{"id":10496,"date":"2013-11-26T10:30:02","date_gmt":"2013-11-26T13:30:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=10496"},"modified":"2022-09-21T19:26:37","modified_gmt":"2022-09-21T22:26:37","slug":"cavalo-revela-o-novo-momento-de-rodrigo-amarante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/11\/26\/cavalo-revela-o-novo-momento-de-rodrigo-amarante\/","title":{"rendered":"\u00c1lbum &#8220;Cavalo&#8221; revela os vazios de Rodrigo Amarante"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-10508\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/11\/RODRIGO-AMARANTE-2-cr\u00e9dito-Elliot-Lee-Hazel-1908x2500-300x393.jpg\" alt=\"\" width=\"429\" height=\"562\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/11\/RODRIGO-AMARANTE-2-cr\u00e9dito-Elliot-Lee-Hazel-1908x2500-300x393.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/11\/RODRIGO-AMARANTE-2-cr\u00e9dito-Elliot-Lee-Hazel-1908x2500-768x1006.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/11\/RODRIGO-AMARANTE-2-cr\u00e9dito-Elliot-Lee-Hazel-1908x2500-740x970.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/11\/RODRIGO-AMARANTE-2-cr\u00e9dito-Elliot-Lee-Hazel-1908x2500-120x157.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/11\/RODRIGO-AMARANTE-2-cr\u00e9dito-Elliot-Lee-Hazel-1908x2500.jpg 1908w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/>Em 2007, o carioca <span style=\"color: #993300\"><strong>Rodrigo Amarante<\/strong><\/span> lan\u00e7ou sua primeira m\u00fasica p\u00f3s-Los Hermanos, como convidado do disco <strong>Lanny Duos<\/strong>, do guitarrista Lanny Gordin. Em\u00a0<em>Evaporar<\/em>, o compositor discorria sobre a import\u00e2ncia do tempo. \u201cO tempo que eu perdi, s\u00f3 agora eu sei, aprender a dar foi o que ganhei\u201d, dizia preservando a veia melanc\u00f3lica que marcou sua antiga banda. A faixa foi repaginada e usada para encerrar o (at\u00e9 agora) \u00fanico disco do Little Joy, trio ef\u00eamero que montou em 2009.<\/p>\n<p>O tempo e a melancolia parecem terem sido importantes para que <span style=\"color: #993300\"><strong>Amarante<\/strong><\/span> se assumisse, de fato, como um artista solo. Esse passo definitivo foi dado com o lan\u00e7amento de <span style=\"color: #000080\"><strong>Cavalo<\/strong><\/span>, disco de alegrias soturnas e sorriso for\u00e7ado, que acaba de chegar \u00e0s lojas. Antecipado via internet, o trabalho em nada lembra o clima pop de arena dos Hermanos, e se volta para espa\u00e7os escuros, quartos e sal\u00f5es vazios da alma do compositor.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que as tristezas e melancolias \u2013 principalmente as dos amores mal resolvidos \u2013 foram a principal mat\u00e9ria-prima da curta obra dos Hermanos. Finda a banda, o parceiro Marcelo Camelo levou essa \u201cinfelicidade\u201d ao extremo em tr\u00eas discos repletos de sentimentos profundos. Agora \u00e9 a vez de <span style=\"color: #993300\"><strong>Amarante<\/strong> <\/span>falar dos seus pr\u00f3prios sentimentos, todos eles interpretados com sua j\u00e1 reconhecida voz embriagada.<\/p>\n<p>Morando h\u00e1 sete anos nos Estados Unidos, <span style=\"color: #993300\"><strong>Rodrigo Amarante<\/strong><\/span> conta, em carta aberta para os f\u00e3s, que o disco foi feito num \u201cinesperado por\u00e9m muito bem-vindo ex\u00edlio numa terra onde n\u00e3o me imaginava achar\u201d. Nessa terra, ele n\u00e3o \u00e9 o \u00eddolo que arrebanha milhares de f\u00e3s dispostos a ouvir as mesmas m\u00fasicas centenas de vezes. Nessa terra, ele \u00e9 s\u00f3 mais um desconhecido. Isso o levou a uma \u201csolitude\u201d (como prefere) que o fez se olhar de longe, como se houvesse um duplo, a quem chamou de <span style=\"color: #000080\"><strong>Cavalo<\/strong><\/span>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10497\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/11\/Rodrigo-Amarante-Cavalo.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/11\/Rodrigo-Amarante-Cavalo.jpg 640w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/11\/Rodrigo-Amarante-Cavalo-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/11\/Rodrigo-Amarante-Cavalo-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/11\/Rodrigo-Amarante-Cavalo-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 hits \u00f3bvios, faixa de trabalho ou qualquer tentativa de soar \u201ccomercial\u201d nesta estreia solo de <span style=\"color: #993300\"><strong>Amarante<\/strong><\/span>. Isso, por outro lado, n\u00e3o significa que se trata de um disco ruim, nem muito menos, por si s\u00f3, corajoso. Fugir do \u00f3bvio j\u00e1 fazia parte da hist\u00f3ria do Los Hermanos. Basta lembrar que, ap\u00f3s o sucesso estrondoso e irritante de <em>Anna Julia<\/em>, eles flertaram com samba e bossa nova em <strong>Bloco do eu sozinho<\/strong> (2001), e quase perderam o contrato com a Abril Music.<\/p>\n<p>Esteticamente, <span style=\"color: #000080\"><strong>Cavalo<\/strong> <\/span>lembra o derradeiro disco da banda, 4 (2005), e <strong>Sou\/N\u00f3s<\/strong>, primeiro disco solo de Marcelo Camelo (que, por sinal, vem ilustrado com fotos de cavalos. Um prato cheio para os te\u00f3ricos da conspira\u00e7\u00e3o). Nesses discos, os sil\u00eancios falam mais do que as notas musicais. Tudo \u00e9 econ\u00f4mico, um tanto triste e inundado de personalidade. De tanto tirar ru\u00eddos e detalhes desnecess\u00e1rios, a capa de <span style=\"color: #000080\"><strong>Cavalo<\/strong> <\/span>acabou se resumindo a um imenso branco quebrado apenas pelos nomes do artista, do disco e detalhes t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>O mesmo acontece nas faixas, quase 100% executadas por <span style=\"color: #993300\"><strong>Amarante<\/strong><\/span>. Rodrigo Barba (Hermanos), Fabrizio Moretti (Strokes e Little Joy), Noah Georgeson e Devandra Banhart s\u00e3o alguns dos poucos que tiveram acesso ao quarto do m\u00fasico em Los Angeles, onde o disco foi gravado. Nessa viajem ao fundo de si, o m\u00fasico preferiu a solid\u00e3o (ou solitude), que expressou em letras escritas em ingl\u00eas, portugu\u00eas e franc\u00eas.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que o choque de um disco t\u00e3o introspectivo causa estranhamento, principalmente nos \u00f3rf\u00e3os do Los Hermanos. Nem mesmo nos seus momentos mais ritmados, como\u00a0<em><strong>Man\u00e1<\/strong><\/em> ou <em><strong>Nada em v\u00e3o<\/strong><\/em>, <span style=\"color: #000080\"><strong>Cavalo<\/strong> <\/span>parece querer abandonar sua proposta de ser o retrato de um artista que grita sua identidade. Falando sobre a fam\u00edlia (<em><strong>Man\u00e1<\/strong><\/em>), morte (<em><strong>The ribbon<\/strong><\/em>) ou saudade (<em><strong>O cometa<\/strong><\/em>), <span style=\"color: #993300\"><strong>Amarante<\/strong> <\/span>s\u00f3 pensa em encarar a si pr\u00f3prio num espelho. E, por isso mesmo, trata-se de um trabalho merece ser ouvido repetidas vezes, at\u00e9 ser totalmente revelado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2007, o carioca Rodrigo Amarante lan\u00e7ou sua primeira m\u00fasica p\u00f3s-Los Hermanos, como convidado do disco Lanny Duos, do guitarrista Lanny Gordin. 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