{"id":10750,"date":"2014-01-02T12:31:36","date_gmt":"2014-01-02T15:31:36","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=10750"},"modified":"2014-01-02T12:31:36","modified_gmt":"2014-01-02T15:31:36","slug":"os-sambas-maldito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2014\/01\/02\/os-sambas-maldito\/","title":{"rendered":"Os sambas do maldito"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/S\u00e9rgio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10766\" alt=\"S\u00e9rgio sampaio\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/S\u00e9rgio.jpg\" width=\"720\" height=\"460\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/S\u00e9rgio.jpg 720w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/S\u00e9rgio-300x192.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/S\u00e9rgio-120x77.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/a>Quando o compositor <span style=\"color: #808000\"><strong>S\u00e9rgio Sampaio<\/strong><\/span> morreu em 1994, levou consigo uma m\u00e1goa guardada h\u00e1 muitos anos. Natural de Cachoeiro de Itapemirim, no Esp\u00edrito Santo, ele nunca teve uma m\u00fasica gravada pelo seu \u00eddolo e conterr\u00e2neo mais famoso, ningu\u00e9m menos que Roberto Carlos. O mais perto que chegou foi quando o Rei gravou <em><strong>Meu pequeno Cachoeiro<\/strong><\/em>, escrita por seu pai, Raul Sampaio. O desprezo de sua majestade at\u00e9 rendeu uma can\u00e7\u00e3o, <em><strong>Meu pobre blues<\/strong><\/em>, onde ele trata o assunto com uma dose de resigna\u00e7\u00e3o e outra de sarcasmo.<!--more--><\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que, assim como Roberto, poucos foram os que reconheceram o valor das can\u00e7\u00f5es de <span style=\"color: #808000\"><strong>S\u00e9rgio Sampaio<\/strong><\/span>. N\u00e3o \u00e0 toa, ele integrou a leva de compositores dos anos 1970 que ficou tachada de malditos. Apesar do imenso lirismo, ele era a contram\u00e3o, o avesso, o lado oposto do que chegava ao sucesso em sua \u00e9poca. E, por isso mesmo, usava a m\u00fasica para defender ideias pr\u00f3prias sobre a arte e o mundo \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p>Dispensando r\u00f3tulos r\u00edtmicos e est\u00e9ticos,<span style=\"color: #808000\"> <strong>S\u00e9rgio Sampaio<\/strong><\/span> tinha natureza moderna, sem dispensar o respeito pela tradi\u00e7\u00e3o. Sua m\u00fasica era feita de choros, marchinhas e sambas que conhecia atrav\u00e9s do pai. A essa tradi\u00e7\u00e3o, ele acrescentava sua personalidade inconformada e sua poesia afiada. Trazendo no viol\u00e3o o lamento t\u00edpico dos mestres do blues, ele usava o cinismo com muita intelig\u00eancia para enfrentar os perigosos Anos de Chumbo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/1217721-250x250.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-10767\" alt=\"1217721-250x250\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2013\/12\/1217721-250x250.jpg\" width=\"372\" height=\"322\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/1217721-250x250.jpg 372w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/1217721-250x250-300x260.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2013\/12\/1217721-250x250-120x104.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 372px) 100vw, 372px\" \/><\/a>Marginalizado que foi ao longo desses anos, torna-se muito oportuna a homenagem prestada pelo paraibano <strong><span style=\"color: #0000ff\">Chico Salles<\/span><\/strong> no disco <span style=\"color: #800080\"><strong>S\u00e9rgio Samba Sampaio<\/strong><\/span>. Ainda mais este ano, quando se completam 40 anos do lan\u00e7amento do primeiro LP de <span style=\"color: #808000\"><strong>S\u00e9rgio<\/strong><\/span>, que veio em consequ\u00eancia do sucesso de <em><strong>Eu quero \u00e9 botar meu bloco na rua<\/strong><\/em>. Com arranjos de Henrique Cazes e produ\u00e7\u00e3o do cearense Jos\u00e9 Milton, o recente tributo busca tornar mais palat\u00e1vel a obra de um artista que renegava qualquer tipo de r\u00f3tulo.<\/p>\n<p>Assim como o homenageado, o cantor e compositor <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Chico Salles<\/strong><\/span> n\u00e3o \u00e9 puramente um sambista, apesar de ter forte liga\u00e7\u00e3o com a batucada. Natural de S\u00e3o Francisco do Chaboc\u00e3o, pr\u00f3ximo de Sousa, ele come\u00e7ou na vida art\u00edstica fazendo sons nordestinos, como forr\u00f3, xote e bai\u00e3o. Ao chegar no Rio de Janeiro, na d\u00e9cada de 1970, ele conheceu os redutos sambistas dos morros cariocas acompanhado do \u201ctrapalh\u00e3o\u201d Mussum, que acabou se tornando seu parceiro.<\/p>\n<p>Sem excessos ou muitas pretens\u00f5es, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Chico Salles<\/strong><\/span> se coloca como um porta-voz de S\u00e9rgio Sampaio ao longo de 12 faixas. S\u00e3o sambas, choros e sambas-can\u00e7\u00f5es que evidenciam a alma irrequieta do cachoeirense. \u201cSil\u00eancio na tarde, nos homens. Sil\u00eancio que eu quero cantar\u201d, pede ele em<em><strong> At\u00e9 outro dia<\/strong><\/em>, antes tratar dos pr\u00f3prios medos, dos amores tumultuados e outras situa\u00e7\u00f5es corriqueiras da sua vida bo\u00eamia.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NyL-XwrFw9E[\/youtube]\n<p>\u201cUm livro de poesia na gaveta n\u00e3o adianta nada. Lugar de poesia \u00e9 na cal\u00e7ada\u201d, protesta <span style=\"color: #808000\"><strong>S\u00e9rgio<\/strong> <\/span>em <em><strong>Cada lugar na sua coisa<\/strong><\/em>, evidenciando que a luta por mais espa\u00e7o para arte n\u00e3o \u00e9 nova. A can\u00e7\u00e3o conta a participa\u00e7\u00e3o de Fagner, cuja voz peculiar d\u00e1 o tom que a letra pede (em tempo: circula na internet a grava\u00e7\u00e3o pirata de uma apresenta\u00e7\u00e3o de <strong>S\u00e9rgio<\/strong> com Moacyr Luz no Cabar\u00e9 Mineiro, BH, em 1986. Na ocasi\u00e3o, o artista agradece a presen\u00e7a de Fagner na plateia). Outro convidado de<strong><span style=\"color: #0000ff\"> Chico Salles<\/span><\/strong> \u00e9 Zeca Pagodinho, que soa t\u00edmido em <em><strong>O que pintar, pintou<\/strong><\/em>. F\u00e3 devotado, respons\u00e1vel pelo relan\u00e7amento de parte importante da obra de S\u00e9rgio Sampaio, Zeca Baleiro comparece em <em><strong>Hist\u00f3ria de bo\u00eamio<\/strong><\/em>, homenagem ao cantor Nelson Gon\u00e7alves (\u201cJ\u00e1 fui derrotado brigando num ringue, cantor consagrado de tango e suingue\u201d).<\/p>\n<p>Embora nunca tenha sido colocada no patamar que merece, a curta obra de <span style=\"color: #808000\"><strong>S\u00e9rgio Sampaio<\/strong><\/span> \u00e9 algo ainda a ser avaliado e descoberto. Sua morte aos 47 anos, em decorr\u00eancia de uma vida cheia de excessos, fez dele uma esp\u00e9cie de Robert Johnson nacional. Um algu\u00e9m que precisou de muito pouco para marcar seu nome na hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o compositor S\u00e9rgio Sampaio morreu em 1994, levou consigo uma m\u00e1goa guardada h\u00e1 muitos anos. 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