{"id":11264,"date":"2014-08-06T12:49:16","date_gmt":"2014-08-06T15:49:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=11264"},"modified":"2014-08-06T12:49:16","modified_gmt":"2014-08-06T15:49:16","slug":"era-das-incertezas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2014\/08\/06\/era-das-incertezas\/","title":{"rendered":"A era das incertezas"},"content":{"rendered":"<p><em>* Mat\u00e9ria publicada na revista O POVO Cen\u00e1rio N\u00ba5<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/rita-lee-atras-do-porto-tem-uma-cidade.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11730\" alt=\"rita-lee-atras-do-porto-tem-uma-cidade\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/rita-lee-atras-do-porto-tem-uma-cidade-625x412.jpg\" width=\"625\" height=\"412\" \/><\/a>A d\u00e9cada de 1970 chegou lan\u00e7ando desafios para os dois maiores \u00edcones do rock brasileiro. Prestes a dar adeus a os Mutantes, <span style=\"color: #993366\"><strong>Rita Lee<\/strong> <\/span>come\u00e7ava a engatinhar no que viria a ser sua carreira solo. J\u00e1 <span style=\"color: #003300\"><strong>Erasmo Carlos<\/strong><\/span> chegava aos 30 anos de idade tendo que aprender a lidar com casamento, filhos, viol\u00eancia, revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e um planeta em ebuli\u00e7\u00e3o. Para ambos, era o fim das preocupa\u00e7\u00f5es juvenis da d\u00e9cada anterior.<\/p>\n<p>Por sorte, para <strong><span style=\"color: #993366\">Rita<\/span> <\/strong>e <strong><span style=\"color: #003300\">Erasmo<\/span><\/strong>, todas essas transforma\u00e7\u00f5es acabaram sendo canalizadas para o trabalho e virando discos os antol\u00f3gicos, que acabam de receber reedi\u00e7\u00e3o na cole\u00e7\u00e3o <strong>Tr\u00eas Tons<\/strong>, da gravadora Universal. Tal como subentendido no t\u00edtulo, cada caixinha traz tr\u00eas CDs, que, no caso dos dois gigantes da m\u00fasica brasileira, contam uma hist\u00f3ria curiosa nas entrelinhas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/nholook.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-11729\" alt=\"nholook\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/nholook.jpg\" width=\"280\" height=\"280\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/nholook.jpg 400w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/nholook-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/nholook-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/nholook-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><\/a>Para <span style=\"color: #993366\"><strong>Rita Lee<\/strong><\/span>, o box abra\u00e7a os tr\u00eas primeiros passos do que viria a ser sua longa prol\u00edfica carreira solo. O primeiro cap\u00edtulo dessa hist\u00f3ria \u00e9 o disco <strong>Build Up<\/strong> (1970), feito por insist\u00eancia do produtor Andr\u00e9 Midani, que via naquela ruivinha de humor sacana uma potencial estrela. Como a cantora ainda vivia em lua de mel com os Mutantes, quatro quintos da banda participam do projeto. Apenas o guitarrista S\u00e9rgio Dias se negou a bancar a empreitada, pois achava que isso n\u00e3o fazia bem ao grupo. Assim sendo, para seu lugar foi chamado o guitar hero maluquete Lanny Gordin.<\/p>\n<p>O jeito ir\u00f4nico e libert\u00e1rio dos Mutantes permeia todas as 11 faixas de <strong>Build up<\/strong>, apesar do claro desejo de se distanciar do original. O mesmo n\u00e3o pode ser dito de <strong>Hoje \u00e9 o primeiro dia do resto das nossas vidas<\/strong> (1972). Apesar de ser creditado como o segundo solo de <span style=\"color: #993366\"><strong>Rita<\/strong><\/span>, esse \u00e9 um disco 100% Mutantes. O fato \u00e9 que eles estavam empolgados com a inaugura\u00e7\u00e3o novo Est\u00fadio Eldorado e resolveram dar uma chegada pra fazer um som na modern\u00edssima mesa de 16 canais. A brincadeira ficou t\u00e3o boa que eles quiseram lan\u00e7a-la em disco.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tr\u00eas-tons-rita-lee.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-11733\" alt=\"tr\u00eas tons rita lee\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tr\u00eas-tons-rita-lee-300x300.jpg\" width=\"300\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tr\u00eas-tons-rita-lee-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tr\u00eas-tons-rita-lee-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tr\u00eas-tons-rita-lee-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tr\u00eas-tons-rita-lee.jpg 400w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A\u00ed veio o n\u00f3. Eles j\u00e1 haviam lan\u00e7ado naquele ano o disco <i>Mutantes e seus cometas no pa\u00eds dos bauretz<\/i> e a gravadora n\u00e3o achou interessante colocar dois LPs dos Mutantes nas lojas ao mesmo tempo. A solu\u00e7\u00e3o foi dar um jeitinho brasileiro e deixar <span style=\"color: #993366\"><strong>Rita<\/strong> <\/span>assinar o disco sozinha. Infelizmente, esse tamb\u00e9m acabou sendo o \u00faltimo trabalho da paulistana com os irm\u00e3os Baptista. J\u00e1 separada de Arnaldo, ela seria sumariamente cortada dos Mutantes ainda em 1972, protagonizando uma das mais incertas lendas do rock nacional.<\/p>\n<p>Atravessando um longo inferno astral e buscando um novo rumo art\u00edstico, <strong><span style=\"color: #993366\">Rita Lee<\/span> <\/strong>lan\u00e7ou seu, de fato, primeiro trabalho solo em 1974.<strong> Atr\u00e1s do porto tem uma cidade<\/strong> inaugura a parceria da paulistana com a banda Tutti Frutti, que contava com L\u00facia Turnbull, Luis Carlini e Lee Marcucci. Mesmo andando pra frente, ela n\u00e3o esconde a m\u00e1goa dos antigos companheiros em m\u00fasicas como <em><strong>Ando jururu<\/strong><\/em> ou <em><strong>Mam\u00e3e natureza<\/strong><\/em>. Ainda assim foram quatro grandes discos ao lado dos novos colegas, at\u00e9 que Roberto de Carvalho entrou na vida da roqueira e tudo mudou novamente.<\/p>\n<p><b>Tremend\u00e3o <\/b><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/aa0a4536a2796bb5daf683ed5e29e157.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11735\" alt=\"aa0a4536a2796bb5daf683ed5e29e157\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/aa0a4536a2796bb5daf683ed5e29e157-625x399.jpg\" width=\"625\" height=\"399\" \/><\/a>Para <span style=\"color: #003300\"><strong>Erasmo Carlos<\/strong><\/span> os anos 70 tamb\u00e9m chegaram exigindo mudan\u00e7as. A Jovem Guarda havia perdido o espa\u00e7o da d\u00e9cada passada e pouca gente estava interessada em hist\u00f3rias de namorinhos inocentes ou carr\u00f5es a 120 por hora. Al\u00e9m disso, o casamento com Narinha e a chegada dos filhos faziam o compositor passar por um momento de mais maturidade. Pra completar, havia a eterna sombra de Roberto Carlos, que relegava o Tremend\u00e3o a um papel de simples parceiro do Rei.<\/p>\n<p>Agora trabalhando na Philips, <span style=\"color: #003300\"><strong>Erasmo<\/strong> <\/span>deu in\u00edcio \u00e0 d\u00e9cada com o disco que at\u00e9 hoje \u00e9 considerado seu maior cl\u00e1ssico: <strong>Carlos, Erasmo<\/strong> (1971). Escudado por parte dos Mutantes, o tijucano resolveu abra\u00e7ar o ide\u00e1rio hippie reunindo composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e presentes de amigos para fazer algo que divergia completamente do clima Jovem guarda. Tem samba-rock (<em><strong>Agora ningu\u00e9m chora mais<\/strong><\/em>), hino bicho grilo (<em><strong>Gente aberta<\/strong><\/em>) e cr\u00edtica \u00e0s conven\u00e7\u00f5es sociais (<em><strong>N\u00e3o te quero santa<\/strong><\/em>).<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tres-tons-erasmo-carlos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-11736\" alt=\"tres tons erasmo carlos\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tres-tons-erasmo-carlos-300x300.jpg\" width=\"300\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tres-tons-erasmo-carlos-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tres-tons-erasmo-carlos-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tres-tons-erasmo-carlos-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tres-tons-erasmo-carlos.jpg 400w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Sonhos e mem\u00f3rias<\/strong> (1972) mergulha ainda mais fundo nesse mundo de paz e amor, sem deixar de lado a vida dom\u00e9stica. Isso fica registrado na foto interna do disco: um Erasmo barbudo, um viol\u00e3o, uma barraca, uma fogueira, mulher e filho. Nada mais Woodstock. No disco, o olhar nost\u00e1lgico (<em><strong>Largo da\u00a0 2\u00aa feira<\/strong><\/em>, <em><strong>Bom dia rock\u2019n\u2019roll<\/strong><\/em> e <em><strong>Vida antiga<\/strong><\/em>) fica ao lado das primeiras brigas conjugais (<em><strong>Grilos<\/strong><\/em>) e do amor por Narinha (<em><strong>Sorriso dela<\/strong><\/em>).<\/p>\n<p>Mas, como o que \u00e9 bom dura pouco, <span style=\"color: #003300\"><strong>Erasmo Carlos<\/strong><\/span> viu que aquele mundo hippie chegara ao fim e que estava na hora de acordar para levar os filhos ao col\u00e9gio. Antes, ele fez <strong>A banda dos contentes<\/strong> (1976), que contou com os vocais do ef\u00eamero trio Karma. Mais uma vez, o encarte trazia um desenho onde v\u00e1rios \u201cerasmos\u201d brigam a esmo. Eram os conflitos de uma \u00e9poca, que tamb\u00e9m apareciam em <em><strong>Queremos saber<\/strong><\/em>, <em><strong>An\u00e1lise descontra\u00edda<\/strong><\/em> e <em><strong>Filho \u00fanico<\/strong><\/em>. Mas logo os anos 1980 bateriam \u00e0 porta do m\u00fasico que, assim como Rita Lee, pode aproveitar curtir o sucesso de uma nova \u00e9poca de mais tranquilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Mat\u00e9ria publicada na revista O POVO Cen\u00e1rio N\u00ba5 A d\u00e9cada de 1970 chegou lan\u00e7ando desafios para os dois maiores \u00edcones do rock brasileiro. 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