{"id":17693,"date":"2017-12-27T16:54:18","date_gmt":"2017-12-27T18:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=17693"},"modified":"2017-12-27T17:04:13","modified_gmt":"2017-12-27T19:04:13","slug":"nacao-zumbi-monta-playlist-intima-em-disco-de-versoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2017\/12\/27\/nacao-zumbi-monta-playlist-intima-em-disco-de-versoes\/","title":{"rendered":"Na\u00e7\u00e3o Zumbi monta playlist \u00edntima em disco de vers\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17694\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/capa-RADIOLA-NZ-740x740.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"740\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/capa-RADIOLA-NZ-740x740.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/capa-RADIOLA-NZ-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/capa-RADIOLA-NZ-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/capa-RADIOLA-NZ-768x768.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/capa-RADIOLA-NZ-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/capa-RADIOLA-NZ.jpg 1280w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p>Nos anos 1960 e 70, a proposta do rock nacional era experimentar e se aproximar da MPB numa fus\u00e3o quase perfeita, que n\u00e3o sa\u00eda do underground. Nos 1980, a turma das guitarras alcan\u00e7ou o mainstream e tocou \u00e0 exaust\u00e3o hits que poderiam ser divididos em quatro ou cinco f\u00f3rmulas. Nos 1990, o volume de f\u00f3rmulas se expandiu, ficou mais brasileiro e tornou-se comum tratar o estilo como \u201cpop rock\u201d, heresia para uns, mas um facilitador na hora de categorizar nomes Pato Fu, Los Hermanos ou O Rappa.<!--more--><\/p>\n<p>Em meio \u00e0quele turbilh\u00e3o de ecletismo, a <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Na\u00e7\u00e3o Zumbi<\/strong><\/span> precisou de um nome muito particular para \u201cexplicar\u201d o som que fazia junto com outras bandas de Recife. Esse som ficou conhecido como manguebeat, uma mistura de maracatu com rock, metal, funk, samba e muita percuss\u00e3o. Mais que a mistura pela mistura, esse som tinha personalidade pr\u00f3pria e, 20 anos depois, mesmo com as mudan\u00e7as naturais do tempo, se mant\u00e9m vivo. \u00c9 essa pulsa\u00e7\u00e3o do manguebeat o grande destaque de <span style=\"color: #800080\"><strong>Radiola NZ Vol.1<\/strong><\/span>.<\/p>\n<p>O nono disco da <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Na\u00e7\u00e3o<\/strong> <\/span>em 23 anos de carreira fonogr\u00e1fica \u00e9 o segundo trabalho em que trabalham como int\u00e9rpretes. O primeiro foi <strong>Mundo livre S\/A vs. Na\u00e7\u00e3o Zumbi<\/strong> (2013), projeto de curta dura\u00e7\u00e3o da Deck Discos que convidava duas bandas para trocarem seus repert\u00f3rios. Fora isso, o n\u00facleo duro da banda \u2013 Jorge Du Peixe (voz), L\u00facio Maia (guitarra), Dengue (baixo) e Pupillo (bateria) \u2013 mant\u00e9m em paralelo o projeto Los Sebozos Postizos, somente com can\u00e7\u00f5es de Jorge Ben. Em <span style=\"color: #800080\"><strong>Radiola NZ<\/strong><\/span>, esse espectro cresce e ganha outros significados. S\u00e3o nove faixas que o quinteto pernambucano preenche com sua personalidade sonora \u2013 can\u00e7\u00f5es que passam por cl\u00e1ssicos do soul, MPB e rock gringo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ney Matogrosso e Na\u00e7\u00e3o Zumbi: Amor (Secos &amp; Molhados)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ISpRSLfvaAM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O passeio que <span style=\"color: #800080\"><strong>Radiola NZ<\/strong><\/span> faz pela m\u00fasica pop tem justas homenagens, redescobertas recentes e escolhas surpreendentes. Em todas, a for\u00e7a da pancada dos tambores da <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Na\u00e7\u00e3o<\/strong> <\/span>crispada pela guitarra furiosa de L\u00facio Maia. \u00c9 esse peso que rejuvenesce <em><strong>Amor<\/strong><\/em>, faixa do antol\u00f3gico disco de estreia do Secos &amp; Molhados. Com a participa\u00e7\u00e3o de Ney Matogrosso nos vocais, a faixa foi lan\u00e7ada como single e at\u00e9 ajudou a reunir a banda pernambucana com o cantor sul-mato-grossense num show do \u00faltimo Rock In Rio.<\/p>\n<p>Outro single de <span style=\"color: #800080\"><strong>Radiola NZ<\/strong> <\/span>\u00e9 <em><strong>Refazenda<\/strong><\/em>, ponto alto da obra de Gilberto Gil. O baiano j\u00e1 \u00e9 pr\u00f3ximo da <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Na\u00e7\u00e3o Zumbi<\/strong><\/span> h\u00e1 bastante tempo, tendo inclusive participado do disco <strong>Afrociberdelia<\/strong> (1996) e dividido o palco com Chico Science (1966 \u2013 1997) algumas vezes. Para essa justa homenagem (gravada em Fortaleza, a prop\u00f3sito), o maestro Lettieres Leite foi convidado para escrever o arranjo de sopros \u2013 executado pela sua orquestra Rumpilezz \u2013 que costura um sem n\u00famero de influ\u00eancias nordestinas.<\/p>\n<p>Entre as regrava\u00e7\u00f5es menos surpreendentes est\u00e3o <em><strong>N\u00e3o H\u00e1 Dinheiro que Pague<\/strong><\/em> e <em><strong>Dois Animais na Selva Suja da Rua<\/strong><\/em>. A primeira, de Renato Barros e popularizada por Roberto Carlos, j\u00e1 teve in\u00fameras grava\u00e7\u00f5es e tornou-se obrigat\u00f3ria nas muitas homenagens ao Rei. Ela faz lembrar a vers\u00e3o que a <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Na\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span> fez para <em>Todos Est\u00e3o Surdos<\/em> (1994), mas o arranjo indie minimalista n\u00e3o garante o mesmo impacto. A segunda, de Taiguara, ganhou no f\u00f4lego com a recente redescoberta do \u00e1lbum <em><strong>Carlos, Erasmo<\/strong><\/em> (1971). Com a voz reta de Jorge Du Peixe e um instrumental comportado, a vers\u00e3o deixa a desejar entre outras melhores lustradas.<\/p>\n<div id=\"attachment_17695\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17695\" class=\"size-medium wp-image-17695\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/Na\u00e7\u00e3o-Zumbi-1-cr\u00e9dito-Dovil\u00e9-Babraviciut\u00e9-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/Na\u00e7\u00e3o-Zumbi-1-cr\u00e9dito-Dovil\u00e9-Babraviciut\u00e9-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/Na\u00e7\u00e3o-Zumbi-1-cr\u00e9dito-Dovil\u00e9-Babraviciut\u00e9-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/Na\u00e7\u00e3o-Zumbi-1-cr\u00e9dito-Dovil\u00e9-Babraviciut\u00e9-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2017\/12\/Na\u00e7\u00e3o-Zumbi-1-cr\u00e9dito-Dovil\u00e9-Babraviciut\u00e9-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-17695\" class=\"wp-caption-text\">A Na\u00e7\u00e3o Zumbi: L\u00facio Maia, Pupillo, Toca Ogan, Jorge Du Peixe e Dengue (Foto: Dovil\u00e9 Babraviciut\u00e9\/ Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>\u00c9 entre essas que se coloca <em><strong>Balan\u00e7o<\/strong><\/em>, faixa desconhecida do quarto \u00e1lbum de Tim Maia (1973). O que era funk vira uma embolada cheia de ritmo, recortada pela motosserra guitarr\u00edstica de L\u00facio Maia. Outra boa sacada \u00e9 <em><strong>Do Nothing<\/strong><\/em>, da banda reggae\/ ska inglesa The Specials. O arranjo oitentista coloca Du Peixe pra cantar com uma do\u00e7ura nunca vista. Essa mesma do\u00e7ura vira mansid\u00e3o lis\u00e9rgica em <em><strong>Tomorrow Never Knows<\/strong><\/em>, um dos grandes momentos dos Beatles que aqui ganha uma vers\u00e3o \u00e0 altura do original com o baixo pulsante de Dengue e L\u00facio Maia se desdobrando em timbres.<\/p>\n<p>No entanto, a grande surpresa de <span style=\"color: #800080\"><strong>Radiola NZ<\/strong><\/span> \u00e9 <em><strong>Sexual Healing<\/strong><\/em>, \u00faltimo grande sucesso do mestre do soul Marvin Gaye (1939 \u2013 1984). Ode ao sexo e ao prazer, a faixa \u00e9 regravada com uma leveza capaz de confundir o ouvinte: \u00e9 mesmo a <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Na\u00e7\u00e3o Zumbi<\/strong> <\/span>tocando? \u00c9, tocando e descobrindo novos lugares para sua m\u00fasica. O mesmo acontece em <em><strong>Ashes to Ashes<\/strong><\/em>, cl\u00e1ssico de David Bowie que traz os pernambucanos cercados por um rock mais quadrado, radiof\u00f4nico e n\u00e3o menos saboroso.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><strong>Radiola NZ Vol. 1<\/strong><\/span> faz uma homenagem \u00e0s muitas can\u00e7\u00f5es que influenciaram os membros da <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Na\u00e7\u00e3o Zumbi<\/strong> <\/span>e tamb\u00e9m traz um pouco da hist\u00f3ria de Jorge Du Peixe, que gostava de gravar fitas com suas m\u00fasicas preferidas. Nesse novo disco, eles pegam essas can\u00e7\u00f5es que os acompanham desde a adolesc\u00eancia e lan\u00e7am um olhar manguebeat, que soa pop e acess\u00edvel como poucas vezes visto na carreira da banda. O \u201cVol. 1\u201d j\u00e1 indica a possibilidade de uma continuidade e faz acreditar que eles gostaram de mexer nessas mem\u00f3rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos anos 1960 e 70, a proposta do rock nacional era experimentar e se aproximar da MPB numa fus\u00e3o quase perfeita, que n\u00e3o sa\u00eda do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":17694,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,282,283,289],"tags":[],"class_list":["post-17693","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-criticas","category-nacao-zumbi","category-nacional","category-ney-matogrosso"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17693"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17693\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17697,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17693\/revisions\/17697"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17694"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}