{"id":12189,"date":"2014-10-28T15:34:48","date_gmt":"2014-10-28T18:34:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=12189"},"modified":"2014-10-28T15:34:48","modified_gmt":"2014-10-28T18:34:48","slug":"riba-de-castro-fala-sobre-o-projeto-lira-paulistana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2014\/10\/28\/riba-de-castro-fala-sobre-o-projeto-lira-paulistana\/","title":{"rendered":"Riba de Castro fala sobre o projeto Lira Paulistana"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_12196\" style=\"width: 635px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/10\/Riba-de-Castro-.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12196\" class=\"size-large wp-image-12196\" alt=\"Riba de Castro nos tempos do Lira\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/10\/Riba-de-Castro--625x406.jpg\" width=\"625\" height=\"406\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12196\" class=\"wp-caption-text\">Riba de Castro nos tempos do Lira<\/p><\/div>\n<p>Chico Pardal, Pl\u00ednio Chaves, Wilson Souto, Fernando Alexandre e Riba de Castro. Conhecida como \u201co pessoal do Lira\u201d, essa foi a turma que criou o Lira Paulistana e, durante quase sete anos, reuniu p\u00fablico e artistas num ambiente de muita liberdade e criatividade. Riba \u00e9 cearense de Quixeramobim, criado em Fortaleza, e, aos 18 anos, partiu para S\u00e3o Paulo movido pela por inquieta\u00e7\u00e3o. Por l\u00e1, se misturou a cena cultural produzindo pequenos eventos. Ao conhecer o Pessoal do Lira, ele largou um emprego no Curso Anglo Vestibulares e foi se dedicar ao novo projeto que estava enfurnado num por\u00e3o paulista. Por telefone, Riba lembra, entre risadas, as hist\u00f3rias que viveu ali.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Como foi revisitar as hist\u00f3rias do Lira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Riba de Castro \u2013<\/strong> Pra mim, foi uma catarse. Era uma coisa que tinha sido importante pras pessoas que viveram, mas que deixou de existir, como acontece com tudo. Estava h\u00e1 25 anos na Espanha e foi l\u00e1 que o projeto come\u00e7ou a embrionar. Pra mim foi assim como rever os amigos, que n\u00e3o via h\u00e1 anos. Foi como uma presta\u00e7\u00e3o de contas.<\/p>\n<p><strong>OP \u2013 E como veio a ideia de registrar essas hist\u00f3rias?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Riba \u2013<\/strong> Sempre que eu voltava ao Brasil, as pessoas me perguntavam sobre o Lira. Mas n\u00e3o tinha tido ainda um documento com essa preocupa\u00e7\u00e3o de registro. Quando comecei a buscar material, as pessoas foram me cedendo e eu tinha guardado todo meu o material. Como eu era respons\u00e1vel pela parte visual, tinha todos os cartazes. Isso me ajudou muito a criar uma linha do tempo.<\/p>\n<p><strong>OP \u2013 Voc\u00ea comenta que come\u00e7ou a escrever o livro com a morte do Itamar Assump\u00e7\u00e3o, em 2003. Ele foi o grande nome do Lira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Riba \u2013<\/strong> Quando o Itamar morreu, eu pensei \u201cporra, e agora?\u201d. Eu queria fazer esse projeto porque esse pessoal tem que ta vivo pra contar a hist\u00f3ria. Tem muitos trabalhos acad\u00eamicos sobre o Lira, mas eles se concentram muito na m\u00fasica. Por que era a parte mais importante. Mas n\u00f3s fizemos um roteiro de cultura (impresso), que n\u00e3o tinha na \u00e9poca. Tamb\u00e9m fizemos a primeira edi\u00e7\u00e3o de um livro do (cartunista) Glauco, que estava come\u00e7ando na Folha.<\/p>\n<div id=\"attachment_12198\" style=\"width: 385px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/10\/Porta_do_Lira_02.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12198\" class=\" wp-image-12198  \" alt=\"Entrada do Lira Paulistana\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/10\/Porta_do_Lira_02-625x944.jpg\" width=\"375\" height=\"566\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12198\" class=\"wp-caption-text\">Entrada do Lira Paulistana<\/p><\/div>\n<p><strong>OP \u2013 Tudo que o Lira propunha tinha muita novidade&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Riba \u2013<\/strong> A gente acabava fazendo coisas que surpreendiam. Gente como o Arrigo (barnab\u00e9, compositor) j\u00e1 estava h\u00e1 10 anos fazendo m\u00fasica, mas n\u00e3o tinha oportunidade de mostrar para o p\u00fablico. Os artistas que necessitavam daquele espa\u00e7o. Era tudo gente da mesma idade. E tinha a import\u00e2ncia do momento hist\u00f3rico, fim de ditadura, existia muita ilus\u00e3o. A censura come\u00e7ava a deixar de existir e as pessoas viam que era o momento de fazer as coisas. Era o momento de mostrar tudo de bom que estava guardado.<\/p>\n<p><strong>OP \u2013 E qual a impot\u00eancia do Itamar nessa hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Riba \u2013<\/strong> Ele \u00e9 o grande por que, como artista, era completo. Um cara ser\u00edssimo e at\u00e9 chato muitas vezes. Mas o Itamar para mim \u00e9 o mais importante, o que mais conectou. Agora, isso sem negar a import\u00e2ncia de gente como o Arrigo. \u00c9 que a for\u00e7a da negritude dele Itamar) era ineg\u00e1vel. Eu adorava o Itamar.<\/p>\n<p><strong>OP \u2013 Voc\u00ea acha que existe espa\u00e7o para um Lira Paulistana nos dias de hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Riba \u2013<\/strong> N\u00e3o, por que somos diferentes. Hoje, a mo\u00e7ada n\u00e3o faz nada se n\u00e3o tiver um projeto, com or\u00e7amento e tal. Eu sei que isso \u00e9 o profissionalismo. Naquela \u00e9poca, como n\u00e3o tinha isso, a gente era obrigado a fazer dar certo. Voc\u00ea imagina o que \u00e9 fazer um show instrumental aberto ao p\u00fablico, para jovem. Hoje tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil tirar as pessoas de casa. O esp\u00edrito \u00e9 outro.<\/p>\n<p><strong>OP \u2013 O Lira Paulistana, ainda hoje, \u00e9 um nome forte na cultura brasileira. Por que um espa\u00e7o t\u00e3o pequeno foi t\u00e3o marcante?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Riba \u2013<\/strong> Duas coisas levaram a isso. A primeira s\u00e3o os artistas que passaram por l\u00e1 e que est\u00e3o tocando at\u00e9 hoje. A outra \u00e9 que o Brasil est\u00e1 se redimindo e saudando uma d\u00edvida antiga com a quest\u00e3o da mem\u00f3ria. Realmente, com a hist\u00f3ria que o Pa\u00eds tem, ele deveria ter um acervo musical para desbancar qualquer outro. Tenho visto muitos document\u00e1rios musicais importantes que mostram isso. Quando comecei a gravar o document\u00e1rio, n\u00f3s conseguimos fazer um show de comemora\u00e7\u00e3o de 30 anos do Lira. Depois o filme ficou pronto, agora o livro. Agora to pensando em fazer um vinil com o pessoal da \u00e9poca e os filhos deles, que mamaram nessa Vanguarda Paulistana. Tem esse esp\u00edrito do Lira de querer estar sempre perto dos novos.<\/p>\n<p><strong>OP \u2013 Quais as hist\u00f3rias do Lira que voc\u00ea tem como mais marcantes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Riba \u2013<\/strong> Lembro de todos os shows do Itamar, mas tem uma que acho engra\u00e7ada. Tinha um show do Kid Vinil, que fazia um estilo punk e tamb\u00e9m tinha um programa de r\u00e1dio. E os punks da periferia eram putos com ele. Como os shows da meia noite eram tidos como de risco, a gente subia a bilheteria para evitar das pessoas entrarem sem pagar. Quando lotou que a gente fechou a porta, eu vi a porta come\u00e7ar a crescer de tanta gente empurrando. Quando abrimos, veio uma avalanche que me derrubou no ch\u00e3o e espalhou o dinheiro todo. Eu s\u00f3 via botas passando. O Kid falava \u201cse o l\u00edder de voc\u00eas quiser falar comigo\u201d. Foi a \u00fanica vez que teve uma briga no Lira. Mas o punk mesmo \u00e9 o que toma o microfone do outro.<\/p>\n<div id=\"attachment_12199\" style=\"width: 635px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/10\/Itamar_Suzana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-12199\" class=\"size-large wp-image-12199\" alt=\"Itamar Assump\u00e7\u00e3o e Suzanna Sales tocando no velho por\u00e3o\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/10\/Itamar_Suzana-625x365.jpg\" width=\"625\" height=\"365\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-12199\" class=\"wp-caption-text\">Itamar Assump\u00e7\u00e3o e Suzanna Sales tocando no velho por\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>OP \u2013 E como foi o show da Avenida Paulista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Riba \u2013<\/strong> A primeira vez que conseguimos um patroc\u00ednio da Secretaria de Cultura foi por que eles fizeram um levantamento sobre os espa\u00e7os de S\u00e3o Paulo e um dos mais bem colocados foi o Lira. O teatro pequeninho tinha mais p\u00fablico que os teatros grandes. A secretaria se sentiu na obriga\u00e7\u00e3o de dar um retorno. Foi assim que fizemos o anivers\u00e1rio de S\u00e3o Paulo e fechamos a Avenida Paulista. Foi a primeira vez que ela fechou e para um show de m\u00fasica independente. Na ditadura, um show que reunisse mais de mil pessoas era um perigo.<\/p>\n<p><strong>OP \u2013 O Lira Paulistana dava lucro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Riba \u2013<\/strong> A gente tinha um pro labore que era bem pequeno. Como o Pl\u00ednio era engenheiro, era o \u00fanico que tinha dinheiro. O Chico e o Gordo (Wilson Souto) eram as mulheres que seguravam. N\u00f3s ficamos seis meses segurando as contas do Jornal do Lira. Tinha a gr\u00e1fica, a editora, mas sempre esbarrava no problema da distribui\u00e7\u00e3o. A gente vendia discos pelo correio. E a gente conseguia. O Lira se pagava e a gente tinha uma estrutura razo\u00e1vel, com 15 a 18 funcion\u00e1rios. N\u00e3o tinha capital para investir, o dinheiro era quase sempre comprometido.<\/p>\n<p><strong>OP \u2013 Do que voc\u00ea sente mais saudade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Riba \u2013<\/strong> Do esp\u00edrito aventureiro, solid\u00e1rio, da inquietude. Hoje eu n\u00e3o faria nada do que fiz, mas por outras quest\u00f5es. Tinha aquela vontade de continuar fazendo coisas. Continuo inquieto, mas \u00e9 mais dif\u00edcil reunir gente. Como a gente era meio comunist\u00e3o, acostumado a trabalho clandestino, de repente, tinha a liberdade e a condi\u00e7\u00e3o de fazer. A gente era jovem, mas era s\u00e9rio. Se queria fumar maconha, tinha que ser em casa, por que a gente era muito vigiado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chico Pardal, Pl\u00ednio Chaves, Wilson Souto, Fernando Alexandre e Riba de Castro. 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