{"id":1438,"date":"2010-09-10T06:00:44","date_gmt":"2010-09-10T09:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=1438"},"modified":"2010-09-10T06:00:44","modified_gmt":"2010-09-10T09:00:44","slug":"erudito-de-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2010\/09\/10\/erudito-de-rua\/","title":{"rendered":"Erudito de rua"},"content":{"rendered":"<p><a rel=\"attachment wp-att-1440\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/erudito-de-rua\/foto-beto-figueiroadata25-03-2010ass-pianista-vitor-araujo-2\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1440\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/09\/Foto_BetoFigueiroa_DivulgacaoVitorAraujo_0091-550x368.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"368\" \/><\/a>Transgress\u00e3o parece ser a palavra que guia o trabalho e a vida de <strong><span style=\"color: #ff0000\">Vitor Ara\u00fajo<\/span><\/strong>. Pianista pernambucano, Vitor, aos 21 anos, j\u00e1 fala sobre sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica com a mesma propriedade de quem j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 anos no mercado. <em>S\u00f3 eu consigo fazer o que vem \u00e0 minha cabe\u00e7a<\/em>, dispara ele com um tom de quem n\u00e3o est\u00e1 muito a fim de papo. Convidado para uma apresenta\u00e7\u00e3o aberta hoje no Centro de Humanidades da Universidade Federal do Cear\u00e1, dentro do projeto P\u00f4r do Som de Recitais Did\u00e1ticos, Vitor come\u00e7a a se mostrar mais \u00e0 vontade na conversa por telefone quando come\u00e7a a falar de sua carreira.<\/p>\n<p>Definindo seu come\u00e7o como <em>uma coisa bem classe m\u00e9dia<\/em>, <strong><span style=\"color: #ff0000\">Vitor<\/span><\/strong> (<strong><em><span style=\"color: #999999\">foto de Beto Figueiroa<\/span><\/em><\/strong>) come\u00e7ou a estudar m\u00fasica formalmente aos 8 anos. Passou um ano aprendendo a ler partituras e outros assuntos da teoria musical no <strong><span style=\"color: #808000\">Conservat\u00f3rio Pernambucano de M\u00fasica<\/span><\/strong>, at\u00e9 optar por aprender a tocar um instrumento. Mas porque a escolha pelo piano? <em>N\u00e3o sei. Talvez porque fosse bonito, porque fosse preto, com v\u00e1rias teclas. Foi uma decis\u00e3o bem infantil<\/em>. Como n\u00e3o tinha piano em casa, usava o do col\u00e9gio para se exercitar.<\/p>\n<p>Tomando gosto pelo instrumento, aos 16 anos, ele gravou a DVD-demo <strong><span style=\"color: #ff6600\">Variando<\/span><\/strong> no Sal\u00e3o Nobre do Teatro Santa Isabel em Recife, que chamou a aten\u00e7\u00e3o pela t\u00e9cnica e pela pol\u00eamica envolvendo a interpreta\u00e7\u00e3o de <strong><em>Frevo<\/em><\/strong>, de <strong><span style=\"color: #333399\">Marlos Nobre<\/span><\/strong>. O n\u00famero, escolhido para encerrar a apresenta\u00e7\u00e3o, vinha repleto de improvisos, unindo o erudito e o popular, do jeito que <strong><span style=\"color: #ff0000\">Vitor<\/span><\/strong> gosta. O autor considerou aquilo uma ofensa, um deboche, como se o pianista quisesse melhorar a composi\u00e7\u00e3o e at\u00e9 o amea\u00e7ou de processo. <em>N\u00e3o fazia ideia de que a caretice das pessoas levaria a tanto. Achei isso t\u00e3o burocr\u00e1tico e t\u00e3o pouco art\u00edstico. Fiz por que achava massa. Foi uma coisa espont\u00e2nea<\/em>. Para resolver a quest\u00e3o, Vitor substituiu a pe\u00e7a de Marlos por uma de <strong><span style=\"color: #ff9900\">Cl\u00e1udio Santoro<\/span><\/strong>. A nova escolha, Vitor explica: Marlos e Cl\u00e1udio n\u00e3o se davam bem.<\/p>\n<p>\u00a0[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=b_4xLLRkjUw[\/youtube]\n<p>F\u00e3 de artistas t\u00e3o d\u00edspares quanto <strong><span style=\"color: #0000ff\">Momboj\u00f3<\/span><\/strong> e <strong><span style=\"color: #008000\">Villa-Lobos<\/span><\/strong>, passando por standards do jazz como <span style=\"color: #ff00ff\"><strong>Miles Davis<\/strong> <\/span>e <strong><span style=\"color: #ff9900\">John Coltrane<\/span><\/strong>, <strong><span style=\"color: #ff0000\">Vitor Ara\u00fajo<\/span><\/strong> guia sua m\u00fasica por uma trilha entre o erudito do conservat\u00f3rio e o popular, da\u00ed ele se definir como um <em>m\u00fasico erudito de rua<\/em>. Esse estilo o faz receber convites curiosos, como aconteceu em 2008 quando foi chamado para participar do festival Abril pro Rock, em Recife. Seu piano solo tocou entre os shows de <span style=\"color: #800000\"><strong>Wander Wildner<\/strong> <\/span>e <strong><span style=\"color: #666699\">Lob\u00e3o<\/span><\/strong>. <em>Foi uma das coisas mais loucas da minha vida. Me fez sentir um pouco revolucion\u00e1rio. Sa\u00ed do palco tremendo, com medo das pessoas me mandarem embora<\/em>. Mas, e o resultado? <em>Todo mundo achou muito legal. Imagine umas seis mil pessoas em p\u00e9, tomando cerveja e pedindo sil\u00eancio pra ouvir<\/em>. Tamb\u00e9m dessa mistura, saiu a banda <strong><span style=\"color: #99cc00\">Seu Chico<\/span><\/strong>, com repert\u00f3rio dedicado \u00e0 obra de <strong><span style=\"color: #339966\">Chico Buarque<\/span><\/strong>. Com acento pop, a banda formada por percuss\u00e3o, piano el\u00e9trico, voz e dois viol\u00f5es de sete cordas j\u00e1 se prepara para estrear em DVD.<\/p>\n<p>Em Fortaleza, Vitor apresenta seu novo concerto, <strong>Ang\u00fastia ou Paix\u00e3o e F\u00faria<\/strong>. Trata-se da primeira parte de uma trilogia que vai seguir com <strong><span style=\"color: #333333\">A inf\u00e2ncia<\/span><\/strong> e <strong><span style=\"color: #808080\">O orgasmo<\/span><\/strong>. <em>\u00c9 uma mistura entre concerto e mon\u00f3logo. Com v\u00e1rias m\u00fasicas pr\u00f3prias e interpreta\u00e7\u00f5es que ilustram como a paix\u00e3o pode catalisar esses sentimentos de f\u00faria. Preferi come\u00e7ar falando sobre a coisa ruim, da explos\u00e3o, da raiva, do \u00f3dio. No segundo, da do\u00e7ura da inoc\u00eancia e, no terceiro, do hedonismo. \u00c9 bem complicado, bem lombroso. O pessoal jovem vai gostar<\/em>, explica ele que ainda vai incluir <strong><em>Paranoid Android<\/em>, <\/strong>do Radiohead, e <strong><em>Toc<\/em><\/strong>, de Tom Z\u00e9, ambas do seu DVD de estreia, <strong><span style=\"color: #ff6600\">Toc ao Vivo no Teatro de Santa Isabel<\/span><\/strong> (Deckdisc, 2008).<\/p>\n<p><strong>Por <a rel=\"attachment wp-att-1443\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/erudito-de-rua\/foto-beto-figueiroadata25-03-2010ass-pianista-vitor-araujo-3\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1443\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/09\/Foto_BetoFigueiroa_DivulgacaoVitorAraujo_008-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a>do Som<\/strong><\/p>\n<p>O projeto Por do Som de Recitais Did\u00e1ticos faz parte do Programa de Educa\u00e7\u00e3o Tutorial (PET) do Curso de Educa\u00e7\u00e3o Musical da Universidade Federal do Cear\u00e1. Realizado a cada 15 dias no Bosque Moreira Campos do Campus do Benfica, o projeto procura estimular o conhecimento e a forma\u00e7\u00e3o de plateia, tanto dentro da comunidade acad\u00eamica quanto das escolas p\u00fablicas. Para isso, foram convidados para esta edi\u00e7\u00e3o 50 alunos, entre 14 e 18 anos, da Escola Municipal Iracema, de Messejana. Formado por estes alunos, o show de abertura fica com os <strong><span style=\"color: #ff0000\">Acad\u00eamicos da Casa Caiada<\/span><\/strong>. A proposta \u00e9 que cada convidado, al\u00e9m de apresentar seu show, fale sobre forma\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia e seu instrumento. Pelo Por do Som, j\u00e1 passaram, entre outros, Manasses, Marcelo Leite, Carlinhos Cris\u00f3stomo e a dupla Finl\u00e2ndia. Para as pr\u00f3ximas semanas, est\u00e3o programadas apresenta\u00e7\u00f5es de Marco T\u00falio, Carlinhos Patriolino e Cain\u00e3 Cavalcante, no dia 24, e Marimbanda, dia 12 de novembro.<\/p>\n<p>Para <strong><span style=\"color: #ff0000\">Vitor<\/span><\/strong>, a iniciativa do projeto \u00e9 v\u00e1lida por aproximar o p\u00fablico da linguagem erudita. <em>A m\u00fasica erudita ainda \u00e9 muito ligada \u00e0 classe, ao dinheiro. A linguagem \u00e9 pra gente rica, a est\u00e9tica, at\u00e9 o lugar em que ela toca. Alguns vanguardistas, como o <span style=\"color: #000000\">Arthur Moreira Lima<\/span>, fazem shows em caminh\u00e3o. Ta caminhando. A coisa s\u00f3 muda quando vem de uma naturalidade art\u00edstica. Tem que sair dessa linguagem de aristocracia, lembrar que n\u00e3o estamos mais no s\u00e9culo XV<\/em>. E qual a expectativa para esta apresenta\u00e7\u00e3o? <em>Eu nunca sei como a plateia vai reagir. Mas o concerto \u00e9 t\u00e3o diferente que, queira ou n\u00e3o, as pessoas v\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o. Acho muito dif\u00edcil as pessoas n\u00e3o pararem para observar<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transgress\u00e3o parece ser a palavra que guia o trabalho e a vida de Vitor Ara\u00fajo. 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