{"id":10345,"date":"2013-09-20T15:21:32","date_gmt":"2013-09-20T18:21:32","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=10345"},"modified":"2013-09-20T15:21:32","modified_gmt":"2013-09-20T18:21:32","slug":"gustavo-portela-e-um-picadeiro-de-infortunios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/09\/20\/gustavo-portela-e-um-picadeiro-de-infortunios\/","title":{"rendered":"Gustavo Portela e um picadeiro de infort\u00fanios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/09\/Le-son-sur-sce\u00a6\u00c7ne-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-10346\" alt=\"gustavo portela\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/09\/Le-son-sur-sce\u00a6\u00c7ne-2.jpg\" width=\"605\" height=\"403\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/09\/Le-son-sur-sce\u00a6\u00c7ne-2.jpg 5184w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/09\/Le-son-sur-sce\u00a6\u00c7ne-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/09\/Le-son-sur-sce\u00a6\u00c7ne-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/09\/Le-son-sur-sce\u00a6\u00c7ne-2-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/09\/Le-son-sur-sce\u00a6\u00c7ne-2-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">M\u00fasica, teatro, muitas cores, imagens e divers\u00e3o. Assim como \u00e9 o trabalho dos profissionais do circo, \u00e9 <span style=\"color: #800080\"><strong>Le son sur sc\u00e8ne<\/strong><\/span> (do franc\u00eas, \u201co som em cena), espet\u00e1culo m\u00fasico\/c\u00eanico de<span style=\"color: #003366\"><strong> Gustavo Portela<\/strong><\/span>. A pluralidade daquele universo m\u00edtico, m\u00e1gico e, nos bastidores, \u00e1spero e trabalhoso, funciona como pano de fundo para o que o ele tem levado ao palco e, agora, para seu segundo disco, ora distribu\u00eddo gratuitamente pela internet, mas j\u00e1 aguardado em formato f\u00edsico.<\/p>\n<p>Antes mesmo do disco, pluralidade j\u00e1 era uma marca deste artista de quase 30 anos, que h\u00e1 10 milita na cena cearense. Cantor, compositor, ator, instrumentista s\u00e3o os pilares deste multiprofissional, que, com o tempo, agregou ainda as fun\u00e7\u00f5es de fot\u00f3grafo e cineasta. De alguma forma, essas fun\u00e7\u00f5es se encontram em <span style=\"color: #800080\"><strong>Le son sur sc\u00e8ne<\/strong><\/span>, que chega cerca de tr\u00eas anos depois de <strong>Movimento<\/strong>. Se na estreia, <span style=\"color: #003366\"><strong>Gustavo Portela<\/strong><\/span> compensou a inexperi\u00eancia convidando mais de 30 m\u00fasicos para as grava\u00e7\u00f5es, o novo trabalho usa cerca de metade da \u201cm\u00e3o de obra\u201d para dar seu recado.<\/p>\n<p>Ac\u00fastico em primeiro plano,<span style=\"color: #800080\"><strong> Le son sur sc\u00e8ne<\/strong><\/span> tem toques leves de eletr\u00f4nica e uma s\u00e9rie de interven\u00e7\u00f5es sonoras que ajudam a dar movimento \u00e0s 10 faixas. Embora leve muito a s\u00e9rio seu trabalho, essas interven\u00e7\u00f5es servem para brincar com as situa\u00e7\u00f5es, rir das trag\u00e9dias cotidianas e dar flu\u00eancia aos personagens mais improv\u00e1veis que aparecem. Um deles \u00e9 o \u201cpacato cidad\u00e3o\u201d Toninho Beruaite, que \u00e9 tamb\u00e9m o carrasco sanguin\u00e1rio personagem de <em><strong>Canto m\u00f3rbido<\/strong><\/em>. Composto por Orlangelo Leal, da trupe Dona Zefinha, este bolero meio tango poderia figurar entre as faixas de <strong>Cad\u00e1ver pega fogo no vel\u00f3rio<\/strong> (1983), disco antol\u00f3gico de Fernando Pellon.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/09\/1709va0604.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-10347\" alt=\"gustavo portela\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/09\/1709va0604.jpg\" width=\"363\" height=\"363\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/09\/1709va0604.jpg 567w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/09\/1709va0604-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/09\/1709va0604-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/09\/1709va0604-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/><\/a>Bem longe das perversidades de Toninho, <span style=\"color: #800080\"><strong>Le son sur sc\u00e8ne<\/strong><\/span> vem costurado por branduras e alguma melancolia bem dosada. Pontuada pela tuba de Samuel Furtado, <em><strong>Felicidade<\/strong><\/em> (Aldenor Paiva) \u00e9 um exemplo, que trata de uma das maiores ambi\u00e7\u00f5es da humanidade pregando a complac\u00eancia e o cuidado. \u201cCalma muita calma pra lidar com tal coisa assim\u201d, diz como quem j\u00e1 levou algumas rasteiras da tal felicidade. Logo na segunda faixa, essa felicidade vai embora para dar lugar o ritmo acelerado e urgente de <em><strong>Virtude<\/strong> <\/em>(Aldenor Paiva\/ Gustavo Portela). Com voz embargada, <span style=\"color: #003366\"><strong>Gustavo<\/strong> <\/span>brinca com seu desamparo. \u201cTem que usar uma virtude, tomar uma atitude pra ver voc\u00ea voltar a rir\u201d, aconselha <strong>Rafael Martins<\/strong> com voz oper\u00edstica.<\/p>\n<p>No momento seguinte, tudo se desfaz para entrar o clima misterioso e urbano de <em><strong>O carro<\/strong><\/em> (Jefferson Portela). Uma ode que apenas observa os engarrafamentos, sem se comprometer. Cheia de malandragem e cinismo, <em><strong>Ela tem dono<\/strong><\/em> (Nigroover) trata das pequenas trai\u00e7\u00f5es juvenis. Amores mal resolvidos tamb\u00e9m enchem o rock <em><strong>Tarja preta<\/strong><\/em> (Gustavo Portela) de imagens fortes e tom de desabafo. Se o cantor, chorando descontroladamente, admite n\u00e3o saber se \u00e9 capaz de perdoar uma cachorrada, na can\u00e7\u00e3o seguinte ele anuncia que \u00e9 tempo de assumir o lado canino. <em><strong>Tiempo de perro<\/strong><\/em> (Claudio Mendes\/ Gustavo Portela) \u00e9 interpretada por Cl\u00e1udio Mendes e Lorena Nunes num espanhol macarr\u00f4nico. Quando at\u00e9 pulgas trazem saudade, \u00e9 por que a coisa t\u00e1 s\u00e9ria.<\/p>\n<p>Mais esperan\u00e7osa, <em><strong>A visita<\/strong><\/em> (Pantico Rocha\/ Marcus Dias) pode ser uma forma inusitada e criativa de dar uma cantada em algu\u00e9m. \u201cUma vez estando em sua casa, quero que voc\u00ea me fa\u00e7a ser algu\u00e9m do seu conv\u00edvio\u201d, solicita. O arranjo orquestral emoldura de beleza esta que \u00e9 uma das letras mais inspiradas de <span style=\"color: #800080\"><strong>Le son sur sc\u00e8ne<\/strong><\/span>. Pra encerrar, dois reggaes de Danilo Guilherme. <em><strong>Take it easy Caetano<\/strong><\/em> tem sua compreens\u00e3o comprometida pela voz grave, enquanto <em><strong>Preto colorido<\/strong><\/em> fecha os 34 minutos de m\u00fasica jogando fora as tristezas e anunciando tempos mais leves.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=y4Rt8aQyGyo[\/youtube]\n<p>A presen\u00e7a, principalmente, de uma tuba nos arranjos exp\u00f5em a necessidade de <span style=\"color: #003366\"><strong>Gustavo Portela<\/strong> <\/span>de sair do lugar comum. Tem o clima indie pop comum na cena contempor\u00e2nea, mas busca o caminho criativo de gente como Mutantes ou Beach Boys. Fato \u00e9 que o ponto alto de <span style=\"color: #800080\"><strong>Le son sur sc\u00e8ne<\/strong><\/span> fica para a teatralidade e para o molho circense, que ainda rende muito pano pra manga. Nesse \u00faltimo ponto, quanto mais puder ser explorado, melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00fasica, teatro, muitas cores, imagens e divers\u00e3o. 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