 adquiriria direito ao voto em 1965. Mais de meio s\u00e9culo depois e a maioria dessa popula\u00e7\u00e3o continua invis\u00edvel, assim como a hist\u00f3ria de quem, l\u00e1 na d\u00e9cada de 1960, lutava para conseguir o b\u00e1sico para se viver.<\/p>\n<p>Dentro desse contexto denso, mesmo dentro da Nasa, surgiram Katherine, Dorothy e Mary, figuras reais, hist\u00f3ricas, definitivas para o programa espacial norte-americano. E apagadas da hist\u00f3ria por sua cor e sexo. &#8220;Estrelas Al\u00e9m do Tempo&#8221;, de Theodore Melfi, tenta amenizar a injusti\u00e7a hist\u00f3rica. No longa, baseado no romance biogr\u00e1fico &#8220;Hidden Figures&#8221;, de Margot Lee Shetterly, Katherine (Taraji P. Henson), Dorothy (Octavia Spencer) e Mary (Janelle Mon\u00e1e) trabalham como &#8220;computadores&#8221; em uma ala do Centro de Pesquisa de Langley &#8211; ambiente dominado por homens brancos, o completo oposto delas. <\/p>\n<div id=\"attachment_592\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-592\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/hidden2-624x336.jpg\" alt=\"Janelle Mon\u00e1e foi a feliz surpresa do longa\" width=\"550\" height=\"296\" class=\"size-large wp-image-592\" \/><p id=\"caption-attachment-592\" class=\"wp-caption-text\">Janelle Mon\u00e1e foi a feliz surpresa do longa<\/p><\/div>\n<p>Por mais que na \u00e9poca n\u00e3o houvesse essa carga, hoje, o termo &#8220;computador&#8221; serve para designar um objeto, o que denota certa &#8220;coisifica\u00e7\u00e3o&#8221; das personagens. O mais interessante de &#8220;Estrelas Al\u00e9m do Tempo&#8221; \u00e9 como a introdu\u00e7\u00e3o conjunta (e hil\u00e1ria) das tr\u00eas protagonistas se desmembra em hist\u00f3rias \u00fanicas de imposi\u00e7\u00e3o de uma minoria. Katherine, matem\u00e1tica brilhante, \u00e9 convidada para trabalhar ao lado de Al Harrison (Kevin Costner), chef\u00e3o do grupo de projetos espaciais de Langley. Ali\u00e1s, n\u00e3o bem ao lado &#8211; abaixo, bem abaixo, ajudando a pensar c\u00e1lculos de trajet\u00f3rias, janelas de lan\u00e7amento e caminhos de regresso para os voos do programa espacial. Paralelamente, Dorothy, que galgava uma promo\u00e7\u00e3o a supervisora, n\u00e3o se intimida com a competi\u00e7\u00e3o de um novo computador IBM e tenta investir em sua forma\u00e7\u00e3o. J\u00e1 Mary tem o talento como engenheira reconhecido, mas para ser uma profissional de fato precisaria fazer um curso em uma escola exclusiva para homens &#8211; brancos, claro.<\/p>\n<p>Diante de tantas subtramas, &#8220;Estrelas Al\u00e9m do Tempo&#8221; podia se perder ao tentar conectar tantos pontos. Ao mesmo tempo, havia o risco da &#8220;s\u00edndrome de &#8220;Hist\u00f3rias Cruzadas&#8221; (2011), filme sobre segrega\u00e7\u00e3o que foca mais na popula\u00e7\u00e3o branca do que na negra. Felizmente, &#8220;Estrelas&#8230;&#8221; desvia disso tudo. A subtrama de Dorothy vez por outra cai no novelesco, mas como um todo, o longa investe em humor e drama social de forma tranquila e equilibrada. Diante do tecido hist\u00f3rico presente ali, \u00e9 admir\u00e1vel a capacidade do roteiro de fazer rir, seja no pastel\u00e3o, seja na ironia.<\/p>\n<div id=\"attachment_593\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-593\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/hidden3-624x416.jpg\" alt=\"O ex\u00e9rcito de &quot;computadores&quot; da Nasa\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-593\" \/><p id=\"caption-attachment-593\" class=\"wp-caption-text\">O ex\u00e9rcito de &#8220;computadores&#8221; da Nasa<\/p><\/div>\n<p>O mais importante nas tr\u00eas hist\u00f3rias \u00e9 que Katherine, Dorothy e Mary nunca deixam de protagonizar suas hist\u00f3rias. N\u00e3o h\u00e1 condescend\u00eancia dos chefes; h\u00e1 reconhecimento dos m\u00e9ritos. A uni\u00e3o entre as tr\u00eas, bem como as outras mulheres negras do longa, \u00e9 a grande demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a da hist\u00f3ria. H\u00e1, claro, excessos. A trilha musical, em especial, parece por vezes fora do tom, servindo de transi\u00e7\u00e3o entre as subtramas e tentando imprimir a personalidade combativa do trio. H\u00e1 tamb\u00e9m um ufanismo norte-americano recorrente, que acaba descambando em algo meio novelesco. Dorothy puxando um ex\u00e9rcito de &#8220;computadores&#8221; em determinada sequ\u00eancia, Al Harrison derrubando certa placa, o carisma desmedido do coronal Alan Shepard (Dane Davenport). Por mais que seja verdade, soa falso.<\/p>\n<p>Adapta\u00e7\u00e3o importante e, melhor que isso, boa, &#8220;Estrelas Al\u00e9m do Tempo&#8221; n\u00e3o faz justi\u00e7a \u00e0s suas tr\u00eas protagonistas. Mas n\u00e3o por falta de m\u00e9ritos do filme. Quem podia ter feito justi\u00e7a \u00e0s tr\u00eas era a sociedade norte-americana da \u00e9poca, que preferiu ignorar o papel fundamental de tr\u00eas mulheres negras para que um homem chegasse ao espa\u00e7o dentro de uma lata met\u00e1lica cheia de explosivos. O longa de Theodore Melfi, no entanto, ajuda a trazer uma esp\u00e9cie de justi\u00e7a hist\u00f3rica. Uma compensa\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de quem merecia l\u00e1ureas enquanto realizava seus feitos. <\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nEstrelas Al\u00e9m do Tempo<\/strong> (<em>Hidden Figures<\/em>, EUA, 2016). Drama hist\u00f3rico. 127 minutos. Livre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centro de Pesquisa de Langley, em Hampton, Virginia (EUA), 1961. 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