{"id":13021,"date":"2015-05-29T13:18:47","date_gmt":"2015-05-29T16:18:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=13021"},"modified":"2015-05-29T13:18:47","modified_gmt":"2015-05-29T16:18:47","slug":"virginia-rodrigues-reina-em-mama-kalunga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2015\/05\/29\/virginia-rodrigues-reina-em-mama-kalunga\/","title":{"rendered":"Virg\u00ednia Rodrigues reina em Mama Kalunga"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/05\/Virg\u00ednia-Rodrigues-1-Cr\u00e9dito-Sora-Maia-2800x1867.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-13042\" alt=\"Virg\u00ednia Rodrigues 1 Cr\u00e9dito Sora Maia (2800x1867)\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/05\/Virg\u00ednia-Rodrigues-1-Cr\u00e9dito-Sora-Maia-2800x1867-625x416.jpg\" width=\"625\" height=\"416\" \/><\/a>\u201cEu canto desde crian\u00e7a. Sempre quis ser cantora. Minha m\u00e3e at\u00e9 tentou me colocar no bal\u00e9, mas ela percebeu que era pra branco e rico\u201d. A lembran\u00e7a vem de <span style=\"color: #003300\"><strong>Virg\u00ednia Rodrigues<\/strong><\/span>, em conversa por telefone, sem transparecer decep\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, as quest\u00f5es que envolvem povos marginalizados pela cor ou pela classe social (o que se confunde quase sempre) \u00e9 de onde ela tira for\u00e7a para fazer arte. Isso fica expl\u00edcito nas 13 faixas de <span style=\"color: #800080\"><strong>Mama Kalunga<\/strong><\/span>, disco lan\u00e7ado no fim de abril pela Casa de Ful\u00f4 com apoio do Rumos Ita\u00fa 2014.<!--more--><\/p>\n<p>Apresentado sete anos depois de <strong>Recome\u00e7o<\/strong>, trabalho de voz e piano dividido com Cristov\u00e3o Bastos, o quinto rebento de uma carreira de 18 anos mergulha ainda mais fundo nas ra\u00edzes banto de <span style=\"color: #003300\"><strong>Virg\u00ednia<\/strong><\/span>. Compilando tesouros perdidos de compositores negros, o \u00e1lbum produzido por Tigan\u00e1 Santana e Sebastian Notini adorna os agudos eruditos da baiana com um toque instrumental que combina batuques, palmas, viol\u00f5es e cordas. Nessa viagem at\u00e9 a \u00c1frica, ela ainda recebe convidadas lend\u00e1rias como a atriz carioca Ruth de Souza e compositora peruana Susana Baca.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/05\/Capa-MAMA-KALUNGA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-13043\" alt=\"Capa MAMA KALUNGA\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/05\/Capa-MAMA-KALUNGA-300x270.jpg\" width=\"300\" height=\"270\" \/><\/a>O arco sonoro de <span style=\"color: #800080\"><strong>Mama Kalunga<\/strong><\/span> come\u00e7a com <strong><i>Ao senhor do fogo azul<\/i><\/strong>, de Gilson Gentil, tema erudito feito \u00e0 capela, e encerra com o samba de roda <strong><i>Dembwa<\/i><\/strong>, de Tigan\u00e1. Entre uma e outra, tem o esquecido Abigail Moura, criador da essencial Orquestra Afro-Brasileira, e o samba filos\u00f3fico de Paulinho da Viola. \u201cIndependente de quem seja o compositor, sempre pego o que for menos executado. Fica muita coisa bonita e as pessoas s\u00f3 pegam o que faz sucesso. Eu queria gravar Paulinho, mas n\u00e3o nada que tenha feito sucesso. Vi v\u00e1rias coisas que ainda quero gravar, mas escolhi essa\u201d, aponta em tom certeiro sobre a faixa <strong><i>Nos horizontes do mundo<\/i><\/strong>.<\/p>\n<p>Para refor\u00e7ar as inspira\u00e7\u00f5es de <span style=\"color: #800080\"><strong>Mama Kalunga<\/strong><\/span>, <span style=\"color: #003300\"><strong>Virg\u00ednia Rodrigues<\/strong><\/span> ainda se debru\u00e7ou sobre os idiomas kikongo e kibundo para gravar tr\u00eas faixas de Tigan\u00e1 Santana. \u201cEu deveria ter vergonha, mas n\u00e3o conhecia esses idiomas. Vou morrer devendo ao Tigan\u00e1. A v\u00e9a vai morrer devendo ao novo, por que ele me colocou em contato com essas l\u00ednguas\u201d, brinca a cantora de 50 anos, destacando que aprendeu s\u00f3 o suficiente para interpretar as can\u00e7\u00f5es do conterr\u00e2neo. E \u00e9 com Tigan\u00e1 que Virg\u00ednia divide os vocais da dilacerante <strong><i>Sou eu<\/i><\/strong>, parceria de Moacir Santos e Nei Lopes, que se destaque no repert\u00f3rio com sua paix\u00e3o avassaladora e po\u00e9tica.<\/p>\n<p>Filha de fam\u00edlia pobre, a menina que ouvia Bidu Say\u00e3o no r\u00e1dio e sonhava ser cantora conheceu o teatro quando foi convidada pelo diretor M\u00e1rcio Meireles para participar do Bando de Teatro Olodum. Enquanto encenava <i>Bye bye Pel\u00f4<\/i>, foi assistida por um emocionado Caetano Veloso, que a convidou para gravar um disco pela Natasha Records, de Paula Lavigne. <strong>Sol negro<\/strong> (1997) foi um sucesso de cr\u00edtica quando assustou os ouvintes com a voz angelical da baiana que, na inf\u00e2ncia, cantava as <em>Bachianas<\/em> no banheiro de casa. Em 2000 veio <strong><i>N\u00f3s<\/i><\/strong>, uma colet\u00e2nea de c\u00e2nticos de blocos afrobaianos, como Araketu e Il\u00ea Ay\u00ea vestidos em arranjos camer\u00edsticos. Quando veio <strong><i>Mares profundos<\/i><\/strong> (2003), uma homenagem aos afrosambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes, a ex-dom\u00e9stica e ex-manicure j\u00e1 era uma estrela internacional admirada por gente como Bill Clinton, David Byrne e Cris Blackwell.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=PRDOqIRftuM[\/youtube]\n<p>Por outro lado, como \u00e9 comum a quem n\u00e3o faz concess\u00f5es, o Brasil nunca deu o devido valor para <span style=\"color: #003300\"><strong>Virg\u00ednia Rodrigues<\/strong><\/span>. Lamentando nunca ter feito uma turn\u00ea nacional, esse \u00e9 um assunto que a incomoda profundamente. \u201cN\u00e3o encaro naturalmente, acho um absurdo. Acho uma perversidade com os jovens, que n\u00e3o t\u00eam o direto de escolher o que querem ouvir\u201d, critica a artista que mant\u00e9m uma agenda regular de apresenta\u00e7\u00f5es no exterior e espera convite para seu pa\u00eds natal. E ela j\u00e1 adianta que o novo espet\u00e1culo vai ser com todo o repert\u00f3rio de <span style=\"color: #800080\"><strong>Mama Kalunga<\/strong><\/span>, acrescido de <em><strong>Melodia sentimental<\/strong> <\/em>(Villa-Lobos\/ Dora Vasconcellos) e <em><strong>Y\u00e1 y\u00e1 massemba<\/strong><\/em> (Roberto Mendes). Nada de relembrar os discos anteriores. \u201c\u00c9 vontade de mudar mesmo. Tenho que arriscar esse repert\u00f3rio por que algu\u00e9m tem que apresentar Tigan\u00e1, Ederaldo Gentil, Nizaldo Costa (para o p\u00fablico). O m\u00e1ximo que pode acontecer \u00e9 a plateia n\u00e3o gostar. Mas, a\u00ed, eu n\u00e3o posso fazer nada\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu canto desde crian\u00e7a. Sempre quis ser cantora. Minha m\u00e3e at\u00e9 tentou me colocar no bal\u00e9, mas ela percebeu que era pra branco e rico\u201d&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,129,283,318,406],"tags":[],"class_list":["post-13021","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-albuns","category-entrevistas","category-nacional","category-paulinho-da-viola","category-virginia-rodrigues"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13021"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13021\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}