{"id":10177,"date":"2013-08-21T14:52:52","date_gmt":"2013-08-21T17:52:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=10177"},"modified":"2013-08-21T14:52:52","modified_gmt":"2013-08-21T17:52:52","slug":"o-holocausto-segundo-jorge-mautner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/08\/21\/o-holocausto-segundo-jorge-mautner\/","title":{"rendered":"O holocausto, segundo Jorge Mautner"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/08\/Jorge-Mautner_03_Cr\u00e9dito-Juliana-Torres.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-10199\" alt=\"Jorge Mautner_03_Cr\u00e9dito Juliana Torres\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/08\/Jorge-Mautner_03_Cr\u00e9dito-Juliana-Torres.jpg\" width=\"614\" height=\"409\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/08\/Jorge-Mautner_03_Cr\u00e9dito-Juliana-Torres.jpg 3008w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/08\/Jorge-Mautner_03_Cr\u00e9dito-Juliana-Torres-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/08\/Jorge-Mautner_03_Cr\u00e9dito-Juliana-Torres-768x511.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/08\/Jorge-Mautner_03_Cr\u00e9dito-Juliana-Torres-740x492.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/08\/Jorge-Mautner_03_Cr\u00e9dito-Juliana-Torres-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Fernando Pessoa, Charles Baudelaire, Rabindranath Tagore, Stefan Zweig, Jesus de Nazar\u00e9. S\u00e3o muitos os pensadores, pol\u00edticos, fil\u00f3sofos, cientistas, criadores e criaturas que habitam a cabe\u00e7a de<span style=\"color: #800000\"><strong> Jorge Henrique Mautner<\/strong><\/span>. Figura proeminente da cultura brasileira desde a virada dos anos 1960 pros 70, ele \u00e9 tamb\u00e9m um pouco de cada uma dessas personalidades que entraram na sua vida atrav\u00e9s de livros, filmes, conversas, m\u00fasicas e outros caminhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Ao longo de 80 minutos de conversa por telefone, o carioca, que chegou ao Brasil quando sua fam\u00edlia fugia do terror da II Guerra, deixa que esses nomes e muitos outros se cheguem deixando um peda\u00e7o da sua experi\u00eancia. Se definindo simplesmente como curioso, ele est\u00e1 longe de querer fazer do seu conhecimento em tantas \u00e1reas um instrumento de exibicionismo, e at\u00e9 ri quando percebe que a resposta est\u00e1 indo por um caminho muito longo.<\/p>\n<p>E nessa conversa, todo assunto \u00e9 permitido. Das recentes manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que tomaram conta do Brasil at\u00e9 o superado v\u00edcio em coca\u00edna. Tendo como ponto de partida a cinebiografia<strong> O Filho do Holocausto<\/strong>, dirigida por Pedro Bial e Heitor D\u2019Alincourt e recentemente lan\u00e7ada em DVD, <span style=\"color: #800000\"><strong>Mautner<\/strong> <\/span>fala sobre alegrias e tristezas sempre com a mesma voz tranquila.<\/p>\n<p>No entanto, nada o empolga mais do que tratar de uma certa am\u00e1lgama que constitui a cultura brasileira. Tema de tantas can\u00e7\u00f5es e livros que escreveu, bem como palestras e aulas que ministrou, para <span style=\"color: #800000\"><strong>Jorge Mautner<\/strong><\/span> a multiplicidade de conhecimentos do Pa\u00eds resulta numa unidade que s\u00f3 pode ser vista por aqui. Ainda mais agora, com o povo nas ruas. \u201c\u00c9 uma verdadeira erup\u00e7\u00e3o da am\u00e1lgama em plenitude do s\u00e9culo XXI\u201d, ratifica.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Como foi ver sua vida na tela de cinema?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jorge Mautner \u2013<\/strong> Em primeiro lugar, o Heitor D\u2019Alincourt e o Pedro Bial (diretores de O filho do Holocausto) fizeram um filme extraordin\u00e1rio, por que, al\u00e9m de ser um document\u00e1rio, ele tamb\u00e9m \u00e9 um filme em si. Tanto que, quando mostraram ele no festival em Londres (4\u00ba Brazilian Film), eles n\u00e3o acreditavam que fosse document\u00e1rio. Para eles, era uma hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o, que come\u00e7a no candombl\u00e9. \u00c9 s\u00f3 pra dizer que o filme, al\u00e9m de ser um document\u00e1rio fiel, por que eles fizeram pesquisa durante mais de cinco anos, al\u00e9m desse rigor, tem essa qualidade que foi dada por eles. E tudo \u00e9 inspirado num livro meu, que \u00e9 O filho do holocausto (Agir, 2006), mas eles entenderam pra frente. Refor\u00e7aram toda aquela hist\u00f3ria inicial, que \u00e9 minha motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/08\/mautner-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-10202\" alt=\"mautner (1)\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/08\/mautner-1.jpg\" width=\"400\" height=\"331\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/08\/mautner-1.jpg 400w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/08\/mautner-1-300x248.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/08\/mautner-1-120x99.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>DISCOGRAFIA<\/strong>\u00a0\u2013 Que motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 essa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> \u00c9 a exalta\u00e7\u00e3o do Brasil, a aten\u00e7\u00e3o contra qualquer novo nazismo ou neo-nazismo e a proclama\u00e7\u00e3o m\u00e1xima que o Brasil est\u00e1 vivendo agora. Inclusive, me pediram e eu fiz no ano passado o novo Hino da Independ\u00eancia. L\u00e1 eu dizia e digo tamb\u00e9m que o mundo n\u00e3o bebe \u00e1gua, n\u00e3o come, n\u00e3o respira sem o Brasil. E o mais importante disso \u00e9 a am\u00e1lgama do povo brasileiro. Eu cito sempre o Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrade e Silva (conhecido como \u201cPatriarca da Independ\u00eancia\u201d \u2013 1763\/ 1838), que, em 1823, definiu o Brasil dizendo \u201cdiferente de outros povos e culturas, n\u00f3s somos a am\u00e1lgama. Esta am\u00e1lgama t\u00e3o dif\u00edcil de ser feita\u201d. E, ao mesmo tempo, outro trilho fundamental nosso \u00e9 o (diplomata e pol\u00edtico pernambucano) Joaquim Nabuco (1849 \u2013 1910), com a segunda aboli\u00e7\u00e3o. Isso repercutiu em plenitude com o Tropicalismo.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 O filme come\u00e7a com imagens da Segunda Guerra, do holocausto, enquanto voc\u00ea canta \u201cL\u00e1grimas negras\u201d. O que voc\u00ea sente quando v\u00ea essas imagens hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> Toda hora eu tenho um novo estremecimento. Isso a\u00ed sempre. E mais ainda. A import\u00e2ncia de nunca mais existir isso \u00e9 fundamental. Inclusive, por exemplo, a maravilha dessas manifesta\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, toda essa liberdade, o mundo todo atr\u00e1s dos direitos humanos, isso tudo, acho que \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o e foi fruto de todo o horror desses campos de concentra\u00e7\u00e3o e do horror de toda a II Guerra Mundial. Mas, principalmente por conta dos campos de concentra\u00e7\u00e3o, por que ali se tentou criar o ser humano que n\u00e3o seguia os direitos humanos e as palavras de Jesus de Nazar\u00e9. Por que, Jesus de Nazar\u00e9 inventou o romantismo, os direitos humanos, inclusive a desobedi\u00eancia civil pacifica e o pacificante, inventou o socialismo e, atrav\u00e9s do livre arb\u00edtrio, inventou o liberalismo. E nunca mais o mundo foi o mesmo. E o Brasil, com essa am\u00e1lgama, \u00e9 o \u00e1pice desse processo. Por isso, ou o mundo se brazilifica, ou se tornar\u00e1 nazista. Aqui, por causa da hist\u00f3ria original nossa, ela criou uma cultura in\u00e9dita que \u00e9 o futuro da humanidade. N\u00e3o tenho d\u00favida disso.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=FQQCW0NQTwA[\/youtube]\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Queria que voc\u00ea falasse mais dessa am\u00e1lgama e dessa cultura brasileira que voc\u00ea exalta.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> No filme tem at\u00e9 a m\u00fasica \u201cOutros viram\u201d, com o Gil. Ele fez uma vers\u00e3o em ingl\u00eas e viajou para Washington. Ali os jornalistas se debru\u00e7aram espantados, por que essa m\u00fasica exalta isso que eu acabei de falar. Falo do Rabindranath Tagore (1861 \u2013 1941), fil\u00f3sofo da \u00cdndia, que disse que a futura civiliza\u00e7\u00e3o do amor aparecer\u00e1 no Brasil. Cito tamb\u00e9m Stefan Zweig (1881 \u2013 1941, romancista e poeta vienense). No meio da letra, tem um epis\u00f3dio muito interessante sobre o presidente americano Theodore Roosevelt (1858 \u2013 1919), por que, depois da Guerra da Secess\u00e3o (1861 \u2013 1865), durante quatro anos teve uma vis\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o de escravos, mas depois veio a Ku Klux Klan. Inclusive, o primeiro grande filme dos EUA, O nascimento de uma na\u00e7\u00e3o (D. W. Griffith, 1915), \u00e9 um hino a favor da Ku Klux Klan. A partir da\u00ed, eles tomaram o poder at\u00e9, quase, a elei\u00e7\u00e3o do Obama. Mas o Theodore Roosevelt contra a Ku Klux Klan e tinha uma ideia muito revolucion\u00e1ria na cabe\u00e7a. Quando ele veio pra c\u00e1, ele conhece a Amaz\u00f4nia, o Patanal. Mas o que mais enlouquece ele \u00e9 a am\u00e1lgama e ele disse \u201cessa \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o pra continua\u00e7\u00e3o dos EUA. E voltou e foi l\u00e1 pro congresso propor essa am\u00e1lgama, que, claro, foi recusada. Isso \u00e9 Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, Jorge Amado, Guimar\u00e3es Rosa, Dolores Duran, Vinicius de Moraes, \u00e9 toda a hist\u00f3ria do Brasil. E, principalmente, os \u00edndios tupi-guaranis.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> Diferente de todos os outros povos e culturas&#8230; Por exemplo, o estranho, o desconhecido, o forasteiro, o cara diferente \u00e9 pra ser estra\u00e7alhado, impedido de entrar na tua tribo. Todas as hist\u00f3rias de todos os povos e culturas do planeta t\u00eam essa atitude, menos os tupis-guaranis. Olha que impressionante. Como eles t\u00eam o mito de que tudo \u00e9 mist\u00e9rio, e o mist\u00e9rio criou os \u00edndios tupis-guaranis pra que eles fossem desvendando o mist\u00e9rio. Ent\u00e3o, ao contr\u00e1rio de tudo que \u00e9 diferente ser estra\u00e7alhado, \u00e9 pra ser adorado e amado. Quando chegaram os brancos com as caravelas, foi direto assim. Isso acontece o tempo todo. No final na d\u00e9cada de 1960, l\u00e1 em S\u00e3o Paulo, por conta da imigra\u00e7\u00e3o japonesa, a umbanda de l\u00e1 criou o orix\u00e1 samurai. A adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 imediata.<\/p>\n<p>&gt; A conversa com Jorge Mautner aconteceu enquanto o Brasil jogava com o Uruguai pela Copa das Confedera\u00e7\u00f5es. Perguntado se queria interromper, par retomar depois do jogo, ele preferiu continuar.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Queria que voc\u00ea me falasse mais da sua rela\u00e7\u00e3o com o candombl\u00e9.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> Meus pais chegaram refugiados do Holocausto e, um m\u00eas depois, eu nasci. Minha m\u00e3e ficou muito traumatizada por conta de tudo que tinha vivido, por que minha irm\u00e3 n\u00e3o veio junto, e eu fiquei at\u00e9 os sete anos nas m\u00e3os da minha bab\u00e1. E, pelo menos duas ou tr\u00eas vezes por semana, ela ia pro candombl\u00e9 e me levava. Ela chegava l\u00e1, trocava de roupa e surgia como uma rainha. Me botava no colo, coma\u00e7ava os trabalhos, os tambores tocando e ela dizia: \u201cseus pais vieram de um lugar de gente muito cruel, muito ruim, mas aqui voc\u00ea vai encontrar seus amigos\u201d. E eu adormecia com ela passando as m\u00e3os nos meus cabelos e acordava na camarinha. A\u00ed vinham as meninas e me davam comida na boca, faziam festa. Isso determinou todo o resto da minha poesia, do meu trabalho. Al\u00e9m disso, o candombl\u00e9 \u00e9 de uma sofistica\u00e7\u00e3o incr\u00edvel. Tem um jogo de b\u00fazios com uma m\u00e3o s\u00f3, que tem o dado do acaso, do c\u00e1lculo da incerteza do Heisenberg (f\u00edsico alem\u00e3o). Tem mais ainda. Sabe o I-ching (ou Livro das Muta\u00e7\u00f5es, \u00e9 um livro chin\u00eas)? Na verdade \u00e9 o If\u00e1, igualzinho jogado com varetas, e \u00e9 anterior ao chin\u00eas. O candombl\u00e9 tem todo o conhecimento do mundo qu\u00e2ntico, da quarta dimens\u00e3o, da simultaneidade que as coisas te d\u00e3o. Tudo est\u00e1 em linguagem po\u00e9tica, mitol\u00f3gica e clarissimamente filos\u00f3fica.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Voc\u00ea j\u00e1 me citou o candombl\u00e9, a Hist\u00f3ria, a filosofia, a f\u00edsica. O que mais ajudou a compor seu conhecimento, sua literatura, sua m\u00fasica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> Primeiro, toda a m\u00fasica popular brasileira e toda a literatura. Desde crian\u00e7a, eu ou\u00e7o todos os ritmos. E sou apaixonado. No meu livro, Deus da chuva e da morte, eu tenho letras de m\u00fasica caipira, que a turma n\u00e3o gostava muito, can\u00e7\u00f5es do nordeste, repentes. Mas \u00e9 dif\u00edcil eu te dizer quem mais me inspirou, por que, \u00e9 muito tempo e eu conhe\u00e7o muita coisa, por que sou muito curioso. E isso \u00e9 muito maravilhoso. S\u00f3 no Nordeste, s\u00e3o muitos vulc\u00f5es. Tem o tambor de crioula, o xote, o miudinho, o maracatu, cirandas. \u00c9 tanta coisa.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6xPtZQDgggM[\/youtube]\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Nos anos 70, voc\u00ea fazia parte de um grupo de compositores que ganhou o apelido de \u201cmalditos\u201d. Era um grupo de prest\u00edgio e ideias modernas, mas de pouco apelo comercial. Ser ou ter sido um maldito, pra voc\u00ea, \u00e9 bom ou ruim?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> Ser maldito \u00e9 uma grande honraria. Significava que voc\u00ea estava contra toda uma moral de hipocrisia, toda uma vis\u00e3o distorcida. V\u00ea-se que, ao contr\u00e1rio de maldito, talvez sejam os mais benditos. Ali\u00e1s, est\u00e1 naquela par\u00e1bola. Lembra o filho pr\u00f3digo? Mais vale aquela ovelha que se separou do rebanho e mais tarde voltou a ele, do que aquela que sempre pertenceu ao rebanho. Ent\u00e3o, tu que eles chamavam de maldito, era verdade e libert\u00e1rio. N\u00f3s faz\u00edamos de prop\u00f3sito, n\u00e3o pra chocar, mas pra informar \u201colha s\u00f3, a verdade \u00e9 essa aqui. voc\u00ea tem que considerar tamb\u00e9m isso aqui\u201d. \u00c9 como se fosse a import\u00e2ncia da minoria. N\u00e3o existe democracia, sem minoria. Assim como n\u00e3o existe alegria que n\u00e3o venha do cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existe democracia sem oposi\u00e7\u00e3o. Mas veja s\u00f3, Dostoi\u00e9vski (escritor russo) era um maldito, Augusto dos Anjos (poeta brasileiro), Baudelaire (poeta franc\u00eas) e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Posso disser, ent\u00e3o, que voc\u00ea faz parte de um grupo seleto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> N\u00e3o&#8230; (pensando) E ao mesmo tempo popular tamb\u00e9m. N\u00e3o sei se esse grupo \u00e9 t\u00e3o seleto assim. Pode ser.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA<\/strong> <strong>\u2013 Mas \u00e9 curioso perceber que esses ditos malditos fazem muito a cabe\u00e7a de uma nova gera\u00e7\u00e3o de cantores e compositores brasileiros. No Filho do Holocausto, voc\u00ea, inclusive, est\u00e1 ao lado de uma banda de jovens m\u00fasicos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> \u00c9 exatamente isso que voc\u00ea falou. A internet revelou, e os tempos s\u00e3o esses de liberdade, junto simultaneidade. Tudo isso e vem mais ainda, por que a cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o para.<\/p>\n<p>&gt; Por v\u00e1rias vezes durante a conversa, Mautner arranjava uma forma de exaltar as manifesta\u00e7\u00f5es populares que se espalharam pelo Brasil ao longo das \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/08\/Jorge-Mautner-Reprodu\u00e7\u00e3o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-10200\" alt=\"JORGE MAUTNER - TOCANDO VIOLINOCRED.  ADHEMAR VENEZIANO \/ A. IMAGENS\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/08\/Jorge-Mautner-Reprodu\u00e7\u00e3o-550x387.jpg\" width=\"524\" height=\"368\" \/><\/a>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Voc\u00ea acompanha essa nova gera\u00e7\u00e3o de artistas? Sei que voc\u00ea \u00e9 o padrinho da Orquestra Imperial.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> Grande Orquestra Imperial! Acompanho sim. N\u00e3o s\u00f3 pelo meu portal, onde eu recebo muita coisa. Eu to o tempo todo atuando em v\u00e1rias \u00e1reas. Palestras com participa\u00e7\u00e3o da garotada. Desde muito tempo eu fa\u00e7o isso. Desde a \u00e9poca de s\u00f3 escritor, eu fa\u00e7o isso. Fa\u00e7o pref\u00e1cios pra novos poetas que surgiram. Eu fa\u00e7o muita atividade social e cultural sob esse ponto de vista. Meu portal est\u00e1 aberto pra todos os produtos que eu recebo. S\u00f3 Pontos de Cultura (projeto do Minist\u00e9rio da Cultura), eu e o Nelson Jacobina viajamos cinco anos. S\u00f3 pra voc\u00ea ver, eu e o Nelson lan\u00e7amos o Itamar Assump\u00e7\u00e3o (compositor paulista, 1949 \u2013 2003). Ele era m\u00fasico nosso. De repente, a gente viu ele tocando e obrigamos ele a cantar as m\u00fasicas. Lulu Santos come\u00e7ou com a gente, Roberto de Carvalho.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Imposs\u00edvel falar da sua trajet\u00f3ria sem falar em Nelson Jacobina (1953 \u2013 2012). Como era essa parceria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> O Nelson trabalhou comigo 40 anos, dia e noite, n\u00e3o s\u00f3 na m\u00fasica. Era tamb\u00e9m toda a milit\u00e2ncia pol\u00edtica o tempo todo. De todo tipo. Desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o no regime Militar, depois e durante. Nossa participa\u00e7\u00e3o foi muito intensa. E ele morreu assim, quatro anos de met\u00e1stase terr\u00edvel do c\u00e2ncer (de pulm\u00e3o) e nem o Metadone funcionava para aliviar a dor, nem uma p\u00edlula especial que vinha dos EUA. E ele foi heroico. O (m\u00e9dico) Dr\u00e1uzio Varela disse no primeiro m\u00eas que era imposs\u00edvel, que ele estava tecnicamente morto, que isso era um milagre. Mas era um milagre impressionante dos neur\u00f4nios. As dores passavam quando ele entrava no palco ou quando ele come\u00e7ava a participar das reuni\u00f5es. Olha que coisa impressionante. No meio das dores, ele ainda dava risada.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Como voc\u00eas se conheceram e como \u00e9, agora, fazer m\u00fasica sem ele?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> Vou come\u00e7ar pela \u00faltima. A aus\u00eancia dele \u00e9 imensa, mas, ao mesmo tempo, a presen\u00e7a \u00e9 maior ainda. Por que ele ta sempre com a gente, tocando. \u00c9 claro que \u00e9 insubstitu\u00edvel essa sensa\u00e7\u00e3o. Ela s\u00f3 \u00e9 sublimada tocando as m\u00fasicas dele, lembrando dele o tempo todo. Eu o conheci quando voltei do ex\u00edlio em 1972. N\u00e3o sei quem me recomendou, mas eu fui fazer uma palestra na Escola de M\u00fasica Villa-Lobos (RJ). Eu cheguei, falei sobre <em>Nietzsche (fil\u00f3sofo alem\u00e3o), Dion\u00edsio (deus grego), o candombl\u00e9. E o Nelson j\u00e1 tinha lido o Deus da Chuva e da Morte, e ele estava l\u00e1. Eu estava com m\u00fasicas, tinha uma proposta do Midani (produtor fonogr\u00e1fico) e perguntei pra ele: \u201cquer uma carreira art\u00edstica?\u201d. E ele: \u201cclaro\u201d. Ele inclusive est\u00e1 no meu disco Pirata (Pra iluminar a cidade, 1972), que n\u00e3o \u00e9 pirata. Ele est\u00e1 l\u00e1 como Carneirinho. Ele j\u00e1 est\u00e1 participando, fez todos os arranjos, toca todas as m\u00fasicas, mas inda n\u00e3o temos parcerias. <\/em><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA<\/strong> <strong>\u2013 No filme, voc\u00ea aborda sua curta rela\u00e7\u00e3o com as bebidas alco\u00f3licas. Para algu\u00e9m que viveu com tanta intensidade os anos 60\/70, como foi sua rela\u00e7\u00e3o com outras drogas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> Teve um per\u00edodo muito terr\u00edvel, que eu ressuscitei s\u00f3 por causa dos Narc\u00f3ticos An\u00f4nimos. Minha filha Amora me levou e o Denis Carvalho. E foi por isso que eu sa\u00ed desse inferno. Come\u00e7ou com coca\u00edna. Ent\u00e3o foi um terror. Tem m\u00fasicas inclusive. No disco Eu n\u00e3o pe\u00e7o desculpa (2002), a m\u00fasica \u201cCoisa assassina\u201d \u00e9 s\u00f3 sobre isso. Outra mais recente, que tamb\u00e9m \u00e9 muito sobre isso, chama-se \u201cOs pais\u201d. E tem mais uma, que o Nelson at\u00e9 exigia que eu cantasse at\u00e9 o fim, que trata do tema da morte. \u00c9 \u201cMorre-se assim\u201d. Bem claro, n\u00e9? O John Lennon, inclusive, disse assim: \u201co \u00e1lcool e as drogas me fizeram voar e, depois, me tiraram o c\u00e9u\u201d.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Queria que voc\u00ea comentasse sua rela\u00e7\u00e3o com o cinema. Voc\u00ea dirigiu O demiurgo, que hoje voc\u00ea define como uma \u201cchanchada filos\u00f3fica\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> Esse filme foi feito em 1969, quando eu tava exilado nos EUA. Eu n\u00e3o conhecia pessoalmente o Gil e o Caetano, mas eles j\u00e1 tinham ouvido falar de mim atrav\u00e9s de Rog\u00e9rio Duarte (artista baiano), Rita Lee e Glauber Rocha. Quando nos encontramos, foi o encontro prometido pelos candombl\u00e9s. Toda a nossa vis\u00e3o se unindo junto, a igualdade e a simultaneidade se encontrando dentro da diferen\u00e7a. \u00c9 o Brasil da am\u00e1lgama. Botei todo o dinheiro que eu tinha ganho no filme O demiurgo. O que interessava era n\u00f3s brasileiros querendo voltar pra redemocratizar e felizes com o nosso encontro. O filme tinha inten\u00e7\u00e3o de ser sucesso no Brasil. Todo mundo tava esperando. \u201cNossa! O que ser\u00e1 que vem do Jorge Mautner, Gil e do Caetano em Londres?\u201d. Esperavam as maiores subvers\u00f5es. Nada. O filme \u00e9 casto. Quase tudo foi filmado no primeiro take, por conta da economia. O filme ainda hoje \u00e9 muito bom.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Suas m\u00fasicas, sejam os rocks, sambas, marchas ou bossas, tem duas caracter\u00edsticas bem marcantes. Primeiro \u00e9 uma complexidade po\u00e9tica, que parece simples. Outra \u00e9 a alegria. \u00c9 o caso, por exemplo, do \u201cRock da barata\u201d, que voc\u00ea cantou no Phono 73.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> Ah! Eu adoro aquela ali. \u00c9 de um humor incr\u00edvel. Eu gosto demais disso. As crian\u00e7as gostam muito. Tem liga\u00e7\u00e3o com marchinha tamb\u00e9m e permite o surrealismo muito palp\u00e1vel. Eu acho de extrema autoironia. Eu n\u00e3o to ca\u00e7oando de ningu\u00e9m, afrodescendente, pessoa gorda. Eu to fazendo ironia comigo mesmo. \u201cLocomotiva\u201d tem isso. Essa da barata foi um fato real, voc\u00ea sabia? Eu fiquei assim, piso n\u00e3o piso. Decidi n\u00e3o pisar. A Ruth (Mendes, esposa) me deu uma bronca. Aquilo ficou na cabe\u00e7a e eu botei na letra. Eu tava inclusive lembro um livro sobre o jainismo, aquela seita da \u00cdndia, onde os monges v\u00e3o com um len\u00e7o na boca e uma vassoura na frente, pra n\u00e3o engolir nenhum mosquito. Por que toda vida \u00e9 sagrada. E eu tava influenciado e n\u00e3o queria pisar na barata, ent\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/08\/Nelson-Jacobina-e-Jorge-Mautner-Cr\u00e9dito-Juliana-Torres.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-10201\" alt=\"Nelson Jacobina e Jorge Mautner  - Cr\u00e9dito Juliana Torres\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/08\/Nelson-Jacobina-e-Jorge-Mautner-Cr\u00e9dito-Juliana-Torres-550x365.jpg\" width=\"524\" height=\"347\" \/><\/a><\/p>\n<p>&gt; A cumplicidade entre Jorge Mautner e Nelson Jacobina ficou explicita nas entrelinhas da conversa. Sempre que podia, o compositor citava o nome do parceiro.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Voc\u00ea falou que viajou muito pelos Pontos de Cultura. O que voc\u00ea tem achado da gest\u00e3o da Cultura durante a gest\u00e3o do PT?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> Acho que tudo que o Gilberto Gil fez est\u00e1 totalmente mais do que correto. Metade da import\u00e2ncia do Brasil, al\u00e9m da que o Lula irradiou, veio da irradia\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura. O mundo se apercebeu da profundidade da nossa Cultura. J\u00e1 sabiam pela Bossa Nova. Anteriormente pela Carmen Miranda e pelo futebol. Agora a Cultura, depois de chegar a arte do futebol, foi o Minist\u00e9rio do Gil no mundo todo. Eu sei que os Pontos de Cultura s\u00e3o a coisa mais importante para o mundo todo. Agora, o que houve foram considera\u00e7\u00f5es. Eu sei que os Pontos de Cultura s\u00e3o muitos e t\u00eam muitas solicita\u00e7\u00f5es para mais, e que tinham problemas, parece, de relat\u00f3rio. Como \u00e9 muito supervisionado, com toda a raz\u00e3o, j\u00e1 que \u00e9 um dinheiro p\u00fablico, cada Ponto de Cultura tem que fazer um relat\u00f3rio quase que semanal. E isso muitas vezes n\u00e3o acontece. E isso d\u00e1 oportunidade para serem interrompidos. Fora que no minist\u00e9rio da Ana de Holanda houve uma interrup\u00e7\u00e3o desse dinheiro. O \u00fanico estado que continuou a todo vapor foi Pernambuco. Agora a Marta Suplicy, me parece que ela d\u00e1 muita import\u00e2ncia. Acho que isso tudo vai continuar. Isso \u00e9 uma demanda essencial.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Uma das cenas mais curiosas e hil\u00e1rias do filme \u00e9 sua conversa com a Amora, sua filha. Quando olha pra tr\u00e1s, como voc\u00ea v\u00ea suas atitudes de pai? Se arrepende de como agiu?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> (Risos) \u00c9 incr\u00edvel, n\u00e9? Press\u00e3o p\u00fablica. Naturalmente, que eu tava errado. Hoje em dia, eu n\u00e3o faria isso.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 N\u00e3o iria mais busc\u00e1-la de sunga no col\u00e9gio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> (Risos) Nem daria o nome de Amora, que agora ela aprovou. Agora essas v\u00eam como uma responsabilidade. Por isso que eu digo: eu vivo ajoelhado aos p\u00e9s da cruz, em eterna penit\u00eancia. Agora, n\u00e3o era maldade. Era uma naturalidade. Mas, hoje em dia eu n\u00e3o faria.<\/p>\n<p>&gt; O filme O Filho do Holocausto \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o do Canal Brasil e foi exibido em Fortaleza na semana anterior ao Carnaval.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/08\/jorgemautner.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-10203\" alt=\"jorgemautner\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/08\/jorgemautner.jpg\" width=\"400\" height=\"413\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/08\/jorgemautner.jpg 400w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/08\/jorgemautner-300x310.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/08\/jorgemautner-120x124.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>DISCOGRAFIA\u00a0\u2013 Quando voc\u00ea olha pra tr\u00e1s e v\u00ea sua obra \u2013 discos, livros, cinema, shows, etc. \u2013, o qu\u00ea voc\u00ea em comum a toda essa produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> E voc\u00ea ainda coloca por cima minha esposa comigo, mais a Amora, mais minha netinha, \u00e9 a felicidade total. Eu sinto uma coisa assim que eu comecei na alegria do candombl\u00e9, aos sete anos. Agora ent\u00e3o, eu nem mere\u00e7o tanta felicidade. \u00c9 impressionante.<\/p>\n<p><strong>Dalwton Moura (jornalista) \u2013 Neste momento de maracatu at\u00f4mico, como \u00e9 que voc\u00ea acha que se vai organizar o movimento? Qual \u00e9 a sua leitura deste momento e das suas possibilidades? H\u00e1 espa\u00e7o para avan\u00e7os tamb\u00e9m quanto \u00e0 cultura?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mautner \u2013<\/strong> O movimento vai se organizar naturalmente dentro do turbilh\u00e3o e redemoinho desse embate de discuss\u00f5es, de delibera\u00e7\u00f5es, de tudo. Eu acho que pelos conselhos, pelas discuss\u00f5es, pelo realce dos interesses e por todo esse humanismo que caracteriza j\u00e1, \u00e9 uma verdadeira erup\u00e7\u00e3o da am\u00e1lgama em plenitude do s\u00e9culo XXI. Isso \u00e9 verdadeiramente democracia. A minoria tem tanta import\u00e2ncia quanto a maioria. E impressiona a receptividade total das autoridades. Come\u00e7ou agora e vai se eternizar por que isso \u00e9 a miss\u00e3o da democracia. Isso tudo j\u00e1 \u00e9 o exerc\u00edcio e a presen\u00e7a da Cultura espocando por a\u00ed. A Cultura \u00e9 essencial. Agora essa instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que foi negada, ta assegurada pelos 100% dos royalties do pr\u00e9-sal. Agora, acho que mais do que nunca, h\u00e1 de ser cumprido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Pessoa, Charles Baudelaire, Rabindranath Tagore, Stefan Zweig, Jesus de Nazar\u00e9. S\u00e3o muitos os pensadores, pol\u00edticos, fil\u00f3sofos, cientistas, criadores e criaturas que habitam a cabe\u00e7a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[129,191,1],"tags":[],"class_list":["post-10177","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","category-jorge-mautner","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10177\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}