{"id":10961,"date":"2014-02-17T14:23:26","date_gmt":"2014-02-17T17:23:26","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=10961"},"modified":"2014-02-17T14:23:26","modified_gmt":"2014-02-17T17:23:26","slug":"segunda-estreia-de-paula-tesser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2014\/02\/17\/segunda-estreia-de-paula-tesser\/","title":{"rendered":"A segunda estreia de Paula Tesser"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2014\/02\/PAULA-TESSER-4-cr\u00e9dito-Nicolas-Gondim-2500x1667.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-10962\" alt=\"PAULA TESSER 4 cr\u00e9dito Nicolas Gondim (2500x1667)\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2014\/02\/PAULA-TESSER-4-cr\u00e9dito-Nicolas-Gondim-2500x1667-625x416.jpg\" width=\"625\" height=\"416\" \/><\/a>Come\u00e7ando pelas apresenta\u00e7\u00f5es, <span style=\"color: #993300\"><strong>Paula Tesser<\/strong><\/span> \u00e9 francesa, filha de brasileiros e radicada no Cear\u00e1 h\u00e1 muitos anos. Entre Europa e Brasil, ela prestou bons servi\u00e7os \u00e0 m\u00fasica como artista e soci\u00f3loga (o doutorado na Sorbonne foi sobre o Mangue Beat). Seu primeiro disco, <strong>Retrato do Vento<\/strong>, veio em 2004, somente com can\u00e7\u00f5es do ex-marido Valdo Aderaldo. O toque bossa nova das composi\u00e7\u00f5es destaca a voz perfeitamente l\u00edmpida da cantora, que tamb\u00e9m faz uso do charme franc\u00eas em sua interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de <strong>Retrato do Vento<\/strong>, <span style=\"color: #993300\"><strong>Paula Tesser<\/strong><\/span> se dedicou \u00e0 carreira acad\u00eamica e \u00e0s duas filhas. Na m\u00fasica, fez shows \u2013 onde se destaca o \u00f3timo tributo a Rita Lee e o trio carnavalesco As Gata pira, dividido com Natasha Faria e Soledad Brand\u00e3o \u2013 e participou de discos e colet\u00e2neas internacionais. Mas nada de trabalho in\u00e9dito. Esse jejum foi quebrado no in\u00edcio deste ano, com o independente <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Valha<\/strong><\/span>. Daquela cantora de dez anos atr\u00e1s, preservou-se o transl\u00facido da voz, o calor das interpreta\u00e7\u00f5es e o charme. Fora isso, \u00e9 tudo novo no novo disco de <span style=\"color: #993300\"><strong>Paula Tesser<\/strong><\/span>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2014\/02\/capa-PAULA-TESSER-.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-10964\" alt=\"capa PAULA TESSER\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2014\/02\/capa-PAULA-TESSER--625x562.jpg\" width=\"315\" height=\"283\" \/><\/a>Produzido pelo \u201ccidad\u00e3o instigado\u201d Dustan Gallas, <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Valha<\/strong> <\/span>conecta <span style=\"color: #993300\"><strong>Paula Tesser<\/strong><\/span> \u00e0 recente produ\u00e7\u00e3o MPB\/pop indie brasileira, com todos os seus v\u00edcios e virtudes. N\u00e3o por acaso, o disco foi gravado em S\u00e3o Paulo, onde se encontra boa parte dessa produ\u00e7\u00e3o, e traz \u00e0 mem\u00f3ria os trabalhos de Tulipa Ruiz e B\u00e1rbara Eug\u00eania, tanto na sonoridade quanto nas inten\u00e7\u00f5es. Mas h\u00e1 personalidade e uma dose bem calculada de experimenta\u00e7\u00e3o nas 11 faixas de <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Valha<\/strong><\/span>, que foram bem climatizadas com camadas de teclado, baixo e bateria. Para quebrar o clima modernoso, um quarteto de cordas se insere dando um ar cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p>A tem\u00e1tica que domina <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Valha<\/strong> <\/span>\u00e9 amor sensual, quente, e nada piegas. Embora n\u00e3o seja compositora, <span style=\"color: #993300\"><strong>Paula Tesser<\/strong><\/span> traz o repert\u00f3rio para si e imprime sua personalidade forte nas interpreta\u00e7\u00f5es. \u00c9 o caso de <em><strong>Bolero negro<\/strong><\/em>, composi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de Dustan que recebeu versos inspirados de Fausto Nilo (\u201cSinto as curvas da tua paisagem entre minhas m\u00e3os\u201d). O produtor tamb\u00e9m assina a delicada <em><strong>Monamu<\/strong><\/em> e a new brega <em><strong>Voc\u00ea tem medo de gostar de mim<\/strong><\/em>, cuja segunda parte merecia mais voz para sublinhar a dramaticidade.<\/p>\n<p>O cantor e compositor Oscar Arruda comparece de forma discreta nos vocais de <em><strong>Quase pronto<\/strong><\/em>, fruto da pr\u00f3pria lavra. A can\u00e7\u00e3o destoa positivamente no disco pelo tom ensolarado, assim como <em><strong>Gente esquisita<\/strong><\/em>, de Valdo Aderaldo e Celso Gutfreind, que evoca a urg\u00eancia urbana de <em>Um americano em Paris<\/em>, pe\u00e7a de George Gershwin. J\u00e1 <em><strong>Luz interior<\/strong><\/em>, de Arthur Braganti (do Letuce) \u00e9 o ponto baixo, apesar da vontade de parecer perform\u00e1tica.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jJqv6Avwuik[\/youtube]\n<p>Como quem queria vasculhar a hist\u00f3ria musical cearense, <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Valha<\/strong> <\/span>traz alguns achados, como a teatral <em><strong>Cobra<\/strong><\/em>, can\u00e7\u00e3o soturna de St\u00e9lio Valle e Allano Freitas registrada no \u00e1lbum <strong>Maraponga<\/strong> (1978), de Ricardo Bezerra. H\u00e1 tamb\u00e9m <em><strong>P\u00e9 de espinho<\/strong><\/em> (Rog\u00e9rio\/ Stone\/ Luiz Carlos Pin\u00f3quio), pescada do <strong>Massafeira<\/strong> (1980). Ou ainda,\u00a0<em><strong>Tudo blue<\/strong><\/em>, de Fausto Nilo e Pepeu Gomes, lan\u00e7ada por Baby Consuelo em 1978. J\u00e1 a por\u00e7\u00e3o francesa de <span style=\"color: #993300\"><strong>Paula Tesser<\/strong><\/span> aparece mais evidente em <em><strong>D\u00e9mons et merveilles<\/strong><\/em>, de Mauriuce Thiriet e Jacques Pr\u00e9vert, cujos teclados vintage d\u00e3o um ar melanc\u00f3lico refor\u00e7ado pelos agudos precisos da cantora.<\/p>\n<p>No entanto, nenhuma can\u00e7\u00e3o deve chamar mais aten\u00e7\u00e3o do que <em><strong>Pode me torturar<\/strong><\/em>. A m\u00fasica da rainha do forr\u00f3 Eliane (com Jos\u00e9 Lima) faz parte de um movimento corriqueiro na m\u00fasica brasileira moderna de resgatar can\u00e7\u00f5es antes tidas como brega. Novos arranjos buscam \u201credimir\u201d estas can\u00e7\u00f5es, como j\u00e1 fez Caetano Veloso e Otto, por exemplo. Neste caso, mais uma vez, o resultado \u00e9 \u00f3timo e deve tocar e todas as pr\u00f3ximas festas descoladas da Cidade. Se esse \u00e9 um dos v\u00edcios na nova MPB indie que recai sobre <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Valha<\/strong><\/span>, as virtudes sonoras tamb\u00e9m s\u00e3o muitas e mostram que <span style=\"color: #993300\"><strong>Paula Tesser<\/strong><\/span> fez bem em voltar a cantar do jeito que voltou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7ando pelas apresenta\u00e7\u00f5es, Paula Tesser \u00e9 francesa, filha de brasileiros e radicada no Cear\u00e1 h\u00e1 muitos anos. 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