{"id":603,"date":"2017-01-31T08:00:13","date_gmt":"2017-01-31T11:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=603"},"modified":"2017-01-31T08:00:13","modified_gmt":"2017-01-31T11:00:13","slug":"la-la-land-encontro-de-artes-agonizantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/01\/31\/la-la-land-encontro-de-artes-agonizantes\/","title":{"rendered":"&#8220;La La Land&#8221;: encontro de artes agonizantes"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_605\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-605\" class=\"size-large wp-image-605\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/lala1-624x328.jpg\" alt=\"Stone e Gosling no melhor estilo Rogers e Astaire\" width=\"550\" height=\"289\" \/><p id=\"caption-attachment-605\" class=\"wp-caption-text\">Stone e Gosling no melhor estilo Rogers e Astaire<\/p><\/div>\n<p>Uma mo\u00e7a conhece um rapaz. Uma mo\u00e7a se apaixona por um rapaz. Ele ama jazz, ela quer atuar.\u00a0Os dois se ajudam a crescer. Eles s\u00e3o bem afinados nos passos de sapateado. Hipsters\u00a0aproveitam engarrafamentos para cantar e dan\u00e7ar em un\u00edssono. A diferen\u00e7a entre clich\u00ea e refer\u00eancia, por vezes, \u00e9 repert\u00f3rio. E &#8220;La La Land: Cantando Esta\u00e7\u00f5es&#8221;, de Damien Chazelle, se faz parecer com uma hist\u00f3ria de amor entre rapaz branco e mo\u00e7a branca, mas surge mais como declara\u00e7\u00e3o de uma paix\u00e3o pelo cinema musical.<\/p>\n<p>O visual de &#8220;La La Land&#8221;, por exemplo, \u00e9 o primeiro indicativo do que Chazelle objetivava. Brincando com as cores do technicolor, ele referencia a era de Ouro dos musicais, entre as d\u00e9cadas de 1940 e 60. Dali, se extrai a base do roteiro e a estrutura cl\u00e1ssica das can\u00e7\u00f5es. Chovem refer\u00eancias visuais e at\u00e9 mesmo linhas do roteiro que se espelham em filmes como &#8220;Cantando na Chuva&#8221; (1952), &#8220;Amor, Sublime Amor&#8221; (1961), &#8220;Os Guarda-Chuvas do Amor&#8221; (1964) e toda uma gama de parcerias entre Ginger Rogers e Fred Astaire. \u00c9 nesses ecos, nessas declara\u00e7\u00f5es de amor a um g\u00eanero j\u00e1 visto como morto que &#8220;La La Land&#8221; mostra sua for\u00e7a.<\/p>\n<div id=\"attachment_606\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-606\" class=\"size-large wp-image-606\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/lala2-624x396.jpg\" alt=\"Ruas e morros de Los Angeles s\u00e3o quase personagens do longa\" width=\"550\" height=\"349\" \/><p id=\"caption-attachment-606\" class=\"wp-caption-text\">Ruas e morros de Los Angeles s\u00e3o quase personagens do longa<\/p><\/div>\n<p>A cena inicial, dos hipsters no engarrafamento, por\u00e9m, j\u00e1 mostra a principal dificuldade de &#8220;La La Land&#8221;. Quando uma obra de refer\u00eancias hesita em arriscar, em inovar, ela soa derivativa. Um musical de refer\u00eancias cl\u00e1ssicas e bem estruturado \u00e9 sempre excelente, mas &#8220;La La Land&#8221; \u00e9 at\u00e9 um tanto conservador. Ao n\u00e3o buscar uma evolu\u00e7\u00e3o na linguagem, ele acaba soando, por vezes, for\u00e7ado em seu desenvolvimento. N\u00e3o basta s\u00f3 trazer os personagens para o dia de hoje para se atualizar conceitos e contextos.<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, uma qu\u00edmica ineg\u00e1vel entre o tecido hist\u00f3rico de Los Angeles e os protagonistas, Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling). Ele, apaixonado pelo jazz, uma arte t\u00e3o agonizante como&#8230; Musicais, talvez? Ela tentando driblar o deslumbre de Hollywood e ser vista como&#8230; Chazelle, talvez? Diretor em come\u00e7o de carreira, mas que surgiu em 2014 com &#8220;Whiplash: Em Busca da Perfei\u00e7\u00e3o&#8221;, uma obra completamente autoral. H\u00e1 uma entrega entre Mia e Seb e dos dois para a arte que \u00e9 apaixonante. Dessa forma, Chazelle se dobra \u00e0 outra arte agonizante: o romantismo. &#8220;La La Land&#8221; \u00e9 uma resposta \u00e0 obsess\u00e3o musical mostrada em &#8220;Whiplash&#8221;. O primeiro era caos manifestado em rigor est\u00e9tico, o segundo \u00e9 rigor est\u00e9tico se traduzindo em poesia.<\/p>\n<div id=\"attachment_607\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-607\" class=\"size-large wp-image-607\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/01\/lala3-624x383.jpg\" alt=\"As refer\u00eancias visuais v\u00e3o al\u00e9m de musicais cl\u00e1ssicos. Na cena, o observat\u00f3rio do parque Griffith, central em &quot;Juventude Transviada&quot; (1955)\" width=\"550\" height=\"338\" \/><p id=\"caption-attachment-607\" class=\"wp-caption-text\">As refer\u00eancias visuais v\u00e3o al\u00e9m de musicais cl\u00e1ssicos. Na cena, o observat\u00f3rio do parque Griffith, central em &#8220;Juventude Transviada&#8221; (1955)<\/p><\/div>\n<p>Falando em lirismo, o carisma e a qu\u00edmica entre Mia e Seb guiam em um primeiro ato que demora, mas funciona. J\u00e1 a conclus\u00e3o do terceiro ato, refer\u00eancia clara a &#8220;O Show Deve Continuar&#8221; (1979), de Bob Fosse, \u00e9 brilhante. O por\u00e9m \u00e9 que essa epifania final traz todo um segundo ato \u00e0 reboque. Os conflitos soam pueris e for\u00e7ados e acabam dissipando parte da for\u00e7a de &#8220;La La Land&#8221;. \u00c9 como se tudo fosse for\u00e7osamente guiado para que o conjunto de fatores necess\u00e1rios para o \u00e1pice do filme ocorresse.<\/p>\n<p>Apesar de ter desperdi\u00e7ado a oportunidade de inovar, &#8220;La La Land&#8221; \u00e9 uma obra redonda e que oxigena os musicais bem mais do que obras de Baz Luhrmann ou o chatiss\u00edmo &#8220;Os Miser\u00e1veis&#8221; (2012) de Tom Hooper. \u00c9 um filme com potencial de despertar o novo, de incentivar a inven\u00e7\u00e3o, indo bem al\u00e9m do lamento referenciado que era &#8220;O Artista&#8221; (2011) para o cinema mudo. Quem sabe \u00e9 um est\u00edmulo \u00e0 pesquisa, \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o, ao avan\u00e7o. Quem sabe um dia n\u00e3o investem em um musical nacional urbano de horror e com\u00e9dia? (E fica a dica extra para todo mundo assistir ao &#8220;Sinfonia da Necr\u00f3pole&#8221;\/2014, de Juliana Rojas).<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 5\/8<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nLa La Land: Cantando Esta\u00e7\u00f5es (2016)<\/strong>, de Damien Chazelle. Musical. 12 anos. 128 minutos. Com Emma Stone e Ryan Gosling.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma mo\u00e7a conhece um rapaz. Uma mo\u00e7a se apaixona por um rapaz. Ele ama jazz, ela quer atuar.\u00a0Os dois se ajudam a crescer. 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