{"id":939,"date":"2017-05-30T18:35:14","date_gmt":"2017-05-30T21:35:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/cinemaas8\/?p=939"},"modified":"2017-05-30T18:35:14","modified_gmt":"2017-05-30T21:35:14","slug":"mulher-maravilha-contexto-e-maturidade-femininas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/2017\/05\/30\/mulher-maravilha-contexto-e-maturidade-femininas\/","title":{"rendered":"&#8220;Mulher-Maravilha&#8221;: contexto e maturidade femininas"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 f\u00e1cil dizer que &#8220;Mulher-Maravilha&#8221;, de Patty Jenkins, \u00e9 o melhor filme da DC\/Warner. Meio que n\u00e3o existe uma competi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 \u00f3bvio compar\u00e1-lo com obras da Marvel, j\u00e1 que a estrutura narrativa de longas de super-her\u00f3is \u00e9 um pastiche revisitado. Neste caso, a obra \u00e9 algo entre o senso de humor de &#8220;Capit\u00e3o Am\u00e9rica: O Primeiro Vingador&#8221; (2011) e o conceito mitol\u00f3gico de &#8220;Thor&#8221; (2011). S\u00f3 que, ao mesmo tempo, tudo ali \u00e9 diferente. Tudo responde a um contexto muito mais importante.<\/p>\n<div id=\"attachment_942\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-942\" class=\"size-large wp-image-942\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/mulher-maravilha-cinema-\u00e0s-8-624x351.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"309\" \/><p id=\"caption-attachment-942\" class=\"wp-caption-text\">Steve (Chris Pine) e Diana (Gal Gadot): casal carism\u00e1tico<\/p><\/div>\n<p>&#8220;Mulher-Maravilha&#8221;. O nome j\u00e1 \u00e9 uma quebra. E depois de 30 filmes em nove anos do combo Marvel\/DC\/Fox\/Sony, finalmente o g\u00eanero feminino comanda uma aventura solo. E mais: a diretora \u00e9 Patty Jenkins (de &#8220;Monster: Desejo Assassino&#8221;\/2003), o que por si s\u00f3 mostra uma inclina\u00e7\u00e3o para um vi\u00e9s embebido de feminismo. J\u00e1 ali, no in\u00edcio do primeiro ato, a princesa amazona Diana mostra que, mesmo em utopias ginoc\u00eantricas, mulheres amadurecem r\u00e1pido. A Mulher-Maravilha de Gal Gadot \u00e9 uma personagem que j\u00e1 surge pronta. Ao contr\u00e1rio dos Batmans, Supermans, Homens-Aranhas e Capit\u00e3es Am\u00e9rica, ela n\u00e3o toma trag\u00e9dias pessoais como muletas: ela usa a dor para afiar seu senso moral. \u00c9, talvez, uma met\u00e1fora para a forma como a sociedade obriga as mulheres a amadurecerem cedo e s\u00e3o permissivas a homens &#8220;eternamente adolescentes&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 recompensador encontrar uma personagem que n\u00e3o se perde em dilemas de personalidade. Diana Prince sabe quem \u00e9, por mais que n\u00e3o conhe\u00e7a detalhes da pr\u00f3pria origem. Ela \u00e9 o norte \u00e9tico que o Superman nunca foi nessa gera\u00e7\u00e3o do universo DC nos cinemas. Tendo crescido como a \u00fanica crian\u00e7a na mitol\u00f3gica ilha das amazonas, Temiscira, Diana tem duas figuras maternas. A superprotetora m\u00e3e, Hip\u00f3lita (Connie Nielsen), rainha das guerreiras, e a severa tia Antiope (Robin Wright), general e treinadora da jovem amazona. As tr\u00eas s\u00e3o l\u00edderes amazonas, tribo da mitologia grega e que, na adapta\u00e7\u00e3o da DC, tem como principal inimigo o deus grego da guerra: Ares.<\/p>\n<div id=\"attachment_940\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-940\" class=\"size-large wp-image-940\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/mulher-maravilha-cinema-\u00e0s-8-3-624x260.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"229\" \/><p id=\"caption-attachment-940\" class=\"wp-caption-text\">No primeiro ato, em Temiscira, as cores s\u00e3o saturadas<\/p><\/div>\n<p>\u00c9 verdade que, assim como em &#8220;Thor&#8221;, a mitologia de um povo tradicional europeu \u00e9 a\u00e7ucarada em uma vers\u00e3o com uma ligeira verossimilhan\u00e7a. E, bem, l\u00f3gica interna nunca foi o forte de longas de super-her\u00f3is &#8211; em &#8220;Mulher-Maravilha&#8221;, os idiomas falados entre os personagens beira o rand\u00f4mico. Mas, como dito antes, h\u00e1 um contexto geral que justifica parte da for\u00e7a\u00e7\u00e3o de barra. Como exemplo, temos a chegada do capit\u00e3o Steve Trevor (Chris Pine) a Temiscira e o ano em que se passa a hist\u00f3ria. \u00c9 t\u00e3o comum se ver um filme sobre a II Guerra Mundial como um homem protagonizando um filme baseado em quadrinhos. A primeira Grande Guerra, no entanto, \u00e9 patinho feito. Bom, a DC\/Warner matou dois coelhos com uma cajadada (ou &#8220;caixa d&#8217;\u00e1gua&#8221;, que \u00e9 bem mais agressivo, por\u00e9m divertido).<\/p>\n<p>O inimigo m\u00e1ximo das amazonas? O deus da guerra. O contexto? &#8220;A guerra para acabar com todas as guerras&#8221;. Depois de salvar o charmoso &#8220;homem comum&#8221;, Diana Prince se veste de seu complexo de Messias e parte em busca do principal fronte de guerra &#8211; onde, tem certeza, encontrar\u00e1 Ares. A partir da\u00ed, surge um humor estilo Marvel um pouco for\u00e7ado, cenas de a\u00e7\u00e3o com cheiro de DC\/Warner\/Zack Snyder (ou seja, muito slow-motion) e uma s\u00e9rie de personagens esquec\u00edveis. O bom \u00e9 que o senso de justi\u00e7a de Diana \u00e9 contagiante e o carisma canastr\u00e3o de Chris Pine segue intacto.<\/p>\n<div id=\"attachment_941\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-941\" class=\"size-large wp-image-941\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/cinemaas8\/wp-content\/uploads\/sites\/57\/2017\/05\/mulher-maravilha-cinema-\u00e0s-8-2-624x416.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" \/><p id=\"caption-attachment-941\" class=\"wp-caption-text\">A partir da chegada em Londres, tudo fica mais soturno<\/p><\/div>\n<p>O segundo e terceiro atos s\u00e3o menos bem sucedidos. A fotografia perde satura\u00e7\u00e3o e se tenta impor uma l\u00f3gica de filme de guerra. Patty Jenkins consegue impor uma boa no\u00e7\u00e3o, uma dimens\u00e3o cruel da dureza do campo de batalha. S\u00f3 falta um pouco mais de robustez no conceito de &#8220;guerra&#8221;. Algo que v\u00e1 al\u00e9m de &#8220;super-hero\u00edna desvia todas as balas do mundo com seus braceletes indestrut\u00edveis&#8221;. J\u00e1 o ato final perde parte da for\u00e7a por conta da abertura do filme, com uma narra\u00e7\u00e3o em off da pr\u00f3pria Diana no presente, relembrando da d\u00e9cada de 1940. <strong>Aviso de spoiler<\/strong>: <del datetime=\"2017-05-30T19:58:22+00:00\">o filme tinha uma boa oportunidade de fugir do vil\u00e3o cl\u00e1ssico, mas hesitou em tentar algo na linha &#8220;Homem de Ferro 3&#8221;. Justo, ainda que eu esteja mais que saturado das &#8220;batalhas finais entre her\u00f3i e vil\u00e3o de origens semelhantes&#8221;.<\/del><\/p>\n<p>&#8220;Mulher-Maravilha&#8221; \u00e9 mais do mesmo. Mas \u00e9 novidade. \u00c9 lotado de excessos, a come\u00e7ar pelos 145 minutos de dura\u00e7\u00e3o. Antes de tudo, por\u00e9m, \u00e9 um filme que oferece uma perspectiva muito mais brilhante e duradoura do que qualquer outro longa de super-her\u00f3i. No fim das contas, gosta quem estiver disposto a gostar, desgosta quem n\u00e3o est\u00e1 a fim de embarcar na aventura da princesa amazona. S\u00f3 que, sinceramente, \u00e9 sempre assim. E um dos lados bons \u00e9 poder discordar eternamente sobre algo t\u00e3o fr\u00e1gil quanto um enredo de filme de super-her\u00f3i. Disson\u00e2ncia \u00e9 essencial para toda a arte.<\/p>\n<p>(andrebloc@opovo.com.br)<br \/>\n<strong><br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: nota 5\/8<\/strong><\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica<br \/>\nMulher-Maravilha (Wonder Woman, EUA, 2017), de Patty Jenkins. Aventura. 12 anos. 145 minutos. Com Gal Gadot e Chris Pine.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 f\u00e1cil dizer que &#8220;Mulher-Maravilha&#8221;, de Patty Jenkins, \u00e9 o melhor filme da DC\/Warner. Meio que n\u00e3o existe uma competi\u00e7\u00e3o. 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