{"id":10732,"date":"2013-12-27T16:00:41","date_gmt":"2013-12-27T19:00:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=10732"},"modified":"2013-12-27T16:00:41","modified_gmt":"2013-12-27T19:00:41","slug":"heranca-de-cordas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2013\/12\/27\/heranca-de-cordas\/","title":{"rendered":"Heran\u00e7a de cordas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/baden-powell2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-10733\" alt=\"baden-powell2\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/baden-powell2-625x625.jpg\" width=\"438\" height=\"438\" \/><\/a>Carioca do munic\u00edpio de Varre-e-sai, <span style=\"color: #993300\"><strong>Baden Powell<\/strong><\/span> era uma universidade do viol\u00e3o. Seu dom\u00ednio sobre o instrumento ia al\u00e9m da t\u00e9cnica, era uma simbiose, uma rela\u00e7\u00e3o da maior intimidade. Quando seus dedos tocavam nas cordas, era poss\u00edvel ouvir os atabaques dos terreiros de candombl\u00e9, a genialidade dos jazzistas, a eleg\u00e2ncia dos eruditos, os metais das bandas de coreto, a alegria das escolas de samba e o lamento dos chor\u00f5es. Fosse acompanhado de uma grande voz ou sozinho com o instrumento, sua presen\u00e7a era algo al\u00e9m do natural.<!--more--><\/p>\n<p>Isso se percebe no disco <span style=\"color: #008080\"><strong>Live at the Rio Jazz Club<\/strong><\/span>, relan\u00e7ado pela gravadora Kuarup. Gravado em maio de 1990, o registro traz o essencial do m\u00fasico. Simplesmente ele, o viol\u00e3o e um repert\u00f3rio que resume os muitos caminhos por onde seu som passeou. \u201cVou fazer um showzinho, j\u00e1 que hoje \u00e9 o \u00faltimo dia da minha temporada aqui nessa boate\u201d, se apresenta <span style=\"color: #993300\"><strong>Baden<\/strong> <\/span>modestamente antes de dedilhar <em><strong>Valsa de Eur\u00eddice<\/strong><\/em>, uma das mais comoventes pe\u00e7as da curta obra solo do parceiro Vinicius de Moraes. \u00c9, o Poetinha, pouco reconhecido como m\u00fasico, era capaz de compor dessas.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=WY3GXc8eRws[\/youtube]\n<p>Do del\u00edrio apaixonado de Orfeu e Eur\u00eddice, <span style=\"color: #993300\"><strong>Baden Powell<\/strong><\/span> parte para outros espa\u00e7os musicais, como o Nordeste seco e quente de Luiz Gonzaga. Num improviso de mais de nove minutos, a <em><strong>Asa Branca<\/strong><\/em> voa o mais alto que pode, faz rasantes e sobe novamente at\u00e9 as estrelas. Estrelas tamb\u00e9m s\u00e3o Pixinguinha e Garoto, dois mestre do chorinho, que <strong><span style=\"color: #993300\">Baden<\/span> <\/strong>humildemente homenageia em\u00a0<em><strong>Rosa<\/strong><\/em>, <em><strong>Naquele tempo<\/strong><\/em> e <em><strong>Gracioso<\/strong><\/em>. Da Bahia, onde brinca com o ritmo de Dorival Caymmi, ele parte para o Pernambuco do violeiro Jo\u00e3o Pernambuco.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/live-at-rio-jazz-club.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-10735\" alt=\"live at rio jazz club\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/live-at-rio-jazz-club-300x295.jpg\" width=\"300\" height=\"295\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/live-at-rio-jazz-club-300x295.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/live-at-rio-jazz-club-120x118.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/live-at-rio-jazz-club.jpg 500w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um dos principais int\u00e9rpretes da parceria de <span style=\"color: #993300\"><strong>Baden<\/strong> <\/span>com Vin\u00edcius foi o carioca Cyro Monteiro (1913 \u2013 1973), relembrado na antol\u00f3gica\u00a0<em><strong>Formosa<\/strong><\/em>. <span style=\"color: #993300\"><strong>Baden<\/strong> <\/span>conta que a can\u00e7\u00e3o foi escrita numa viagem de trem, onde ele e o poeta, antes de entrarem na cabine, partiram para o bar do vag\u00e3o. L\u00e1, Vinicius se encantou por uma \u201cmulata de seios enormes, manequim 48, \u2018sim senhor muito grande\u2019 e sorriso lindo\u201d e logo lhe comp\u00f4s um samba. Para encerrar o recital, o violonista, com a voz cheia de lirismo, agradece ao seu instrumento por tantas que eles dividiram. \u201cQualquer que seja a morte a esperar, jamais meu viol\u00e3o me abandonar\u00e1\u201d, reconhece em <em><strong>Viol\u00e3o vadio<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p><b>De pai pra filho<\/b><\/p>\n<p>Assim como era capaz de unir tantas tradi\u00e7\u00f5es, <span style=\"color: #993300\"><strong>Baden Powell<\/strong><\/span> foi capaz tamb\u00e9m de imortalizar a pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o. Em grande parte, ela est\u00e1 presente no filho <span style=\"color: #333300\"><strong>Louis Marcel Powell<\/strong><\/span>, nascido na Fran\u00e7a e crescido no Brasil. Violonista como o pai, ele acaba de lan\u00e7ar o disco<span style=\"color: #000080\"><strong> Viol\u00e3o, voz e Z\u00e9 K\u00e9ti<\/strong><\/span>, em parceria com o cantor <span style=\"color: #008000\"><strong>Augusto Martins<\/strong><\/span>. O tributo transporta 12 sambas do portelense para um ambiente intimista, que ressalta as letras e melodias embebidas de uma simplicidade rebuscada.<\/p>\n<p>Carioca com cinco discos gravados, <span style=\"color: #008000\"><strong>Augusto<\/strong> <\/span>conheceu e cantou junto com Z\u00e9 K\u00e9ti, pouco antes do sambista morrer em 1999. Dono de um registro grave e macio, ele deixa a voz se emaranhar nas cordas de <span style=\"color: #003300\"><strong>Marcel Powell<\/strong><\/span>, um virtuose de pouco mais de 30 anos. Juntos, eles fazem um repert\u00f3rio que mistura cl\u00e1ssicos (a maioria) com composi\u00e7\u00f5es obscuras. Est\u00e3o presentes <em><strong>Diz que fui por a\u00ed<\/strong><\/em>, <em><strong>Malvadeza Dur\u00e3o<\/strong><\/em> e <em><strong>A voz do morro<\/strong><\/em>, sambas emblem\u00e1ticos ainda presentes em muitas rodas de batucada. Da politizada <em><strong>Opini\u00e3o<\/strong><\/em> \u00e0 malandragem marginal de <em><strong>Nega Dina<\/strong><\/em>, tudo \u00e9 tratado com a medida certa de informalidade e aten\u00e7\u00e3o. Sem medo de compara\u00e7\u00f5es com o pai, <span style=\"color: #003300\"><strong>Marcel<\/strong> <\/span>desconstr\u00f3i <em><strong>Acender as velas<\/strong><\/em> num voo solo de toques tr\u00e1gicos influenciados pela m\u00fasica flamenca. O mesmo acontece em <em><strong>M\u00e1scara negra<\/strong><\/em>, cuja saudosa tristeza \u00e9 ressaltada. Mas \u00e9 uma tristeza feliz, que deixaria Z\u00e9 Ketti e <span style=\"color: #993300\"><strong>Baden<\/strong> <\/span>orgulhosos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carioca do munic\u00edpio de Varre-e-sai, Baden Powell era uma universidade do viol\u00e3o. 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