{"id":12368,"date":"2014-12-19T13:49:35","date_gmt":"2014-12-19T16:49:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=12368"},"modified":"2014-12-19T13:49:35","modified_gmt":"2014-12-19T16:49:35","slug":"nelson-motta-comemora-70-anos-com-homenagem-sua-altura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2014\/12\/19\/nelson-motta-comemora-70-anos-com-homenagem-sua-altura\/","title":{"rendered":"Nelson Motta comemora 70 anos com homenagem \u00e0 sua altura"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/12\/nelson70capacd.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12373\" alt=\"nelson70capacd\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/12\/nelson70capacd.jpg\" width=\"732\" height=\"663\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/12\/nelson70capacd.jpg 732w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/12\/nelson70capacd-300x272.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/12\/nelson70capacd-120x109.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 732px) 100vw, 732px\" \/><\/a>\u00c9 realmente imposs\u00edvel falar da m\u00fasica moderna brasileira sem citar o nome de <span style=\"color: #800000\"><strong>Nelson Motta<\/strong><\/span>. Como jornalista, compositor e figura de bastidores, ele acumulou hist\u00f3rias e parcerias que renderiam comp\u00eandios falando da Bossa Nova, do Rock Nacional e de qualquer outro movimento cultural que tenha acontecido no Brasil nos \u00faltimos 50 anos. E \u00e9 por isso que, no ano que este carioca completa 70 anos, uma homenagem tinha que ser feita. <!--more-->O tributo <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Nelson 70<\/strong><\/span> \u00e9 um petisco diante da import\u00e2ncia deste senhor que nunca perdeu o ar de garot\u00e3o. Mas \u00e9 um petisco muito saboroso, feito com temperos selecionados e que chega bem perto de ser al\u00e7ado ao posto de prato principal.<\/p>\n<p>Gente como Ed Motta, Gaby Amarantos, Ana Can\u00e3s e outros reinterpretam as parcerias de <span style=\"color: #800000\"><strong>Nelson Motta<\/strong><\/span> com nomes t\u00e3o d\u00edspares como Lulu Santos e Dori Caymmi e, na maioria das faixas, buscam dar novo frescor sem perder o cuidado com a qualidade. O resultado \u00e9 surpreendente, n\u00e3o s\u00f3 por que a concorr\u00eancia em projetos desse tipo costuma ser fraca. De fato, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Nelson 70<\/strong><\/span> \u00e9 um \u00f3timo trabalho. Vamos ao faixa-a-faixa:<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Vs3KTgtmaxI[\/youtube]\n<p><strong>1. Certas coisas &#8211;<\/strong> Parceria com Lulu Santos que tocou e toca \u00e0 exaust\u00e3o. Nelson revela que a m\u00fasica foi feita para Roberto Carlos (o tributo traz a hist\u00f3ria de cada faixa), que negou-se a gravar por que a letra come\u00e7a com a palavra &#8220;n\u00e3o&#8221;. Coisas de Roberto. Mas, n\u00e3o tem problema. Lenine tomou a miss\u00e3o para si, cantou com leveza e montou um belo dueto de cordas com a harpista Cristina Braga. O pernambucano j\u00e1 havia cantado a faixa outras vezes e uma dessas interpreta\u00e7\u00f5es j\u00e1 foi gravada no disco <em>Lonas ao vivo<\/em> (que ningu\u00e9m ouviu). Tem cara de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=W1vycpykKDY[\/youtube]\n<p><strong>2. Coisas do Brasil &#8211;<\/strong> Outro mega sucesso ainda em rota\u00e7\u00e3o, agora em parceria com Guilherme Arantes. Na voz de Ed Motta, essa bossa ganhou acento soul e loops viajantes. Os teclados que duelam com a voz aben\u00e7oada de Ed s\u00e3o pilotados por Daniel Jobim. O sobrinho do Tim Maia, como sempre, joga suingue e trabalha \u00e0 pr\u00f3pria maneira. A vers\u00e3o original \u00e9 cl\u00e1ssica e a releitura n\u00e3o faz feio, abre novos espa\u00e7os e ganha no refino.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Um0MQyS_l04[\/youtube]\n<p><strong>3. N\u00f3s e o tempo &#8211;<\/strong> A \u00fanica in\u00e9dita do tributo foi feita por Nelson com sua pupila Marisa Monte e o tribalista C\u00e9sar Mendes. Discursando sobre o tempo, algo que parece congelado para Nelson Motta, Marisa brilha ao lado do piano de Jo\u00e3o Donato (!!!). Ela canta lindamente, acentuando cada s\u00edlaba desta valsa. Donato, no auge dos 80 anos, imprime o ponto exato da delicadeza, algo que poucos pianistas conseguem (Andr\u00e9 Mehmari talvez). Uma bela homenagem que merece ser conhecida.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Fey9ycNBIIE[\/youtube]\n<p><strong>4. Como uma onda (Zen surfismo) &#8211;<\/strong> Recriar esse cl\u00e1ssico composto ao lado de Lulu &#8211; uma pe\u00e7a, ainda hoje, obrigat\u00f3ria nos shows do rei do pop &#8211; \u00e9 um miss\u00e3o complicada. Ainda assim, ela foi entregue a Jorge Drexler. O uruguaio segura as pontas numa releitura minimalista, que apenas remete ao original. Uma boa sa\u00edda que deu ainda mais melancolia \u00e0 melodia. Melhor que inventar um discurso para criar algo que tirasse o sentido desse bolero havaiano. Sim, o resultado \u00e9 simp\u00e1tico, mas tem cara de vinheta.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8mXuUps1Rgg[\/youtube]\n<p><strong>5. Apaixonada &#8211;<\/strong> Feita para a trilha do filme <em>A partilha<\/em> (2004), essa parceria com Ed Motta \u00e9 uma das mais belas can\u00e7\u00f5es que pouca gente ouviu. O registro original do soulboy \u00e9 bel\u00edssimo, mas encontrou um novo caminho na voz aguda da fadista Cuca Roseta. A presen\u00e7a desta cantora no tributo se explica por que Nelson est\u00e1 produzindo um novo trabalho dela. Cercada de cordas econ\u00f4micas, a cantora portuguesa d\u00e1 seu recado intensificando a paix\u00e3o da letra.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yJLh7UqDmy0[\/youtube]\n<p><strong>6. De repente Calif\u00f3rnia &#8211;<\/strong> E l\u00e1 vamos n\u00f3s para mais uma parceria com o mestre Lulu. Feita em 1982 para o filme <em>Menino do Rio<\/em>, o bolero havaiano virou um roquinho indie moderninho bem bacana. A respons\u00e1vel pelo novo tratamento \u00e9 C\u00e9u, que atualiza a can\u00e7\u00e3o mantendo a marola no ar.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cysjIue6VgQ[\/youtube]\n<p><strong>7. Dancin\u2019 days &#8211;<\/strong> Mais uma armadilha de repert\u00f3rio cl\u00e1ssico que algu\u00e9m vem e mete a m\u00e3o. Lulu j\u00e1 gravou esse discoteque em 1996, mas manteve a ideia original que estourou na voz das Fren\u00e9ticas. Gaby Amarantos tenta fazer de Dancin&#8217; days um technobrega, mas cria um Frankenstein de pouco apelo. Como proposta, \u00e9 interessante e Gaby se garante no que faz. Mas, especificamente neste caso, ela pareceu perdida entre o original e as ideias renovadoras.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=p-LFOchdw8g[\/youtube]\n<p><strong>8. Perigosa &#8211;<\/strong> Mais uma que fez sucesso com as Fren\u00e9ticas e rivaliza com <em>Dancin&#8217; days<\/em> o posto de grande hit do grupo feminino. Ana Ca\u00f1as se sai melhor que Gaby no quesito transforma\u00e7\u00e3o. O que era disco music, vira um blues contido. Se tivesse sido mais explosiva, Ana teria feito a melhor regrava\u00e7\u00e3o do tributo. Ainda assim, fez bonito. Vale botar pra tocar.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4Tb39gDLbU0[\/youtube]\n<p><strong>9. Areias escaldantes &#8211;<\/strong> Mais uma parceria com Lulu, agora refeita por Max de Castro. Sem se desgrudar do original, Max soa pop e feliz como nunca soou. O que \u00e9 bom, por que o resultado \u00e9 bacana. S\u00f3 poderia ter azeitado um pouco mais o solo de guitarra. \u00c9 mais um caso de &#8220;se n\u00e3o tem ideia melhor, v\u00e1 no b\u00e1sico&#8221;. Ele foi e se deu bem.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_zu7oEmDU24[\/youtube]\n<p><strong>10. Voc\u00ea bem sabe &#8211;<\/strong> parceria com Djavan de 1988 gravada originalmente pelo alagoano. Limpando os maneirismos t\u00edpicos, Maria Gadu \u00e9 a convidada da faixa. Ela veio, gravou e foi pra casa. Sem gra\u00e7a. N\u00e3o empolga, nem compromete.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7UcWIjeZlcc[\/youtube]\n<p><strong>11. Ditos e feitos &#8211;<\/strong> parceria com Roberto Menescal, que foi \u00eddolo e professor de viol\u00e3o de Nelson. A letra \u00e9 belissimamente inspirada. N\u00e3o sei quem gravou antes, mas aqui \u00e9 Leo Cavalcanti quem acalenta esta balada. Cuidando de viol\u00e3o e vocais, ele se preocupa em exaltar as palavras. O resultado \u00e9 bacana e cheio de personalidade, como \u00e9 o trabalho autoral de Leo.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2oR0S5UKLxk[\/youtube]\n<p><strong>12. De onde vens &#8211;<\/strong> Tirada do fundo do ba\u00fa bossanovista de Nelson, essa parceria com Dori Caymmi foi lan\u00e7ada em 1967 por Nara Le\u00e3o. N\u00e3o por acaso, \u00e9 Fernanda Takai quem assume os vocais da regrava\u00e7\u00e3o. O insepar\u00e1vel John Ulhoa d\u00e1 uma de &#8220;bossacucanova&#8221; guiando guitarra, baixo e teclados. Assim como fez em seu tributo a Nara (produzido por Nelson), Takai aproveita para tirar o que pode da voz mi\u00fada. Emocionante, sem arroubos.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=i1F2_0EdXvw[\/youtube]\n<p><strong>13. Marina no ar &#8211;<\/strong> Mais uma parceria com Guilherme Arantes, composta em homenagem a Marina Lima. A revela\u00e7\u00e3o do pop sintetizado Silva navega bonito entre o original e a suas novas propostas. Belo arranjo e bela interpreta\u00e7\u00e3o. E vale para apresentar este rapaz a quem ainda n\u00e3o o conhece. Como Silva, de alguma forma, continua o que Guilherme fez na d\u00e9cada de 1980, tudo parece fazer sentido.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LAhX_oOSZK4[\/youtube]\n<p><strong>14. Noturno carioca &#8211;<\/strong> Parceria com Erasmo Carlos registrada no vigoroso <em>Rock&#8217;n&#8217;roll<\/em>. A faixa ficou sob responsabilidade da cantora e atriz Laila Garin, que abusou da beleza da pr\u00f3pria voz e criou a melhor faixa do \u00e1lbum. Al\u00e9m da interpreta\u00e7\u00e3o perfeita, pin\u00e7ar uma faixa desconhecida foi bem corajoso (se \u00e9 que foi ideia dela). Melancolia sem tristeza, romance sem excessos e muita eleg\u00e2ncia \u00e9 o que ela imprime na faixa. Um belo fechamento para este tributo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 realmente imposs\u00edvel falar da m\u00fasica moderna brasileira sem citar o nome de Nelson Motta. 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