{"id":724,"date":"2017-03-14T20:00:59","date_gmt":"2017-03-14T23:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=724"},"modified":"2017-03-14T20:00:59","modified_gmt":"2017-03-14T23:00:59","slug":"toni-erdmann-e-os-sentimentos-terceirizados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/03\/14\/toni-erdmann-e-os-sentimentos-terceirizados\/","title":{"rendered":"&#8220;Toni Erdmann&#8221; e os sentimentos terceirizados"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_725\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-725\" class=\"size-large wp-image-725\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/toni-624x338.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"298\" \/><p id=\"caption-attachment-725\" class=\"wp-caption-text\">Winfried (Peter Simonischek) como o esdr\u00faxulo Toni Erdmann<\/p><\/div>\n<p>Em uma brincadeira recorrente, Winfried (Peter Simonischek) diz ter contratado uma &#8220;filha substituta&#8221; para ficar no lugar da sempre ausente Ines (Sandra H\u00fcller). &#8220;Toni Erdmann&#8221;, a estranh\u00edssima com\u00e9dia da alem\u00e3 Maren Ade, \u00e9 tanto sobre as novas possibilidades de emprego &#8212; como ser filha contratada por um pai carente &#8211;, como sobre uma rotina de mundo que se sobrep\u00f5e \u00e0s necessidades afetivas.<\/p>\n<p>Conhecidos pela austeridade, pela seriedade nos tratos, os alem\u00e3es nunca foram apontados como um povo, digamos, bem humorado. Pragm\u00e1ticos, eles s\u00e3o vistos quase como a ant\u00edtese do despojamento do brasileiro. Assim sendo, &#8220;Toni Erdmann&#8221; \u00e9 uma com\u00e9dia que s\u00f3 podia surgir do pa\u00eds b\u00e1varo. H\u00e1 ali um senso de humor com um <em>timing<\/em> esquisito, situa\u00e7\u00f5es de um n\u00edvel de constrangimento crescente e uma minutagem extremamente longa para um filme que se foca no humor. Fora do ordin\u00e1rio, o que torna a obra ainda mais inusitada.<\/p>\n<div id=\"attachment_726\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-726\" class=\"size-large wp-image-726\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/toni2-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-726\" class=\"wp-caption-text\">Ines (Sandra H\u00fcller) terceiriza at\u00e9 o amor<\/p><\/div>\n<p>Filme de personagem, &#8220;Toni Erdmann&#8221; gira em torno de Ines e seu pai, Winfried. Em uma r\u00e1pida visita a Alemanha, a mo\u00e7a transparece ocupa\u00e7\u00e3o e falta de tempo para a fam\u00edlia. Chegado a pregar pe\u00e7as, o patriarca estranha a dist\u00e2ncia criada entre si e a filha, principalmente ao notar que os extensas telefonemas de Ines s\u00e3o fingidos. Ele resolve, ent\u00e3o, levar seu arsenal de piadas para a Rom\u00eania, onde a filha trabalha como gerente em uma consultoria de empregos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s os primeiros momentos mais ariscos, Winfried descobre que a filha est\u00e1 muito fechada para algu\u00e9m de fora do seu competitivo ramo corporativo. Surge, ent\u00e3o, Toni Erdmann, alter-ego do protagonista e que ora finge ser <em>coach<\/em> do chefe de Ines, ora \u00e9 o embaixador da Alemanha. Toni surge sempre nos piores momentos e, aos poucos, desconstr\u00f3i a imagem, a sanidade e a seriedade da protagonista. O interessante do desenrolar da trama \u00e9 o quanto a tradi\u00e7\u00e3o de austeridade alem\u00e3 e a pr\u00f3pria profiss\u00e3o de Ines s\u00e3o contrapostas \u00e0 abordagem ca\u00f3tica de Winfried\/Toni.<\/p>\n<div id=\"attachment_727\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-727\" class=\"size-large wp-image-727\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/toni3-624x312.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"275\" \/><p id=\"caption-attachment-727\" class=\"wp-caption-text\">O humor escrachado \u00e9 raro, mas recompensa quando surge<\/p><\/div>\n<p>Com 162 minutos de dura\u00e7\u00e3o, &#8220;Toni Erdmann&#8221; n\u00e3o \u00e9 uma com\u00e9dia rasa, de riso f\u00e1cil. \u00c9 um filme que brinca com as emo\u00e7\u00f5es da protagonista, que estuda terceirizar o trabalho de uma empresa romena de \u00f3leo, mas parece ter terceirizado os pr\u00f3prios sentimentos. H\u00e1 ali um texto inteligente (da pr\u00f3pria Maren Ade), uma ironia constante que traz um sorriso ao rosto. Discute-se corporativismo, austeridade, ambi\u00e7\u00e3o e frustra\u00e7\u00e3o, com toques quase aleat\u00f3rios de caos. \u00c9 raro uma gargalhada surgir &#8212; mas quando ela surge, ela vale a pena, como na cena da festa de anivers\u00e1rio de Ines ou a vers\u00e3o cantada\u00a0de &#8220;Greatest Love of All&#8221;, de Whitney Houston.<\/p>\n<p>&#8220;Toni Erdmann&#8221; talvez n\u00e3o agrade aos n\u00e3o iniciados aos temas propostos. A discuss\u00e3o sobre a Alemanha sisuda pode n\u00e3o se conectar com parte do p\u00fablico e a dura\u00e7\u00e3o do longa assusta aos amantes de com\u00e9dia. S\u00f3 que \u00e9 raro um conte\u00fado t\u00e3o bem constru\u00eddo ser tratado (e criticado) pelo vi\u00e9s do humor. Maren Ade consegue, como poucos, olhar o presente e discutir uma fissura social s\u00e9ria como as demandas do ambiente corporativo. E faz isso com uma com\u00e9dia brilhante.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 7\/8<\/strong><\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nToni Erdmann (ALE, 2016), de Maren Ade. Com\u00e9dia. 162 minutos. 16 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma brincadeira recorrente, Winfried (Peter Simonischek) diz ter contratado uma &#8220;filha substituta&#8221; para ficar no lugar da sempre ausente Ines (Sandra H\u00fcller). &#8220;Toni Erdmann&#8221;,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,21],"tags":[463,739],"class_list":["post-724","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica","category-oscar-2017","tag-maren-ade","tag-toni-erdmann"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/724","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/724\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}