{"id":898,"date":"2017-05-09T17:59:09","date_gmt":"2017-05-09T20:59:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=898"},"modified":"2017-05-09T17:59:09","modified_gmt":"2017-05-09T20:59:09","slug":"alien-covenant-o-auge-do-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/05\/09\/alien-covenant-o-auge-do-humano\/","title":{"rendered":"&#8220;Alien: Covenant&#8221;: o auge do humano"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo hoje, &#8220;Alien: o Oitavo Passageiro&#8221; (1979), de Ridley Scott, se mant\u00e9m como uma das obras mais impactantes da hist\u00f3ria. Para al\u00e9m de ter o her\u00f3i de a\u00e7\u00e3o mais completo do cinema, a tenente Ellen Ripley, a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de horror cria uma atmosfera \u00fanica, uma criatura grotesca e assustadora e tem uma das dire\u00e7\u00f5es mais seguras e inventivas dentro do g\u00eanero. L\u00e1, Scott sabe dosar perfeitamente o que mostrar e o que esconder, com uma c\u00e2mera subjetiva usada com perfei\u00e7\u00e3o em um esfor\u00e7o de horror \u00fanico. \u00c9 a grande obra de um diretor t\u00e3o genial quanto irregular.<\/p>\n<div id=\"attachment_899\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-899\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/alien-covenant-cinema-\u00e0s-8-3-624x258.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"227\" class=\"size-large wp-image-899\" \/><p id=\"caption-attachment-899\" class=\"wp-caption-text\">Walter (Michael Fassbender), vers\u00e3o atualizada de David<\/p><\/div>\n<p>&#8220;Alien: Covenant&#8221;, sexto filme da s\u00e9rie solo dos &#8216;xenomorfos&#8217;, \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de amor de Ridley Scott para o ato de criar. Depois das quatro obras originais, de 1979, 1986, 1992 e 1997 e dois spin-offs, o diretor da obra original retomou as r\u00e9deas da franquia no decepcionante &#8220;Prometheus&#8221; (2012), do qual &#8220;Covenant&#8221; \u00e9 sequ\u00eancia direta. J\u00e1 em 2012, os novos elementos giravam em torno da origem das criaturas assassinas conhecidas como xenomorfos. L\u00e1, se introduz um mito da cria\u00e7\u00e3o, em que seres quase divinos criam um v\u00edrus mutante e superpoderoso, que dizima civiliza\u00e7\u00f5es como uma epidemia. Ao final do longa, a doutora Shaw (Noomi Rapace), esp\u00e9cie de novo avatar de Ripley, e o maquiav\u00e9lico androide David (Michael Fassbender) s\u00e3o os \u00fanicos tripulantes da nave Prometheus que sobrevivem ao encontro com as criaturas.<\/p>\n<p>Dez anos depois e \u00e9 a vez da nave colonizadora Covenant ter um encontro cruel com o destino. Resumindo a enfadonha introdu\u00e7\u00e3o em poucas linhas, a tripula\u00e7\u00e3o descobre um sinal misterioso em um planeta nunca antes explorado e descobre se tratar de um local perfeito para a vida humana. Capit\u00e3o rec\u00e9m empossado, Oram (Billy Crudup) decide explorar o planeta, \u00e0 revelia dos desejos da sub-comandante Daniels (Katherine Waterston), a Ripley da vez. Descendo l\u00e1, come\u00e7a a infec\u00e7\u00e3o, matan\u00e7a e caixas tor\u00e1cicas explodindo no melhor estilo &#8220;Alien&#8221;. Assim vai at\u00e9 um rosto familiar os salvar dos neoxenomorfos.<\/p>\n<div id=\"attachment_900\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-900\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/alien-covenant-cinema-\u00e0s-8-2-624x260.jpeg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"229\" class=\"size-large wp-image-900\" \/><p id=\"caption-attachment-900\" class=\"wp-caption-text\">Um xenomorfo sempre necessita de um corpo org\u00e2nica para nascer<\/p><\/div>\n<p>David, o androide com complexo de Messias, ressurge e encontra Walter, seu irm\u00e3o g\u00eameo rob\u00f3tico com diretrizes menos niilistas. &#8220;Prometheus&#8221; era grandiloquente, excessivo, ambicioso. S\u00f3 David, com seus ideais de perfei\u00e7\u00e3o, tornava o filme interessante. &#8220;Covenant&#8221; aproveita essa qualidade do antecessor e resolve explorar mais a fundo a proposta, fincado em especial nos duelos intelectuais dos dois androides. Antagonista cl\u00e1ssico, David se configura praticamente como o protagonista do filme. \u00c9 ele quem puxa os conflitos e \u00e9 at\u00e9 nele que se centra o pr\u00f3logo do longa.<\/p>\n<p>O cerne de &#8220;Alien: Covenant&#8221; segue sendo a no\u00e7\u00e3o de \u00e1pice da hist\u00f3ria natural. Na introdu\u00e7\u00e3o de &#8220;Prometheus&#8221;, temos um ser praticamente divino que abdica da exist\u00eancia em um ritual cruel de destrui\u00e7\u00e3o &#8211; algo que, ali\u00e1s, at\u00e9 hoje faz pouco sentido pra mim. David, dessa vez, \u00e9 apresentado como o auge da humanidade. Um ser que beira a perfei\u00e7\u00e3o, tal qual o Davi de Michelangelo. Com sentimentos e volatilidade t\u00edpicas de um homem &#8211; e uma tend\u00eancia pouco sadia \u00e0 eugenia -, ele acaba julgando que, agora, \u00e9 a vez de criar um ser ainda mais perfeito: os xenomorfos, cada vez mais parecidos \u00e0 vis\u00e3o cl\u00e1ssica do filme de 1979, com design de H.R. Giger.<\/p>\n<div id=\"attachment_901\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-901\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/alien-covenant-cinema-\u00e0s-8-1-624x416.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"size-large wp-image-901\" \/><p id=\"caption-attachment-901\" class=\"wp-caption-text\">Daniels (Katherine Waterson), a Ripley da vez<\/p><\/div>\n<p>O humano sempre busca algo maior, um feito mais grandioso, mas segue com os mesmos erros, perseguindo os mesmos \u00eaxitos passados. \u00c9 assim com Ridley Scott, que busca recriar a m\u00e1gica de &#8220;Alien, o Oitavo Passageiro&#8221;, seu apogeu. Por mais que &#8220;Covenant&#8221; seja interessante e melhor do que tr\u00eas dos outros cinco outros filmes da franquia, ele nunca supera a barreira do reproduz\u00edvel. David \u00e9 fascinado ao m\u00e1ximo pelo xenomorfo, que ajudou a criar. Do mesmo modo \u00e9 Ridley Scott, que se dedica a criar e recriar a mesma obra. Ele muda os elementos, esquece o terror psicol\u00f3gico e o exerc\u00edcio de g\u00eanero e substitui por filosofia de botequim, mas segue aguardando pelos mesmos resultados. Se muito, &#8220;Covenant&#8221; funciona. Pode agradar ao f\u00e3 da s\u00e9rie e ampliar o escopo proposto. Mas Scott precisa urgentemente de distanciamento para ganhar mais perspectiva sobre o seu Frankenstein. Talvez involuntariamente, Ridley Scott acabou fazendo uma grande met\u00e1fora para o pr\u00f3prio processo criativo estanque em que se encontra.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p><strong>Cota\u00e7\u00e3o: nota 5\/8.<\/strong><\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nAlien: Covenant (EUA, 2017), de Ridley Scott.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo hoje, &#8220;Alien: o Oitavo Passageiro&#8221; (1979), de Ridley Scott, se mant\u00e9m como uma das obras mais impactantes da hist\u00f3ria. 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