{"id":11533,"date":"2014-07-10T13:34:56","date_gmt":"2014-07-10T16:34:56","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=11533"},"modified":"2014-07-10T13:34:56","modified_gmt":"2014-07-10T16:34:56","slug":"voz-da-mata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2014\/07\/10\/voz-da-mata\/","title":{"rendered":"A voz da mata"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/UwftGez.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-11553\" alt=\"UwftGez\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/UwftGez-625x416.jpg\" width=\"625\" height=\"416\" \/><\/a>Em 1985, os versos de <em><strong>Escrito nas estrelas<\/strong><\/em> eram um verdadeiro fator de uni\u00e3o nacional. Bastava que algu\u00e9m come\u00e7asse \u201cvoc\u00ea pra foi um sol\u201d para que as pessoas ao redor apurassem os agudos para cantar junto. A respons\u00e1vel por este sucesso, que vendeu milhares de c\u00f3pias, foi <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Tet\u00ea Esp\u00edndola<\/strong><\/span>, int\u00e9rprete da composi\u00e7\u00e3o de Carlos Renn\u00f3 e Arnaldo Black no Festival dos Festivais. No evento transmitido pe\u00e7a Rede Globo, ela venceu nomes de peso como Em\u00edlio Santiago, Leila Pinheiro e Oswaldo Montenegro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do apelo popular de <em><strong>Escrito nas estrelas<\/strong><\/em>, grande parte do sucesso da can\u00e7\u00e3o deve ser atribu\u00eddo aos agudos afiados de <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Tet\u00ea Esp\u00edndola<\/strong><\/span>. A extens\u00e3o vocal quilom\u00e9trica e a versatilidade com que usa esse recurso at\u00e9 renderam \u00e0 cantora um elogio do poeta Augusto de Campos, dizendo que ela tinha p\u00e1ssaros na garganta. A defini\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o perfeita que esse foi o nome dado ao disco que a artista de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, lan\u00e7ou em 1982. Mais do que uma brincadeira com sons, foi mesmo ouvindo a natureza da Chapada dos Guimar\u00e3es, que a ela descobriu os sons escondidos na sua voz.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/teteasasdoetereocapacd.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-11554\" alt=\"teteasasdoetereocapacd\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/teteasasdoetereocapacd-300x300.png\" width=\"300\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/teteasasdoetereocapacd-300x300.png 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/teteasasdoetereocapacd-150x150.png 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/teteasasdoetereocapacd-120x120.png 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/teteasasdoetereocapacd.png 642w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Lan\u00e7ado na \u00e9poca pelo pequeno selo Som da Gente, <span style=\"color: #333300\"><strong>P\u00e1ssaros na garganta<\/strong><\/span> acaba de ganhar uma reedi\u00e7\u00e3o primorosa feita pelo Selo SESC. O trabalho marcou a estreia de <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Tet\u00ea Esp\u00edndola<\/strong><\/span> como compositora, dando voz \u00e0s matas e bichos do Centro-Oeste brasileiro. Como o assunto n\u00e3o se esgotou, a reedi\u00e7\u00e3o traz junto o in\u00e9dito <span style=\"color: #808000\"><strong>Asas do Et\u00e9reo<\/strong><\/span>, gravado com a ades\u00e3o de instrumentistas como Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Jaques Morelembaum e da dupla de violonistas Duofel.<\/p>\n<p>\u201cEu j\u00e1 estava na ideia de fazer um CD marcando os timbres dos instrumentistas e, quanto mais o novo disco avan\u00e7ava, mais abria conex\u00e3o com o <span style=\"color: #333300\"><strong>P\u00e1ssaros<\/strong><\/span>\u201d, explica <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Tet\u00ea<\/strong><\/span>, que canta cada faixa de <span style=\"color: #808000\"><strong>Asas do et\u00e9reo<\/strong><\/span> num tom diferente. \u201cPara voc\u00ea ouvir, tem que ser quieto. O disco come\u00e7a a levar voc\u00ea para outra dimens\u00e3o por conta dessa coisa dos tons. Cada tom mexe num xacra. \u00c9 um neg\u00f3cio muito m\u00e1gico e por isso ele se chama <span style=\"color: #808000\"><strong>Asas do et\u00e9reo<\/strong><\/span>\u201d, completa a cantora, que tamb\u00e9m recebeu o filho Dani Black para fazer guitarra e vocais na bel\u00edssima <em><strong>Trigo do amor<\/strong><\/em>. Outro destaque do disco <em><strong>Amarelando<\/strong><\/em>, baladinha apaixonada constru\u00edda sobre um toque cru de viol\u00e3o costurado sobre o trombone sublime de Bocato.<\/p>\n<p>Nos 30 anos que separam <span style=\"color: #333300\"><strong>P\u00e1ssaros na garganta<\/strong><\/span> de <strong><span style=\"color: #808000\">Asas do et\u00e9reo<\/span><\/strong>, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Tet\u00ea Esp\u00edndola<\/strong><\/span> viveu muitas experi\u00eancias, mas nada que a tirasse da linha que tra\u00e7ou no final dos anos 1970. Filha de uma fam\u00edlia simples e cheia de m\u00fasica, Teresinha Maria Miranda Esp\u00edndola come\u00e7ou a vida art\u00edstica quando mal tinha completado a maior idade. Ao lado dos irm\u00e3os, montou a banda LuzAzul, onde cantava e tocava sua craviola (instrumento desenhado por Paulinho Nogueira que mistura cravo e viola caipira). Instalada em S\u00e3o Paulo, mudou o nome da banda para <em>Tet\u00ea Esp\u00edndola e o L\u00edrio Selvagem<\/em> e se integrou \u00e0 Vanguarda Paulistana, ao lado de Arrigo Barnab\u00e9 e Itamar Assump\u00e7\u00e3o. Depois veio o sucesso de <em><strong>Escrito nas estrelas<\/strong><\/em> e, em seguida, um retorno \u00e0 cena independente.<\/p>\n<div id=\"attachment_11556\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tete-e-egberto-gismonti.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11556\" class=\"size-medium wp-image-11556\" alt=\"Tet\u00ea e Egberto Gismonti (Foto: Rafael Saar)\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tete-e-egberto-gismonti-300x450.jpg\" width=\"300\" height=\"450\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tete-e-egberto-gismonti-300x450.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tete-e-egberto-gismonti-768x1152.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tete-e-egberto-gismonti-740x1110.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/tete-e-egberto-gismonti-120x180.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11556\" class=\"wp-caption-text\">Tet\u00ea e Egberto Gismonti (Foto: Rafael Saar)<\/p><\/div>\n<p>Com 60 anos completados no \u00faltimo 11 de mar\u00e7o, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Tet\u00ea Esp\u00edndola<\/strong><\/span> afirma que est\u00e1 com os mesmos agudos estratosf\u00e9ricos de d\u00e9cadas atr\u00e1s. Num show recente dedicado ao disco <strong>Tet\u00ea e o L\u00edrio Selvagem<\/strong> (1978), ela se impressionou de conseguir refazer o repert\u00f3rio de quando tinha 20 e poucos anos sem descer um tom sequer. \u201cMinha voz \u00e9 uma entidade, ela acontece. Se eu segurar isso, eu morro\u201d, acrescenta ela, que prefere tamb\u00e9m n\u00e3o estudar t\u00e9cnica vocal para n\u00e3o perder a naturalidade. \u201cA diferen\u00e7a maior (entre os dois discos que est\u00e1 lan\u00e7ando) \u00e9 a amplitude de minha voz. Naquela \u00e9poca era s\u00f3 sopran\u00edssimo e, agora, depois de tr\u00eas d\u00e9cadas, eu desenvolvi o meu contralto (notas mais graves). Estou domando minha voz\u201d.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 natureza, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Tet\u00ea Esp\u00edndola<\/strong><\/span> sempre a defendeu sem precisar levantar bandeiras. Mais do que campanhas ou hinos para serem cantados por multid\u00f5es, ela prefere uma can\u00e7\u00e3o para \u201cdesatar o n\u00f3 n\u2019\u00e1gua\u201d e \u201crolar o seixo em vaga\u201d, como diz na parceria com Ben\u00e9 Fonteles. Por isso, em 1989, ela saiu gravando os sons dos p\u00e1ssaros da Amaz\u00f4nia e do Pantanal para realizar uma pesquisa, com apoio da funda\u00e7\u00e3o Vitae, sobre a voz humana e a musicalidade das aves. O trabalho ainda rendeu o disco <strong>Ouvir<\/strong> (1991), onde ela brinca com os sons que apreendeu na mata. \u201cEssa coisa foi entrando na minha composi\u00e7\u00e3o naturalmente e \u00e9 t\u00e3o famoso isso no meu show que todo mundo vira bicho. Tem quem vire sapo, jacar\u00e9, on\u00e7a&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Saiba mais <a href=\"http:\/\/www.teteespindola.com.br\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1985, os versos de Escrito nas estrelas eram um verdadeiro fator de uni\u00e3o nacional. 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