{"id":12749,"date":"2015-03-18T13:14:53","date_gmt":"2015-03-18T16:14:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=12749"},"modified":"2015-03-18T13:14:53","modified_gmt":"2015-03-18T16:14:53","slug":"o-pais-das-cantoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2015\/03\/18\/o-pais-das-cantoras\/","title":{"rendered":"O pa\u00eds das cantoras"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/03\/a-vida-de-elis-regina-7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12754\" alt=\"a-vida-de-elis-regina-7\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/03\/a-vida-de-elis-regina-7.jpg\" width=\"630\" height=\"420\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/03\/a-vida-de-elis-regina-7.jpg 630w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/03\/a-vida-de-elis-regina-7-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/03\/a-vida-de-elis-regina-7-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 630px) 100vw, 630px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080\"><em><strong># Mat\u00e9ria publicada no caderno Dom, deste domingo (15), com parte da celebra\u00e7\u00e3o de 70 anos de Elis Regina<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Muitos motivos fizeram <span style=\"color: #800080\"><strong>Elis Regina<\/strong><\/span> ser reconhecida como uma das maiores cantoras brasileiras da hist\u00f3ria. A voz, de timbre muito particular, transitava bem entre momentos de extrema entrega e outros mais contidos. Combinado a isso, ela tinha nas m\u00e3os alguns dos principais compositores brasileiros, todos ansiosos para ver o que ela faria com suas can\u00e7\u00f5es. Para fechar essa conta, a estrela que completaria 70 anos na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira (17) se cercava dos melhores m\u00fasicos e arranjadores de sua \u00e9poca, todos dispostos a descobrir novos caminhos para aquela voz toda.<!--more--><\/p>\n<p>Dona de uma rara intelig\u00eancia musical, <span style=\"color: #800080\"><strong>Elis<\/strong> <\/span>se habituou a observar muito bem onde iria colocar seu instrumento de trabalho. Por isso, passados 33 anos de sua morte, a Pimentinha ainda \u00e9 fonte de inspira\u00e7\u00e3o para muitas jovens cantoras que despontam no cen\u00e1rio nacional. Muitos cantores tamb\u00e9m se dizem influenciados pela interpreta\u00e7\u00e3o forte, intensa e passional da artista que deu novas texturas para <em><strong>Como nossos pais<\/strong><\/em>, do cearense Belchior. Ali\u00e1s, essa \u00e9 uma das preferidas daqueles que querem mostrar artilharia vocal imitando os maneirismos de <strong><span style=\"color: #800080\">Elis<\/span><\/strong>.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=oqsR46k-FM0[\/youtube]\n<p>O fato \u00e9 que, mesmo com <span style=\"color: #800080\"><strong>Elis<\/strong> <\/span>sendo citada como refer\u00eancia por quase todos os novos artistas, muita coisa mudou no perfil das cantoras brasileiras desde que ela subiu ao palco do 1\u00b0 Festival de M\u00fasica Popular Brasileira da TV Excelsior para cantar\u00a0<em><strong>Arrast\u00e3o<\/strong><\/em>. Nos anos 1960 e 70, quando a maior vitrine musical eram os festivais, era papel do int\u00e9rprete dar vida a can\u00e7\u00f5es feitas por compositores cuja voz n\u00e3o se adequava a determinados padr\u00f5es. Foi nessa \u00e9poca que se eternizaram Gal Costa, Maria Beth\u00e2nia, Simone, Cl\u00e1udya, Elba Ramalho e muitas outras divas brasileiras.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas depois, esse papel foi diminuindo ao passo que cresceu a turma das \u201ccantautoras\u201d. Com as facilidades promovidas pela tecnologia para gravar e divulgar discos, todo mundo que comp\u00f4s um punhado de can\u00e7\u00f5es criou coragem de exibi-las ao p\u00fablico usando o pr\u00f3prio gog\u00f3. Mesmo as que n\u00e3o t\u00eam os dotes vocais das int\u00e9rpretes \u201cpuro sangue\u201d, tornou-se comum as autoras darem voz \u00e0 pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o. Para alguns, caso da mato-grossense Vanessa da Mata, a desafina\u00e7\u00e3o virou at\u00e9 marca registrada.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=gV3nkSjOZZw[\/youtube]\n<p>Outras se sa\u00edram melhor e ficaram reconhecidas tanto pelas boas interpreta\u00e7\u00f5es como pela produ\u00e7\u00e3o autoral. Marisa Monte, por exemplo, tornou-se um dos nomes mais fortes entre as mulheres da MPB combinando seu conhecimento l\u00edrico com o repert\u00f3rio ecl\u00e9tico. Ecletismo, inclusive, virou a palavra da moda entre artistas que misturavam muitos estilos e arrebanharam uma massa de f\u00e3s pelo Brasil. \u00c9 o caso da mineira Ana Carolina, que abriu uma verdadeira franquia da \u201ccantautoras\u201d de voz grave e composi\u00e7\u00f5es apaixonadas.<\/p>\n<p>Para o cantor e compositor Thiago Pethit, a mudan\u00e7a de \u201cpa\u00eds das cantoras\u201d para \u201cpa\u00eds das cantautoras\u201d se explica pelo mercado. \u201c\u00c9 mais vi\u00e1vel por que existe um valor em cima do compositor. Por outro lado, \u00e9 tamb\u00e9m uma revolu\u00e7\u00e3o no papel da mulher. Antes, elas ficavam nesse lugar meio musa, mas n\u00e3o (eram vistas como) inteligentes para compor. E os homens podiam ser feios, embora g\u00eanios\u201d, comenta. Para o paulistano, um bom exemplo dessa mudan\u00e7a de cen\u00e1rio \u00e9 sua conterr\u00e2nea C\u00e9u. \u201cEla combina as duas coisas. \u00c9 uma grande compositora e uma deusa\u201d, elogia.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5GzcIK5pNUQ[\/youtube]\n<p>Para o cantor e compositor Marcos Lessa, a grande diferen\u00e7a entre as novas vozes nacionais e Elis est\u00e1 na capacidade de reinventar as can\u00e7\u00f5es ao seu modo. \u201cA <span style=\"color: #800080\"><strong>Elis<\/strong><\/span>, quando pegava uma m\u00fasica, os compositores ficavam ansiosos. A original do <em><strong>Aprendendo a jogar<\/strong><\/em> (Guilherme Arantes), por exemplo, \u00e9 bem bestinha, mas, com ela \u00e9 outra coisa. Hoje, os compositores consagram tanto as pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es, que os interpretes fazem igual ao compositor\u201d. A cantora e regente Aparecida Silvino concorda e lamenta a falta de personalidade nas cantoras brasileiras surgidas nos \u00faltimos anos. \u201cDe l\u00e1 pra c\u00e1, todo mundo \u00e9 normal. Essa mania de politicamente correto est\u00e1 sacrificando muito coisa. \u00c9 todo mundo muito igualzinho. Eu gosto de quem tem o que dizer\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Para o maestro Erwin Schrader, a for\u00e7a da interpreta\u00e7\u00e3o de <span style=\"color: #800080\"><strong>Elis Regina<\/strong><\/span> \u00e9 algo raro entre as int\u00e9rpretes mais jovens. \u201cA forma como ela recebia a m\u00fasica era muito forte e isso a gente n\u00e3o v\u00ea em muitas cantoras hoje em dia. Ela entrava no universo da m\u00fasica e sentia a interpreta\u00e7\u00e3o. Hoje, existe uma preocupa\u00e7\u00e3o maior com a afina\u00e7\u00e3o\u201d, explica. Para o cearense, uma s\u00e9rie de outros elementos interfere nessa discuss\u00e3o, como as mudan\u00e7as do mercado e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Por isso, comparar a gera\u00e7\u00e3o de Elis com a atual chega a ser injusto. \u201c<span style=\"color: #800080\"><strong>Elis<\/strong> <\/span>\u00e9 herdeira de uma gera\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio, que n\u00e3o tinha a imagem de apoio. Hoje tem muita maquiagem e muitos cantores j\u00e1 sabem os clich\u00eas para fazer de conta que est\u00e3o se entregando\u201d, critica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p># Mat\u00e9ria publicada no caderno Dom, deste domingo (15), com parte da celebra\u00e7\u00e3o de 70 anos de Elis Regina Muitos motivos fizeram Elis Regina ser&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,118,129,162],"tags":[],"class_list":["post-12749","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-criticas","category-elis-regina","category-entrevistas","category-hoje-na-historia"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12749"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12749\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}