{"id":11362,"date":"2014-04-30T17:08:49","date_gmt":"2014-04-30T20:08:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=11362"},"modified":"2014-04-30T17:08:49","modified_gmt":"2014-04-30T20:08:49","slug":"o-mar-e-o-tempo-de-caymmi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2014\/04\/30\/o-mar-e-o-tempo-de-caymmi\/","title":{"rendered":"O mar e o tempo de Caymmi"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/04\/0C34FB4EFF1044C3B567580FCC71CC3C.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11363\" alt=\"0C34FB4EFF1044C3B567580FCC71CC3C\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/04\/0C34FB4EFF1044C3B567580FCC71CC3C.jpg\" width=\"700\" height=\"446\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/04\/0C34FB4EFF1044C3B567580FCC71CC3C.jpg 700w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/04\/0C34FB4EFF1044C3B567580FCC71CC3C-300x191.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/04\/0C34FB4EFF1044C3B567580FCC71CC3C-120x76.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a>O balan\u00e7o das ondas, o calor do sol, o cheiro da \u00e1gua salgada, a areia, o balan\u00e7ar dos coqueiros, as redes saindo do mar cheias de peixes, o canto dos negros, Jesus Cristo e os orix\u00e1s. Essa era a base da m\u00fasica feita por <span style=\"color: #000080\"><strong>Dorival Caymmi<\/strong><span style=\"color: #000000\"> (1914 &#8211; 2008)<\/span><\/span>, baiano de Salvador que apresentou um retrato fiel de sua terra em tantas composi\u00e7\u00f5es, hoje consideradas imortais. Mais do que l\u00e1s e d\u00f3s, eram os costumes da cidade e do povo que o intrigavam e o moviam a criar.<\/p>\n<p>Filho do funcion\u00e1rio p\u00fablico e m\u00fasico amador Durval Henrique Caymmi com Aurelina C\u00e2ndida Caymmi, que, dizem, cantava muito bem, <span style=\"color: #000080\"><strong>Dorival<\/strong> <\/span>nasceu em 30 de abril de 1914. Com pouca idade, ele j\u00e1 acompanhava curioso as cantorias de dentro de casa e, ainda adolescente, come\u00e7ou a aprender viol\u00e3o. E assim, ao mesmo tempo que larga os estudos ainda no ginasial para trabalhar, ele come\u00e7a a se arriscar nas primeiras composi\u00e7\u00f5es. A inaugural chamou-se <em><strong>No sert\u00e3o<\/strong><\/em>, j\u00e1 adiantando o talento para falar do cen\u00e1rio que o rondava.<\/p>\n<p>Antes de se assumir compositor, <span style=\"color: #000080\"><strong>Dorival<\/strong> <\/span>trabalhou como auxiliar de escrit\u00f3rio e vendedor de cord\u00f5es para embrulho e bebidas. Tamb\u00e9m ganhou alguns concursos carnavalescos e cantava na R\u00e1dio Clube da Bahia, mas foi no Rio do Janeiro, para onde mudou-se em 1937, que sua m\u00fasica chamou a aten\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria foi contada em <em><strong>Peguei um Ita no Norte<\/strong><\/em>, se referindo aos navios a vapor que levavam cargas e passageiros de Norte a Sul do Brasil. A incerteza de viver em outro lugar ficou clara nos versos \u201ctalvez eu volte pro ano. Talvez eu fique por l\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Mas a aventura foi boa para o baiano, que nunca tirou sua terra da cabe\u00e7a. Al\u00e9m de desenhar e pintar com mais frequ\u00eancia, outra paix\u00e3o que exercitava h\u00e1 muitos anos, <span style=\"color: #000080\"><strong>Caymmi<\/strong> <\/span>entrou para o elenco da poderosa R\u00e1dio Nacional. Foi l\u00e1 onde conheceu a cantora Stella Maris, com quem esteve casado at\u00e9 o fim da vida. Foi na Cidade Maravilhosa tamb\u00e9m que ele apresentou sua <em><strong>O que \u00e9 que a baiana tem?<\/strong><\/em> para Carmen Miranda. O samba ganhou uma nova dimens\u00e3o no corpo e na voz da cantora luso-brasileira e ganhou repercuss\u00e3o internacional quando foi inclu\u00edda no filme <em>Banana da terra<\/em> (1938).<\/p>\n<p><em><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/04\/canc3a7c3b5es-praieiras.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-11364\" alt=\"canc3a7c3b5es-praieiras\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/04\/canc3a7c3b5es-praieiras.jpg\" width=\"400\" height=\"400\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/04\/canc3a7c3b5es-praieiras.jpg 400w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/04\/canc3a7c3b5es-praieiras-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/04\/canc3a7c3b5es-praieiras-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/04\/canc3a7c3b5es-praieiras-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>O que \u00e9 que a baiana tem?<\/strong><\/em> come\u00e7ou a ser composta na Bahia e foi encerrada no Rio, revelando que <span style=\"color: #000080\"><strong>Caymmi<\/strong> <\/span>seguia somente seu pr\u00f3prio tempo na hora de compor. Por isso mesmo, em tantas d\u00e9cadas de trabalho, ele deixou pouco mais de 100 can\u00e7\u00f5es registradas. Muito pouco, se comparado a outros mestres do seu quilate. Os discos tamb\u00e9m n\u00e3o foram tantos, mas sempre com o mesmo cheiro do mar que ele admirava. Mais do que discos tem\u00e1ticos, todo o pensamento musical de <span style=\"color: #000080\"><strong>Caymmi<\/strong> <\/span>era tem\u00e1tico, sempre com a Bahia e seus costumes \u00e0 vista. Isso j\u00e1 fica claro na largada, com o antol\u00f3gico <strong>Can\u00e7\u00f5es praieiras<\/strong>, de 1958.<\/p>\n<p>Para compensar as poucas grava\u00e7\u00f5es, <span style=\"color: #000080\"><strong>Dorival Caymmi<\/strong><\/span> nunca foi esquecido por outros int\u00e9rpretes. A come\u00e7ar pelos filhos, Nana, Dori e Danilo Caymmi, sempre envoltos em projetos individuais ou coletivos que resgatam a obra do pai. O \u00faltimo deles foi lan\u00e7ado ainda em 2013, trazendo apenas as can\u00e7\u00f5es mais obscuras do pai. Al\u00e9m deles, Rosa Passos, Gal Costa e Jussara Silveira j\u00e1 dedicaram discos inteiros \u00e0 sua obra, enquanto outros j\u00e1 lhe dedicaram pelo menos uma faixa. De Novos Baianos, com <em><strong>Samba da minha terra<\/strong><\/em>, at\u00e9 Tom Jobim, com <em><strong>Maricotinha<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Tivesse surgido nos tempos de hoje, talvez <span style=\"color: #000080\"><strong>Caymmi<\/strong> <\/span>n\u00e3o tivesse alcan\u00e7ado o reconhecimento merecido por n\u00e3o se interessar na velocidade que uma carreira exige. Tamb\u00e9m n\u00e3o era ligado a se expor ou vaidades. Respeitador do pr\u00f3prio tempo, ele preferiu usou as melodias para pintar um quadro fiel da Bahia, desde os perigos do mar at\u00e9 o balan\u00e7ar sinuoso de uma mulata baiana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O balan\u00e7o das ondas, o calor do sol, o cheiro da \u00e1gua salgada, a areia, o balan\u00e7ar dos coqueiros, as redes saindo do mar cheias&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,110,152,162,283,284],"tags":[],"class_list":["post-11362","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-criticas","category-dorival-caymmi","category-gal-costa","category-hoje-na-historia","category-nacional","category-nana-caymmi"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11362\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}