{"id":10529,"date":"2013-12-03T09:58:54","date_gmt":"2013-12-03T12:58:54","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=10529"},"modified":"2013-12-03T09:58:54","modified_gmt":"2013-12-03T12:58:54","slug":"ordem-e-sambar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/12\/03\/ordem-e-sambar\/","title":{"rendered":"A ordem \u00e9 sambar"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Leia a homenagem ao Dia do Samba, publicada neste domingo (1\u00b0) no caderno Vida &amp; Arte, do Jornal O POVO<\/strong><\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/roda-de-samba.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10530\" alt=\"OLYMPUS DIGITAL CAMERA\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/roda-de-samba.jpg\" width=\"888\" height=\"617\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/roda-de-samba.jpg 888w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/roda-de-samba-300x208.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/roda-de-samba-768x534.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/roda-de-samba-740x514.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/roda-de-samba-120x83.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 888px) 100vw, 888px\" \/><\/a>Uns tiraram detalhes, outros acrescentaram. H\u00e1 os que renovaram, enquanto outros preservaram ra\u00edzes. Uns aceleraram, outros atrasaram o andamento. Eletr\u00f4nico ou org\u00e2nico, na pra\u00e7a, no teatro ou na mesa do bar, j\u00e1 fizeram de tudo com o samba. Ainda assim, esse ritmo, que marca a cad\u00eancia e o compasso do cora\u00e7\u00e3o nacional, continua firme no seu prop\u00f3sito festeiro. S\u00edmbolo m\u00e1ximo da m\u00fasica brasileira, j\u00e1 elevado \u00e0 categoria de Patrim\u00f4nio Cultural da Humanidade, o samba j\u00e1 ganhou as mais variadas misturas, se espalhou pelo mundo e amanh\u00e3 (2) ganha um dia dedicado a sua mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do samba come\u00e7a no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, fruto da heran\u00e7a africana que se embrenhou no povo brasileiro, principalmente nas camadas mais populares. Rio de Janeiro e Bahia reclamam o ber\u00e7o numa pol\u00eamica hist\u00f3rica, embora seja fato que o som dos batuques tenham se espalhado por todo o Pa\u00eds. Ainda assim, o marco desse estilo \u00e9 o lan\u00e7amento de <em><strong>Pelo telefone<\/strong><\/em>, gravada em novembro de 1916, mas s\u00f3 lan\u00e7ada no ano seguinte. Parceria de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga (1890 \u2013 1974), com o jornalista Mauro de Almeida (1882 \u2013 1956), a m\u00fasica chegou a atrapalhar alguns entendidos, como o pesquisador Almirante, que chegou a identifica-la como um tango.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TH73cxRk9WE[\/youtube]\n<p>O fato \u00e9 que Donga fez muito sucesso com <em><strong>Pelo telefone<\/strong><\/em>. Filho da Tia Am\u00e9lia, ele se criou nas rodas de batucadas na casa de muitas outras Tias, como eram conhecidas algumas senhoras negras, que montaram pequenos \u201cpeda\u00e7os de \u00c1frica\u201d no centro do Rio de Janeiro. Naquelas casas, mais ainda em seus terreiros, andavam gigantes como Caninha, Heitor dos Prazeres e Sinh\u00f4 (Jos\u00e9 Barbosa da Silva). Pioneiros do samba, eles viram o estilo mudar junto com o cen\u00e1rio da capital carioca. \u00c0 medida que a parte pobre da popula\u00e7\u00e3o subia o morro, formando as favelas, surgiam tamb\u00e9m novos nichos compositores. O destaque ficou para o Est\u00e1cio de S\u00e1, onde Ismael Silva fundou a primeira escola de samba, Deixa Falar.<\/p>\n<p>O morro do Est\u00e1cio trouxe uma nova cara ao samba, que foi ficando mais urbano, assim como toda a cidade. Nessa \u00e9poca, in\u00edcio dos anos 1930, o r\u00e1dio era o grande difusor de ideias. Ali nasceram vozes como M\u00e1rio Reis, Francisco Alves e Orlando Silva, que encheram o samba de luxo e o levaram para o exterior. Carmen Miranda, por exemplo, chegou a ser a personalidade mais bem paga de Hollywood, imortalizada na baiana que Dorival Caymmi descreve em <em><strong>O que \u00e9 que a baiana tem<\/strong><\/em>. Era ainda \u00e9poca do samba-can\u00e7\u00e3o de Herivelto Martins, do samba de breque de Moreira da Silva, do choro de Pixinguinha e ainda do samba exalta\u00e7\u00e3o, que encontrou sua proje\u00e7\u00e3o maior em\u00a0<em><strong>Aquarela do Brasil<\/strong><\/em>, de Ary Barroso.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bgYBSGJ_afQ[\/youtube]\n<p>Na d\u00e9cada de 1950, uma turma queimada pelo sol de Copacabana criou a Bossa Nova ao banhar o velho samba de jazz. A revolu\u00e7\u00e3o causada por Jo\u00e3o Gilberto, Tom Jobim e muitos outros ainda hoje \u00e9 sentida no mundo, e foi se ramificando em outros r\u00f3tulos. O sambajazz e o sambalan\u00e7o jogaram um molho ritmado naquele som, que encontrou seu espa\u00e7o ideal nos bailes. A rouquid\u00e3o aben\u00e7oada de Elza Soares, as divis\u00f5es certeiras de Miltinho e teclados virtuosos de Ed Lincoln est\u00e3o entre os destaques do estilo.<\/p>\n<p>A d\u00e9cada de 1960 chegou com a bossa ficando mais politizada. Nara Le\u00e3o estreia em disco em 1964 dando voz a Cartola, Elton Medeiros e Nelson Cavaquinho, representantes dos morros cariocas. Com esse repert\u00f3rio, a \u201cmusa da Bossa Nova\u201d revelava as mazelas nacionais ao lado de Z\u00e9 Ketti e Jo\u00e3o do Vale no espet\u00e1culo Opini\u00e3o. Outro trabalho marcante da \u00e9poca foi o <strong>Rosa de Ouro<\/strong>, criado por Herm\u00ednio Bello de Carvalho. Fruto das noitadas no bar Zicartola, o <strong>Rosa de Ouro<\/strong> reuniu Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho, Anescar do Salgueiro e a atriz Araci C\u00f4rtes. Um dos grandes legados desse espet\u00e1culo (que virou disco duplo) foi ter revelado a voz ancestral de Clementina de Jesus, que entrava na segunda parte do show para mostrar seu pot-pourri de jongos e batuques africanos.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=WL5eFEKUcPQ[\/youtube]\n<p>Ainda nessa d\u00e9cada, dois nomes surgiram com diferentes contribui\u00e7\u00f5es para a hist\u00f3ria do samba. Uma das maiores estrelas dos festivais de MPB, Chico Buarque mantinha um p\u00e9 na tradi\u00e7\u00e3o de Noel Rosa e Pixinguinha, mas dava um tratamento moderno \u00e0 parte po\u00e9tica. J\u00e1 Jorge Ben criou uma \u201cescola\u201d de viol\u00e3o, que trazia junto ao samba inflex\u00f5es t\u00edpicas do R&amp;B, do soul e do gospel. Seu disco de estreia foi muito bem batizado de <strong>Samba esquema novo<\/strong> (1963) e abriu uma nova frente que ficaria conhecida como samba-rock. Sob esse t\u00edtulo, se abrigaram Trio Mocot\u00f3, Erlon Chaves e Bebeto.<\/p>\n<p>Mais gente chegaria para engrandecer o samba nos anos 1970. Do Maranh\u00e3o, Alcione chegaria com seu <strong>A voz do samba<\/strong> (1975). Com muita simpatia, Clara Nunes vinha de Minas Gerais para se tornar a primeira mulher a vender mais de 300 mil de c\u00f3pias no Brasil, com o disco Alvorecer (1974). Beth Carvalho tamb\u00e9m se firmaria como uma das grandes int\u00e9rpretes brasileiras, assim como Leci Brand\u00e3o e Ivone Lara. Deixando de lado as quest\u00f5es pol\u00edticas e sociais, nessa \u00e9poca tamb\u00e9m surgiu o \u201csamb\u00e3o-joia\u201d. Adeptos de um som mais rom\u00e2ntico e meloso, Agep\u00ea, Luiz Ayr\u00e3o e Benito di Paula eram figuras frequentes nas TVs e r\u00e1dios populares.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=f4PdB7w1Wuw[\/youtube]\n<p>Muita gente fez sucesso com samba nos anos 1980, at\u00e9 mesmo quem n\u00e3o era exclusivamente sambista. Caetano Veloso (<em><strong>\u00c9 hoje<\/strong><\/em>), Maria Beth\u00e2nia (<em><strong>Algu\u00e9m me avisou<\/strong><\/em>), Gal Costa (<em><strong>Canta Brasil<\/strong><\/em>) s\u00f3 pra ficar nos baianos. Ainda assim, o rock nacional deixou o samba meio acanhado comercialmente. Um novo f\u00f4lego veio do bairro carioca de Ramos, de onde surgia uma nova leva de compositores. Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal e Jovelina P\u00e9rola Negra trouxeram o pagode bem humorado e cheio de improvisos para as r\u00e1dios.<\/p>\n<p>Cada vez mais popular, o pagode chegou \u00e0 d\u00e9cada de 1990 transformado, com muita for\u00e7a comercial, mas execrado pela cr\u00edtica. Ra\u00e7a Negra, Exaltasamba, Katinguel\u00ea, S\u00f3 Pra Contrariar e muitos outros repetiam uma f\u00f3rmula musical (calcada no romantismo a\u00e7ucarado) e visual (coreografias ensaiadas e roupinhas justas) que os fazia cada vez mais parecidos. O mesmo acontecia na Bahia, onde \u00c9 o Tchan, Harmonia do Samba e Companhia do Pagode lotavam est\u00e1dios, como um bra\u00e7o d\u00e1 ent\u00e3o reluzente Ax\u00e9 Music.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TUISBIlBhK0[\/youtube]\n<p>Felizmente, o novo mil\u00eanio chegou junto com uma turma jovem, disposta a resgatar o que de melhor havia no samba e provocar misturas. Teve samba com rap, samba com funk, samba com rock (n\u00e3o confundir com samba-rock), samba com eletr\u00f4nico. De Max a Mariene de Castro, muitas ideias surgiram para manter hasteada essa bandeira.<\/p>\n<p><em>Continua no pr\u00f3ximo post&#8230;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia a homenagem ao Dia do Samba, publicada neste domingo (1\u00b0) no caderno Vida &amp; Arte, do Jornal O POVO Uns tiraram detalhes, outros acrescentaram&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,25,56,64,134,152,179,283,341,352],"tags":[],"class_list":["post-10529","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-alcione","category-arlindo-cruz","category-bossa-nova","category-candeia","category-eventos","category-gal-costa","category-joao-bosco","category-nacional","category-roberta-sa","category-samba"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10529","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10529"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10529\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10529"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10529"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10529"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}