{"id":616,"date":"2017-02-06T08:00:48","date_gmt":"2017-02-06T11:00:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=616"},"modified":"2017-02-06T08:00:48","modified_gmt":"2017-02-06T11:00:48","slug":"jackie-solenidade-em-meio-ao-desespero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/02\/06\/jackie-solenidade-em-meio-ao-desespero\/","title":{"rendered":"&#8220;Jackie&#8221;: solenidade em meio ao desespero"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_617\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-617\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/02\/jackie-624x351.jpg\" alt=\"Jacqueline Kennedy (Natalie Portman), primeira-dama dos EUA entre 1961 e 1963\" width=\"550\" height=\"309\" class=\"size-large wp-image-617\" \/><p id=\"caption-attachment-617\" class=\"wp-caption-text\">Jacqueline Kennedy (Natalie Portman), primeira-dama dos EUA entre 1961 e 1963<\/p><\/div>\n<p>Apenas Jackie. Nada de Jacqueline Lee Bouvier, Jacqueline Kennedy ou Jacqueline Onassis. S\u00f3 &#8220;Jackie&#8221;, como ela era chamada. Por mais que tenha sido \u00edcone de estilo, tenha tido um hist\u00f3rico vitorioso e uma personalidade marcante, Jacqueline Bouvier, infelizmente, \u00e9 mais lembrada como a grande mulher por tr\u00e1s de grandes homens. Os sobrenomes pujantes se sobrepondo aos talentos demonstrados. &#8220;Jackie&#8221;, do chileno Pablo Larra\u00edn, se foca nos momentos ap\u00f3s a primeira viuvez da mo\u00e7a que imortalizou o tailleur rosa chanel. E, acertamente, Larra\u00edn apresenta uma protagonista ao mundo.<\/p>\n<p>O primeiro sobrenome adquirido por Jackie (Natalie Portman) foi Kennedy, ap\u00f3s se casar com o futuro presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy. Era ela quem estava ao seu lado naquele 22 de novembro de 1963, em desfile em carro aberto em Dallas, no Texas. Foi ela quem tentou socorr\u00ea-lo ap\u00f3s dois tiros fatais atingirem o homem mais poderoso do mundo. S\u00f3 que Jackie \u00e9 bem mais do que a mo\u00e7a que debilmente tentou coletar os peda\u00e7os de cr\u00e2nio ca\u00eddos pelo carro. \u00c9 algu\u00e9m que mirou o legado, a hist\u00f3ria, quando todos pensavam no presente.<\/p>\n<div id=\"attachment_620\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-620\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/02\/jackie-2-624x351.jpg\" alt=\"Natalie Portman e o ic\u00f4nico tailleur rosa sujo de sangue\" width=\"550\" height=\"309\" class=\"size-large wp-image-620\" \/><p id=\"caption-attachment-620\" class=\"wp-caption-text\">Natalie Portman e o ic\u00f4nico tailleur rosa sujo de sangue<\/p><\/div>\n<p>O roteiro, de Noah Oppenheim, se desdobra por meio de uma fict\u00edcia entrevista de Jackie para um jornalista (Billy Crudup), onde ela esmi\u00fa\u00e7a os fatos de antes e depois daquele 22 de novembro. Em um primeiro momento, a afeta\u00e7\u00e3o da personagem chama a aten\u00e7\u00e3o. Um misto de ingenuidade e for\u00e7a com fronteiras turvas. S\u00f3 que a composi\u00e7\u00e3o de Natalie vai al\u00e9m da pura imita\u00e7\u00e3o, algo comum na interpreta\u00e7\u00e3o de personagens reais. A dic\u00e7\u00e3o profunda, pausada. Os sorrisos medidos, milim\u00e9tricos. Dentro de uma fragilidade evidente, Portman exp\u00f5e uma personagem complexa e senhora de si. E Larra\u00edn, fiel \u00e0 protagonista, evita lhe mostrar excessivamente vitimizada &#8211; apesar de ser algu\u00e9m dilacerada pelas perdas.<\/p>\n<p>Essa gama de nuances ganha for\u00e7a, em especial, em volta de uma trilha musical brilhante. Assinada por Mica Levi (a cantora Micachu). Toda a musicalidade se desdobra a partir de notas parecidas, mas desviam para sentimentos palp\u00e1veis na express\u00e3o de Portman. Felicidade, convic\u00e7\u00e3o, tristeza, confus\u00e3o. Onipresente, a m\u00fasica tamb\u00e9m consegue ser discreta como necess\u00e1ria e impor um matiz forte e solene quando pedido.<\/p>\n<p>Essa solenidade no desenrolar da trama, ali\u00e1s, \u00e9 caracter\u00edstica conhecida no cinema de Larra\u00edn, do \u00f3timo &#8220;No&#8221; (2012) e do modorrento &#8220;Neruda&#8221; (2016). Existe uma estrutura narrativa (falsa) que ressoa entre &#8220;Jackie&#8221; e &#8220;Neruda&#8221;, mas enquanto um se baseia na dramatiza\u00e7\u00e3o excessiva, o outro busca sequ\u00eancias para ressaltar um ponto de vista espec\u00edfico. Porque no fundo \u00e9 isso que o longa busca, uma vis\u00e3o pr\u00f3xima, infectada, parcial, do assassinato que chocou do mundo. N\u00e3o h\u00e1 verdades ali, pois verdade n\u00e3o \u00e9 um valor absoluto. Existem sentimentos, dores e, mais que tudo, a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_619\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-619\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/02\/jackie3-624x416.jpg\" alt=\"Jackie e JFK\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-619\" \/><p id=\"caption-attachment-619\" class=\"wp-caption-text\">Jackie e JFK<\/p><\/div>\n<p>O elenco de apoio, todo bem postado, funciona de parte independente e ajuda a personagem a crescer. Robert Kennedy (Peter Sarsgaard) aproveita a dubiedade que o ator sempre traz aos seus papeis para o cunhado de Jackie. Nancy (Greta Gerwig) \u00e9 um toque de humanidade. O padre (John Hurt) \u00e9 uma boa escada para grandes di\u00e1logos. Mas, mais que todos, \u00e9 o jornalista (baseado em Theodore H. White) que mostra a complexidade da mulher que organizou o maior funeral que o mundo j\u00e1 viu &#8211; que garantiu o nome de JFK na hist\u00f3ria. Ele afirma: &#8220;Eu imagino que voc\u00ea n\u00e3o queira que eu escreva isso&#8221;. &#8220;N\u00e3o, porque eu nunca disse isso&#8221;, respondia ela.<\/p>\n<p>Senhora de si. Jackie Kennedy n\u00e3o era um \u00edcone vazio. Seu tailleur rosa manchado de sangue n\u00e3o continha uma mulher desesperada. Continha sabedoria. Sua reforma hist\u00f3rica da Casa Branca n\u00e3o era vaidade. Era hist\u00f3ria. E Jackie era mais que uma Kennedy por casamento.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica: Jackie (2016, CHI\/FRA\/EUA), de Pablo Larra\u00edn. Drama. 100 minutos. Com Natalie Portman.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas Jackie. 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