{"id":13936,"date":"2016-04-20T14:05:26","date_gmt":"2016-04-20T17:05:26","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=13936"},"modified":"2016-04-20T14:05:26","modified_gmt":"2016-04-20T17:05:26","slug":"as-nuvens-pesadas-de-juliano-gauche","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2016\/04\/20\/as-nuvens-pesadas-de-juliano-gauche\/","title":{"rendered":"As nuvens pesadas de Juliano Gauche"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2016\/04\/JULIANO-GAUCHE-2-cr\u00e9dito-Nino-Andres.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-13971\" alt=\"JULIANO GAUCHE 2 cr\u00e9dito Nino Andres\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2016\/04\/JULIANO-GAUCHE-2-cr\u00e9dito-Nino-Andres-624x416.jpg\" width=\"624\" height=\"416\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cEu fico muito esquisito quando abro meu cora\u00e7\u00e3o e s\u00f3 me resta, agora, correr como quem morre de medo\u201d. Jogada no meio da faixa<em><strong> Muito Esquisito<\/strong><\/em>, a frase de <span style=\"color: #993300\"><strong>Juliano Gauche<\/strong><\/span> \u00e9 um resumo de como funciona a mente deste cantor e compositor. Desconfort\u00e1vel no mundo e atormentado no palavreado, ele usa a m\u00fasica como uma f\u00f3rmula de escapar das armadilhas criadas pela pr\u00f3pria mente.<!--more--><\/p>\n<p>Esse desafogar de sentimentos \u00e9 a t\u00f4nica de <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Nas Est\u00e2ncias de Dzya<\/strong><strong>n<\/strong><\/span>, segundo disco da carreira solo de <span style=\"color: #993300\"><strong>Juliano Gauche<\/strong><\/span>. \u201cN\u00e3o gosto disso, n\u00e3o sei por que. M\u00fasica n\u00e3o se faz sozinho. Mas, como uso meu nome, \u00e9 o termo que se usa\u201d, implica ele com o termo \u201ccarreira solo\u201d. E h\u00e1 motivo para isso. O \u00e1lbum de 29 minutos divididos em nove faixas teve contribui\u00e7\u00f5es decisivas de Tat\u00e1 Aeroplano e Junior Boca, respons\u00e1veis pelos arranjos e escolha da banda que acompanha o cantor desde o trabalho anterior \u2013 o independente <strong>Juliano Gauche<\/strong>, de 2013.<\/p>\n[youtube]https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rFunSmfGH3M[\/youtube]\n<p>Por falar em banda, a carreira deste capixaba de Ecoporanga come\u00e7ou em Vit\u00f3ria, onde ele integrou a banda Solana. Tr\u00eas discos (elogiados) depois, ele seguiu com um trabalho assinado com o pr\u00f3prio nome, que ainda rendeu uma homenagem a S\u00e9rgio Sampaio dividida com os viol\u00f5es do Duo Zebedeu. O tributo <strong>Hoje N\u00e3o<\/strong> foi lan\u00e7ado virtualmente em 2009 e casou as melancolias de <span style=\"color: #993300\"><strong>Gauche<\/strong><\/span> com as do homenageado. \u201cEu n\u00e3o o conhecia profundamente. Mas, realmente, achei que a gente passa por coisas parecidas. Como o gosto por um tipo de poesia muito pr\u00f3xima\u201d, confessa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2016\/04\/capa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-13972\" alt=\"capa\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2016\/04\/capa-300x270.jpg\" width=\"300\" height=\"270\" \/><\/a>Se S\u00e9rgio Sampaio sofria com a incompreens\u00e3o e o alcoolismo, <span style=\"color: #993300\"><strong>Gauche<\/strong><\/span> tamb\u00e9m tem seus dramas internos. \u201cSe eu disser que minha vida foi uma festa estou mentindo. Sempre teve essa nuvem negra\u201d, assume o m\u00fasico que abre <span style=\"color: #ff6600\"><strong>Nas Est\u00e2ncias de Dzyan<\/strong><\/span> com um questionamento: \u201ccomo eu ia saber se tudo come\u00e7ou sem mim com hora pra acabar?\u201d. E o disco segue falando sobre perdas, sorrisos amarelos e sensa\u00e7\u00f5es de incompletude. Para dar corpo \u00e0s letras densas e fortes, a sonoridade remete a um rock simples com refer\u00eancias pouco claras. \u201cEu me considero meio filho dos anos 1960 e 70, da contracultura. Isso sempre me prendeu, sou muito f\u00e3 desse per\u00edodo\u201d.<\/p>\n<p>Caminhando sempre perto do abismo, <span style=\"color: #993300\"><strong>Juliano Gauche<\/strong><\/span> faz m\u00fasica como quem quer curar uma ferida. \u201cSim, tudo isso vai desmanchar assim que um vento mais forte chegar\u201d, avisa em <em><strong>Can\u00e7\u00e3o do Mundo Maior<\/strong><\/em> o artista que j\u00e1 viveu muito preocupado com a pr\u00f3pria morte. \u201cJ\u00e1 fui mais porra louca e realmente achava que eu poderia ter um piripaque a qualquer momento e ir embora\u201d, comenta ele que sempre ouviu conselhos para fazer terapia. \u201cTodo mundo fala isso. Acho que o terapeuta iria se divertir muito comigo, por que \u00e9 muita paranoia. De verdade, acho que preciso. Mas, hoje n\u00e3o me sinto t\u00e3o paranoico. N\u00e3o sei se \u00e9 por que casei\u201d.<\/p>\n<p>Ainda que o matrim\u00f4nio tenha trazido certo al\u00edvio (a esposa dele tamb\u00e9m sugere a terapia), \u00e9 mesmo na m\u00fasica que ele despeja as incompletudes e afli\u00e7\u00f5es. \u201cTalvez a m\u00fasica seja a minha terapia. Talvez seja a minha forma de lidar com isso. \u00c9 na m\u00fasica onde chove tudo. Quando escrevo, acho que ningu\u00e9m vai entender, mas sempre acaba virando alguma saia justa\u201d, lamenta pouco antes de encerrar a conversa. \u201cEst\u00e1 \u00f3timo, se n\u00e3o voc\u00ea vai puxar outras loucuras e a gente pode ter que falar de alien\u00edgenas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu fico muito esquisito quando abro meu cora\u00e7\u00e3o e s\u00f3 me resta, agora, correr como quem morre de medo\u201d. Jogada no meio da faixa Muito&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,129,283],"tags":[],"class_list":["post-13936","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-albuns","category-entrevistas","category-nacional"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13936"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13936\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}