{"id":10657,"date":"2013-12-12T10:40:46","date_gmt":"2013-12-12T13:40:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=10657"},"modified":"2013-12-12T10:40:46","modified_gmt":"2013-12-12T13:40:46","slug":"dois-homens-femininos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/12\/12\/dois-homens-femininos-2\/","title":{"rendered":"Dois homens femininos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/1385814351_mulheres_negras_creditos_gal_oppido_3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10649\" alt=\"1385814351_mulheres_negras_creditos_gal_oppido_3\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/1385814351_mulheres_negras_creditos_gal_oppido_3.jpg\" width=\"440\" height=\"294\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/1385814351_mulheres_negras_creditos_gal_oppido_3.jpg 440w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/1385814351_mulheres_negras_creditos_gal_oppido_3-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/1385814351_mulheres_negras_creditos_gal_oppido_3-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Se a prefer\u00eancia do leitor \u00e9 pelas belas can\u00e7\u00f5es prontas para embalar festas ou romances, creio que os personagens dessa mat\u00e9ria n\u00e3o despertem muito interesse. Agora, se h\u00e1 espa\u00e7o para um pouco de maluquice, vale a leitura. O motivo desse pre\u00e2mbulo \u00e9 que nada na banda <strong>Os Mulheres Negras<\/strong> \u00e9 t\u00e3o simples. Come\u00e7a que os integrantes n\u00e3o s\u00e3o mulheres, nem negras. Como se entende costumeiramente o termo, talvez nem seja uma banda tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Os Mulheres Negras<\/strong> \u00e9 uma dupla formada por Andr\u00e9 Abujamra e Maur\u00edcio Pereira, dois paulistanos t\u00e3o brancos quanto uma tapioca com coco. No melhor estilo \u201ceu n\u00e3o vim para explicar, vim para confundir\u201d, eles usam irrever\u00eancia e ecletismo em tudo, e isso desde antes dessas duas palavras entrarem na moda. Tanto que s\u00e3o eles que dizem que s\u00e3o a terceira menor big band do mundo. \u201cNaquela \u00e9poca, n\u00f3s s\u00f3 perd\u00edamos para o Menudo e para a orquestra sinf\u00f4nica da marinha da Bol\u00edvia. Hoje eu n\u00e3o sei\u201d.<\/p>\n<p>A \u00e9poca a que Andr\u00e9 Abujamra, por telefone, se refere \u00e9 a d\u00e9cada de 1980, quando ele conheceu Maur\u00edcio num curso de percuss\u00e3o africana. Ambos tinham em comum as boas ideias na cabe\u00e7a e o pouco dinheiro no bolso. Foi o suficiente para que, em 1985, a dupla estreasse na cena underground paulistana. Para criar um diferencial no repert\u00f3rio inicialmente de covers, os m\u00fasicos adotaram o discurso ir\u00f4nico e o figurino feito com chap\u00e9us de palha e pesados capot\u00f5es. A brincadeira deu certo e eles come\u00e7aram a chamar aten\u00e7\u00e3o para can\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias como\u00a0<em><strong>Elza<\/strong><\/em>, <em><strong>Purqu\u00e1 mec\u00ea<\/strong><\/em> e\u00a0<em><strong>M\u00e3oscolorida<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>O som do <strong>Mulheres Negras<\/strong> \u2013 ancorado no sax de Maur\u00edcio e nas guitarras de Abujamra \u2013 era um alien\u00edgena diante do que tocava (e toca) nas r\u00e1dios. Ainda mais pelo uso dos samplers, uma novidade na \u00e9poca. \u201cA gente era tecnoporco, por que n\u00e3o tinha grana pra comprar coisa nova. A tecnologia avan\u00e7ou, mas a nossa cabe\u00e7a ainda usa como antigamente. N\u00e3o estamos colocando uma roupa nova. Estamos tirando o p\u00f3 do que fazia antigamente\u201d, avalia Abujamra, que seguiu com o duo at\u00e9 1991. Sem brigas ou declara\u00e7\u00f5es vexat\u00f3rias, eles encerram as atividades para cuidar de outros projetos.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=aHdaD1qgi3g[\/youtube]\n<p>A saudade foi grande e, 21 anos depois, eles reativaram a parceria que s\u00f3 havia deixado dois discos \u2013 <strong>M\u00fasica e ci\u00eancia<\/strong> (1988) e <strong>M\u00fasica serve pra isso<\/strong> (1990). \u201cEu digo que, antigamente, n\u00f3s \u00e9ramos dois caciques. A gente discordava de muita coisa, mas tinha uma qu\u00edmica muito boa no palco. Hoje s\u00e3o dois paj\u00e9s, dois velhinhos que cuidam um do outro\u201d, analisa Abujamra no melhor estilo \u201cmulheres negras\u201d. O p\u00fablico gostou de v\u00ea-los de volta e, mesmo sem sucessos nas r\u00e1dios ou novelas, os shows voltaram a ser lotados. \u201cUm artista n\u00e3o se faz de um disco ou dois. Ele se faz de uma carreira. Quem conhece (o Mulheres), acha o m\u00e1ximo. A gente tem uma legi\u00e3o de f\u00e3s\u201d.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de posto na tribo tamb\u00e9m serviu para avaliar a hist\u00f3ria da banda, que, segundo o produtor Pena Schmidt, era moderna demais para tocar na era do rock nacional. E hoje? Estaria o Brasil pronto para os Mulheres Negras? \u201c\u00c9 uma pergunta complexa. O show agrada muito as pessoas. O que tem \u00e9 uma postura no palco muito inusitada. Eu n\u00e3o sei se (o Brasil) est\u00e1 preparado, mas \u00e9 sempre bem-vinda essa estranheza\u201d, comenta o m\u00fasico, sem perder de vista o fato das poucas grava\u00e7\u00f5es j\u00e1 terem mais de 30 anos. \u201cUma coisa que eu posso dizer \u00e9 que, se a galera da m\u00fasica eletr\u00f4nica ouvir hoje, vai dizer \u2018caceta!\u2019\u201d.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\n<strong>Os Mulheres Negras<\/strong><br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> sexta-feira (13) e s\u00e1bado (14), \u00e0s 20h; domingo (15), \u00e0s 19h<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Caixa Cultural Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287 \u2013 Praia de Iracema)<br \/>\nQuanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). \u00c0 venda no local<br \/>\n<strong>Outras informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> 3453.2770<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a prefer\u00eancia do leitor \u00e9 pelas belas can\u00e7\u00f5es prontas para embalar festas ou romances, creio que os personagens dessa mat\u00e9ria n\u00e3o despertem muito interesse&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10657","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10657"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10657\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}