{"id":10213,"date":"2014-08-05T14:21:20","date_gmt":"2014-08-05T17:21:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=10213"},"modified":"2014-08-05T14:21:20","modified_gmt":"2014-08-05T17:21:20","slug":"arqueologia-musical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2014\/08\/05\/arqueologia-musical\/","title":{"rendered":"Arqueologia musical"},"content":{"rendered":"<p>* Texto escrito para a revista O POVO Cen\u00e1rio N\u00ba 2<\/p>\n<div id=\"attachment_11746\" style=\"width: 635px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/charles-gavin.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11746\" class=\" wp-image-11746\" alt=\"charles gavin\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/charles-gavin-625x415.jpg\" width=\"625\" height=\"415\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11746\" class=\"wp-caption-text\">Gavin com o disco Todos os olhos, de Tom Z\u00e9<\/p><\/div>\n<p>Existe uma m\u00e1xima dita por a\u00ed que trata das coisas antigas: \u201cquem vive de passado \u00e9 museu\u201d. Discordo. Prefiro acreditar em Renato Russo, que cantava \u201co futuro n\u00e3o \u00e9 mais como era antigamente\u201d. E, usando o tema deste espa\u00e7o, a m\u00fasica, posso comprovar. Um passeio pelas grandes lojas de discos que ainda resistem e voc\u00ea pode encontrar uma s\u00e9rie de t\u00edtulos lan\u00e7ados primeiramente em LP agora apresentados em vers\u00e3o CD.<\/p>\n<p>Essa enxurrada de disquinhos prateados no lugar dos antigos bolach\u00f5es se deve ao trabalho de pesquisadores que se embrenham nos arquivos das gravadoras em busca daquele disco lan\u00e7ado d\u00e9cadas atr\u00e1s, mas que acabou esquecido embaixo de um monte de poeira. Entre esses arque\u00f3logos, um dos nomes mais conhecidos \u00e9 do paulistano <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Charles Gavin<\/strong><\/span>, ex-baterista dos Tit\u00e3s e apresentador do programa <em>Som do Vinil<\/em> (Canal Brasil).<\/p>\n<p>Desde 1999 nessa empreitada, o m\u00fasico j\u00e1 foi respons\u00e1vel por mais de 500 reedi\u00e7\u00f5es. Entre elas, os dois \u00fanicos LPs do <span style=\"color: #000000\"><strong>Secos &amp; Molhados<\/strong><\/span> (<strong>S\u00e9rie Dois Momentos<\/strong>), as d\u00e9cadas de 1960 e 1970 de <strong>Marcos Valle<\/strong> (no box <strong>Tudo<\/strong>) e o \u00fanico trabalho da power band de Hermeto Pascoal e Lanny Gordin,<strong> Brazilian Octopus<\/strong> (s\u00e9rie Som Livre Masters). <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Charles Gavin<\/strong> <\/span>agora est\u00e1 envolvido com a Cole\u00e7\u00e3o Cultura, projeto encabe\u00e7ado pela Livraria Cultura que j\u00e1 tirou do \u201cumbral\u201d 20 discos, nacionais e internacionais, que passeiam por cl\u00e1ssicos obscuros do sambajazz at\u00e9 o progressivo brasuca. Outros 10 est\u00e3o sendo planejados para o segundo semestre.<\/p>\n<p>J\u00e1 nas lojas, <strong>Herbie Mann &amp; Jo\u00e3o Gilberto &amp; Tom Jobim<\/strong> (1962), por exemplo, \u00e9 um encontro de estrelas da maior grandeza em torno da Bossa Nova. Filho de russos e romenos, criado em Nova York, Herbie era um apaixonado pelas possibilidades art\u00edsticas do banquinho e viol\u00e3o. O mesmo pode ser dito do cantor americano Jon Hendricks, que homenageou o pai da Bossa Nova em <strong>Salud! Jo\u00e3o Gilberto<\/strong> (1961). Outra preciosidade, h\u00e1 tempos esquecida, \u00e9 o cart\u00e3o de visita do arranjador <strong>Artur Verocai<\/strong>. Lan\u00e7ado em 1972, agora relan\u00e7ado em CD e LP, o disco mistura jazz, funk e soul, com uma roupagem elegante e participa\u00e7\u00f5es fundamentais de C\u00e9lia e Carlos Daf\u00e9.<\/p>\n<p><b>O descobridor de m\u00fasica<\/b><\/p>\n<div id=\"attachment_11748\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/marcelo-froesZeRamalho.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11748\" class=\" wp-image-11748\" alt=\"marcelo froesZeRamalho\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/marcelo-froesZeRamalho-625x468.jpg\" width=\"350\" height=\"262\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11748\" class=\"wp-caption-text\">Marcelo Fr\u00f3es e Z\u00e9 Ramalho<\/p><\/div>\n<p>Outro nome que virou sin\u00f4nimo de resgate da m\u00fasica brasileira foi o do jornalista e produtor <span style=\"color: #003300\"><strong>Marcelo Fr\u00f3es<\/strong><\/span>. H\u00e1 10 anos \u00e0 frente do selo Discobertas, ele tirou a poeira trabalhos raros de Beth Carvalho, Z\u00e9 Remalho e Celly Campelo. No primeiro semestre de 2012, comemorando 60 anos de carreira, Cauby Peixoto teve nada menos que 12 discos embalados em duas caixas. Entre os t\u00edtulos, o revigorante <strong>Cauby! Cauby!<\/strong> (1980) e o luxuoso <strong>Cauby canta Sinatra<\/strong> (1995).<\/p>\n<p>Em seguida, em parceria com a Warner, ele lan\u00e7a a Cole\u00e7\u00e3o Discobertas com 12 t\u00edtulos raros ou, em sua maioria, in\u00e9ditos em CD. \u00c9 o caso de <strong>Tem que acontecer<\/strong> (1976), segundo \u00e1lbum da curta discografia de S\u00e9rgio Sampaio. Conhecido pelo sucesso <em><strong>Eu quero \u00e9 botar meu bloco na rua<\/strong><\/em>, o conterr\u00e2neo marginal do rei Roberto Carlos tratou com intelig\u00eancia assuntos como as cl\u00ednicas psiqui\u00e1tricas (no fox <strong><em>Que loucura<\/em><\/strong>) e a comercializa\u00e7\u00e3o da arte (<em><strong>Cada lugar na sua coisa<\/strong><\/em>). Os cearenses tamb\u00e9m t\u00eam seu espa\u00e7o com o esquecido <strong>Amelinha<\/strong> (1987), estreia da cantora na Continental, e<strong> Ave Noturna<\/strong> (1975), segundo disco de Fagner.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e3o na mira da Discobertas dois artistas respons\u00e1veis por renovar os quadros da Bossa Nova. Um deles \u00e9 o organista pernambucano Walter Wanderley, que este ano completaria 80 anos de vida. Vitimado por um c\u00e2ncer em 1986, enquanto residia nos Estados Unidos, o m\u00fasico ganha como homenagem duas caixas contendo oito discos lan\u00e7ados entre 1959 e 1963. <strong>Festas Dan\u00e7antes Vol. 1 <\/strong>e<strong> 2<\/strong>, assim como a caixa Zimbo Trio (2011), trazem o fil\u00e9 do sambajazz brasileiro em vers\u00f5es suingadas. O outro \u00e9 o paulista S\u00e9rgio Ricardo, adepto da ala mais pol\u00edtica da Bossa, que tamb\u00e9m completa 80 anos. Seu presente vai ser a reedi\u00e7\u00e3o dos desconhecidos <strong>Do lago \u00e0 cachoeira<\/strong> (1979) e <strong>A noite do espantalho<\/strong> (1974). Este \u00faltimo \u00e9 a trilha sonora de um filme \u201cglauberrochiano\u201d do pr\u00f3prio S\u00e9rgio e tem ades\u00f5es de Alceu Valen\u00e7a e Geraldo Azevedo.<\/p>\n<p><b>Um farol para as vozes femininas<\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/ze-pedro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-11750\" alt=\"ze pedro\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/ze-pedro-625x959.jpg\" width=\"375\" height=\"575\" \/><\/a>Conhecido pelos figurinos ex\u00f3ticos apresentados em programas de audit\u00f3rio, o DJ Z\u00e9 Pedro tamb\u00e9m aproveitou seu prest\u00edgio no meio musical e fundou, h\u00e1 pouco mais de um ano, a Joia Moderna. A gravadora, mais do que resgatar discos, tem como miss\u00e3o trazer de volta \u00e0 ativa cantoras h\u00e1 tempos fora do mercado fonogr\u00e1fico. E um detalhe: s\u00e3o somente cantoras. Nesse terreiro, homem n\u00e3o tem vez.<\/p>\n<p>A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o ficou por conta do baiano Edy Star, homossexual assumido. Cantor e ator perform\u00e1tico que dividiu o disco <strong>Sociedade da Gr\u00e3-Ordem Kavernista Apresenta Sess\u00e3o das 10<\/strong> com Raul Seixas, ele teve seu \u00fanico disco solo, <strong>Sweet Edy<\/strong> (1974), reeditado pela Joia em formato de luxo, com biografia e \u00e1lbum de fotos. Com can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas de Roberto, Erasmo, Caetano e Gil, Sweet Edy \u00e9 uma obra \u00fanica na MPB, que alinha rock e samba-can\u00e7\u00e3o com muita propriedade.<\/p>\n<p>Ainda no hall dos relan\u00e7amentos, <strong>Alvoro\u00e7o<\/strong> (1973) serviu para apresentar ao p\u00fablico uma nova Leny Andrade. Marcada pelos graves profundos sempre ligados \u00e0 Bossa Nova, a diva cedeu espa\u00e7o para um repert\u00f3rio mais suingado e plural, que inclui Fagner e Belchior (<em><strong>Moto 1<\/strong><\/em>) e uma in\u00e9dita de Milton Nascimento (<em><strong>Bolero<\/strong><\/em>). Tamb\u00e9m apontando para v\u00e1rios lados, <strong>Feiticeira<\/strong> (1975) \u00e9 a trilha de um espet\u00e1culo de Mar\u00edlia P\u00eara, que acabou nunca sendo encenado. Antenado \u00e0 sua \u00e9poca, o disco tornou-se cult, tanto pelo repert\u00f3rio meio psicod\u00e9lico, quanto pela participa\u00e7\u00e3o dos ent\u00e3o iniciantes Geraldo Azevedo, Alceu Valen\u00e7a, Lob\u00e3o e Lulu Santos.<\/p>\n<p>Mas, nada poderia marcar mais a curta hist\u00f3ria da Joia Moderna do que o compromisso em \u201cjogar luzes sobre as vozes femininas\u201d, como diz o pr\u00f3prio Z\u00e9 Pedro. Foi por isso que ele gravou <strong>Ave Rara<\/strong>, curiosamente o terceiro disco dos quase 30 anos de carreira de Silvia Maria. Depois de <strong>Porte de Rainha<\/strong> (1983) e <strong>Coragem<\/strong> (1980), a paulistana ficou escondida em pequenos palcos, o que fez Z\u00e9 Pedro peregrinar pelas casas noturnas de S\u00e3o Paulo at\u00e9 localiz\u00e1-la. Com as mesmas boas inten\u00e7\u00f5es, ele tamb\u00e9m lan\u00e7ou <strong>Senhor do Tempo<\/strong>, tributos de can\u00e7\u00f5es raras de Caetano Veloso na voz privilegiada de Cl\u00e1udia. H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada sem um disco in\u00e9dito, Cl\u00e1udia teve sua carreira marcada negativamente por um mal entendido com a espevitada Elis Regina. H\u00e1 anos fora dos holofotes, marca o retorno de uma artista que fez fama no Brasil dos festivais. Por sorte, suas saudades v\u00e3o poder ser resolvidas com a ajuda do farol certeiro de quem sabe dar valor aos que fazem a hist\u00f3ria na m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p><strong>&gt; Bate-Pronto com Z\u00e9 Pedro<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_11753\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/leny-andrade-alvoroco.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11753\" class=\"size-medium wp-image-11753\" alt=\"Alvoro\u00e7o foi um dos relan\u00e7amentos da Joia Moderna\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/leny-andrade-alvoroco-300x299.jpg\" width=\"300\" height=\"299\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11753\" class=\"wp-caption-text\">Alvoro\u00e7o foi um dos relan\u00e7amentos da Joia Moderna<\/p><\/div>\n<p><b>Cen\u00e1rio \u2013 Quais suas primeiras lembran\u00e7as musicais?<\/b><\/p>\n<p><strong>Z\u00e9 Pedro \u2013<\/strong> A m\u00fasica foi minha primeira escolha. Os discos que minha m\u00e3e escutava foram minhas primeiras informa\u00e7\u00f5es. Em seguida, aos sete anos, descobri a cantora Maria Beth\u00e2nia e a partir dela fui descobrindo outras cantoras.<\/p>\n<p><b>Cen\u00e1rio \u2013 Como \u00e9 sua cole\u00e7\u00e3o de discos?<\/b><\/p>\n<p><strong>ZP \u2013<\/strong> As prateleiras s\u00e3o enormes, a quantidade inumer\u00e1vel. Procuro periodicamente fazer uma triagem e dispensar \u00e1lbuns que n\u00e3o resistiram ao tempo em termos de qualidade e repert\u00f3rio, principalmente os produzidos no Brasil nos anos oitenta. Essa d\u00e9cada fez muita mal \u00e0 MPB devido aos arranjos repetitivos e letras cafonas.<\/p>\n<p><b>Cen\u00e1rio \u2013 Como est\u00e3o os planos da Joia Moderna para 2012?<\/b><\/p>\n<p><strong>ZP \u2013<\/strong> Milhares de cantoras clamam por mim das prateleiras. Esse semestre ainda sair\u00e1 um disco da cantora Fernanda que teve seu excelente primeiro disco lan\u00e7ado em 1980 com in\u00e9ditas de Caetano Veloso e Joyce e que o mercado esqueceu. O primeiro disco da gravadora em 2012 ser\u00e1 o tributo \u00e0s can\u00e7\u00f5es de Guilherme Arantes na voz de vinte int\u00e9rpretes como Zizi, Possi, Vanessa da Mata, Faf\u00e1 de Bel\u00e9m e Maria Alcina. Ser\u00e1 a primeira parceria com o Itunes proporcionando uma venda maior visto que a tiragem da Joia Moderna para cada disco \u00e9 de apenas mil c\u00f3pias.<\/p>\n<p><strong>&gt; Bate-pronto com Marcelo Fr\u00f3es:<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_11755\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/ze-ramalho-da-paraiba.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11755\" class=\"size-medium wp-image-11755\" alt=\"Z\u00e9 Ramalho tamb\u00e9m teve seu &quot;ba\u00fa&quot; visitado pela Discobertas\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/ze-ramalho-da-paraiba-300x300.jpg\" width=\"300\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/ze-ramalho-da-paraiba-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/ze-ramalho-da-paraiba-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/ze-ramalho-da-paraiba-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/ze-ramalho-da-paraiba.jpg 500w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11755\" class=\"wp-caption-text\">Z\u00e9 Ramalho tamb\u00e9m teve seu &#8220;ba\u00fa&#8221; visitado pela Discobertas<\/p><\/div>\n<p><b>Cen\u00e1rio \u2013 Como nasceu a ideia de montar a Discobertas?<\/b><\/p>\n<p><strong>Marcelo Fr\u00f3es \u2013<\/strong> Nunca foi ambi\u00e7\u00e3o minha ser dono de gravadora. Mas, quando o mercado come\u00e7ou a entrar em crise e muitas vezes as gravadoras n\u00e3o podiam realizar certos projetos que eu propunha, um presidente de gravadora sugeriu que eu abrisse um selo pra viabilizar esses projetos. Eu at\u00e9 titubeei um pouco, achando que seria um passo largo demais, mas fui em frente e o grande apoio veio de Erasmo Carlos \u2013 cuja gravadora Coqueiro Verde nos distribuiu no primeiro ano de atividades. Foi efetivamente nossa incubadora.<\/p>\n<p><b>Cen\u00e1rio \u2013 Como voc\u00ea seleciona o que vai ou n\u00e3o ser reeditado?<\/b><\/p>\n<p><strong>MF \u2013<\/strong> Eu ajo instintivamente, n\u00e3o fico fazendo consultas nem pesquisas. Naturalmente procuro ter ju\u00edzo, porque embora hoje em dia as tiragens sejam modestas, elas ainda assim n\u00e3o podem encalhar. Mas eu geralmente reedito os discos que, como colecionador, sempre quis comprar e nunca achei. Ou os discos que nunca tiveram uma reedi\u00e7\u00e3o decente, com capa original etc.<\/p>\n<p><b>Cen\u00e1rio \u2013 Queria que voc\u00ea fizesse um passo-a-passo para se colocar um trabalho de volta \u00e0s prateleiras.<\/b><\/p>\n<p><strong>MF \u2013<\/strong> Licenciamento dos direitos sobre o master, tanto com o dono do produto como com o artista. Localiza\u00e7\u00e3o do master, para digitaliza\u00e7\u00e3o e remasteriza\u00e7\u00e3o. Autoriza\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es por parte dos compositores e\/ou de suas editoras. Escaneamento, tratamento e projeto gr\u00e1fico para mudan\u00e7a de formato de capa e encarte. \u00c9 muita coisa!<\/p>\n<p><b>Cen\u00e1rio \u2013 A Discobertas \u00e9 um projeto vi\u00e1vel?<\/b><\/p>\n<p><strong>MF \u2013<\/strong> Sim, mas exigiu muito tempo e paci\u00eancia. Como se diz, \u201ctrabalho de formiguinha\u201d que continua.<\/p>\n<p><b>&gt; Bate-pronto com Charles Gavin:<\/b><\/p>\n<div id=\"attachment_11756\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/secos-molhados.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11756\" class=\"size-medium wp-image-11756\" alt=\"O primeiro lan\u00e7amento de Charles Gavin foi na s\u00e9rie Dois Momentos\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/secos-molhados-300x302.jpg\" width=\"300\" height=\"302\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11756\" class=\"wp-caption-text\">O primeiro lan\u00e7amento de Charles Gavin foi na s\u00e9rie Dois Momentos<\/p><\/div>\n<p><b>Cen\u00e1rio \u2013 Como come\u00e7ou se trabalho de resgate da m\u00fasica?<\/b><\/p>\n<p><strong>Charles Gavin \u2013<\/strong> No meio dos anos 1990, vi um show do Airto Moreira em Londres. Era uma mistura de jazz, com m\u00fasica brasileira e pegada rock\u2019n\u2019roll. Nesse momento, caiu uma ficha e eu ca\u00ed de boca nos discos de samba jazz. Mas, me incomodou saber que eu tinha acesso a esses discos, por que pagava caro, e mais ningu\u00e9m tinha. Ent\u00e3o me bateu uma vontade de produzir discos e uma vontade de retribuir os benef\u00edcios que a m\u00fasica me trouxe. Achei que, uma forma de retribuir fosse trazer de volta discos que estavam fora de cat\u00e1logo.<\/p>\n<p><b>Cen\u00e1rio \u2013 E como aconteceu o primeiro?<\/b><\/p>\n<p><strong>CG &#8211;<\/strong> Quando cheguei na Warner, que j\u00e1 era nossa gravadora, tinha duas coisas que queria fazer: botar de volta o disco do Secos &amp; Molhados e resgatar o acervo da Continental. Quando disse isso, os caras riram. \u201cN\u00e3o tem nenhum artista relevante no acervo da Continental\u201d. Ent\u00e3o, fomos para a segunda op\u00e7\u00e3o, que era o Secos. Vendeu mais de 50 mil c\u00f3pias muito rapidamente e n\u00e3o sai mais de cat\u00e1logo.<\/p>\n<p><b>Cen\u00e1rio \u2013 Como voc\u00ea seleciona o que vai ou n\u00e3o ser reeditado?<\/b><\/p>\n<p><strong>CG \u2013<\/strong> A sele\u00e7\u00e3o envolve crit\u00e9rios econ\u00f4micos e pessoais. S\u00f3 boto disco que eu gosto, mas tem que ter relev\u00e2ncia art\u00edstica. O Brazilian Octopus, por exemplo, n\u00e3o foi o item que vendeu mais, mas \u00e9 um projeto super importante no meio da cole\u00e7\u00e3o. \u00c9 como um time de futebol. Tem uns que aparecem mais, mas cada um tem sua fun\u00e7\u00e3o. O conjunto tem que ser vencedor e um disco ajuda o outro.<\/p>\n<p><b>Cen\u00e1rio \u2013 Apesar de ter feito fama numa banda de rock, \u00e9 curioso ver o quanto voc\u00ea gosta de samba e bossa nova. J\u00e1 havia pensado alguma vez em montar projetos paralelos para tocar esses estilos?<\/b><\/p>\n<p><strong>CG \u2013<\/strong> J\u00e1 tive vontade, mas n\u00e3o fiz. Gostaria de montar uma banda par tocar samba jazz. Eu me identifico muito com o Charlie Watts, que toca nos Rolling Stones, mas tem os projetos dele de jazz. Eu ou\u00e7o de tudo, mas gostaria de ter uma banda pra tocar samba jazz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Texto escrito para a revista O POVO Cen\u00e1rio N\u00ba 2 Existe uma m\u00e1xima dita por a\u00ed que trata das coisas antigas: \u201cquem vive de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,104,129,209,283,355,1,421],"tags":[],"class_list":["post-10213","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-albuns","category-discobertas","category-entrevistas","category-leny-andrade","category-nacional","category-secos-molhados","category-sem-categoria","category-ze-ramalho"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10213"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10213\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}