{"id":14694,"date":"2017-06-09T13:18:26","date_gmt":"2017-06-09T16:18:26","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=14694"},"modified":"2017-06-09T13:18:26","modified_gmt":"2017-06-09T16:18:26","slug":"um-resenha-atrasada-para-os-secos-molhados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2017\/06\/09\/um-resenha-atrasada-para-os-secos-molhados\/","title":{"rendered":"Um resenha atrasada para os Secos &amp; Molhados"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-14742\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/05\/meteorico-fenomeno-capa-ary-final-foto-flat-curvas-624x803.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"803\" \/>H\u00e1 tempos recebi uma c\u00f3pia de <span style=\"color: #008000\"><strong>Mete\u00f3rico Fen\u00f4meno<\/strong><\/span>, livro de textos e fotos organizado por Gerson Conrad. Este m\u00fasico paulistano, pra quem n\u00e3o conhece, \u00e9 uma das cabe\u00e7as que liderou um dos maiores espet\u00e1culos brasileiros, a banda Secos &amp; Molhados. Foram apenas dois discos &#8211; 1973 e 1974 &#8211; a artilharia necess\u00e1ria para que o trio tatuasse de vez sua proposta na hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira. Com a voz de Ney Matogrosso \u00e0 frente das ideias vanguardistas de Jo\u00e3o Ricardo e o meio de campo musical de Gerson, o grupo de carreira ef\u00eamera tornou-se n\u00e3o menos que um mete\u00f3rico fen\u00f4meno.<!--more--><\/p>\n<p>Pode-se medir o sucesso do trio pelas milh\u00f5es de c\u00f3pias de discos que eles venderam em t\u00e3o pouco tempo ou at\u00e9 pelo fato da gravadora ter de derreter o estoque de\u00a0LPs para suprir uma crise de vinil (mat\u00e9ria prima do LP) que assolava o mercado na \u00e9poca. O fato \u00e9 que muito h\u00e1 por ser dito ainda sobre o Secos &amp; Molhados, mas o livro escrito pelo violonista faz pouco pra preencher essa lacuna.<\/p>\n<p>Boa vontade existe. Ele abre o ba\u00fa de velhas fotos e escreve textos que tentam ser pessoais, mas avan\u00e7am muito pouco al\u00e9m do que j\u00e1 se conhece sobre\u00a0a banda. As fotos s\u00e3o trabalhadas para parecerem pintura, o que acabou por tirar a plasticidade e o colorido de um grupo de artistas que deve muito da sua empatia com o p\u00fablico \u00e0s maquiagens e figurinos inclassific\u00e1veis que usavam no palco.<\/p>\n<p>Pra piorar, o eterno equivocado Jo\u00e3o Ricardo proibiu que sua imagem aparecesse no livro. Numa atitude ignorante em rela\u00e7\u00e3o ao seu papel como artista, o mentor dos Secos &amp; Molhados prefere uma eterna briga com os ex-colegas a ver sua obra realmente valorizada como deveria. A prop\u00f3sito, algo muito semelhante ao que outras figuras v\u00eam fazendo por\u00a0n\u00e3o saberem administrar a obra que herdam. Bigha Maia, esposa do compositor Petr\u00facio Maia, por exemplo, sentou sobre a obra do marido e n\u00e3o permite que ningu\u00e9m grave ou fale dele. Mal sabe ela que acabou se tornando a maior respons\u00e1vel pelo completo desconhecimento sobre a obra do compositor de <em>Dorothy L&#8217;amour<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que os Secos &amp; Molhados n\u00e3o foram de todo esquecidos. Ney Matogrosso segue como um \u00a0dos maiores artistas do mundo (sem exageros) e sempre inclui algo do trio em seus shows. Jo\u00e3o Ricardo faz que n\u00e3o gosta do ex-parceiro, mas deve gostar de saber que \u00e9 o desafeto quem mant\u00e9m sua obra viva. O <span style=\"color: #008000\"><strong>Mete\u00f3rico Fen\u00f4meno<\/strong><\/span> poderia ser um outro esfor\u00e7o por esse legado, uma vez que seria o primeiro registro em livro feito por um membro da banda. Mas ele passa ao largo de qualquer empolga\u00e7\u00e3o. Num esfor\u00e7o de explicar o ambiente cultural em que a banda surge, ele at\u00e9 explica quem \u00e9 Chacrinha.<\/p>\n<p>Quando <span style=\"color: #008000\"><strong>Mete\u00f3rico Fen\u00f4meno<\/strong><\/span> foi lan\u00e7ado, a lei que permitiu a libera\u00e7\u00e3o da biografias n\u00e3o autorizadas ainda n\u00e3o tinha sido aprovada. Agora foi, o que nos faz sonhar com uma reedi\u00e7\u00e3o falando de mais hist\u00f3rias, sobre a constru\u00e7\u00e3o dos personagens, figurinos e maquiagens. Sobre as influ\u00eancias da arte kabuki, sobre as grava\u00e7\u00f5es, drogas e uma an\u00e1lise depois de tantas d\u00e9cadas. Os discos foram relan\u00e7ados em CD neste mil\u00eanio e gerou uma aproxima\u00e7\u00e3o como uma nova gera\u00e7\u00e3o consumidora de m\u00fasica. Eis um tema para bacana para uma futura edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 tempos recebi uma c\u00f3pia de Mete\u00f3rico Fen\u00f4meno, livro de textos e fotos organizado por Gerson Conrad. 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