{"id":783,"date":"2017-04-03T20:49:31","date_gmt":"2017-04-03T23:49:31","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=783"},"modified":"2017-04-03T20:49:31","modified_gmt":"2017-04-03T23:49:31","slug":"o-espaco-entre-nos-romance-hibrido-adolescente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/04\/03\/o-espaco-entre-nos-romance-hibrido-adolescente\/","title":{"rendered":"&#8220;O Espa\u00e7o Entre N\u00f3s&#8221;: romance h\u00edbrido adolescente"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_784\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-784\" class=\"size-large wp-image-784\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/04\/espaco-624x415.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" \/><p id=\"caption-attachment-784\" class=\"wp-caption-text\">Tulsa (Britt Robertson) e Gardner (Asa Butterfield) em uma moto<\/p><\/div>\n<p>Existe uma ousadia interessante que motiva &#8220;O Espa\u00e7o Entre N\u00f3s&#8221;, de Peter Chelsom. Ao mesmo tempo em que caminha no sentimentalismo de uma obra rom\u00e2ntica adolescente, o longa vislumbra uma trama calcada na fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. At\u00e9 a\u00ed, tudo bem. S\u00f3 que, antes de adentrar em um g\u00eanero espec\u00edfico e cheio de regras, a produ\u00e7\u00e3o precisa aprender sobre o que faz um bom longa &#8220;cient\u00edfico&#8221;. E a l\u00f3gica interna de &#8220;O Espa\u00e7o Entre N\u00f3s&#8221; \u00e9, no m\u00ednimo, frouxa.<\/p>\n<p>A trama se fia no belo trocadilho que d\u00e1 t\u00edtulo ao filme, v\u00e1lido tanto em portugu\u00eas quanto em ingl\u00eas. Gardner (Asa Butterfield) se apaixona por Tulsa (Britt Robertson), mas ele vive confinado em Marte e ela tem uma vida mundana, pra dizer o m\u00ednimo. Crescendo sob gravidade baixa ap\u00f3s uma gesta\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o. Gardner sofre risco de colapso f\u00edsico caso volte \u00e0 Terra e, para ressalte-se o qu\u00e3o meloso isso soa, o cora\u00e7\u00e3o pode ficar largo demais para o pr\u00f3prio corpo. Apesar disso, o garoto e a mo\u00e7a fogem pelo interior norte-americano em busca do pai de Gardner, se quem t\u00eam apenas uma foto.<\/p>\n<div style=\"width: 3370px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/www.iamag.co\/features\/itsart\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/space-between-us1.jpg\" width=\"3360\" height=\"1424\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O filme por vezes aposta no clich\u00ea adolescente&#8230;<\/p><\/div>\n<p>Essa caracter\u00edstica h\u00edbrida, romance e fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em um road-movie, surge como a principal for\u00e7a do filme, mas tamb\u00e9m seu calcanhar de Aquiles. Falta comprometimento \u00e0 proposta. A l\u00f3gica interna frouxa acaba for\u00e7ando o espectador a conclus\u00f5es for\u00e7adas, o que acaba com o charme do casal de protagonistas. Asa Butterfield adiciona uma boa camada de carisma e o pr\u00f3prio visual do garoto, muito esguio e alto, funciona bem em um personagem que parece vir de outro mundo. S\u00f3 que o filme parece arbitrariamente variar entre a leveza do in\u00edcio e um peso exagerado no fim. Por vezes, a trama parece querer flertar com um &#8220;Romeu e Julieta&#8221;, atitude que s\u00f3 sublinha o clich\u00ea do roteiro.<\/p>\n<p>Como compara\u00e7\u00e3o, podemos escolher algo referenciado no pr\u00f3prio &#8220;O Espa\u00e7o Entre N\u00f3s&#8221;: o longa &#8220;Asas do Desejo&#8221; (1987), de Win Wenders. Ali, o diretor alem\u00e3o pegava uma proposta banal e a subvertia em algo mais profundo, filos\u00f3fico. O cl\u00e1ssico \u00e9 uma discuss\u00e3o sobre a condi\u00e7\u00e3o humana. J\u00e1 &#8220;O Espa\u00e7o Entre N\u00f3s&#8221; nunca sai do lugar-comum. A superf\u00edcie \u00e9 tudo que h\u00e1 ali, ainda que exista uma proposta mais robusta, mais ousada de se misturar g\u00eaneros. A forma rasa com que o conte\u00fado cient\u00edfico \u00e9 tratado \u00e9 o sintoma mais claro disso. Parece que empresas gigantes sempre se dobram a vontades de adolescentes e programas espaciais n\u00e3o teriam dificuldades de encontrar adolescentes em fuga na Terra. \u00c9, em suma, for\u00e7ado.<\/p>\n<div id=\"attachment_785\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-785\" class=\"size-large wp-image-785\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/04\/espaco3-624x260.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"229\" \/><p id=\"caption-attachment-785\" class=\"wp-caption-text\">&#8230; E esquece de esmiu\u00e7ar seu lado mais fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/p><\/div>\n<p>Uma possibilidade que se abre \u00e9 a extrapola\u00e7\u00e3o da vida dos dois lados do casal. Ele e ela s\u00e3o \u00f3rf\u00e3os, mas o foco \u00e9 totalmente voltado a Gardner, amparado por um programa espacial bilion\u00e1rio e tendo uma figura materna e outra paterna que tentam cuidar de si. O filme parece ignorar que a realidade de Tulsa \u00e9 muito mais in\u00f3spita, ainda que ela viva na Terra. Bullying e aliena\u00e7\u00e3o parental s\u00e3o muito mais presente para ela do que para ele. Mas o foco \u00e9 no garoto, como sempre. Kendra (Carla Gugino) e Nathaniel (Gary Oldman) s\u00e3o personagens que se pretendem profundos, mas que escondem motiva\u00e7\u00f5es pretendidamente mal explicadas para dar for\u00e7a a um terceiro ato bem decepcionante.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da ousadia inicial, o longa guarda em si alguns m\u00e9ritos. Quando aposta na leveza, &#8220;O Espa\u00e7o Entre N\u00f3s&#8221; consegue criar gags de humor bem eficientes, principalmente quando focadas no jeit\u00e3o peculiar do Gardner. A iconografia do longa, com suas ins\u00edgnias espaciais e an\u00e9is, \u00e9 bem constru\u00edda. H\u00e1 at\u00e9 algumas linhas de foreshadowing (antecipa\u00e7\u00e3o de um plot twist) escondida de forma inteligente nesses \u00edcones. A estrutura de road-movie tamb\u00e9m traz algum charme, bem como a atua\u00e7\u00e3o honesta de Asa Butterfield. Mas, a sensa\u00e7\u00e3o constante, acaba sendo de excesso de a\u00e7\u00facar e desperd\u00edcio tem\u00e1tico.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 4\/8<\/strong><\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nO Espa\u00e7o Entre N\u00f3s (The Space Between Us, EUA, 2017), de Peter Chelsom. Fic\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica\/Romance. 120 minutos. 12 anos. Com Asa Butterfield, Britt Robertson e Gary Oldman.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe uma ousadia interessante que motiva &#8220;O Espa\u00e7o Entre N\u00f3s&#8221;, de Peter Chelsom. 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