{"id":17706,"date":"2018-01-03T21:32:57","date_gmt":"2018-01-03T23:32:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=17706"},"modified":"2018-01-04T18:06:41","modified_gmt":"2018-01-04T20:06:41","slug":"ave-sangria-faz-show-no-dragao-do-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/01\/03\/ave-sangria-faz-show-no-dragao-do-mar\/","title":{"rendered":"Ave Sangria faz show no Drag\u00e3o do Mar"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-17707\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/16425805_613327792208107_7704950524258695611_n-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/16425805_613327792208107_7704950524258695611_n-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/16425805_613327792208107_7704950524258695611_n-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/16425805_613327792208107_7704950524258695611_n-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/16425805_613327792208107_7704950524258695611_n-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/16425805_613327792208107_7704950524258695611_n.jpg 960w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p><strong>Por Camila Holanda (camilaholanda@opovo.com.br)<\/strong><\/p>\n<p>A censura da Ditadura Militar brasileira tirou de cena a produ\u00e7\u00e3o da banda <span style=\"color: #003366\"><strong>Ave Sangria<\/strong><\/span>, em meados da d\u00e9cada de 1970. A m\u00fasica <em><strong>Seu Waldir<\/strong><\/em>, conta por telefone o vocalista e letrista do grupo, Marco Polo, foi o estopim para que os m\u00fasicos se separassem. \u00c0 \u00e9poca, criou-se a lenda de que Marco teria composto a m\u00fasica para um homem, dono de um bar em Olinda, com quem teria tido um relacionamento. Tudo inven\u00e7\u00e3o dele, que cantava: \u201cEu trago dentro do peito\/Um cora\u00e7\u00e3o apaixonado\/Batendo pelo senhor\/O senhor tem que dar um jeito\/Se n\u00e3o eu vou cometer um suic\u00eddio\/Nos dentes de um of\u00eddio vou morrer\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o sabe exatamente o que aconteceu, mas havia um jornalista que tinha um programa de televis\u00e3o que tocou essa m\u00fasica\u201d, conta. \u201cDizem que a mulher de um general assistiu ao programa, ficou \u2018p\u00ea da vida\u2019 e pediu para ele tomar uma provid\u00eancia.\u00a0O disco foi proibido e recolhido das lojas. Isto praticamente encerrou nossa carreira\u201d, narra Marco. Depois de 40 anos, em 2014, alguns dos integrantes do Ave Sangria se reuniram novamente e anunciaram retorno aos palcos, seguido do relan\u00e7amento do disco (de 1974) e ainda um novo CD, chamado <em><strong>Perfumes y Barachos<\/strong><\/em>, com o registro do \u00faltimo show com a forma\u00e7\u00e3o original da banda, no Teatro de Santa Isabel, em Recife.<\/p>\n<p>Com o mesmo repert\u00f3rio que consagrou o grupo no movimento udigrudi e algumas in\u00e9ditas, o Ave Sangria desembarca em Fortaleza neste s\u00e1bado, 6, para show gratuito no Anfiteatro do Centro Drag\u00e3o do Mar. E <em><strong>Seu Waldir<\/strong><\/em> estar\u00e1 no repert\u00f3rio. \u201cNa primeira vez que eu cantei, teve amigo que deixou de falar comigo. Eu queria mesmo provocar os machistas\u201d, revela.\u00a0A apresenta\u00e7\u00e3o faz parte do primeiro fim de semana do projeto F\u00e9rias no Drag\u00e3o 2018, que vai se espalhar pelo equipamento cultural durante todo o m\u00eas de janeiro. O show do Ave Sangria ser\u00e1 uma das atra\u00e7\u00f5es da festa chamada Noite Psicodelia do Sert\u00e3o, que ter\u00e1 ainda o grupo de Sobral Trovador Eletr\u00f4nico (tributo a Belchior) e o cratense Abidoral Jamacaru.<\/p>\n<p>Ave Sangria j\u00e1 n\u00e3o conta mais com Ivinho (guitarra), Israel Semente Proibida (bateria) e Agr\u00edcio Noya (percuss\u00e3o), que estavam no disco de 1974, mas \u00e9 um encontro de gera\u00e7\u00f5es. Da forma\u00e7\u00e3o original, est\u00e3o Marco Polo, Almir de Oliveira (viol\u00e3o e voz) e Paulo Rafael (viola e guitarra). Hoje, eles dividem a musicalidade com os jovens Juliano Holanda (baixo), Junior do Jarro (bateria) e Gil\u00fa Amaral (percuss\u00e3o).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Seu Waldir - Ave Sangria\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VEfPhbF1K3Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Junto, o grupo d\u00e1 continuidade ao trabalho que n\u00e3o chegou a estourar no Pa\u00eds, por ter sido um projeto for\u00e7adamente abortado um m\u00eas ap\u00f3s o lan\u00e7amento.\u00a0A banda original vivia em \u00e9poca rachada entre a contracultura e a Ditadura Militar. \u201c\u00c9ramos jovens com cabelos compridos, o que era algo pouco comum. Fomos presos s\u00f3 por causa do cabelo. A popula\u00e7\u00e3o, principalmente, os homens, olhava para a gente de forma agressiva, gritava para a gente na rua. Para os shows, a gente tinha de levar todas as m\u00fasicas para os censores ouvirem antes\u201d, recorda.<\/p>\n<p>A fertilidade da psicodelia nordestina da d\u00e9cada de 1970 foi um cap\u00edtulo importante na discografia brasileira, ao mesmo tempo em que foi um movimento bastante underground. Alceu Valen\u00e7a, Marconi Notaro, Geraldo Azevedo, Lula C\u00f4rtes, Robertinho do Recife, Flaviola e o Bando do Sol, e Z\u00e9 Ramalho s\u00e3o alguns dos representantes deste movimento, batizado de udigrudi. Quando o Ave Sangria foi censurado e impedido de vender discos, alguns dos m\u00fasicos, inclusive, come\u00e7aram a migrar para outras bandas, como a de Alceu (com quem Paulo Rafael toca ainda hoje).<\/p>\n<p><strong>Redescoberta e \u00edcone musical<\/strong><br \/>\nAve Sangria se desmantelou ainda na d\u00e9cada de 1970, mas foi resgatado gra\u00e7as aos canais de streaming da internet, por um p\u00fablico bastante jovem, sendo transformado em \u00edcone musical por volta do ano de 2008. \u201cNos shows, sempre tem uma parte grande do p\u00fablico mais antigo, mas mais da metade do p\u00fablico \u00e9 de gente jovem. Foi gra\u00e7as \u00e0 internet que a banda foi redescoberta e foi por isto que n\u00f3s retornamos, porque a gente descobriu que tinha um p\u00fablico\u201d, celebra Marco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Psicod\u00e1lia 2015 - Ave Sangria - Hei Man\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5npBvM2rmso?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, a banda tem um trabalho que n\u00e3o \u00e9 datado, com letras cr\u00edticas e enigm\u00e1ticas, outras mais pesadas, sempre permeadas por arranjos psicod\u00e9licos entranhados com \u00edcones da m\u00fasica nordestina, como o tri\u00e2ngulo. O sotaque pernambucano de Marco Polo tamb\u00e9m conduz a musicalidade de uma forma \u00fanica. E \u00e9 com este mesmo sotaque que ele manda recado para quem ir\u00e1 assistir ao show desta sexta: \u201cPrepara-se, que seu cora\u00e7\u00e3o vai sangrar\u201d.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\n<strong> Noite Psicodelia do Sert\u00e3o<\/strong><br \/>\n<strong> Quando:<\/strong> s\u00e1bado, dia 6, a partir de 19 horas<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Anfiteatro do Drag\u00e3o do Mar (rua Drag\u00e3o do Mar, 85)<br \/>\nGratuito, com retirada de ingressos duas horas antes, na bilheteria do Anfiteatro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Camila Holanda (camilaholanda@opovo.com.br) A censura da Ditadura Militar brasileira tirou de cena a produ\u00e7\u00e3o da banda Ave Sangria, em meados da d\u00e9cada de 1970&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":17707,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31,126,129,283,361],"tags":[],"class_list":["post-17706","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ave-sangria","category-em-fortaleza","category-entrevistas","category-nacional","category-shows"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17706"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17706\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17716,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17706\/revisions\/17716"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17707"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}