{"id":919,"date":"2017-05-22T17:20:17","date_gmt":"2017-05-22T20:20:17","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=919"},"modified":"2017-05-22T17:20:17","modified_gmt":"2017-05-22T20:20:17","slug":"o-rastro-quando-o-cinema-de-genero-tropeca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/05\/22\/o-rastro-quando-o-cinema-de-genero-tropeca\/","title":{"rendered":"&#8220;O Rastro&#8221;: quando o cinema de g\u00eanero trope\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>De um lado, &#8220;O Rastro&#8221; prop\u00f5e um <em>thriller<\/em> onde a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 a vil\u00e3 &#8211; num timing perfeito para a pol\u00edtica brasileira. Do outro, uma viagem fantasmag\u00f3rica de horror sobre culpa. Em teoria, dois vieses originais e interessantes para uma obra. Na pr\u00e1tica, a falta de equil\u00edbrio entre um e outro g\u00eaneros acaba desperdi\u00e7ando uma boa proposta de longa metragem.<\/p>\n<div id=\"attachment_922\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-922\" class=\"size-large wp-image-922\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/o-rastro-cinema-\u00e0s-8-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-922\" class=\"wp-caption-text\">O filme \u00e9 protagonizado por Rafael Cardoso e Leandra Leal<\/p><\/div>\n<p>O filme, dirigido por J.C. Feyer, come\u00e7a bem, com um conflito bem constru\u00eddo. O jovem m\u00e9dico Jo\u00e3o (Rafael Cardoso) coordena a transfer\u00eancia de pacientes do hospital S\u00e3o Tom\u00e9, que ser\u00e1 fechado pelo governo do Rio de Janeiro em breve. Quem resiste ao processo \u00e9 Heitor (Jonas Bloch), mentor de Jo\u00e3o e diretor do local. Ainda assim, na surdina, a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 feita e 42 pacientes s\u00e3o transferidos para outra unidade. O problema \u00e9 que na tarde anterior Jo\u00e3o conhecera a pequena J\u00falia (Nat\u00e1lia Maciel Guedes), de 10 anos, a 43\u00aa paciente do hospital e que sumiu misteriosamente.<\/p>\n<p>O roteiro, de Beatriz Manella e Andr\u00e9 Pereira, constr\u00f3i bem o entorno de Jo\u00e3o e dos conflitos que viriam. Ele em breve ser\u00e1 pai pela primeira vez e tem uma preocupa\u00e7\u00e3o constante com Leila (Leandra Leal), sua esposa. Ao mesmo tempo, h\u00e1 a press\u00e3o do chefe de gabinete do governo estadual, Ricardo (Felipe Camargo), e do pr\u00f3prio governador Artur Azevedo (Domingos Montagner), que se prepara para a reelei\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o com Heitor tamb\u00e9m \u00e9 central, principalmente pela dist\u00e2ncia entre mentor e aluno. A base s\u00f3lida, no entanto, se dilui quanto J. C. Feyer aposta mais e mais no exerc\u00edcio de g\u00eanero.<\/p>\n<div id=\"attachment_920\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-920\" class=\"size-large wp-image-920\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/o-rastro-cinema-\u00e0s-8-3-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-920\" class=\"wp-caption-text\">A dire\u00e7\u00e3o de arte imprime a identidade fantasmag\u00f3rica do filme<\/p><\/div>\n<p>O Brasil tem uma longa e respeit\u00e1vel tradi\u00e7\u00e3o no horror. Desde o mestre m\u00e1ximo, Jos\u00e9 Mojica Marins, a nomes contempor\u00e2neos como Marco Dutra, Juliana Rojas e Petrus Cariry, a produ\u00e7\u00e3o nacional sempre foi consistente, ainda que frequentemente de nicho. O problema de &#8220;O Rastro&#8221; n\u00e3o \u00e9 investir no horror. O que incomoda \u00e9 a forma prec\u00e1ria como os fatores sobrenaturais s\u00e3o materializados. O medo \u00e9 constru\u00eddo a partir da culpa dos personagens. Apari\u00e7\u00f5es fantasmag\u00f3ricas, paredes que sangram, crian\u00e7as que somem. Internamente, h\u00e1 um sentido claro, inteligente. Mas a forma como esse medo chega para o p\u00fablico beira o ris\u00edvel.<\/p>\n<p>Em suma: &#8220;O Rastro&#8221; n\u00e3o d\u00e1 medo. O horror do filme \u00e9 ancorado em infantis sustos. A trilha sonora excessiva, tanto nos efeitos quanto na trilha musical, d\u00e1 o tom &#8220;aterrorizante&#8221;. H\u00e1 uma boa dire\u00e7\u00e3o de fotografia, que podia ser o foco central da narrativa de medo. Mas o recurso f\u00e1cil da m\u00fasica se sobrep\u00f5e aos jogos de espelho e ao visual bem pensado. N\u00e3o h\u00e1 um limite claro entre o que \u00e9 som dieg\u00e9tico ou n\u00e3o. Ou seja, n\u00e3o sabemos o que os personagens ficcionais deveriam estar ouvindo, j\u00e1 que as fontes dos sons n\u00e3o s\u00e3o esclarecidas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-921\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/o-rastro-cinema-\u00e0s-8-2-624x337.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"297\" \/><\/p>\n<p>Outro ponto que incomoda tamb\u00e9m \u00e9 a transi\u00e7\u00e3o entre os g\u00eaneros, que soa for\u00e7ad\u00edssima. O primeiro ato aponta um thriller dram\u00e1tico. O segundo ato, horror fantasmag\u00f3rico. J\u00e1 o ato final \u00e9 um suspense pol\u00edtico. Essa confus\u00e3o se insere at\u00e9 no elenco, j\u00e1 que em um ou outro momento os protagonistas e antagonistas parecem mudar. N\u00e3o h\u00e1 muito foco, n\u00e3o h\u00e1 tanta robustez, como fora proposto. &#8220;O Rastro&#8221; aposta em conquistar um p\u00fablico nacional habituado ao cinema de horror, mas que costuma consumir apenas o enlatado norte-americano. V\u00e1lido. S\u00f3 faltou acertar o tom. O que mais frustra \u00e9 que h\u00e1 ali qualidade, mas que se dissipa na indecis\u00e3o do ritmo.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<\/p>\n<p>Cota\u00e7\u00e3o: nota 4\/8.<\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nO Rastro (BRA, 2016), de J. C. Feyer. Horror\/Suspense. 90 minutos. Com Rafael Cardoso e Leandra Leal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De um lado, &#8220;O Rastro&#8221; prop\u00f5e um thriller onde a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 a vil\u00e3 &#8211; num timing perfeito para a pol\u00edtica brasileira. 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