{"id":10748,"date":"2014-01-15T09:27:23","date_gmt":"2014-01-15T12:27:23","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=10748"},"modified":"2014-01-15T09:27:23","modified_gmt":"2014-01-15T12:27:23","slug":"fechando-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2014\/01\/15\/fechando-conta\/","title":{"rendered":"Fechando a conta"},"content":{"rendered":"<p>Seguem abaixo alguns coment\u00e1rios sobre alguns discos que recebi neste fim de ano da gravadora <span style=\"color: #993300\"><strong>Kuarup<\/strong><\/span>. Trata-se de uma sele\u00e7\u00e3o de novos compositores e int\u00e9rpretes brasileiros. Em outro email, v\u00e3o alguns relan\u00e7amentos da mesma gravadora, que fazem parte do mesmo pacote que relan\u00e7ou Live at\u00a0 the Rio Jazz Club, \u00e1lbum solo do incompar\u00e1vel Baden Powell, j\u00e1 comentado por <a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/heranca-de-cordas\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<!--more--><\/p>\n<p><strong>&gt; Bruna Moraes &#8211; Olho de dentro<\/strong><\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=a1G0UC6YtPY[\/youtube]\nCom apenas 18 anos, a paulistana tem algo de Maria Rita em seu timbre. Mas \u00e9 Maria Rita mesmo, n\u00e3o Elis Regina. Para quem acha que \u00e9 a mesma coisa, n\u00e3o \u00e9. Produzido por Pedro Baldanza, <strong>Olho de dentro<\/strong> mescla faixas in\u00e9ditas, compostas pela pr\u00f3pria Bruna, com cl\u00e1ssicos da MPB. No primeiro grupo, est\u00e1 a suingada <em><strong>Bem verde<\/strong><\/em> e a melosa <em><strong>Muito mais<\/strong><\/em>. Como autora, Bruna Moraes ainda busca um rumo, mas n\u00e3o faz feio. Apenas falta uma ousadia que se esbo\u00e7a em <em><strong>Ians\u00e3<\/strong><\/em>. Como int\u00e9rprete, ela tem uma rouquid\u00e3o sutil que d\u00e1 sensibilidade \u00e0s can\u00e7\u00f5es. Com esse recurso, ela vai de um \u00f3bvio Chico Buarque (<em><strong>Sem fantasia<\/strong><\/em>, em dueto inevit\u00e1vel com Lenine Guarani, filho do compositor Taiguara), at\u00e9 um sempre esquecido Taiguara (<em><strong>Levante do borel<\/strong><\/em>). O arranjo tangueado da primeira parece original e ganha com o marcante riff de baixo el\u00e9trico.<\/p>\n<p><strong>&gt; Leo Versolato &#8211; Santo Bom<\/strong><\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=KNTDbe0wFvQ[\/youtube]\nPaulistano de 26 anos, Leo Versolato tem sobrenome de respeito. Ele \u00e9 filho de Ubaldo Versolato, m\u00fasico que tem no curr\u00edculo trabalhos ao lado de Roberto Carlos e Banda Mantiqueira. Convivendo com m\u00fasica desde a inf\u00e2ncia, ele estudou em conservat\u00f3rios e escolheu o baixo como principal instrumento. Essa op\u00e7\u00e3o explica a divis\u00e3o e ritmo de suas com posi\u00e7\u00f5es. Em <strong>Santo bom<\/strong>, s\u00e3o 12 divididas entre v\u00e1rios parceiros. A voz de Leo \u00e9 um ponto baixo, principalmente pela proximidade com a de Jorge Vercilo. Mas h\u00e1 climas interessantes, como em <em><strong>Reduto de farol<\/strong><\/em>, guiada por um piano martelado. De fato, o maior pecado do disco, produzido por Pedro Baldanza, \u00e9 a falta de uma cara pr\u00f3pria. Tudo que voc\u00ea ouvir aqui parece trilha de novela, MPB frouxa ou r\u00e1dio falso-sofisticada.<\/p>\n<p><strong>&gt; Barbara Leite &#8211; Quem<\/strong><\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=kEUNXXSCEbY[\/youtube]\n\u00c9 f\u00e1cil reconhecer o molho da nova MPB neste segundo disco de Barbara Leite. Algo de Ana Carolina, Maria Gadu e Isabela Taviani paira sobre a mistura pop com baladas e solos de guitarra. A voz grave sofre na falta de criatividade e fica presa a uma regi\u00e3o p\u00e1lida. A regrava\u00e7\u00e3o de <em><strong>Um girassol da cor do seu cabelo<\/strong><\/em> , uma das belezas do Clube da Esquina, ficaria melhor com mais voz. Talvez seja essa limita\u00e7\u00e3o (propriamente dita) vocal o principal empecilho para a m\u00fasica de Barbara Leite n\u00e3o decolar. Guitarrista mineira de 20 anos, ela at\u00e9 aposta na veia compositora apresentando nove faias de pr\u00f3prio punho (apenas uma com parceiro). Mas n\u00e3o mostrou, ainda, a personalidade para sua carreira.<\/p>\n<p><strong>&gt; Giovanna Farias &#8211; Uyraplural<\/strong><\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=TfvPqotg15E[\/youtube]\nA paraibana Giovanna Farias herdou o sobrenome do pai, Vital Farias. Autor de tantas can\u00e7\u00f5es bel\u00edssimas registradas por estrelas como Elba Ramalho e Mar\u00edlia Barbosa, \u00e9 ele quem assume a produ\u00e7\u00e3o e boa parte das composi\u00e7\u00f5es de <strong>Uyraplural<\/strong>. O disco balan\u00e7a entre o popular e o erudito. Esse \u00faltimo aspecto chama aten\u00e7\u00e3o para o estilo oper\u00edstico da cantora. Para quem conhece a cole\u00e7\u00e3o <strong>Cantoria<\/strong>, que reuniu um time de violeiros, que inclui o pr\u00f3prio Vital Farias, pode se espantar com o respeito dado a p\u00e9rolas da can\u00e7\u00e3o popular como <em><strong>Veja<\/strong> <\/em>(Margarida) e <em><strong>Sete cantigas para voar<\/strong><\/em>. Ou ainda <em><strong>Tamba-taj\u00e1<\/strong><\/em>, faixa que deu nome a primeiro e essencial disco de Faf\u00e1 de Bel\u00e9m.\u00a0 Embora, Giovanna chegue a derrapar nos agudos, ela fez bonito em manter intacto seu sotaque.<\/p>\n<p><strong>&gt; Projeto Vinagrete &#8211; Misturar \u00e9 preciso<\/strong><\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AtKNJBdRJpI[\/youtube]\nFormado em 2006 por Uribe Te\u00f3filo, Diego Rubio e Gui da Cu\u00edca, o Projeto Vinagrete faz m\u00fasica para dan\u00e7ar. Ponto. Partindo da\u00ed, \u00e9 poss\u00edvel conversar sobre o disco <strong>Misturar \u00e9 preciso<\/strong>. O clima \u00e9 de gafieira, baile e suingue. Com metais, percuss\u00e3o e a voz privilegiada de Uribe, o disco tenta reproduzir a energia do palco. Em alguns momentos, chega perto, como em <em><strong>Fevereiro<\/strong><\/em>. Das 15 faixas, apenas duas n\u00e3o s\u00e3o in\u00e9ditas. Uma delas \u00e9 <em><strong>Aqui \u00e9 o pa\u00eds do futebol<\/strong><\/em> (Milton Nascimento\/ Fernando Brant), imortalizada por Wilson Simonal e revisitada com respeito. A segunda \u00e9 <em><strong>\u00c9 de manh\u00e3<\/strong><\/em> (Caetano Veloso), em clima de samba cl\u00e1ssico. Produzido por Pedro Baldanza, <strong>Misturar \u00e9 preciso<\/strong> n\u00e3o chega a surpreender, mas cumpre bem o seu papel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seguem abaixo alguns coment\u00e1rios sobre alguns discos que recebi neste fim de ano da gravadora Kuarup. 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