{"id":910,"date":"2017-05-19T18:32:09","date_gmt":"2017-05-19T21:32:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=910"},"modified":"2017-05-19T18:32:09","modified_gmt":"2017-05-19T21:32:09","slug":"rei-arthur-lenda-da-espada-ousadia-que-se-perde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/05\/19\/rei-arthur-lenda-da-espada-ousadia-que-se-perde\/","title":{"rendered":"&#8220;Rei Arthur: A Lenda da Espada&#8221;: uma ousadia que se perde"},"content":{"rendered":"<p>Com nove longas-metragens na carreira, o ingl\u00eas Guy Ritchie consegue pender entre obras \u00fanicas e marcantes, como &#8220;Jogos, Trapa\u00e7as e Dois Canos Fumegantes&#8221; (1998), e filmes absolutamente indefens\u00e1veis, como &#8220;Destino Ins\u00f3lito&#8221; (2002). O que h\u00e1 de ineg\u00e1vel \u00e9 a assinatura, principalmente est\u00e9tica, do diretor. A montagem \u00e1gil, com flashbacks entrecortados por a\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma marca forte de um cineasta evidentemente urbano. E eis que ele \u00e9 escolhido para fazer &#8220;Rei Arthur: A Lenda da Espada&#8221;, um \u00e9pico medieval que reconta (pela mil\u00e9sima vez) o mito fundador do povo brit\u00e2nico: o ciclo arturiano (ou &#8220;Mat\u00e9ria da Bretanha&#8221;). Uma escolha ousada que acaba sendo o \u00fanico trunfo de um filme que mira virar franquia sem oferecer subst\u00e2ncia.<\/p>\n<div id=\"attachment_913\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-913\" class=\"size-large wp-image-913\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/rei-arthur-cinema-\u00e0s-8-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-913\" class=\"wp-caption-text\">Ao centro, Arthur (Charlie Hunnam). Nos lados, personagens cujos nomes o filme evitar\u00e1 dizer<\/p><\/div>\n<p>Em 1953, Richard Thorpe dirigiu &#8220;Os Cavaleiros da T\u00e1vola Redonda&#8221;. Em 1963, a Disney j\u00e1 fazia sua adapta\u00e7\u00e3o em anima\u00e7\u00e3o, &#8220;A Espada Era a Lei&#8221;. Temos at\u00e9 a par\u00f3dia &#8220;Monty Python em Busca do C\u00e1lice Sagrado&#8221; (1975) e mais de duas dezenas de adapta\u00e7\u00f5es das hist\u00f3rias do rei Arthur e de Camelot &#8211; a mais recente de Hollywood foi o p\u00e9ssimo &#8220;Rei Arthur&#8221; (2004). S\u00f3 na TV, tivemos duas adapta\u00e7\u00f5es recentes: &#8220;Merlin&#8221; (2008) e &#8220;Camelot&#8221; (2011). Ou seja, \u00e9 muita competi\u00e7\u00e3o. A aposta inicial \u00e9 uma origem mais marginal de Arthur (Charlie Hunnam), que surge como um dos trambiqueiros t\u00edpicos do cinema de Guy Ritchie. Ap\u00f3s o assassinato dos pais, nas m\u00e3os do tio Vortigern (Jude Law), o rei por nascen\u00e7a acaba descendo rio abaixo em um bote e \u00e9 criado em um bordel. \u00c9, eles foram na met\u00e1fora b\u00edblica mesmo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um breve <em>supercut<\/em> que mostra a ambi\u00e7\u00e3o e o crescimento de Arthur em meio \u00e0 sarjeta, o longa parte para estabelecer o mito da espada. Excalibur foi forjada pelo mago Merlin, a partir do cajado do rei da sua ra\u00e7a, como forma de vencer o tir\u00e2nico mago Mordred. O rei Uther Pendragon (Eric Bana) a usa para matar o inimigo, mas \u00e9 tra\u00eddo e morto pelo irm\u00e3o. A espada acaba presa a uma pedra, da qual apenas o herdeiro dos Pendragon a tiraria. O primeiro ato, de introdu\u00e7\u00e3o ao conflito, \u00e9 onde Guy Ritchie consegue imprimir seu ritmo. S\u00f3 que a\u00ed \u00e9 onde come\u00e7am os por\u00e9ns.<\/p>\n<div id=\"attachment_911\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-911\" class=\"size-large wp-image-911\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/rei-arthur-cinema-\u00e0s-8-3-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-911\" class=\"wp-caption-text\">Apesar de tudo, a tal da Excalibur tem uns truques legais<\/p><\/div>\n<p>Mirando a possibilidade de uma longa e lucrativa franquia, o roteiro faz quest\u00e3o de esconder o nome de quase todos os personagens. Os melhores amigos de Arhtur, por exemplo, s\u00e3o chamados como Bolacha (Neil Maskell) e Pau Molhado (Kingsley Ben-Adir) &#8211; algo que claramente est\u00e1 l\u00e1 para disfar\u00e7ar a possibilidade de um deles ser um famoso cavaleiro da t\u00e1vola redonda. Pior, &#8220;Rei Arthur: A Lenda da Espada&#8221; consegue a proeza de n\u00e3o dar um nome para a \u00fanica personagem feminina decente do longa. A personagem de Astrid Berg\u00e8s-Frisbey s\u00f3 \u00e9 chamada de &#8220;A Maga&#8221;, provavelmente para indicar que ela possa vir a ser a Rainha Guinevere no futuro. Mas quem disse que haver\u00e1 um futuro? Tanto trabalho para incluir um romance dos mais insossos&#8230;<\/p>\n<p>O tratamento do filme dedicado \u00e0s outras mulheres \u00e9 ainda pior. Duas surgem do nada e viram sacrif\u00edcios humanos de Vortigern. Sem qualquer men\u00e7\u00e3o a casamento, filhos ou outra fam\u00edlia que n\u00e3o Arthur e Uther, elas surgem e para serem mortas. As prostitutas s\u00f3 servem para dar uma pretensa profundidade ao protagonista. H\u00e1 ainda a nobre Maggie (Annabelle Wallis), cujo destino \u00e9 desconhecido. E pior, h\u00e1 Igraine (Poppy Delevingne). Dela, n\u00e3o sabemos o nome e, pelo que vemos no filme, nem temos certeza se \u00e9 a m\u00e3e do protagonista ou uma ama de leite. A\u00ed, cabe a quem pesquisa o nome da personagem no IMDb reconhecer o nome da fada Igraine e encaix\u00e1-la no ciclo arturiano. \u00c9 surreal que, em pleno 2017, uma produ\u00e7\u00e3o de US$ 175 milh\u00f5es ignore completamente a presen\u00e7a feminina.<\/p>\n<div id=\"attachment_914\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-914\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/rei-arthur-cinema-\u00e0s-8-2-624x261.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"230\" class=\"size-large wp-image-914\" \/><p id=\"caption-attachment-914\" class=\"wp-caption-text\">Se est\u00e3o de preto, certamente s\u00e3o vil\u00f5es<\/p><\/div>\n<p>O que salva &#8220;Rei Arthur&#8221; de ser um desastre total \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o de Guy Ritchie, com uma trilha musical moderna e, digamos, folk, e uma montagem excessiva, mas gostosa de se ver. O bom elenco, com Charlie Hunnam, Jude Law, Djimon Hounsou e Aidan Gillen, consegue trazer leveza em um primeiro ato divertid\u00edssimo. Mas quanto mais densidade entra na hist\u00f3ria, mais o filme afasta o interesse. Elevada a en\u00e9sima pot\u00eancia, a jornada do her\u00f3i hesitante fica repetitiva e at\u00e9 paradoxal, j\u00e1 que a ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira caracter\u00edstica de Arthur a ser introduzida. No mais, o roteiro, de Joby Harold, Guy Ritchie, Lionel Wigram e David Dobkin, acaba desperdi\u00e7ando um design de produ\u00e7\u00e3o grandioso e uma abordagem \u00fanica de uma das hist\u00f3rias mais conhecidas do mundo.<br \/>\n<strong><br \/>\n(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p>Cota\u00e7\u00e3o: nota 3\/8<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nRei Arthur: A Lenda da Espada<\/strong> (King Arthur: Legend of the Sword, EUA, 2017), de Guy Ritchie. Aventura. 12 anos. 126 minutos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com nove longas-metragens na carreira, o ingl\u00eas Guy Ritchie consegue pender entre obras \u00fanicas e marcantes, como &#8220;Jogos, Trapa\u00e7as e Dois Canos Fumegantes&#8221; (1998), e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[55,117,173,334,411,474,613,747],"class_list":["post-910","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica","tag-a-lenda-da-espada","tag-bad-movie","tag-ciclo-arturiano","tag-guy-ritchie","tag-king-arthur","tag-materia-da-bretanha","tag-rei-arthur","tag-tropes"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=910"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/910\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}