{"id":13206,"date":"2015-07-01T14:56:24","date_gmt":"2015-07-01T17:56:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=13206"},"modified":"2015-07-01T14:56:24","modified_gmt":"2015-07-01T17:56:24","slug":"jards-macale-oferece-prato-saboroso-no-banquete-dos-mendigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2015\/07\/01\/jards-macale-oferece-prato-saboroso-no-banquete-dos-mendigos\/","title":{"rendered":"Jards Macal\u00e9 oferece prato saboroso no Banquete dos mendigos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/pagina-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-13207\" alt=\"pagina 3\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/pagina-3-625x625.jpg\" width=\"625\" height=\"625\" \/><\/a>Passados 50 anos, muitas hist\u00f3rias da Ditadura Militar continuam esperando o momento de serem reveladas. Uma delas estava registrada h\u00e1 mais de 40 anos em fitas guardadas por <strong>Jards Macal\u00e9<\/strong> e s\u00f3 agora chega ao p\u00fablico. Trata-se do registro do pol\u00eamico <strong>Banquete dos mendigos<\/strong>, show realizado em 10 de dezembro 1973 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Verdadeira afronta ao regime militar brasileiro, aquela reuni\u00e3o in\u00e9dita de astros da MPB chega agora em sua vers\u00e3o completa num box triplo lan\u00e7ado pelo selo carioca Discobertas.<!--more--><\/p>\n<p>Idealizado pelo compositor carioca, o <strong>Banquete dos mendigos<\/strong> nasceu na base do \u201cjeitinho brasileiro\u201d e acabou tornando-se um dos ap\u00f3crifos da m\u00fasica nacional de protesto. Depois de brigar com a Phonogram, por onde tinha lan\u00e7ado o disco de estreia em 1972, <strong>Jards<\/strong> vivia tempos de dificuldades financeiras. Inspirado nos eventos beneficentes que estavam em moda, ele pensou em criar um em benef\u00edcio pr\u00f3prio e foi falar com Cosme Alves Neto, diretor da cinemateca do MAM, para tentar usar o museu como palco para seu show. Al\u00e9m do \u201csim\u201d como resposta, o amigo sugeriu que <strong>Macal\u00e9<\/strong> usasse a exposi\u00e7\u00e3o sobre os 25 anos da carta da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos como mote para o espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>O que deveria ser uma apresenta\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio pr\u00f3prio, tornou-se um megaevento de desobedi\u00eancia civil. Naquele in\u00edcio de anos 1970, falar em direitos humanos era algo perigoso. Com a censura estabelecida e pris\u00f5es cheias de manifestantes contr\u00e1rios ao regime militar, destacar publicamente um documento que prega que &#8220;ningu\u00e9m ser\u00e1 submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante&#8221; e &#8220;ningu\u00e9m ser\u00e1 arbitrariamente preso, detido ou exilado&#8221; seria correr um enorme risco. Ainda assim, a proposta er que as apresenta\u00e7\u00f5es fossem intercaladas pela leitura do documento que completava 25 anos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/7898599620890.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-13208\" alt=\"7898599620890\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/7898599620890-300x300.png\" width=\"300\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/7898599620890-300x300.png 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/7898599620890-150x150.png 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/7898599620890-768x768.png 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/7898599620890-740x740.png 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/7898599620890-120x120.png 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/7898599620890.png 1000w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ao todo, 16 estrelas estabelecidas ou em ascens\u00e3o compareceram ao evento que s\u00f3 foi liberado pelo governo M\u00e9dici por que a ONU estava envolvida. Ainda assim, o ex\u00e9rcito cercou o local e acompanhou cada passo dos t\u00e9cnicos. O show acabou sendo gravado clandestinamente pelo t\u00e9cnico de som Maurice Hughes que passava as fitas discretamente para o baixista Bruce Henry, dizendo para os oficiais que eram fitas de eco. Por conta dessa rasteira, preservaram-se \u00e1udios antol\u00f3gicos de Paulinho da Viola s\u00f3 com seu viol\u00e3o e Raul Seixas enlouquecendo em <strong><i>Al Capone<\/i><\/strong> e <strong><i>Mosca na sopa<\/i><\/strong>.<\/p>\n<p>Parte das grava\u00e7\u00f5es foi registrada no LP duplo feito em 1974, mas logo impedido de ir \u00e0s lojas. O principal motivo da censura foi Chico Buarque que protagoniza um dos momentos mais tensos do Banquete, ao dividir com o MPB-4 os versos fortes de <strong><i>Pesadelo<\/i> <\/strong>(&#8220;Voc\u00ea me prende vivo, eu escapo morto&#8221;). O disco s\u00f3 foi liberado em 1979, quando acabou gerando outra pol\u00eamica. Quando a ditadura j\u00e1 falava em anistia, <strong>Jards Macal\u00e9<\/strong> levou uma c\u00f3pia do <strong>Banquete<\/strong> para o chefe da casa civil Golbery do Couto e Silva, de quem recebeu de volta um aut\u00f3grafo no livro <em>Geopol\u00edtica brasileira<\/em>. A troca de mimos foi mal vista por artistas e intelectuais, que logo carimbaram <strong>Macal\u00e9<\/strong> como adesista. Vivendo uma \u00e9poca de reinven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, art\u00edstica e intelectual, o compositor chegou a comentar o assunto, mas nada de pedir desculpas ou negar posturas. Fiel \u00e0 pr\u00f3pria hist\u00f3ria como poucos, ele seguiu seu caminho at\u00e9 a pr\u00f3xima reinven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que estavam fazendo os convidados do banquete em 1973:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/gal-costa-india.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13209 alignleft\" alt=\"gal-costa-india\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/gal-costa-india-625x617.jpg\" width=\"341\" height=\"337\" \/><\/a>&gt;<strong> Gal Costa<\/strong> \u2013 Ainda vivendo sua era transgressora, a baiana lan\u00e7ava o provocador \u00e1lbum <i>\u00cdndia<\/i>, que contava com a faixa <i>Pontos de luz<\/i>, de Macal\u00e9 e Waly Salom\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/raul-seixas-krig-ha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13210 aligncenter\" alt=\"raul seixas krig ha\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/raul-seixas-krig-ha-625x624.jpg\" width=\"263\" height=\"262\" \/><\/a>&gt; <strong>Raul Seixas<\/strong> \u2013 O roqueiro lan\u00e7ava, enfim, sua estreia solo. Batizado com o grito de guerra de Tarzan, <i>Krig-ha-bandolo<\/i> chegava com <i>Mosca na sopa<\/i>, <i>Ouro de tolo<\/i> e outras.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/milton-nascimento.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13211 alignright\" alt=\"milton nascimento\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/milton-nascimento.jpg\" width=\"289\" height=\"289\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/milton-nascimento.jpg 481w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/milton-nascimento-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/milton-nascimento-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/milton-nascimento-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 289px) 100vw, 289px\" \/><\/a>&gt; <strong>Milton Nascimento<\/strong> \u2013 Um ano depois do <i>Clube da esquina<\/i>, Milton comp\u00f4s <i>Milagre dos peixes<\/i>. Com oito das 11 letras censuradas, o disco saiu quase todo instrumental.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/chico-buarque-calabar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-13212 alignleft\" alt=\"chico-buarque-calabar\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/chico-buarque-calabar.jpg\" width=\"216\" height=\"213\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/chico-buarque-calabar.jpg 400w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/chico-buarque-calabar-300x296.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/chico-buarque-calabar-120x119.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 216px) 100vw, 216px\" \/><\/a>&gt; <strong>Chico Buarque<\/strong> \u2013 Depois de apresentar a pe\u00e7a <em>Calabar<\/em>, Chico Buarque tentou lan\u00e7ar a trilha sonora composta com Ruy Guerra. Depois de sucessivos problemas, o disco saiu como <i>Chico Canta<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/gonzaguinha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-13213 alignleft\" alt=\"gonzaguinha\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2015\/06\/gonzaguinha-625x632.jpg\" width=\"307\" height=\"309\" \/><\/a>&gt; <strong>Gonzaguinha<\/strong> \u2013 Logo na estreia, o filho de Luiz Gonzaga foi do cinismo da <i>A felicidade bate a sua porta<\/i> ao peso de <i>Comportamento geral<\/i>. Acabou tornando-se alvo costumeiro da censura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados 50 anos, muitas hist\u00f3rias da Ditadura Militar continuam esperando o momento de serem reveladas. 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