{"id":728,"date":"2017-03-15T20:00:53","date_gmt":"2017-03-15T23:00:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=728"},"modified":"2017-03-15T20:00:53","modified_gmt":"2017-03-15T23:00:53","slug":"tinha-que-ser-ele-errado-ate-no-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/03\/15\/tinha-que-ser-ele-errado-ate-no-nome\/","title":{"rendered":"&#8220;Tinha Que Ser Ele?&#8221;: Errado at\u00e9 no nome"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_730\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-730\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/why-624x312.jpeg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"275\" class=\"size-large wp-image-730\" \/><p id=\"caption-attachment-730\" class=\"wp-caption-text\">Ted (Bryan Cranston) e Laird (James Franco) s\u00e3o o centro da trama<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o \u00e9 todo dia que come\u00e7amos uma cr\u00edtica falando de sintaxe. Mas, diz a norma culta, que quando o verbo &#8220;ter&#8221; expressa uma no\u00e7\u00e3o de obrigatoriedade ou mesmo dever, o pronome que o sucede tem de ser &#8220;de&#8221; (viu o que eu fiz?). Assim sendo, &#8220;Tinha Que Ser Ele?&#8221;, com\u00e9dia de John Hamburg, j\u00e1 come\u00e7a com o nome sintaticamente errado. Um pecado leve, como v\u00e1rios de um longa, que, se n\u00e3o chega a ofender, passa longe de realmente agradar.<\/p>\n<p>Purismos e rigores excessivos \u00e0 parte, &#8220;Tinha Que Ser Ele?&#8221; \u00e9 quase uma resposta a j\u00e1 sofr\u00edvel s\u00e9rie &#8220;Entrando Numa Fria&#8221; (2000, 2004 e 2010). \u00c9 o velho tropo sobre conflitos entre sogro e genro, t\u00e3o desgastado quanto piada de sogra. A boa mudan\u00e7a da vez \u00e9 que, em vez de o foco ser no personagem jovem, o pai de fam\u00edlia \u00e9 quem protagoniza a trama. A com\u00e9dia acompanha Ned (Bryan Cranston), patriarca dos Fleming e dono de uma empresa de impress\u00f5es. Ap\u00f3s um primeiro contato constrangedor com o namorado da filha Stephanie (Zoey Deutch), ele, a esposa Barb (Megan Mullally) e o filho Scotty (Griffin Gluck) s\u00e3o convidados para passar o feriado natalino na casa do genro. O que eles n\u00e3o sabiam \u00e9 que Laird Mayhew (James Franco), amor de Stephanie, \u00e9 um exc\u00eantrico bilion\u00e1rio do Vale do Sil\u00edcio.<\/p>\n<div id=\"attachment_731\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-731\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/why2-624x351.png\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" class=\"size-large wp-image-731\" \/><p id=\"caption-attachment-731\" class=\"wp-caption-text\">A fam\u00edlia Fleming: Ted, Scotty, Barb e Stephanie<\/p><\/div>\n<p>A ideia central do roteiro, de Jonah Hill, John Hamburg e Ian Helfer, \u00e9 contrapor a no\u00e7\u00e3o de tradicionalismo com modernidade. Acaba que o filme aposta no exagero da cultura hipster, bem retratada na dire\u00e7\u00e3o de arte, para impor uma com\u00e9dia f\u00edsica que at\u00e9 que funciona. Com um elenco robusto e participa\u00e7\u00f5es especiais volumosas, &#8220;Tinha Que Ser Ele?&#8221; consegue ler uma sociedade crescentemente ef\u00eamera e rir desses excessos. Claro que a escalada de exagero atinge um teto, ultrapassa e transborda no meio da sala, mas existe ali um contexto interessante. Faltou s\u00f3 uma dire\u00e7\u00e3o mais firme para dosar as medidas para n\u00e3o descambar tudo no clich\u00ea.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica entre Cranston como escada e Franco como al\u00edvio c\u00f4mico cansa na repeti\u00e7\u00e3o. Quem melhor salva \u00e9 Megan Mullally e Keegan-Michael Key no pouco tempo que t\u00eam de tela. O filme parece querer atirar para todo lado para fazer humor. Tenta ser inteligente, tenta com\u00e9dia f\u00edsica, tenta ironia, tenta ser reflexivo. Funciona melhor no pastel\u00e3o, principalmente nas cenas de &#8220;parkour&#8221;, mas se perde numa tend\u00eancia infantil de piadas com palavr\u00e3o e por algumas generosas doses de comportamentos mis\u00f3ginos. Ali\u00e1s, a parte machista j\u00e1 fica clara quando a base do filme \u00e9 um pai e um namorado tentando &#8220;cagar regra&#8221; na vida de uma mulher. H\u00e1 at\u00e9 certo criticismo a isso, mas a obra segue com seus protagonistas masculinos e com mulheres orbitando. A mensagem central de uni\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o dentro do longa acaba sendo dissipando.<\/p>\n<div id=\"attachment_732\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-732\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/why3-624x416.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-732\" \/><p id=\"caption-attachment-732\" class=\"wp-caption-text\">Laird e Gustav (Keegan-Michael Key) s\u00e3o, na verdade, a melhor dupla de &#8220;Tinha Que Ser Ele?&#8221;<\/p><\/div>\n<p>Os excessos da mans\u00e3o de Mayhew e at\u00e9 algumas tiradas de ironia, no entanto, fazem com que &#8220;Tinha Que Ser Ele?&#8221; n\u00e3o seja um erro completo. \u00c9 descart\u00e1vel, como quase todo o cinema mainstream, mas \u00e9 divertido em suas refer\u00eancias e seu exagero hipster. N\u00e3o d\u00e1 para buscar profundidade. Pelo menos temos rostos famosos suprem nossa cota de rid\u00edculo do dia.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p>Cota\u00e7\u00e3o: nota 4\/8.<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nTinha Que Ser Ele? (Why Him? EUA\/Camboja, 2016), de John Hamburg. Com\u00e9dia. 111 minutos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 todo dia que come\u00e7amos uma cr\u00edtica falando de sintaxe. 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