{"id":839,"date":"2017-04-20T08:00:47","date_gmt":"2017-04-20T11:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=839"},"modified":"2017-04-20T08:00:47","modified_gmt":"2017-04-20T11:00:47","slug":"vida-calvin-o-setimo-passageiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/04\/20\/vida-calvin-o-setimo-passageiro\/","title":{"rendered":"&#8220;Vida&#8221;: Calvin, o S\u00e9timo Passageiro"},"content":{"rendered":"<p>Se pegarmos o alicerce de refer\u00eancias de &#8220;Vida&#8221;, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de horror dirigida pelo sueco Daniel Espinosa, vem r\u00e1pido a garantia de qualidade. Quase um desmembramento de &#8220;Alien, O Oitavo Passageiro&#8221; (1979), o longa conta ainda com um clima de isolamento em uma esta\u00e7\u00e3o espacial que remete a &#8220;Gravidade&#8221; (2013), adicionado de uma amea\u00e7a mutante e hiperinteligente que lembra &#8220;Enigma do Outro Mundo&#8221; (1982) ou a fic\u00e7\u00e3o do escritor H. P. Lovecraft (1890 &#8211; 1937). Ou seja, a tecnologia de hoje servindo a uma trama que remete a, talvez, as duas melhores fic\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de horror da hist\u00f3ria e que foram dirigidas pelos g\u00eanios Ridley Scott e John Carpenter, respectivamente. Tinha como dar errado?<\/p>\n<div id=\"attachment_844\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-844\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/04\/vida-cinema-\u00e0s-8-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" class=\"size-large wp-image-844\" \/><p id=\"caption-attachment-844\" class=\"wp-caption-text\">No espa\u00e7o, ningu\u00e9m lhe ouve gritar&#8230; enquanto chora&#8230; na chuva<\/p><\/div>\n<p>Bom, cinema n\u00e3o \u00e9 preto no branco. N\u00e3o existe f\u00f3rmula m\u00e1gica e boas refer\u00eancias podem render pastiches ma\u00e7antes ou roteiros macarr\u00f4nicos que lutam para se desgarrar da refer\u00eancia. &#8220;Vida&#8221; come\u00e7a bem. Tal qual Ridley Scott em &#8220;Alien&#8221;, Espinosa solta a c\u00e2mera por entre os seis tripulantes da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional (ISS), sem revelar exatamente quem comandar\u00e1 a a\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Claro que os curr\u00edculos de Jake Gyllenhaal e Ryan Reynolds d\u00e3o uma desconfian\u00e7a, algo que a tenente Ripley (Sigourney Weaver) escondia em &#8220;Alien&#8221;, mas, ainda assim, a mise-en-sc\u00e8ne bem coordenada consegue expor os v\u00ednculos formados entre os astronautas. <\/p>\n<p>Inteligentemente, o roteiro abre com um ato de coragem, de hero\u00edsmo de Rory (Reynolds), o que expunha a uni\u00e3o do grupo. \u00c9 ele quem consegue recuperar uma sonda vinda de Marte, onde se encontra uma possibilidade de forma de vida extraterrestre. Cabe ao bi\u00f3logo Hugh (Ariyon Bakare) descobrir como lidar com aquilo que era apenas uma c\u00e9lula. Ap\u00f3s ser &#8220;ativado&#8221;, por\u00e9m, n\u00e3o parece ser dif\u00edcil interagir com o ser alien\u00edgena, apelidado de &#8220;Calvin&#8221;. O pequeno marciano \u00e9 formado por c\u00e9lulas que, ao mesmo tempo, funcionam como &#8220;m\u00fasculos, c\u00e9rebro e olhos&#8221;, o que, para Hugh, \u00e9 uma esperan\u00e7a de salto biogen\u00e9tico maior do que as c\u00e9lulas-tronco e pode at\u00e9 desencadear uma no\u00e7\u00e3o de p\u00f3s-vida (?). A paix\u00e3o do cientista pelo ser, no entanto, \u00e9 punida rapidamente.<\/p>\n<div id=\"attachment_843\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-843\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/04\/vida-cinema-\u00e0s-8-3-624x298.png\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"263\" class=\"size-large wp-image-843\" \/><p id=\"caption-attachment-843\" class=\"wp-caption-text\">Aperto de m\u00e3o de Calvin<\/p><\/div>\n<p>A base estrutural do roteiro vem de zonas de confinamento para Calvin &#8211; <em>firewalls<\/em>, como s\u00e3o chamados pela m\u00e9dica Miranda (Rebecca Ferguson). Eles seriam as garantias de seguran\u00e7a da tripula\u00e7\u00e3o e, qui\u00e7\u00e1, da pr\u00f3pria Terra. S\u00f3 que, como de costume em filmes de horror de roteiro pregui\u00e7oso, ningu\u00e9m parece ter no\u00e7\u00e3o de como funcionam os protocolos de seguran\u00e7a. Seis astronautas, de quatro nacionalidades, e apenas Miranda tem no\u00e7\u00e3o de como agir. A premissa, ent\u00e3o, cai no clich\u00ea. Historicamente, filmes de horror estabelecem crit\u00e9rios morais e &#8220;punem&#8221; quem quebrar as regras. S\u00f3 que em &#8220;Vida&#8221;, ningu\u00e9m dobra a moral porque ningu\u00e9m parece saber exatamente o que s\u00e3o os <em>firewalls<\/em>.<\/p>\n<p>Para tentar se diferenciar das refer\u00eancias, &#8220;Vida&#8221; aposta em clich\u00eas ainda mais mastigados. Um romance insosso, um astronauta que acabara de virar pai, atos de hero\u00edsmo sem crit\u00e9rio etc. O foco nos humanos, ainda que acertado, parece fora de tom, enquanto &#8220;Calvin&#8221; cresce e evolui rapidamente. A criatura, de clara influ\u00eancia lovecraftiana, tem um design mutante e assustador e cresce como o principal atrativo do longa. O roteiro, no entanto, bate cabe\u00e7a tentando justificar as a\u00e7\u00f5es do ser superinteligente. Como se horror de criatura espacial precisasse de motiva\u00e7\u00f5es, o filme investe em explica\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas e tenta emplacar uma l\u00f3gica em um ser cuja intelig\u00eancia parece ser inata, j\u00e1 que ela n\u00e3o teve contato com outros seres para adquirir conhecimento. Funciona mais como di\u00e1logo interno de Hugh, que v\u00ea em Calvin a cura de sua defici\u00eancia f\u00edsica, mas \u00e9 tratado de forma mais org\u00e2nica, como parte de um ser sanguin\u00e1rio.<\/p>\n<div id=\"attachment_845\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-845\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/04\/vida-cinema-\u00e0s-8-2-624x263.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"232\" class=\"size-large wp-image-845\" \/><p id=\"caption-attachment-845\" class=\"wp-caption-text\">Oi, meu nome \u00e9 Calvin e eu sou fofo<\/p><\/div>\n<p>Com refer\u00eancias certas e bem usadas, &#8220;Vida&#8221; consegue se diferenciar dos filmes que cita. A falta de polimento da trama, por outro lado, deixa um gosto amargo. O \u00e1pice da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, por exemplo, beira o surrealismo e um improviso for\u00e7ado por produtores. Em suma, &#8220;Vida&#8221; n\u00e3o est\u00e1 aos p\u00e9s de &#8220;Enigma do Outro Mundo&#8221; ou &#8220;Alien, o Oitavo Passageiro&#8221;. Mas que filmes podem dizer que est\u00e3o?<\/p>\n<p>Cota\u00e7\u00e3o: nota 4\/8<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nVida (Life, EUA, 2017), de Daniel Espinosa. Fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\/Horror. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se pegarmos o alicerce de refer\u00eancias de &#8220;Vida&#8221;, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de horror dirigida pelo sueco Daniel Espinosa, vem r\u00e1pido a garantia de qualidade. 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