{"id":15050,"date":"2017-11-06T18:09:43","date_gmt":"2017-11-06T21:09:43","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=15050"},"modified":"2017-11-06T18:09:43","modified_gmt":"2017-11-06T21:09:43","slug":"gilberto-gil-recebe-aquele-abraco-de-volta-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2017\/11\/06\/gilberto-gil-recebe-aquele-abraco-de-volta-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Gilberto Gil recebe aquele abra\u00e7o de volta ao Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-15051\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/11\/Box-GILBERTO-GIL-anos-70-perspectiva-624x624.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"624\" \/>\u201cVou cantar a \u00faltima m\u00fasica que eu fiz. Fiz aqui j\u00e1 no Brasil, gra\u00e7as a deus\u201d. \u00c9 com essa frase que <span style=\"color: #800000\"><strong>Gilberto Gil<\/strong><\/span> abre o show <strong>Em Concerto<\/strong>, realizado em 12 de mar\u00e7o de 1972. Em seguida ele ataca com o viol\u00e3o suingado de <em><strong>Back In Bahia<\/strong><\/em>, faixa alegre que fala da saudade que ele sentia do Brasil ap\u00f3s quase tr\u00eas anos de ex\u00edlio em Londres. A experi\u00eancia do compositor na terra da rainha foi d\u00fabia. Expulso de sua terra por complica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, ele viveu todas as sensa\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de quem tem algo muito importante roubado. Pra compensar essa falta de calor, sol e mar, o baiano caiu de boca nos festivais europeus e viveu o auge do rock psicod\u00e9lico in loco.<!--more--><\/p>\n<p>Reunindo a alegria da volta com a experi\u00eancia de quem viu lendas da m\u00fasica tocando ao vivo, <span style=\"color: #800000\"><strong>Gilberto Gil<\/strong><\/span> reuniu uma banda de virtuoses nacionais e engatou a turn\u00ea <strong>Em Concerto<\/strong>, cujos registros chegam agora em CD. Abrindo o box <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Anos 70<\/strong><\/span>, lan\u00e7ado pela Discobertas, o \u00e1udio rebatizado como <strong>Back In Bahia<\/strong>, exibe um compositor com fome de m\u00fasica, improvisando e recriando sobre can\u00e7\u00f5es j\u00e1 conhecidas. \u00c9 o caso de <em><strong>Aquele Abra\u00e7o<\/strong><\/em>, despedida p\u00fablica que ficou famosa pelo ritmo alegre. Naquele show de 1972, ela foi despida da batida de samba para ganhar uma malemol\u00eancia black, cheia de nuances jazz\u00edsticas que se estendem por mais de 18 minutos. Costurando essa viagem sonora, est\u00e3o mestres o baterista Tutty Moreno e o guitarrista Lanny Gordin.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de <strong>Back in Bahia<\/strong>, o box <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Anos 70<\/strong><\/span> traz outros dois registros \u2013 todos em discos duplos \u2013 que mostram um <span style=\"color: #800000\"><strong>Gilberto Gil<\/strong><\/span> livre de corpo e alma pra criar sem amarras est\u00e9ticas ou conceituais. \u00c9 o caso de <strong>Umeboshi<\/strong>, gravado durante uma temporada no Teatro Opini\u00e3o (RJ), em 1973. Ap\u00f3s o lan\u00e7amento do disco <strong>Expresso 2222<\/strong> e com alguns sucessos na m\u00e3o, como <em><strong>Eu S\u00f3 Quero um Xod\u00f3<\/strong><\/em>, era comum os shows durarem tr\u00eas ou quatro horas. Sozinho ao viol\u00e3o ou com banda, cada m\u00fasica se torna uma obra aberta onde os m\u00fasicos podem jogar a cor que quiser, ali na hora. Com 12 minutos em clima de entrega espiritual, <em><strong>Ians\u00e3<\/strong> <\/em>\u00e9 um bom exemplo dessa viagem sonora.<\/p>\n<div id=\"attachment_15052\" style=\"width: 634px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-15052\" class=\"size-large wp-image-15052\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/11\/IMG_7723-Editado-624x449.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"449\" \/><p id=\"caption-attachment-15052\" class=\"wp-caption-text\">Gilberto Gil entre Marcelo Fr\u00f3es (DIscobertas) e Bem Gil<\/p><\/div>\n<p>\u201cA pr\u00f3xima m\u00fasica chama-se <em><strong>Duplo Sentido<\/strong><\/em> e, num certo sentido, se parece com Roberto Carlos\u201d, comenta <span style=\"color: #800000\"><strong>Gil<\/strong> <\/span>sobre a faixa rara apresentada em <strong>Umeboshi<\/strong>. Com influ\u00eancia explicita de Jards Macal\u00e9 \u2013 tanto que ele cita <em>Movimento dos Barcos<\/em> \u2013 na letra e na melodia, <span style=\"color: #800000\"><strong>Gil<\/strong> <\/span>explica que a can\u00e7\u00e3o gerou uma discuss\u00e3o na banda que n\u00e3o sabia era ou n\u00e3o um bolero. Arrastada por 12 minutos de um ritmo quase inclassific\u00e1vel, a can\u00e7\u00e3o emoldura bem uma letra que fala de solid\u00e3o, desconforto, nostalgia e conflitos numa cidade grande imersa em um pa\u00eds imerso em um turbilh\u00e3o pol\u00edtico.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, \u00e9 esse turbilh\u00e3o pol\u00edtico que (des)guiava o Brasil no in\u00edcio dos anos 1970 que faz do terceiro disco do box um registro hist\u00f3rico para al\u00e9m da m\u00fasica. Convidado por alunos da USP para uma apresenta\u00e7\u00e3o no campus, ele tocou por mais de tr\u00eas horas em uma sala de aula. Ter um dos mais importantes artistas do planeta sentado num banquinho, de viol\u00e3o em punho, tocando suas composi\u00e7\u00f5es e alguns sambas de seu apre\u00e7o j\u00e1 seria suficiente para fazer daquele encontro algo importante. Mas alguns elementos que corriam em paralelo temperaram aquele momento.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000\"><strong>Gil<\/strong><\/span>, um ex-exilado, estava ali quando os alunos da USP buscavam por respostas sobre a morte do estudante Alexandre Vannucchi Leme, encontrado morto, aos 22 anos, numa cela do Doi-Codi. Pra esquentar mais a situa\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio daquele maio de 1973, durante uma participa\u00e7\u00e3o no festival Phono 73, <span style=\"color: #800000\"><strong>Gil<\/strong> <\/span>e Chico Buarque viram seus microfones serem cortados enquanto cantavam a rec\u00e9m criada <em><strong>C\u00e1lice<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>E, claro, diante daquela juventude politizada, toda a plateia pediu que ele cantasse a letra censurada. Registrado nos \u00e1udios, <span style=\"color: #800000\"><strong>Gilberto Gil<\/strong><\/span> protagoniza uma cena que balan\u00e7a entre a tens\u00e3o e a com\u00e9dia. \u201c\u00c9 que tem uma parte da letra, que \u00e9 do Chico, que eu n\u00e3o lembro. Que n\u00e3o cheguei nem a aprender\u201d, explica ele, antes de receber um papel com a letra completa. Em outros momentos, o p\u00fablico pede outras m\u00fasicas, inclusive para um replay de <em><strong>C\u00e1lice<\/strong><\/em>, mas o convidado est\u00e1 na fissura de mostrar novidades. \u00c9 o caso de <em><strong>Oriente<\/strong><\/em>, uma das preferidas dele no per\u00edodo. Ou ainda relembrar sambas curiosos, como <em><strong>Minha Nega na Janela<\/strong><\/em> (Germano Mathias e Doca), que trata de preconceito racial e viol\u00eancia contra mulher com a mesma delicadeza de uma crian\u00e7a brincando com uma metralhadora.<\/p>\n<p>Ao final da maratona de 410 minutos de m\u00fasica, o box <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Anos 70<\/strong><\/span> constata muito do que se sabe sobre<span style=\"color: #800000\"><strong> Gilberto Gil<\/strong><\/span>. Seu talento como m\u00fasico, cantor e compositor e a naturalidade que ele transparece ao compor m\u00fasicas que tratam pol\u00edtica, existencialismo e filosofia com extremo didatismo. A novidade fica para as performances arrojadas, que variam do rock ao free jazz, passando pelo samba, a bossa e ritmos nordestinos. Sem a preocupa\u00e7\u00e3o com tempo e outras amarras radiof\u00f4nicas, cada m\u00fasica pode durar o tempo que pedir para durar. E, se a festa tiver boa e a mensagem captada pela plateia, ele ainda pode esticar um pouco mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVou cantar a \u00faltima m\u00fasica que eu fiz. 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