{"id":13149,"date":"2015-06-29T10:30:49","date_gmt":"2015-06-29T13:30:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=13149"},"modified":"2015-06-29T10:30:49","modified_gmt":"2015-06-29T13:30:49","slug":"a-saga-do-leao-do-norte-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2015\/06\/29\/a-saga-do-leao-do-norte-4\/","title":{"rendered":"A saga do le\u00e3o do norte 4"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_13196\" style=\"width: 635px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/IMG_6954.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-13196\" class=\"size-large wp-image-13196\" alt=\"Fotos: Chico Alencar\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/IMG_6954-625x416.jpg\" width=\"625\" height=\"416\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-13196\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Chico Alencar<\/p><\/div>\n<p><strong>O POVO \u2013 Seu Ac\u00fastico MTV mostra bem isso, com v\u00e1rios parceiros internacionais.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> Tem sim. Por voc\u00ea acaba se esbarrando. Esses festivais, principalmente na Europa, acontecem ou no ver\u00e3o e, depois, se voc\u00ea tem uma resposta bacana, voc\u00ea migra e vai pra outros festivais que acontecem no outono, no inverno. A\u00ed, s\u00e3o mais espec\u00edficos, menos celebrativos, digamos assim. Por que, no ver\u00e3o os caras t\u00eam tr\u00eas meses. Ent\u00e3o, o m\u00fasico que toca importa, mas importa mais ou menos. O cara ta ali celebrando sol, velho. Os festivais de outono e inverno n\u00e3o, que geralmente s\u00e3o em teatros. Voc\u00ea tem um p\u00fablico que \u00e9 diferenciado. Ent\u00e3o, eu fui, ao longo dos anos, de alguma maneira, pulverizando o que eu fa\u00e7o em v\u00e1rios nichos diferentes. N\u00e3o s\u00f3 na m\u00fasica popular e no rock, ou na world music, mas tamb\u00e9m na m\u00fasica acad\u00eamica, com orquestras. Isso abre um leque de possibilidades e eu adoro. A gente est\u00e1 lan\u00e7ando agora o <i>Carbono<\/i>, mas eu j\u00e1 sei que, at\u00e9 o final do ano, j\u00e1 vai ter umas duas ou tr\u00eas experi\u00eancias que envolvem outras coisas completamente diferentes. Com n\u00facleos completamente diferentes. Isso eu fa\u00e7o sempre e gosto. Me sinto mais vivo sabendo disso. Sabe aquele jogo War? Eu tenho a tabela do War e s\u00f3 falta conquistar a Oceania. \u00c9 muito bacana, fazendo o que eu fa\u00e7o, gostando imensamente do que fa\u00e7o a ponto de continuar me divertindo e tendo essa certeza de que \u00e9 um passaporte poderoso. S\u00f3 Pantico (Rocha, baterista), que t\u00e1 comigo h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, pergunta em que pa\u00edses ele j\u00e1 esteve. E \u00e9 bacana por que, na maioria, esses festivais s\u00e3o hippies, digamos assim. Todo mundo come junto. \u00c9 uma outra cultura. Voc\u00ea, realmente, troca. Tocamos juntos Asian Dub Fundation, Massive Atack. A\u00ed voc\u00ea come junto, janta junto. Isso tamb\u00e9m \u00e9 uma puta experi\u00eancia, uma qualifica\u00e7\u00e3o. E tem essa coisa bacana de voc\u00ea n\u00e3o estar sozinho, de n\u00e3o ter muito essa dist\u00e2ncia, que voc\u00ea acha que tem. As coisas s\u00e3o muito menores do que a gente imagina. Tem sido uma constante na minha vida.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 E com a internet, o mundo diminuiu. O p\u00fablico do mundo inteiro pode ter acesso \u00e0 m\u00fasica do Lenine.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> \u00c9, mas, quando eu comecei n\u00e3o tinha isso e n\u00e3o tinha o euro. A\u00ed, nas turn\u00eas que eu fazia, eu sa\u00eda com o \u201cxequer\u00ea local\u201d, como a gente chamava. Eu sa\u00eda com uns saquinhos (de dinheiro), chegava e dizia, \u201cqual \u00e9 a grana daqui?\u201d \u201cAqui \u00e9 a libra\u201d. Opa! Era uma complica\u00e7\u00e3o. Na mesma semana, voc\u00ea cruzava por tr\u00eas ou quatro pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/IMG_6874.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-13198\" alt=\"IMG_6874\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/IMG_6874-300x450.jpg\" width=\"300\" height=\"450\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/IMG_6874-300x450.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/IMG_6874-768x1152.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/IMG_6874-740x1110.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/IMG_6874-120x180.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O POVO \u2013 O que mudou na vis\u00e3o do exterior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura brasileira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> Ah, j\u00e1 mudou bastante. A gente sofre tamb\u00e9m dessa expectativa generalizante de \u201co pa\u00eds tropical das bundas\u201d. Existe isso, mas no futebol a gente j\u00e1 se fudeu (gargalha). J\u00e1 teve um sete a um (na final da Copa do Mundo) que ningu\u00e9m vai esquecer mais. Em compensa\u00e7\u00e3o, a gente est\u00e1 h\u00e1 vinte anos numa hegemonia no v\u00f4lei e ningu\u00e9m celebra isso como deveria celebrar. Acho que tem essa coisa. O Brasil come\u00e7a a ser descoberto, mas o pr\u00f3prio brasileiro come\u00e7a a descobrir o Brasil, que eu acho que \u00e9 mais importante. \u00c9 essa parte do pr\u00f3prio brasileiro m\u00e9dio ter a dimens\u00e3o real do que \u00e9 este continente chamado Brasil. N\u00f3s que somos felizardos e que viajamos, mesmo assim, a gente n\u00e3o conhece.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 H\u00e1 alguns anos, um grupo de compositores se organizou no Procure saber e a pauta que acabou chamando mais a aten\u00e7\u00e3o foi a quest\u00e3o das biografias. Voc\u00ea est\u00e1 na foto da Associa\u00e7\u00e3o, no perfil do facebook. Qual sua opini\u00e3o sobre toda a discuss\u00e3o que girou em torno do grupo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> Voc\u00ea v\u00ea como s\u00e3o as coisas. O Procure Saber n\u00e3o surgiu por conta da biografia. A biografia \u00e9 por causa de Roberto (Carlos) e todo mundo bateu de uma forma insana. Pela primeira vez, um grupo de criadores se reuniu em torno de uma coisa pra tentar entender. Todo mundo bateu o pau. \u00c9 ben\u00e9fico pra muito que estejamos isolados. O Procure Saber, que a gente pode chamar agora de \u201csaiba procurar\u201d, \u00e9 a tentativa da classe de trocar informa\u00e7\u00e3o. De entender e questionar o que \u00e9 isso de nuvem. Que neg\u00f3cio \u00e9 esse de digital. Por que as leis anacr\u00f4nicas no anal\u00f3gico migraram para o digital dessa maneira? Voc\u00ea v\u00ea a incongru\u00eancia. A gente s\u00f3 quer transpar\u00eancia e entender o que a gente faz. O Procure Saber \u00e9 essa procura do que \u00e9 comum a todos e, sob essa \u00e9gide, transformar transparente o que \u00e9 obtuso, escuro e oculto. No Brasil, as r\u00e1dios ainda s\u00e3o por amostragem. Hoje, qualquer nerdizinho tem um software pra identificar a m\u00fasica quando ela toca dois compassos. Ainda hoje, ficam anotando num papelzinho. Escolhem, no meio de 30 r\u00e1dios, cinco pra fazer uma audi\u00e7\u00e3o e uma proje\u00e7\u00e3o de estimativa. A gente est\u00e1 em 2015, gente! Ent\u00e3o, existe um anacronismo muito grande que, associado \u00e0 falta de interesse de n\u00f3s criadores, se perpetuou. E ta na hora da gente tomar p\u00e9 da situa\u00e7\u00e3o e entender o que foi feito em nosso nome, e o que est\u00e1 se perpetuando em nosso nome, n\u00f3s criadores.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Voc\u00ea \u00e9 um conhecedor e criador de orqu\u00eddeas. Como come\u00e7ou essa hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> As minhas orqu\u00eddeas est\u00e3o a uma hora e pouco da Urca, num sitiozinho que eu tenho na regi\u00e3o serrana do Rio. Eu sempre fui um ser litor\u00e2neo e n\u00e3o tinha essa descoberta. Por conta dos filhos terem come\u00e7ado a crescer, eu e minha parceira pensamos \u201ca gente podia ter um lugarzinho onde pudesse ver os meninos crescerem, plantar um pomar, fazer um neg\u00f3cio\u201d. Compramos um s\u00edtio e a primeira coisa que eu fiz, como ele estava h\u00e1 muito tempo fechado, foi ver o que tinha ali. A\u00ed fui vendo as esp\u00e9cies bot\u00e2nicas que tinham ali. Pra minha sorte, tinha uma planta estranh\u00edssima agarrada numa \u00e1rvore. O que \u00e9 aquilo? O caseiro da \u00e9poca disse \u201ch\u00e1! isso \u00e9 um parasita, tem muito aqui\u201d. Como tava come\u00e7ando o neg\u00f3cio do S\u00e3o Google, a\u00ed foi uma paix\u00e3o fulminante. Descobri esse universo, a especificidade dessa planta, o endemismo associado \u00e0s minhas turn\u00eas, ent\u00e3o passei a catalogar associados aos shows que fa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 E como est\u00e1 esse cat\u00e1logo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lenine \u2013<\/strong> Virou um banco de mem\u00f3ria. Eu parei de contar depois das cinco mil plantas. Cada uma tem uma etiqueta dizendo que esp\u00e9cie \u00e9, onde ocorre \u2013 eu preciso saber a altitude e a umidade necess\u00e1ria \u2013, quem me deu, quando eu ganhei, portanto relacionado ao show que fiz. Ent\u00e3o, qualquer \u00e9poca do ano, quando eu vou no orquid\u00e1rio, eu tenho ali entre 40 e 80 flores diferentes, por que elas s\u00e3o de tempos diferentes, lugares diferentes e florem em tempos diferentes. Eu n\u00e3o sei tudo de c\u00f3r, ent\u00e3o eu vou l\u00e1 e vejo. \u201cEssa aqui quem me deu foi Dona Beatriz, em Bel\u00e9m, quando eu fiz o Falange canibal\u201d. Ent\u00e3o tem esse banco de mem\u00f3ria afetiva, que est\u00e1 associado a esse cultivo de plantas. N\u00e3o sei&#8230; Essa paix\u00e3o foi reverberando de tal maneira que ela n\u00e3o apazigua. Sempre aumenta.<\/p>\n<p><em>CONTINUA NO PR\u00d3XIMO POST&#8230;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O POVO \u2013 Seu Ac\u00fastico MTV mostra bem isso, com v\u00e1rios parceiros internacionais. Lenine \u2013 Tem sim. Por voc\u00ea acaba se esbarrando. 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