{"id":14631,"date":"2017-04-04T16:56:21","date_gmt":"2017-04-04T19:56:21","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=14631"},"modified":"2017-04-04T16:56:21","modified_gmt":"2017-04-04T19:56:21","slug":"rita-lee-perde-boa-chance-de-contar-sua-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2017\/04\/04\/rita-lee-perde-boa-chance-de-contar-sua-historia\/","title":{"rendered":"Rita Lee perde boa chance de contar sua hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-14641\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/03\/2c2c7bc2-6ed9-4e64-a0af-99283d120be4_ritaleeautobiografiacapalivro-624x897.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"897\" \/>Goste voc\u00ea ou n\u00e3o, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Rita Lee<\/strong> <\/span>faz parte da hist\u00f3ria da cultura pop brasileira. Mais ainda, ela \u00e9 um important\u00edssimo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria musical e at\u00e9 n\u00e3o musical do Pa\u00eds. Desde que integrou o trio paulista Os Mutantes, essa hoje senhora de 69\u00a0anos foi pioneira e protagonista em muitos assuntos. O rock \u00e9 s\u00f3 um deles.<\/p>\n<p><!--more-->Esse primeiro par\u00e1grafo n\u00e3o \u00e9 exagero. Basta conhecer a hist\u00f3ria da cantora e compositora, e interpret\u00e1-la sem preconceitos, para perceber que<strong><span style=\"color: #0000ff\"> Rita Lee<\/span> <\/strong>soube como poucos usar uma intelig\u00eancia pra l\u00e1 de refinada para criar produtos aparentemente simples e palat\u00e1veis, mas embutidos com\u00a0muita coragem, pioneirismo e perspic\u00e1cia.<\/p>\n<p>Por isso saber que a roqueira, hoje aposentada, iria escrever uma autobiografia foi\u00a0algo capaz de gerar muita celeuma. <strong><span style=\"color: #0000ff\">Rita Lee<\/span><\/strong> viveu momentos marcantes da hist\u00f3ria da MPB, como os festivais de m\u00fasica, a Tropic\u00e1lia, contracultura, o primeiro Rock In Rio, a explos\u00e3o dos sintetizadores, a ditadura militar, etc, etc e etc.<\/p>\n<p>No entanto, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Uma Biografia<\/strong><\/span>, como foi batizada a publica\u00e7\u00e3o da Globo Livros, tangencia esses assuntos tornando todos eles bem menores do que de fato foram. Tudo soa como algo corriqueiro, como obra do acaso, sem muita import\u00e2ncia. Talvez o encontro com Gilberto Gil e Caetano Veloso, e a cria\u00e7\u00e3o do tropicalismo tenha merecido mais aten\u00e7\u00e3o, mas nem de longe traz uma vis\u00e3o nova, aprofundada ou al\u00e9m do que que j\u00e1 se sabe. Na verdade, o livro \u00e9 um apanhado de &#8220;mais do mesmo&#8221; escritos de pr\u00f3prio punho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-14642\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/04\/935aedad-9450-4402-aa4e-f903903e5783_ritaleecontracapafotoguilhermesamoraglobolivros-300x393.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"393\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/04\/935aedad-9450-4402-aa4e-f903903e5783_ritaleecontracapafotoguilhermesamoraglobolivros-300x393.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/04\/935aedad-9450-4402-aa4e-f903903e5783_ritaleecontracapafotoguilhermesamoraglobolivros-120x157.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/04\/935aedad-9450-4402-aa4e-f903903e5783_ritaleecontracapafotoguilhermesamoraglobolivros.jpg 345w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Terminei de ler a autobiografia h\u00e1 poucos dias e posso garantir que dei boas risadas ao longo das poucas mais de 290 p\u00e1ginas. Sim, <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Rita Lee<\/strong><\/span> usa todo o seu bom humor, sarcasmo, um muito de cinismo para contar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Ou, melhor dizendo, aquilo que ela quer que seja a hist\u00f3ria oficial. Tudo que n\u00e3o \u00e9 o que ela diz ou que jornalistas, cr\u00edticos e historiadores disseram, inclusive, \u00e9 tratado como mentira e n\u00e3o mais que isso.<\/p>\n<p>Sendo um f\u00e3 de longa data de Santa Rita de Sampa, n\u00e3o quis alimentar falsas expectativas para o livro, nem mesmo esperei sinceridade. Esperei mesmo o que recebi, um texto bem humorado, mas que iria deixar de lado o supra sumo, o ineditismo sobre a vida da maior estrela pop brasileira. Ela mesma faz quest\u00e3o de dizer, em v\u00e1rios momentos, que n\u00e3o \u00e9 boa de datas e que algumas passagens podem n\u00e3o estar de acordo com o calend\u00e1rio. Para compensar essas aus\u00eancia de mem\u00f3ria, ela convidou o jornalista Guilherme Samora. Ele assume o papel de Phanton, um fantasminha camarada que aparece quando quer para ajustar alguma informa\u00e7\u00e3o e elevar a autoestima da autora.<\/p>\n<p>Sim, por que <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Rita Lee<\/strong> <\/span>dedica boa parte de <strong><span style=\"color: #ff0000\">Uma\u00a0Autobiografia<\/span><\/strong> a fazer de conta que n\u00e3o sabe da pr\u00f3pria import\u00e2ncia. Brinca com a pr\u00f3pria voz (que \u00e9 \u00f3tima. Afinada, original e ideal\u00a0para o tipo de rock carnavalesco\u00a0que ela mesmo moldou) e fala mais sobre seus bichos de estima\u00e7\u00e3o do que, por exemplo, sobre a vida ao lado dos geniais Mutantes. E, pessoas como eu, que valorizam a hist\u00f3ria da banda que revolucionou o rock que se faz no mundo, acabam sendo tratados como mero saudosistas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 bem por a\u00ed, cara <strong><span style=\"color: #0000ff\">Rita<\/span><\/strong>. A sa\u00edda da vocalista, em meio a uma decis\u00e3o isolada e que ela s\u00f3 soube ao chegar para um ensaio, foi algo digno das piores sacanagens e injusti\u00e7as do mundo da m\u00fasica. No entanto, passados tantos anos, a cantora ainda n\u00e3o se sentiu \u00e0 vontade para exorcizar o pr\u00f3prio trauma e analisar o legado da banda que ainda chama a aten\u00e7\u00e3o de novos p\u00fablicos, mesmo estando anos luz do seu auge criativo.<\/p>\n<p>Nem mesmo a frut\u00edfera parceria com Roberto de Carvalho, que rendeu tr\u00eas filhos e pencas de sucessos, tem uma autoan\u00e1lise aprofundada. E os cr\u00edticos de m\u00fasica, esses malditos humanos que insistem em vasculhar documentos que comprovem suas verdade, s\u00e3o execrados sempre que poss\u00edvel. Ritinha preferiu um relato baseado numa mem\u00f3ria que ela mesma assume como falha para escrever aquilo que ela acha que \u00e9 sua biografia definitiva.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, a alardeada pol\u00eamica do show em Sergipe &#8211; que terminou com a cantora\u00a0levada \u00e0 delegacia por criticar uma a\u00e7\u00e3o policial que buscava usu\u00e1rios de drogas &#8211; <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Rita Lee<\/strong> <\/span>tratou da seguinte forma: reclamou que ningu\u00e9m quis ouvir sua vers\u00e3o, escreveu no livro, mas publicou com tudo riscado por que n\u00e3o est\u00e1 autorizada a falar sobre o assunto. Claro que existe uma boa dose de sensacionalismo nessa atitude. Sobre ningu\u00e9m ouvir sua vers\u00e3o, ela esquece que conseguir uma entrevista com a Rainha do Rock n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil &#8211; sempre por email e com respostas muitas vezes evasivas. E, claro, ningu\u00e9m duvida que logo vir\u00e1 uma vers\u00e3o atualizada de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Rita Lee, Uma Autobiografia<\/strong><\/span>, dessa vez com sua vers\u00e3o da hist\u00f3ria liberada.<\/p>\n<p>A\u00a0personagem colorida, bem humorada e extremamente criativa criada por <strong><span style=\"color: #0000ff\">Rita Lee<\/span><\/strong>\u00a0para subir aos palcos \u00e9 uma mistura de Dom Quixote com Chapolim Colorado, Mick Jagger, Carlitos e mais alguns \u00edcones da divers\u00e3o inteligente. No entanto, em muitos momentos ela usa esse personagem para fugir daquilo que d\u00f3i. At\u00e9 mesmo o epis\u00f3dio de uma agress\u00e3o sexual sofrida por ela na inf\u00e2ncia \u00e9 tratado em poucas linhas e nenhuma que diga as consequ\u00eancias desse trauma. Pode ser at\u00e9 que\u00a0ela acredite tanto nesse personagem que n\u00e3o sabe mais se separar dele para viver o mundo real.<\/p>\n<p>A quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do ideal, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Rita Lee, Uma Autobiografia<\/strong><\/span> \u00e9 uma leitura divertida. As g\u00edrias, figuras de linguagem, refer\u00eancias e muitas fotografias v\u00e3o garantir momentos de leveza e at\u00e9 convencer alguns f\u00e3s de que t\u00eam em m\u00e3os uma hist\u00f3ria importante. Sim, a hist\u00f3ria de <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Rita Lee<\/strong><\/span> \u00e9 muita importante, mas ainda n\u00e3o foi contada como deveria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Goste voc\u00ea ou n\u00e3o, Rita Lee faz parte da hist\u00f3ria da cultura pop brasileira. 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