{"id":12666,"date":"2015-03-09T11:51:42","date_gmt":"2015-03-09T14:51:42","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=12666"},"modified":"2015-03-09T11:51:42","modified_gmt":"2015-03-09T14:51:42","slug":"estudo-sobre-as-trilhas-de-novelas-ganha-complemento-em-cd","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2015\/03\/09\/estudo-sobre-as-trilhas-de-novelas-ganha-complemento-em-cd\/","title":{"rendered":"Estudo sobre as trilhas de novelas ganha complemento em CD"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/03\/teletema.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-12667\" alt=\"teletema\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/03\/teletema.jpg\" width=\"400\" height=\"400\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/03\/teletema.jpg 400w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/03\/teletema-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/03\/teletema-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/03\/teletema-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>No finzinho da d\u00e9cada de 1990, Nana Caymmi tomou um susto grande enquanto descansava em sua rede. Na frente da TV para assistir o primeiro cap\u00edtulo da novela<em> Suave veneno<\/em>, ela se surpreendeu ao ouvir a pr\u00f3pria voz no tema de abertura. A sensual\u00edssima <em><strong>Suave veneno<\/strong><\/em> veio na cola de <strong><em>Resposta ao tempo<\/em><\/strong>, outro bolero da lavra de Cristov\u00e3o Bastos e Aldir Blanc, que, no ano anterior, fora o tema de maior sucesso da miniss\u00e9rie <em>Hilda Furac\u00e3o<\/em>. As duas can\u00e7\u00f5es em alta rota\u00e7\u00e3o no hor\u00e1rio nobre da Rede Globo renovaram a aten\u00e7\u00e3o para a voz rara da carioca de alma baiana, que agora tinha de incluir, de uma vez por todas, mais estas duas no seu repert\u00f3rio.<!--more--><\/p>\n<p>Mesmo sendo uma cantora de fama e prest\u00edgio, a alegria de Nana Caymmi tem uma explica\u00e7\u00e3o simples: ter m\u00fasica em trilha de novela sempre foi um bom neg\u00f3cio. Isso \u00e9 o que mostra o livro <span style=\"color: #800080\"><strong>Teletema<\/strong><\/span>, lan\u00e7ado em 2014 pela Editora Dash. Neste primeiro volume da pesquisa, os autores Guilherme Bryan e Vincent Villari passeiam pelas trilhas lan\u00e7adas entre 1964 e 1989, per\u00edodo entre as novelas <em>A deusa vencida<\/em> (TV Excelsior) e <em>Pacto de sangue<\/em> (TV Globo). At\u00e9 agora, o trabalho tomou mais de 10 anos dos pesquisadores (um segundo volume est\u00e1 prometido para daqui a dois ou tr\u00eas anos), que realizaram cerca de 140 entrevistas com \u201chitmakers noveleiros\u201d, como Djavan e Ivan Lins, produtores, cantores e at\u00e9 o esquecido Salatiel Coelho, primeiro sonoplasta da teledramaturgia e o \u201ccriador\u201d das trilhas musicais.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><strong>Teletema<\/strong> <\/span>rendeu 500 p\u00e1ginas de hist\u00f3rias ilustradas com mais de 300 capas e imagens. Para acompanhar tudo isso, agora a Som Livre lan\u00e7ou o disco <span style=\"color: #993366\"><strong>Teletema<\/strong><\/span>, que re\u00fane 17 faixas que marcaram diferentes \u00e9pocas das novelas brasileiras. Historicamente, as trilhas internacionais venderam mais que as nacionais. No entanto, para a \u201ctrilha sonora do livro\u201d s\u00f3 foram escolhidos nomes brasileiros. E, melhor, cada faixa vem acompanhada de um pequeno texto com curiosidades e bastidores. Uma dessas hist\u00f3rias lembra que, em 1973, rec\u00e9m chegado ao Rio de Janeiro, um rapazinho das Alagoas foi contratado pela Som Livre para interpretar temas de novelas. Seu nome, <strong>Djavan<\/strong>.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NqN4NjaWBvs[\/youtube]\n<p>O futuro autor de <em>Flor de lis<\/em> teve sua primeira grava\u00e7\u00e3o no disco da novela <strong>Os ossos do bar\u00e3o<\/strong> (1973), o sambinha <em>Qual \u00e9?<\/em>. No entanto, para a colet\u00e2nea foi escolhida a parceria de Dori Caymmi e Jorge Amado <em>Alegre menina<\/em>, escalada para a trilha de <em>Gabriela<\/em> (1975). A can\u00e7\u00e3o virou um sucesso inicial de Djavan, que, s\u00f3 no ano seguinte, lan\u00e7aria seu disco de estreia. Pelo menos mais um cl\u00e1ssico entrou para a hist\u00f3ria da menina \u201ccom cheiro de cravo e cor de canela\u201d, a can\u00e7\u00e3o tema <em>Modinha para Gabriela<\/em>, interpretada por Gal Costa. No entanto, no disco <span style=\"color: #993366\"><strong>Teletema<\/strong><\/span>, a baiana chega defendendo\u00a0<em><strong>Brasil<\/strong><\/em>, tema de <em>Vale Tudo<\/em> (1988). Gravada a pedido do autor Gilberto Braga, o rock samba de Cazuza nunca entrou para a discografia oficial de Gal, mas ficaria conhecida como a mais politizada abertura da hist\u00f3ria, bem no clima da pr\u00f3pria novela.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ez1C9OQrTKw[\/youtube]\n<p>Considerada por Guilherme Bryan como \u201ca melhor trilha da melhor novela\u201d, <em>Roque Santeiro<\/em> \u00e9 lembrada na bel\u00edssima <em><strong>De volta pro aconchego<\/strong><\/em>. \u201cEla entrou na novela e se tornou a m\u00fasica mais importante da minha carreira. N\u00e3o tem lugar que eu chegue, at\u00e9 hoje, que as pessoas n\u00e3o falem de can\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Elba Ramalho, int\u00e9rprete da can\u00e7\u00e3o de Dominguinhos e Nando Cordel, no encarte. O sucesso da trama de Dias Gomes e Aguinaldo Silva foi acompanhado pela trilha: 13 das 24 can\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas nos dois LPs da novela ficaram entre as 100 mais tocadas de 1985. Presente nessa lista, Elba conta que chorou de emo\u00e7\u00e3o quando viu a cena em que Roque, interpretado por Jos\u00e9 Wilker, volta para Asa Branca embalado pela sua m\u00fasica.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=9RN2RfTZZAE[\/youtube]\n<p>As outras can\u00e7\u00f5es inclu\u00eddas em <span style=\"color: #993366\"><strong>Teletema<\/strong> <\/span>tamb\u00e9m guardam hist\u00f3rias curiosas. \u00c9 o caso da pr\u00f3pria \u201cTeletema\u201d, parceria de Ant\u00f4nio Adolfo e Tib\u00e9rio Gaspar inclu\u00edda na primeira trilha comercializada em LP, a da novela <em>V\u00e9u de noiva<\/em> (1969). Inspirada num tr\u00e1gico acidente de carro que vitimou a namorada de Gaspar, a can\u00e7\u00e3o acabou inaugurando uma das maiores vitrines para artistas novos e consagrados. Mesmo com as mudan\u00e7as do mercado e na rela\u00e7\u00e3o do ouvinte com a m\u00fasica, estar na trilha de uma novela, ainda hoje, \u00e9 um bom neg\u00f3cio.<\/p>\n<p><strong>+ Curiosidades:<\/strong><\/p>\n<p><strong>&gt;<\/strong> <em>Beto Rockfeller<\/em> (TV Tupi, 1969) virou um marco brasileiro por apresentar uma hist\u00f3ria pr\u00f3xima da realidade nacional. O sucesso foi tanto que, quatro anos depois a Globo lan\u00e7ou<em> A volta de Beto Rockfeller<\/em>, cuja trilha trazia a tril\u00edngue <em><strong>Jazz potatoes<\/strong><\/em>, de Jorge Ben. Apesar da letra sem muito sentido, o samba jazz virou sucesso.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=t08AusBApQA[\/youtube]\n<p>&gt; Giberto Braga pediu a Elis Regina para gravar uma vers\u00e3o de Paulo Coelho para o bolero de Armando Manzanero, para que fosse inclu\u00edda na trilha de <em>Brilhante<\/em> (1981). Assim, <strong><em>Me deixas louca<\/em><\/strong> acabou sendo a \u00faltima grava\u00e7\u00e3o da ga\u00facha, que morreu em janeiro de 1982, dois meses antes do fim da novela.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PCHBpkaqM1Y[\/youtube]\n<p>&gt; Guto Gra\u00e7a Melo acatou a sugest\u00e3o do seu assistente Luiz Maur\u00edcio para que inclu\u00edsse <em><strong>Menino do rio<\/strong><\/em> na Trilha de <em>\u00c1gua viva<\/em> (1980). Futuramente, Luiz Maur\u00edcio ficaria conhecido como Lulu Santos e a can\u00e7\u00e3o de Caetano Veloso viraria um dos grandes hits da \u201cnova baiana\u201d Baby Consuelo. Tempos depois, convertida para a religi\u00e3o evang\u00e9lica, Baby substituiu o verso \u201cdrag\u00e3o tatuado no bra\u00e7o\u201d por \u201cJesus forever tatuado no bra\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&gt; Convocado \u00e0s pressas por Guto Gra\u00e7a Melo, Paulinho da Viola teve apenas um dia para compor a trilha de Pecado capital (1975). Era a primeira vez que um samba iria para a abertura de uma novela, mas o compositor nem teve tempo de pensar num t\u00edtulo e a m\u00fasica ficou \u201cPecado capital\u201d mesmo. O mesmo aconteceria em Dancin\u2019 days (1978), que tamb\u00e9m seria o nome da can\u00e7\u00e3o que apresentaria as Fren\u00e9ticas para o Brasil inteiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No finzinho da d\u00e9cada de 1990, Nana Caymmi tomou um susto grande enquanto descansava em sua rede. 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