{"id":660,"date":"2017-02-21T20:00:24","date_gmt":"2017-02-21T23:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=660"},"modified":"2017-02-21T20:00:24","modified_gmt":"2017-02-21T23:00:24","slug":"manchester-beira-mar-vazio-palpavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/02\/21\/manchester-beira-mar-vazio-palpavel\/","title":{"rendered":"&#8220;Manchester \u00e0 Beira Mar&#8221;: vazio palp\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_661\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-661\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/02\/manchester1-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" class=\"size-large wp-image-661\" \/><p id=\"caption-attachment-661\" class=\"wp-caption-text\">Lee Chandler (Casey Affleck) e Patrick (Lucas Hedge)<\/p><\/div>\n<p>Lee Chandler (Casey Affleck) vive em Boston, alguns quil\u00f4metros longe da fam\u00edlia. Traumatizado, ele se constr\u00f3i como uma figura estoica, antip\u00e1tica, que trabalha como zelador de quatro pr\u00e9dios. At\u00e9 que ele recebe uma liga\u00e7\u00e3o e precisa se reencontrar com o passado. Em linhas gerais, &#8220;Manchester \u00e0 Beira Mar&#8221;, de Kenneth Lonergan, tem todos os ingredientes para uma trama sobre trauma e reden\u00e7\u00e3o. Mas investe em um caminho mais original e sofrido: o da reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na liga\u00e7\u00e3o, Lee descobre que o irm\u00e3o, Joe (Kyle Chandler) sofreu um novo ataque do cora\u00e7\u00e3o. Ao chegar no hospital, ele descobre que o parente faleceu e ele precisa cuidar de todos os detalhes burocr\u00e1ticos, do vel\u00f3rio e ainda contar a not\u00edcia para Patrick (Lucas Hedges), seu sobrinho. Desde o primeiro contato, nota-se um distanciamento entre Lee e tudo que ocorre na pequena cidade de Manchester. Ele \u00e9 famoso por um trauma e cenas de flashback refor\u00e7am um passado feliz, quando o zelador era casado e tinha tr\u00eas filhos. Subentende-se desde o primeiro ato que uma trag\u00e9dia o afastou de tudo e de todos. <\/p>\n<div id=\"attachment_662\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-662\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/02\/manchester2-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" class=\"size-large wp-image-662\" \/><p id=\"caption-attachment-662\" class=\"wp-caption-text\">Randi (Michelle Williams) e Lee<\/p><\/div>\n<p>Intimista e transtornado, Casey Affleck demonstra todo o vazio existente em seu personagem. Ele sofre e transborda em atos aleat\u00f3rios de viol\u00eancia, puxando brigas que ele n\u00e3o tem como vencer. A primeira sequ\u00eancia do filme mostrava uma leveza e proximidade entre Lee e Patrick na inf\u00e2ncia, mas o tio, hoje, se recusa ao afeto. \u00c9 como se ele fosse indigno. Como se o fardo deixado pelo trauma do passado fosse pesado demais para que Lee pudesse virar um pai substituto para Patrick. <\/p>\n<p>H\u00e1, em tudo, um caminho de reden\u00e7\u00e3o para Lee. Aviso de <strong>spoiler<\/strong>: ele se culpa pela perda dos tr\u00eas filhos e tem em Patrick uma nova chance. \u00c9 a oportunidade que Joe deixou para o irm\u00e3o em sofrimento. <strong>Fim do spoiler<\/strong>. S\u00f3 que o peso \u00e9 imensur\u00e1vel. E \u00e9 no elenco de apoio que a dimens\u00e3o disso \u00e9 revelada. O di\u00e1logo de Lee com sua ex-esposa, Randi (Michelle Williams) \u00e9 cortante, o \u00e1pice formado por um vazio que se faz palp\u00e1vel pela dor demonstrada pelos dois atores \u2014 em especial na compara\u00e7\u00e3o entre os dois, ela externalizando, ele internalizando. A compara\u00e7\u00e3o de Lee, em reabilita\u00e7\u00e3o de um trauma, com Elise (Gretchen Mol), m\u00e3e de Patrick e alco\u00f3latra em recupera\u00e7\u00e3o, \u00e9 rica visual e tematicamente. Eles se odeiam n\u00e3o s\u00f3 pelo hist\u00f3rico sofrido, mas porque um reflete o limite do outro.<\/p>\n<div id=\"attachment_663\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-663\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/02\/manchester3-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" class=\"size-large wp-image-663\" \/><p id=\"caption-attachment-663\" class=\"wp-caption-text\">Joe Chandler (Kyle Chandler) e Lee<\/p><\/div>\n<p>&#8220;Manchester \u00e0 Beira Mar&#8221; podia flertar com o melodrama, cair no lugar-comum da reden\u00e7\u00e3o ou impor notas melosas em uma trama que n\u00e3o precisa de refor\u00e7os. O todo, por\u00e9m, \u00e9 sempre s\u00f3brio. A trilha, quase sempre orquestrada, e a fotografia, pendendo para um azul marinho, pedem distanciamento. H\u00e1, em tudo aquilo, um pedido de reconcilia\u00e7\u00e3o de um homem com o passado, com uma cidade e, acima disso, consigo mesmo. <\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 7\/8<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nManchester \u00e0 Beira Mar<\/strong> (Manchester by the Sea, EUA, 2016), de Kenneth Lonergan. Drama. 137 minutos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lee Chandler (Casey Affleck) vive em Boston, alguns quil\u00f4metros longe da fam\u00edlia. 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