{"id":757,"date":"2017-03-28T08:00:39","date_gmt":"2017-03-28T11:00:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=757"},"modified":"2017-03-28T08:00:39","modified_gmt":"2017-03-28T11:00:39","slug":"t2-trainspotting-quase-nada-novo-quase-nada-errado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/03\/28\/t2-trainspotting-quase-nada-novo-quase-nada-errado\/","title":{"rendered":"&#8220;T2 Trainspotting&#8221;: (quase) nada novo, (quase) nada errado"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_763\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-763\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/t2-624x312.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"275\" class=\"size-large wp-image-763\" \/><p id=\"caption-attachment-763\" class=\"wp-caption-text\">Sick Boy (Jonny Lee Miller), Renton (Ewan McGregor) e Spud (Ewen Bremner): de volta<\/p><\/div>\n<p>Era 1996 e dos confins da Esc\u00f3cia um filme explorou um estilo autodestrutivo de vida com imensa ousadia visual e um senso de humor que beirava o doentio. Em seu segunda longa metragem, o ingl\u00eas Danny Boyle apostava em uma montagem \u00e1gil e interven\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas pontuais para pintar a psicodelia e decad\u00eancia na vida de um grupo de jovens de Edimburgo, capital da Esc\u00f3cia. Surgia &#8220;Trainspotting &#8211; Sem Limites&#8221; (1996), adapta\u00e7\u00e3o do livro de Irvine Welsh e um marco que lan\u00e7ou Boyle e o ator Ewan McGregor. <\/p>\n<p>Passam-se 20 anos e, finalmente, Mark &#8220;Rent&#8221; Renton (McGregor), Daniel &#8220;Spud&#8221; Murphy (Ewen Bremner), Simon &#8220;Sick Boy&#8221; Williamsom (Jonny Lee Miller) e Francis &#8220;Franco&#8221; Begbie (Robert Carlyle) est\u00e3o de volta. Apesar do hiato imenso, a trama retoma praticamente do mesmo ponto do longa original, que termina com Renton roubando 16.000 libras dos amigos e o intempestivo Begbie sendo preso &#8211; para al\u00edvio de todos. Em uma esp\u00e9cie de crise de meia idade, Rent resolve voltar do ex\u00edlio em Amsterdam e reencontrar Spud e Sick Boy. Paralelamente, Begbie bola um plano (est\u00fapido) para fugir da pris\u00e3o e que, dentro do absurdo normal de &#8220;Trainspotting&#8221;, acaba dando certo.<\/p>\n<div id=\"attachment_764\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-764\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/t22-624x374.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"330\" class=\"size-large wp-image-764\" \/><p id=\"caption-attachment-764\" class=\"wp-caption-text\">As &#8220;viagens&#8221; visuais continuam o charme do filme<\/p><\/div>\n<p>A partir disso, criam-se novas confus\u00f5es e velhas confus\u00f5es, num c\u00edrculo vicioso e destrutivo que j\u00e1 foi consumido no longa original. Spud, por exemplo, segue um her\u00f3i tr\u00e1gico. \u00danico bom cidad\u00e3o entre os quatro, ele nunca conseguiu ter foco suficiente para fugir do v\u00edcio em hero\u00edna. \u00c9 toda uma ironia envolvida, como a hist\u00f3ria dele com o hor\u00e1rio de ver\u00e3o revela. Simon nunca superou a trai\u00e7\u00e3o do melhor amigo, por mais que ela fosse justific\u00e1vel, at\u00e9 previs\u00edvel. Renton tenta superar a solid\u00e3o; j\u00e1 Begbie n\u00e3o tenta superar nada, ele d\u00e1 vaz\u00e3o a todo o desejo homicida de vingan\u00e7a e destrui\u00e7\u00e3o que o movem. H\u00e1 sempre um sentimento de familiaridade nesses personagens t\u00e3o fascinantes, complexos e sem foco juntos. N\u00e3o existe uma possibilidade de vida sadia juntos, mas, ainda assim, n\u00f3s torcemos para que eles se deem bem.<\/p>\n<p>Como seria natural, a nostalgia toma conta do filme. A montagem, por exemplo, come\u00e7a mais lenta, pensada, mas acelera ao ritmo do longa original ap\u00f3s Spud, Renton e Sick Boy se reunirem. A participa\u00e7\u00e3o de Diane (Kelly Macdonald), interesse amoroso do longa original, d\u00e1 outra camada de saudade ao expor uma possibilidade de vida saud\u00e1vel, mesmo para quem viveu parte daquelas loucuras. Na trama, por\u00e9m, quem faz o &#8220;papel&#8221; dela \u00e9 a prostituta b\u00falgara Veronika (Anjela Nedyalkova), namorada e parceira de golpes de Sick Boy e&#8230; Bom, se voc\u00ea viu &#8220;Trainspotting &#8211; Sem Limites&#8221;, fica \u00f3bvio o que vai acontecer. O destaque absoluto, no entanto, segue sendo Robert Carlyle. Mais uma vez, Begbie consegue ser t\u00e3o assustador quanto divertido. A forma como sua subplot se encaixa no conceito de volta para casa, no entanto, traz muito mais profundidade ao &#8220;meu homicida favorito&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_765\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-765\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/t23-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" class=\"size-large wp-image-765\" \/><p id=\"caption-attachment-765\" class=\"wp-caption-text\">Begbie (Robert Carlyle) \u00e9 assustador e divertido ao mesmo tempo<\/p><\/div>\n<p>Esse jogo de c\u00edrculo vicioso e o saudosismo da volta para casa s\u00e3o bem pensados, mas h\u00e1 um excesso em suas constru\u00e7\u00f5es. &#8220;Trainspotting&#8221; \u00e9 conhecido por cenas ic\u00f4nicas, ora pela dramaticidade, ora pela escatologia. &#8220;T2&#8221; referencia todas essas sequ\u00eancias, o que j\u00e1 \u00e9 excessivo, e tamb\u00e9m adiciona repetitivos flashbacks. \u00c9 jogar com a mem\u00f3ria afetiva, algo que dentro de um roteiro t\u00e3o bem constru\u00eddo, n\u00e3o se fazia necess\u00e1rio. &#8220;Trainspotting 2&#8221; tem uma identidade pr\u00f3pria, um fio de esperan\u00e7a mais firme do que a obra original, mas hesita em momentos em que podia se dissociar do filme de 1996. O antigo era um filme ousado, corajoso. O novo tamb\u00e9m, ainda que recorra a recursos f\u00e1ceis at\u00e9 covardes.<\/p>\n<p>Sem cheirar a naftalina, &#8220;T2&#8221; traz ainda momentos geniais. O golpe de Mark e Simon em cima de um grupo fundamentalista conservador escoc\u00eas \u00e9 de uma simplicidade brilhante. Renton ainda tem um insight inteligent\u00edssimo ao explicar a &#8220;filosofia de vida&#8221; do grupo com a frase &#8220;Choose life&#8221; (escolha a vida). Soa um pouco for\u00e7ado que um sujeito t\u00e3o sequelado seja capaz de uma ilumina\u00e7\u00e3o t\u00e3o eloquente, mas n\u00e3o deixa de divertir. <\/p>\n<p>&#8220;Trainspotting 2&#8221;, talvez, seja t\u00e3o necess\u00e1rio quanto qualquer sequ\u00eancia &#8211; o que significa que h\u00e1 poucas justificativas para o filme existir. O bom, \u00e9 que o filme \u00e9 novo e antigo, inteligente e f\u00fatil como poucas obras hoje. Danny Boyle pode fazer mais 30 &#8220;Trainspotting&#8221; &#8211; contanto que prometa n\u00e3o filmar mais &#8220;Quem Quer Ser um Milion\u00e1rio&#8221; (2008).<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p>Cota\u00e7\u00e3o: nota 5\/8<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era 1996 e dos confins da Esc\u00f3cia um filme explorou um estilo autodestrutivo de vida com imensa ousadia visual e um senso de humor que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[206,276,744],"class_list":["post-757","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica","tag-danny-boyle","tag-ewan-mcgregor","tag-trainspotting-2"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/757\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}