{"id":13142,"date":"2015-06-29T09:00:02","date_gmt":"2015-06-29T12:00:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=13142"},"modified":"2015-06-29T09:00:02","modified_gmt":"2015-06-29T12:00:02","slug":"a-saga-do-leao-do-norte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2015\/06\/29\/a-saga-do-leao-do-norte-1\/","title":{"rendered":"A saga do le\u00e3o do norte 1"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_13184\" style=\"width: 635px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/BOA-9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13184\" class=\"size-large wp-image-13184 \" alt=\"Foto: Chico Alencar\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/BOA-9-625x416.jpg\" width=\"625\" height=\"416\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13184\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Chico Alencar<\/p><\/div>\n<p>A voz \u00e9 a mesma que deu vida a sucessos que j\u00e1 grudaram na cabe\u00e7a do p\u00fablico, como <em>Paci\u00eancia<\/em>, <em>Le\u00e3o do norte<\/em> e<em> Jack soul brasileiro<\/em>. Seja sussurrada, como quem canta uma balada, seja forte, com o peso do rock, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Lenine<\/strong> <\/span>conversa como se interpretasse um personagem. Junto com os expressivos olhos claros e o gestual expansivo, sua comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 ampla e hipn\u00f3tica. Curiosamente, s\u00e3o esses os mesmos recursos usados nos palcos do Brasil e do Mundo.<!--more--><\/p>\n<p>Foi assim, para falar de corpo inteiro, que <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Lenine<\/strong> <\/span>recebeu a equipe do O POVO antes da passagem de som do seu show em Fortaleza. Entre a sobriedade de um pr\u00edncipe e a gra\u00e7a de um moleque, ele contou sobre a inf\u00e2ncia em Recife, onde morava com o pai ateu e comunista, a m\u00e3e cat\u00f3lica e macumbeira, e os tr\u00eas irm\u00e3os. Seguindo a prosa, ele lembrou os primeiros shows, os parceiros e a chegada ao Rio de Janeiro, onde mora h\u00e1 mais de 30 anos. Comentou, ainda, sobre o amor pelas orqu\u00eddeas e o asco pela pol\u00edtica brasileira. Muitas facetas de um artista que n\u00e3o tem d\u00favida do seu papel como cidad\u00e3o: \u201cEu n\u00e3o fa\u00e7o s\u00f3 entretenimento, cacete. Eu tenho um papel de educador nessa hist\u00f3ria. Ouso e prefiro acreditar que passa pela educa\u00e7\u00e3o o que eu fa\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Como come\u00e7a sua hist\u00f3ria com a m\u00fasica? Quem foi o primeiro \u00eddolo musical?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> Acho que \u00e9 no n\u00facleo familiar, a m\u00fasica j\u00e1 estava presente. N\u00e3o me lembro quando. S\u00f3 me lembro de estar ouvindo m\u00fasica, sempre. Nos finais de semana, tinha a coisa do (aparelho de som) ABC Voz de ouro, do meu pai. Aquele com as canelas finas, que era vitrola, r\u00e1dio. Era o tr\u00eas em um. Rapaz, as mem\u00f3rias mais antigas que eu tenho, mais longevas, a m\u00fasica est\u00e1 presente.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 E o que tocava nessa vitrola?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> Tudo (enf\u00e1tico)! \u00c9ramos quatro filhos e meu pai e minha m\u00e3e. Cada um tinha seu gosto. Tinha tudo, cara. E todo mundo gostava de cantar, todo mundo tocava algum instrumento, todo mundo tinha seu caderninho de m\u00fasicas preferidas. Ent\u00e3o, n\u00e3o bastava voc\u00ea tocar s\u00f3 as suas m\u00fasicas. Voc\u00ea tinha que tocar o caderninho do outro. Isso d\u00e1 uma abrang\u00eancia muito grande por que tinha m\u00fasicas de v\u00e1rios nichos. Tinha uma intimidade com essas can\u00e7\u00f5es. N\u00e3o me lembro de a m\u00fasica n\u00e3o estar presente na minha vida desde novinho.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Seu pai tinha forma\u00e7\u00e3o comunista&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> (interrompendo) E ainda vive e ainda tem esse sonho ut\u00f3pico. Ele foi quem me ensinou que o crist\u00e3o e o socialista, a diferen\u00e7a \u00e9 s\u00f3 a morte. Enquanto um trabalha pra depois da morte ter o para\u00edso, o outro quer o para\u00edso aqui, antes de morrer (risos).<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 E sua m\u00e3e uma cat\u00f3lica praticante&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> E macumbeira! E macumbeira! (mais risos) Ent\u00e3o eu sofro desse sincretismo na base da minha forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Pois voc\u00ea j\u00e1 adiantou a pergunta. De que forma essas vertentes antag\u00f4nicas se encontravam no cotidiano?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> Meu pai \u00e9 ateu. Ele chega \u00e0 ideia de socialismo, ele era seminarista. Ia ser padre. Ent\u00e3o, \u00e9 uma s\u00e9rie de eventos que gerou esse n\u00facleo familiar. Foi muito bacana por que eles dois foram muito vision\u00e1rios em educarem e criarem os filhos da maneira que criaram. Instigando o conhecimento, instigando divers\u00e3o, humor. Ainda hoje est\u00e3o vivos, 94 (anos) o papai e 90 (anos) a mam\u00e3e.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 E de que forma esses elementos se misturaram na tua cabe\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> N\u00e3o se mistura n\u00e3o. \u00c9 presente. No que diz respeito \u00e0 religiosidade, eu tenho um interesse antropol\u00f3gico. E no sentido mais pol\u00edtico das coisas, eu tenho um interesse espiritual (gargalha). Agora, ritualizei o que eu fa\u00e7o a ponto de ser uma missa, digamos assim. Fazer m\u00fasica foi a maneira que eu ritualizei o que eu fa\u00e7o a ponto de ser um momento especial, celebrativo, de comunh\u00e3o e tal. Fazer junto, por isso que \u00e9 t\u00e3o importante pra mim. Por isso que o coletivo \u00e9 t\u00e3o fundamentalmente importante em tudo que eu fa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/BOA7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13188\" alt=\"BOA7\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/BOA7-300x450.jpg\" width=\"300\" height=\"450\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/BOA7-300x450.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/BOA7-768x1152.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/BOA7-740x1110.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/BOA7-120x180.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O POVO \u2013 E voc\u00ea nasceu em durante o Regime Militar. Como um filho de comunista lidou com essa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> Por isso que eu sou Oswaldo Lenine. Por que, naquele momento, o tabeli\u00e3o podia exercer a fun\u00e7\u00e3o de pequeno tirano. \u201cN\u00e3o, esse nome n\u00e3o. Arrume outro. Nome composto eu boto, mas s\u00f3 Lenine n\u00e3o vou botar\u201d (imitando o tabeli\u00e3o). E minha m\u00e3e a lembran\u00e7a do pai dela, Oswaldo, e ficou esse creme Rinse com abacate.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 E algu\u00e9m da fam\u00edlia teve problema com Ditadura?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> Sim, meu pai foi um. Eu lembro muito da minha m\u00e3e fazendo fogueira de livro dele e aquele fuma\u00e7\u00e3o. Eu era muito novinho, n\u00e9? Eu sou de 1959. Quando se d\u00e1 o meu nascimento, j\u00e1 teve a segunda vez do Get\u00falio (Vargas) e a\u00ed j\u00e1 tinha perseguido todo mundo. Enfim, eu tenho essas mem\u00f3rias fragmentadas de persegui\u00e7\u00e3o. Mas, papai sempre teve essa coisa do poeta, uma sensibilidade muito grande, um olhar art\u00edstico sobre as coisas. Ent\u00e3o, as pessoas fizeram muita vista grossa por ele. Ele foi preso, mas n\u00e3o foi torturado.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 E com 20 anos, voc\u00ea trancou o curso de Engenharia Qu\u00edmica e vai pro Rio de Janeiro tentar a sorte na m\u00fasica. Antes, queria saber por que escolheu esse curso.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> Tranquei, achando que ia voltar. Eu gosto muito de Engenharia Qu\u00edmica. Eu sou da \u00e9poca que a gente tinha prim\u00e1rio, gin\u00e1sio e cient\u00edfico. Faz tempo (risos). E no final do cient\u00edfico, no terceiro ano, voc\u00ea fazia num cursinho preparat\u00f3rio para vestibular. Ent\u00e3o, j\u00e1 naquele momento, eu fiz alguns profissionalizantes, que \u00e9 uma maneira de tomar conhecimento com alguma coisa que voc\u00ea gostava pra te ajudar a escolher na hora que voc\u00ea fosse fazer um vestibular. J\u00e1 naquele momento, eu fiz petroqu\u00edmica, geologia e todos eles tinham o vi\u00e9s da qu\u00edmica. Isso continuou comigo. Eu tenho o interesse pelas coisas. Eu sou curioso, cara. Quando entrei na faculdade, cheguei a fazer est\u00e1gio em an\u00e1lise cromatogr\u00e1fica com antibi\u00f3tico, coluna e tal. Pude aprofundar um pouco esse universo.<\/p>\n<p><em>CONTINUA NO PR\u00d3XIMO POST&#8230;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A voz \u00e9 a mesma que deu vida a sucessos que j\u00e1 grudaram na cabe\u00e7a do p\u00fablico, como Paci\u00eancia, Le\u00e3o do norte e Jack soul&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[129,208,283],"tags":[],"class_list":["post-13142","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","category-lenine","category-nacional"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13142\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}