{"id":12243,"date":"2014-11-26T13:45:10","date_gmt":"2014-11-26T16:45:10","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=12243"},"modified":"2014-11-26T13:45:10","modified_gmt":"2014-11-26T16:45:10","slug":"maysa-para-os-gringos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2014\/11\/26\/maysa-para-os-gringos\/","title":{"rendered":"Maysa para os gringos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #800080\"><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/11\/Untitled-118bc96.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-12298\" alt=\"Untitled-118bc96\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/11\/Untitled-118bc96-625x294.jpg\" width=\"625\" height=\"294\" \/><\/a>Maysa Monjardim Matarazzo<\/strong><\/span> tinha personalidade proporcional ao seu talento. Compositora de temas tristonhos, a \u201crainha da fossa\u201d falava como poucos sobre saudades, despedidas e solid\u00e3o. Seus shows, intimistas por voca\u00e7\u00e3o, eram passeios por esse universo melanc\u00f3lico, tendo a voz quente e amarga da int\u00e9rprete como guia. Fora dos palcos, era uma personalidade autodestrutiva que costumava encharcar sua melancolia com litros e mais litros de bebida.<\/p>\n<p>E foi do meio dessa alma turbulenta que nasceu uma das cantoras brasileiras mais populares das d\u00e9cadas de 1950 e 60, respons\u00e1vel por algumas dezenas de sucessos como <em><strong>Meu mundo caiu<\/strong><\/em> e <em><strong>Ou\u00e7a<\/strong><\/em>. Fora do Brasil, <span style=\"color: #800080\"><strong>Maysa<\/strong> <\/span>tamb\u00e9m tentou engatar uma carreira, mas acabou se sabotando em exageros alco\u00f3licos que alimentavam mais persegui\u00e7\u00e3o que sofria da imprensa do que a trajet\u00f3ria art\u00edstica. Ainda assim, ela conseguiu gravar dois discos e alguns compactos para o mercado internacional.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/11\/7898599620500.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-12300\" alt=\"7898599620500\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/11\/7898599620500-625x607.jpg\" width=\"438\" height=\"425\" \/><\/a>Boa parte desse material se manteve in\u00e9dito no Brasil por d\u00e9cadas, at\u00e9 ser agrupado no box lan\u00e7ado pela Discobertas. O grande chamariz de <span style=\"color: #993300\"><strong>Maysa Internacional<\/strong> <\/span>\u00e9 <strong>Sings songs before dawn<\/strong>, gravado nos EUA em 1961. Com 12 faixas que v\u00e3o de Dolores Duran (<em><strong>A noite do meu bem<\/strong><\/em>) \u00e0 francesa <em><strong>Autumm leaves<\/strong><\/em>, o \u00e1lbum foi pensado para o p\u00fablico norte-americano e ficou, at\u00e9 agora, sem sua edi\u00e7\u00e3o nacional. A revista Cash box, refer\u00eancia na m\u00fasica, chegou a definir o \u00e1lbum como \u201cuma companhia perfeita para a solid\u00e3o\u201d. Na \u00e9poca em que foi lan\u00e7ado, os brasileiros at\u00e9 achavam que essa hist\u00f3ria de disco internacional era lenda j\u00e1 que ningu\u00e9m o encontrava por aqui.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m presente no pacote de cinco discos, <strong>The sound of love<\/strong> \u00e9, na verdade, o mesmo <em>Convite para ouvir Maysa N\u00b0 2<\/em>, gravado em S\u00e3o Paulo em 1959, e relan\u00e7ado nos EUA pouco depois. O mesmo disco chegou \u00e0 Argentina como <em>Invitacion para escuchar a Maysa<\/em>. A ideia da cantora, j\u00e1 uma estrela aos 22 anos, era engatar de vez a carreira internacional e se livrar dos jornalistas que noticiavam cada deslize do seu dia. Em Nova York, ela iniciou temporada no Blue Angel, bar de jazz que j\u00e1 tinha vivido dias melhores, mas acabou sendo cortada do cartaz por conta das sucessivas faltas e bebedeiras.<\/p>\n<p>Os outros tr\u00eas discos de <span style=\"color: #993300\"><strong>Maysa Internacional<\/strong> <\/span>s\u00e3o compila\u00e7\u00f5es de compactos gravados na Espanha, Portugal, It\u00e1lia e em festivais brasileiros. Neles est\u00e3o fundamentos da Bossa Nova, como <em><strong>Este seu olhar<\/strong><\/em> e <em><strong>Chega de saudade<\/strong><\/em>, e standards gravados no mundo todo, como <em><strong>What are you doing the rest of your life<\/strong><\/em>. Maior patrim\u00f4nio do compositor belga Jacques Brel, <strong><em>Ne me quitte pas<\/em><\/strong> tamb\u00e9m est\u00e1 na cole\u00e7\u00e3o. Esta balada foi escolhida para encerrar a participa\u00e7\u00e3o de <span style=\"color: #800080\"><strong>Maysa<\/strong> <\/span>no palco nobre do Olympia de Paris e obrigou a cantora a voltar outras duas ao palco para repeti-la, tamanho os pedidos do p\u00fablico. \u201cFiquei enrolada na cortina enorme do Olympia e n\u00e3o tinha maneira de sair de l\u00e1. O povo aplaudindo e eu l\u00e1, presa, sem poder nem respirar\u201d, escreveu a artista numa autobiografia inacabada.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8gtOXoXeWQc[\/youtube]\n<p>Descrita do Di\u00e1rio de Not\u00edcias de Lisboa como uma \u201crapariga de um tipo moreno e estranho, de rara beleza, num corpo forte e alto\u201d, <span style=\"color: #800080\"><strong>Maysa<\/strong> <\/span>n\u00e3o atingiu o sucesso que queria nos Estados Unidos, mas angariou bons f\u00e3s, principalmente, em Portugal e na Argentina. Entre porres hom\u00e9ricos e apresenta\u00e7\u00f5es emocionantes, ela foi no estrangeiro a mesma artista err\u00e1tica que foi no Brasil. Enquanto dormia em pra\u00e7as e bebia com os moradores das ruas de Paris, era tamb\u00e9m aplaudida por Astor Piazzola e Gato Barbieri na Argentina. Por\u00e7\u00f5es divergentes que s\u00f3 faziam sentido quando viravam m\u00fasica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maysa Monjardim Matarazzo tinha personalidade proporcional ao seu talento. Compositora de temas tristonhos, a \u201crainha da fossa\u201d falava como poucos sobre saudades, despedidas e solid\u00e3o&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,90,104,283],"tags":[],"class_list":["post-12243","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-albuns","category-criticas","category-discobertas","category-nacional"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12243"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12243\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}