{"id":719,"date":"2017-03-10T20:00:36","date_gmt":"2017-03-10T23:00:36","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=719"},"modified":"2017-03-10T20:00:36","modified_gmt":"2017-03-10T23:00:36","slug":"719-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/03\/10\/719-2\/","title":{"rendered":"Guerras, monstros gigantes e &#8220;Kong: A Ilha da Caveira&#8221;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_716\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-716\" class=\"size-large wp-image-716\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/kong1-624x624.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"550\" \/><p id=\"caption-attachment-716\" class=\"wp-caption-text\">Helic\u00f3pteros, o sol, soldados na \u00e1gua&#8230; Catou a refer\u00eancia?<\/p><\/div>\n<p>H\u00e1 de se admirar a criatividade humana. Quem, em s\u00e3 consci\u00eancia, achou que &#8220;Kong: A Ilha da Caveira&#8221; era uma possibilidade de refilmagem de &#8220;Apocalypse Now&#8221; (1979), candidato a melhor filme de guerra da hist\u00f3ria? Estreante em megaprodu\u00e7\u00f5es, Jordan Vogt-Roberts (do divertido &#8220;Os Reis do Ver\u00e3o&#8221;\/2013) apostou na estranha combina\u00e7\u00e3o. E, contra todas as probabilidades, criou um s\u00e9rio candidato a melhor superprodu\u00e7\u00e3o de 2017.<\/p>\n<p>Helic\u00f3pteros partindo rumo ao sol, napalm queimando pela manh\u00e3, um militar de alta patente com tend\u00eancias homicidas, um barco cheio de soldados subindo um rio, o contexto da guerra do Vietam, com seus veteranos viciados em batalhas. Adicione-se um gorila bombado de 30 metros e <em>kaijus<\/em> (japon\u00eas para &#8220;feras estranhas&#8221;) e a f\u00f3rmula de &#8220;Apocalypse Now&#8221; se transforma em &#8220;Kong&#8221;. As semelhan\u00e7as, no entanto, n\u00e3o param a\u00ed. Tanto um como o outro, mostram for\u00e7as imensas se digladiando em um terreno quase in\u00f3spito enquanto os moradores locais ignoram o que ocorre. No cl\u00e1ssico de Francis Ford Coppola, EUA e R\u00fassia investiam na Guerra Fria em territ\u00f3rio vitnamita; no filme de monstro de Vogt-Roberts, Kong, militares americanos e bestas do centro da Terra se enfrentam, enquanto civis e moradores da ilha da Caveira podem apenas assistir.<\/p>\n<div id=\"attachment_717\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-717\" class=\"size-large wp-image-717\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/kong2-624x416.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" \/><p id=\"caption-attachment-717\" class=\"wp-caption-text\">Tudo \u00e9 enorme e exagerado em &#8220;Kong&#8221;<\/p><\/div>\n<p>Em ess\u00eancia, &#8220;Kong&#8221; \u00e9 um filme de guerra calculado nas m\u00ednimas refer\u00eancias. Mais do que uma aventura na selva, o longa traz caracter\u00edsticas imbricadas na mem\u00f3ria do p\u00fablico cin\u00e9filo. Conceitos b\u00e1sicos anti-belicistas, a irmandade entre os soldados, sacrif\u00edcios morais, sobreviventes improv\u00e1veis, tudo isso faz parte do ethos do cinema de guerra e se traduz, de uma forma ou de outra, em &#8220;Kong&#8221;. Ao mesmo tempo, fiel \u00e0s origens do personagem, o longa traz uma bela donzela loura, uma her\u00f3i de car\u00e1ter duvidoso e uma s\u00e9rie de cientistas e soldados na long\u00ednqua ilha da caveira, onde eles se chocam e se maravilham com o rei do local: o goril\u00e3o Kong.<\/p>\n<p>Claro, diante de tantos elogios, vale lembrar. &#8220;Kong&#8221; ainda est\u00e1 longe de ser um &#8220;Apocalypse Now&#8221;. Os personagens humanos t\u00eam pouca profundidade e os atores apostam na canastrice na atua\u00e7\u00e3o. A jornalista Mason Weaver (Brie Larson) \u00e9 a melhor adi\u00e7\u00e3o, quebrando o estigma de donzela em perigo em grande estilo, mas o mercen\u00e1rio James Conrad (Tom Hiddleston) pouco adiciona al\u00e9m de um belo sorriso. John Goodman funciona como um remake de seu personagem em &#8220;Rua Cloverfield, 10&#8221; e Samuel L. Jackson empalideceria diante da presen\u00e7a de Marlon Brando &#8212; mas nada que comprometa. John C. Reilly \u00e9 um al\u00edvio c\u00f4mico eficiente em um elenco equilibrado, mas irrelevante. Afinal, tudo que importa \u00e9 Kong (e Brie Larson).<\/p>\n<div id=\"attachment_718\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-718\" class=\"size-large wp-image-718\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/kong4-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-718\" class=\"wp-caption-text\">\u00daltima chance de catar a refer\u00eancia. Ta\u00ed, mas &#8220;Apocalypse Now&#8221; s\u00f3 se tivesse o Marlon Brando escondido atr\u00e1s de uma sombra<\/p><\/div>\n<p>Vitaminado para encontrar Godzilla no futuro, o goril\u00e3o \u00e9 amea\u00e7ador e fascinante na medida certa. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma tentativa de escond\u00ea-lo, guardar o melhor para o fim. Desde a sequ\u00eancia inicial, a for\u00e7a de Kong \u00e9 estabelecida. As motiva\u00e7\u00f5es dele, dos cientistas e dos militares \u00e9 que s\u00e3o o coelho na cartola do roteiro criado por John Gatins. Al\u00e9m dele, as outras criaturas (conhecidas como <em>kaiju<\/em>) t\u00eam um design curioso. Aranhas, com pernas que se confundem com bambus, lagartos de duas pernas que surgem do nada e pac\u00edficos b\u00fafalos gigantes parecem um ecossistema que at\u00e9 faria sentido, levando-se em considera\u00e7\u00e3o as propor\u00e7\u00f5es gigantes em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Grandioso e exagerado como todo filme de monstro deve ser, &#8220;Kong&#8221; \u00e9 uma surpresa por se levar a s\u00e9rio e saber rir de si mesmo. Nada \u00e9 na medida, mas isso pouco importa. Quando vemos um filme de gorilas gigantes, o que n\u00f3s menos queremos \u00e9 que acertem na quantidade de exagero.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 6\/8<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ficha T\u00e9cnica<\/strong><br \/>\n<strong> Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island, EUA, 2017)<\/strong>, de Jon Vogt-Roberts. A\u00e7\u00e3o\/Drama. 118 minutos. 14 anos. Com Brie Larson, Tom Hiddleston e Samuel L. Jackson.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 de se admirar a criatividade humana. 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