{"id":777,"date":"2017-03-31T08:00:15","date_gmt":"2017-03-31T11:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=777"},"modified":"2017-03-31T08:00:15","modified_gmt":"2017-03-31T11:00:15","slug":"eu-te-levo-dialogos-internos-em-escala-de-cinza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/03\/31\/eu-te-levo-dialogos-internos-em-escala-de-cinza\/","title":{"rendered":"&#8220;Eu Te Levo&#8221;: di\u00e1logos internos em escala de cinza"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_781\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-781\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/eu-te-levo-624x277.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"244\" class=\"size-large wp-image-781\" \/><p id=\"caption-attachment-781\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Eu Te Levo&#8221; se move entre a utopia e o fatalismo<\/p><\/div>\n<p>O di\u00e1logo \u00e9, at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio, a forma mais simples de se explicar uma a\u00e7\u00e3o. No cinema, no entanto, melhor do que contar \u00e9 mostrar. S\u00f3 que existe um v\u00e3o entre aquilo que se pensa e em como se explicitar esse pensamento. Narra\u00e7\u00e3o em off e di\u00e1logos costumam ser muletas para que a trama caminhe de forma minimamente satisfat\u00f3ria &#8211; apesar de dificilmente ser o desenrolar ideal. Para isto, \u00e9 necess\u00e1rio um centro dram\u00e1tico forte, ancorado na mais clara linguagem audiovisual. &#8220;Eu Te Levo&#8221;, primeiro longa como diretor do roteirista Marcelo M\u00fcller, tem uma boa proposta tem\u00e1tica. Que se perde na impossibilidade de se filmar um di\u00e1logo interno do protagonista.<\/p>\n<p>A ideia central \u00e9 parear dois personagens que pouco tem em comum al\u00e9m de sonhos idealizados. Moradores de Jundia\u00ed, no interior paulistano, Rog\u00e9rio (Anderson Di Rizzi) e Cris (Giovanni Gallo) compartilham o mesmo trajeto diariamente at\u00e9 S\u00e3o Paulo. O mais velho, em plena crise dos 30, faz um curso para virar PM com o desejo de ser bombeiro, mas em casa finge estudar para ser encanador. O mais jovem, no fim da adolesc\u00eancia, finge estudar em um cursinho que visa aprova\u00e7\u00e3o em Medicina, enquanto passa os dias em um ambiente de coletividade art\u00edstica, por assim dizer. As mentiras geram uma cumplicidade e a repulsa m\u00fatua vai desvanecendo.<\/p>\n<div id=\"attachment_782\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-782\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/eu-te-levo2-624x262.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"231\" class=\"size-large wp-image-782\" \/><p id=\"caption-attachment-782\" class=\"wp-caption-text\">O aspecto familiar funciona como um peso, que ancora a vida dos protagonistas<\/p><\/div>\n<p>M\u00fcller, no entanto, prefere n\u00e3o estruturar a obra de uma forma espelhada. O foco segue em Rog\u00e9rio, que se v\u00ea dividido entre uma juventude cheia de energia, obriga\u00e7\u00f5es familiares, o desejo de entrar para o Corpo de Bombeiros e o temor da aproxima\u00e7\u00e3o de uma estrutura militarizada como a PM. O outro lado, o de Cris, era at\u00e9 mais interessante, cercado de utopias, bichos-grilo e diversidade. Ficamos apenas como o preto-e-branco da fotografia do longa.<\/p>\n<p>A interessante decis\u00e3o de uma cinematografia em escala de cinza tem seus m\u00e9ritos. Situa &#8220;Eu Te Levo&#8221; entre o passado de Rog\u00e9rio em uma banda punk com o &#8220;coxinha&#8221; irm\u00e3o de Cris, e o presente, prestes a entrar na PM. S\u00f3 que, ao mesmo tempo, soa como se fosse uma hist\u00f3ria atemporal, em vez de ressaltar a relev\u00e2ncia pol\u00edtica atual dos temas tratados. Paralelamente, o preto e o branco acabam sublinhando as caracter\u00edsticas mais manique\u00edstas do discurso do roteiro, que contrap\u00f5e arte e for\u00e7as armadas, impondo entre as duas um ju\u00edzo de valor. Acaba que, pesadas as diferentes interpreta\u00e7\u00f5es, a fotografia soa mais como recurso est\u00e9tico do que como imagem sens\u00edvel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/03\/eu-te-levo-3-624x261.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"230\" class=\"alignnone size-large wp-image-780\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Eu Te Levo&#8221; traz consigo bons contextos e at\u00e9 raros momentos de humor efetivos, que trazem uma leveza numa obra que parece ter mais do que seus 82 minutos. S\u00f3 que parece faltar algo, uma forma mais robusta de se encarar os dilemas, que s\u00e3o postos de forma discursada. Existe ainda todo um background de Cris e mesmo de Rog\u00e9rio que \u00e9 tratada de forma difusa, pouco clara no objetivo de adicionar tridimensionalidade aos personagens. A rela\u00e7\u00e3o do mais jovem com os pais \u00e9 escondida; os dilemas do mais velho com a m\u00e3e s\u00e3o confusos. A sensa\u00e7\u00e3o final \u00e9 que &#8220;Eu Te Levo&#8221; traz em si um bom ponto de partida e uma conclus\u00e3o satisfat\u00f3ria, mas com um miolo que deixa muito a desejar. <\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 3\/8<\/strong> <\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nEu Te Levo (BRA, 2017), de Marcelo M\u00fcller. Drama. 82 minutos. Com Anderson Di Rizzi e Rosi Campos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O di\u00e1logo \u00e9, at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio, a forma mais simples de se explicar uma a\u00e7\u00e3o. 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