{"id":14086,"date":"2016-05-17T08:47:49","date_gmt":"2016-05-17T11:47:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=14086"},"modified":"2016-05-17T08:47:49","modified_gmt":"2016-05-17T11:47:49","slug":"uma-serenata-para-cauby-peixoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2016\/05\/17\/uma-serenata-para-cauby-peixoto\/","title":{"rendered":"Uma serenata para Cauby Peixoto"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-14087\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2016\/05\/Cauby-Peixoto-03-2010-Foto-Divul-Lua-Music-624x351.jpg\" alt=\"Cauby Peixoto 03 - 2010 - Foto Divul Lua Music\" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil encontrar pessoas que falem que <span style=\"color: #993300\"><strong>Cauby Peixoto<\/strong><\/span> era um grande cantor. No entanto, \u00e9 bem dif\u00edcil encontrar quem o conhe\u00e7a al\u00e9m do personagem ou al\u00e9m de <em><strong>Concei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>, um dos seus grandes cl\u00e1ssicos. Mas, sim, ele foi dono de uma das vozes mais privilegiadas da hist\u00f3ria da MPB. T\u00e9cnica, emo\u00e7\u00e3o, afina\u00e7\u00e3o e refino, nada faltava ao niteroiense que faleceu na noite do \u00faltimo domingo, 15.<!--more--><\/p>\n<p>Ali\u00e1s, faltava. <span style=\"color: #993300\"><strong>Cauby<\/strong> <\/span>era essencialmente um cantor. Ele n\u00e3o sabia produzir, tocar ou ou selecionar repert\u00f3rio. Seu lance era cantar. Quando tinha um produtor competente, lan\u00e7ava grandes discos. Quando n\u00e3o, gravava bobagens facilmente esquec\u00edveis. Tanto que em uma carreira fonogr\u00e1fica com dezenas de t\u00edtulos, poucos s\u00e3o os de fato impec\u00e1veis.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos de carreira, o produtor Thiago Marques Luiz tirou de <span style=\"color: #993300\"><strong>Cauby<\/strong> <\/span>uma qualidade que a h\u00e1 tempos n\u00e3o se via. Desde 2009, quando lan\u00e7ou um tributo a Roberto Carlos, v\u00e1rios discos colocaram a boa voz do int\u00e9rprete falecido aos\u00a085 anos a servi\u00e7o de can\u00e7\u00f5es que estavam \u00e0 altura da sua compet\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois de Roberto, teve Nat King Cole, Frank Sinatra, serestas, Beatles&#8230; A cada novo disco, novas formas de confirmar o que muitos deveriam saber: <span style=\"color: #993300\"><strong>Cauby Peixoto<\/strong><\/span> foi um dos melhores cantores do Brasil e pode, certamente, estar entre os melhores do mundo.<\/p>\n<p><strong>Discografia selecionada e comentada:<\/strong><br \/>\n<strong>&#8211; Blue Gardenia (1955) &#8211;<\/strong> Sob o comando do empres\u00e1rio Di Veras, Cauby lan\u00e7a um LP de estreia batizado com o nome do seu primeiro sucesso popular. <em><strong>A P\u00e9rola e o Rubi<\/strong><\/em> tamb\u00e9m \u00e9 deste \u00e1lbum.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Quando os peixoto se encontram (1957) &#8211;<\/strong> Os irm\u00e3os Cauby, Moacyr, Araken e Adyara dividem um \u00e1lbum que mistura cl\u00e1ssicos brasileiros com internacionais. O clima de boate predomina em faixas como <em><strong>A Foggy Day<\/strong><\/em> e <em><strong>Valsa de uma Cidade<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Por que s\u00f3 penso em ti (1965) &#8211;<\/strong> Caindo como uma luva na voz de Cauby, o disco traz 12 can\u00e7\u00f5es da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim. <em><strong>Sentimental demais<\/strong><\/em> e <em><strong>Minha Serenata<\/strong> <\/em>est\u00e3o no repert\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Um drink com Cauby e Leny (1968) &#8211;<\/strong> relan\u00e7ado em CD pela Discobertas, esse discos traz o encontro de Cauby com uma esquecida Leny Eversong. <em><strong>Lady Be Good<\/strong><\/em> e <em><strong>That Old Black Magic<\/strong><\/em> s\u00e3o os grandes destaques pelo volume de improviso.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Cauby! Cauby! (1980) &#8211;<\/strong> Resultado de um esfor\u00e7o coletivo para tirar Cauby do ostracismo, o disco tornou-se um grande cl\u00e1ssico de sua discografia. <em><strong>Bastidores<\/strong><\/em>, de Chico Buarque, \u00e9 o grande momento de um \u00e1lbum que traz ainda <em><strong>Loucura<\/strong> <\/em>(Joanna) e <em><strong>Brigas de Amor<\/strong><\/em> (Erasmo\/ Roberto).<\/p>\n<p><strong>&#8211; \u00c2ngela &amp; Cauby (1982) &#8211;<\/strong> Amigos desde os tempos de R\u00e1dio Nacional, esse \u00e9 o primeiro encontro oficial da dupla em disco. S\u00e3o 14 can\u00e7\u00f5es alocadas em 12 faixas, que v\u00e3o de Djavan (<em><strong>Meu bem querer<\/strong><\/em>) a Antonio e M\u00e1rio Marcos (<em><strong>Como vai voc\u00ea<\/strong><\/em>).<\/p>\n<p><strong>&#8211; Cauby canta Sinatra (1995) &#8211;<\/strong> Projeto luxuoso que contou com as participa\u00e7\u00f5es de Zizi Possi, Caetano Veloso, Em\u00edlio Santiago e outros. No entanto, Cauby n\u00e3o gostou das vers\u00f5es em portugu\u00eas e, 15 anos depois, gravaria um novo tributo a Sinatra todo em ingl\u00eas. Ambos s\u00e3o \u00f3timos.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Meu Cora\u00e7\u00e3o \u00e9 um Pandeiro (2000) &#8211;<\/strong> Cauby j\u00e1 foi de muitos estilos e at\u00e9 foi respons\u00e1vel por um dos primeiros rocks nacionais. No entanto, o samba n\u00e3o era bem sua praia. Ainda assim, ele se sai bem neste disco que tem Paulinho da Viola (<em><strong>Eu canto samba<\/strong><\/em>), Benito di Paula (<em><strong>Retalhos de ceti<\/strong><strong>m<\/strong><\/em>) e outros.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Cauby interpreta Roberto (2009) &#8211;<\/strong> O disco se chamaria <em>Cauby canta Roberto<\/em>. Mas, a pedido do homenageado, ficou Interpreta. Pra n\u00e3o pegar mal. Seja como for, <em><strong>M\u00fasica Suave<\/strong><\/em> e <em><strong>O Show J\u00e1 Terminou<\/strong><\/em> s\u00e3o obrigat\u00f3rias.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Box O Mito (2011) &#8211;<\/strong> Projeto comemorativo da Lua Music reuniu tr\u00eas bons discos in\u00e9ditos. <strong>A Voz do Viol\u00e3o<\/strong> traz Cauby, Ronaldo Rayol e maravilhas como <em><strong>Fracasso<\/strong> <\/em>(Fagner) e <em><strong>Minha voz, minha vida<\/strong><\/em> (Caetano Veloso). <strong>Caubeatles<\/strong> traz 12 can\u00e7\u00f5es do Fab Four que poderiam ter um melhor tratamento de arranjo. \u00c9 bom, mas falta alguma coisa. J\u00e1 <strong>Cauby Ao Vivo &#8211; 60 anos de m\u00fasica<\/strong> \u00e9 o registro de um show que contou com as presen\u00e7as de Agnaldo Rayol, Agnaldo Tim\u00f3teo, Angela Maria, Em\u00edlio Santiago, Faf\u00e1 de Bel\u00e9m e V\u00e2nia Bastos.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Cauby sings Nat King Cole (2015) &#8211;<\/strong> Lan\u00e7ado no mesmo ano de <strong>A Bossa de Cauby Peixoto<\/strong>, este tributo esbanja eleg\u00e2ncia e refino. Uma bela homenagem a uma das grandes vozes do mundo. <em><strong>Blue Gardenia<\/strong><\/em>, na voz agora madura de Cauby, volta ainda mais emocionante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 f\u00e1cil encontrar pessoas que falem que Cauby Peixoto era um grande cantor. 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