{"id":1421,"date":"2010-09-09T15:56:50","date_gmt":"2010-09-09T18:56:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=1421"},"modified":"2010-09-09T15:56:50","modified_gmt":"2010-09-09T18:56:50","slug":"feito-para-dancar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2010\/09\/09\/feito-para-dancar\/","title":{"rendered":"Feito para dan\u00e7ar"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000\"><a rel=\"attachment wp-att-1422\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/feito-para-dancar\/119836_g\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1422\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/09\/119836_g.jpg\" alt=\"\" width=\"363\" height=\"360\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/09\/119836_g.jpg 504w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/09\/119836_g-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/09\/119836_g-300x298.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/09\/119836_g-120x119.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/><\/a>Eduardo Lincoln Barbosa de Sab\u00f3ia <\/span>nasceu em Fortaleza, Cear\u00e1, em 31 de maio de 1932. Ex-redator e revisor do &#8220;Jornal\u00a0do Povo&#8221;, aos 19 anos mandou-se para o Rio de Janeiro onde come\u00e7ou a tocar contrabaixo em diversos bares at\u00e9 trocar este instrumento pelo piano e \u00f3rg\u00e3o el\u00e9trico. Ao lado de companheiros de of\u00edcio como Luiz E\u00e7a, Dick Farney e Wilson das Neves, o jovem artista, agora batizado <strong><span style=\"color: #ff0000\">Ed Lincoln<\/span><\/strong>, animava as pistas com o seu estilo balan\u00e7ado de tocar. Misturando o que sabia de sambas e jazz, ele criou nos anos 60 uma banda de baile feita sob medida para os amantes da boa m\u00fasica e, com ela, acompanhou um certo crooner de voz grave e aveludada. Seu nome, <strong><span style=\"color: #3366ff\">Em\u00edlio Santiago<\/span><\/strong>. Int\u00e9rprete primoroso que est\u00e1 completando 40 anos de carreira, Em\u00edlio decidiu relembrar seus tempos de sambalan\u00e7o e homenagear o amigo Ed lan\u00e7ando <strong><span style=\"color: #808000\">S\u00f3 dan\u00e7o samba<\/span><\/strong> (Universal).<\/p>\n<p>Cheio de ritmo e eleg\u00e2ncia, o cantor desfile 16 can\u00e7\u00f5es (tr\u00eas em pot pourri) entre cl\u00e1ssicos bossanov\u00edsticos e sambas priorizando compositores da velha guarda. A exce\u00e7\u00e3o fica com a \u00f3tima interpreta\u00e7\u00e3o de <strong><em>Chega<\/em><\/strong>, de <strong><span style=\"color: #ff00ff\">Mart\u2019n\u00e1lia <\/span><\/strong>e <strong><span style=\"color: #ff00ff\">Momba\u00e7a<\/span><\/strong>, que ganhou um ritmo irresist\u00edvel pela percuss\u00e3o de Paulo Braga, Pirulito e Z\u00e9 Leal. <strong><span style=\"color: #808000\">S\u00f3 dan\u00e7o samba<\/span><\/strong> \u00e9 o primeiro lan\u00e7amento do seu selo <span style=\"color: #800000\"><strong>Santiago Music<\/strong> <\/span>o que, com mais liberdade, inaugura uma nova fase da carreira de Em\u00edlio, bem diferente do quem o conheceu na \u00e9poca das Aquarelas Brasileiras. \u201cAs Aquarelas, sem d\u00favidas nenhuma, foi o que mais deu dinheiro e pr\u00eamios\u201d, lembra o cantor, por telefone, sobre o projeto iniciado por sugest\u00e3o de <span style=\"color: #808080\"><strong>Roberto Menescal<\/strong> <\/span>e que rendeu sete volumes. \u201cEu n\u00e3o queria\u201d, continua. \u201cN\u00e3o tava com vontade de gravar naquele momento. Mas o Menescal me convenceu e dizia \u2018voc\u00ea vai se mostrar pra o mundo\u2019\u201d.<\/p>\n<p>As Aquarelas, lan\u00e7adas entre 1988 e 1995, eram marcadas por um repert\u00f3rio bem popular e populista, quase nada in\u00e9dito, amarrado por bons arranjos, embora pouco ousados, e cheio de pot pourris. Poucas heran\u00e7as ficaram do per\u00edodo como <strong><em>Tudo que se quer<\/em><\/strong> (em dueto com <strong><span style=\"color: #ff9900\">Ver\u00f4nica Sabino<\/span><\/strong>), <strong><em>Verdade chinesa<\/em><\/strong> e <strong><em>Saigon<\/em><\/strong>. \u201cFoi um sucesso retumbante. \u00c9 coisa de cantor brasileiro, querendo imitar os cantores americanos. Tinha me enchido de dinheiro, j\u00e1 n\u00e3o devia mais nada. Fiquei mais \u00e0 vontade e culminou agora neste meu selo, n\u00e3o sei se pra corrigir ou pra me liberar\u201d.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=txZpzIDE7oY[\/youtube]\n<p><em>Em\u00edlio Santiago e Leny Andrade gravando o disco Casa de Bossa\u00a0(1997)<\/em><\/p>\n<p>Importante lembrar que, antes das Aquarelas, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Em\u00edlio Santiago<\/strong> <\/span>j\u00e1 tinha lan\u00e7ado mais de 10 discos. Sua estreia, em 1975 (CID), que traz apenas seu nome no t\u00edtulo, j\u00e1 chama a aten\u00e7\u00e3o pelos teclados de <span style=\"color: #99cc00\"><strong>Jo\u00e3o Donato<\/strong> <\/span>e pela voz sempre afinada do cantor. Pelo menos dois destaques, <strong><em>Bananeira <\/em><\/strong>traz Donato bem influenciado pela black music e lembra muito <strong><em>Superstition<\/em><\/strong>, de <strong><span style=\"color: #008080\">Stevie Wonder<\/span><\/strong>; e <strong><em>Brother<\/em><\/strong> \u00e9 um manifesto negro de <span style=\"color: #003366\"><strong>Jorge Ben<\/strong> <\/span>que casou bem no disco. H\u00e1 ainda a bela <strong><em>Porque somos iguais<\/em><\/strong> (Pedro Camargo e Durval Ferreira) e a ressentida <strong><em>Batendo a porta<\/em><\/strong> (Paulo C\u00e9sar Pinheiro e Jo\u00e3o Nogueira). \u201cAmo esse primeiro disco. \u00c9 uma estreia cheia modernidade, parece que foi feito ontem. Acho bom relan\u00e7a-lo, ainda mis quando voc\u00ea consegue alcan\u00e7ar seus objetivos\u201d.<\/p>\n<p>Em termos de lan\u00e7amento de repert\u00f3rio, novidades, <strong><span style=\"color: #808000\">S\u00f3 dan\u00e7o samba<\/span><\/strong> acrescenta pouco ao repert\u00f3rio brasileiro. Ele pega, de fato, \u00e9 no canto mais solto de <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Em\u00edlio<\/strong><\/span> (que j\u00e1 vinha sendo sentido desde que lan\u00e7ou <strong><span style=\"color: #ffff00\">Bossa Nova<\/span><\/strong>, em 2000, passando pelo \u00f3timo duo com Jo\u00e3o Donato em 2003, e cristalizando em <strong><span style=\"color: #cc99ff\">De um jeito diferente<\/span><\/strong>, de 2006) e no ritmo que marca faixa a faixa do disco. \u201cEu queria um disco bem dan\u00e7ante. Estou muito feliz porque foi feito pra relembrar as \u00e9pocas dos bailes. As m\u00fasicas e as letras eram muito bem feitas. \u00c9 pra curtir com whisky\u201d, brinca <strong><span style=\"color: #0000ff\">Em\u00edlio<\/span><\/strong> que agora pede um lugar nas casas pras pessoas dan\u00e7arem. Ele lembra tamb\u00e9m que o pr\u00f3prio <strong><span style=\"color: #ff0000\">Ed Lincoln<\/span><\/strong>, que era dono da \u00fanica banda de baile com can\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, aprovou o resultado do disco.<\/p>\n<p>\u00a0<a rel=\"attachment wp-att-1430\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/feito-para-dancar\/attachment\/2\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1430\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/09\/2-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">Cr\u00e9dito: Rita Villani<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #808000\">S\u00f3 dan\u00e7o samba<\/span><\/strong>, produzido por <strong><span style=\"color: #ffcc00\">Jos\u00e9 Milton<\/span><\/strong>, abre com a can\u00e7\u00e3o t\u00edtulo, de Tom e Vin\u00edcius, emendando com <strong><em>Olhou pra mim<\/em><\/strong>, de Lincoln e S\u00edlvio C\u00e9sar. O banho de suingue de Em\u00edlio segue em<strong><em> Tend\u00eancia<\/em><\/strong>, de Ivone Lara e Jorge Arag\u00e3o, que tem uma bela letra de amor acabado. Pescada do disco <strong><span style=\"color: #00ff00\">Continuidade <\/span><\/strong>(1980), de Ant\u00f4nio Adolfo, <strong><em>A cada dia que passa<\/em><\/strong> \u00e9 um manifesto pol\u00edtico pesado, coisa rara na voz de Em\u00edlio. \u201cFicam as pessoas aflitas sem dire\u00e7\u00e3o\/ Passando fome e a pregui\u00e7a\/ Cede ao drag\u00e3o\/ Tudo passa tudo fica sem solu\u00e7\u00e3o\u201d, diz a letra. <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Em\u00edlio Santiago<\/strong> <\/span>e <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ed Lincoln<\/strong> <\/span>se conheceram por interm\u00e9dio de <span style=\"color: #808080\"><strong>Djalma Ferreira <\/strong><\/span>que tamb\u00e9m comparece em <span style=\"color: #808000\"><strong>S\u00f3 dan\u00e7o samba<\/strong> <\/span>com <strong><em>Confiss\u00e3o<\/em><\/strong>, parceria sua com Luiz Bandeira. Esp\u00e9cie de manifesto ou texto explicativo do disco, a faixa <strong><em>Influ\u00eancia do Jazz<\/em><\/strong>, de Carlos Lyra, cai como uma luva num repert\u00f3rio bem influenciado pelas big bands jazz\u00edsticas. Para encerrar em alto n\u00edvel, um pot-pourri de scats dan\u00e7antes com <strong><em>Zum Zum Zum<\/em><\/strong>, <strong><em>Vou rir de voc\u00ea<\/em><\/strong> e <strong><em>Na onda do berimbau<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><strong>Em\u00edlio Santiago<\/strong> <\/span>n\u00e3o economiza ao demonstrar satisfa\u00e7\u00e3o em sua nova fase, onde inclui a abertura do seu selo. \u201cFico mais livre pra criar projetos que me veem \u00e0 mente. A partir de agora posso fazer s\u00f3 com viol\u00e3o ou piano\u201d. E quanto ao que espera do novo disco, o tom se mant\u00e9m: \u201cQuero que d\u00ea bons resultados, inclusive financeiros, por que queria fazer outros discos. Eu quero que seja um sucesso\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduardo Lincoln Barbosa de Sab\u00f3ia nasceu em Fortaleza, Cear\u00e1, em 31 de maio de 1932. 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