{"id":17762,"date":"2018-01-15T13:20:59","date_gmt":"2018-01-15T15:20:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=17762"},"modified":"2018-01-15T14:37:34","modified_gmt":"2018-01-15T16:37:34","slug":"mimi-rocha-pat-metheny-foi-um-turbilhao-sobre-cena-musical-cearense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/01\/15\/mimi-rocha-pat-metheny-foi-um-turbilhao-sobre-cena-musical-cearense\/","title":{"rendered":"Mimi Rocha: &#8220;Pat Metheny foi um turbilh\u00e3o sobre a cena musical cearense&#8221;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_17764\" style=\"width: 693px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17764\" class=\"size-large wp-image-17764\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/Mimi-Rocha-2-Divulgacao-Credito-Chico-Gadelha-740x1110.jpeg\" alt=\"\" width=\"683\" height=\"1024\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/Mimi-Rocha-2-Divulgacao-Credito-Chico-Gadelha-740x1110.jpeg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/Mimi-Rocha-2-Divulgacao-Credito-Chico-Gadelha-300x450.jpeg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/Mimi-Rocha-2-Divulgacao-Credito-Chico-Gadelha-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/Mimi-Rocha-2-Divulgacao-Credito-Chico-Gadelha-120x180.jpeg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/Mimi-Rocha-2-Divulgacao-Credito-Chico-Gadelha.jpeg 1152w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><p id=\"caption-attachment-17764\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Chico Gadelha\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><span style=\"color: #333333\"><strong>Por Dalwton Moura<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Em entrevista, o guitarrista, compositor, arranjador e diretor musical <span style=\"color: #800080\"><strong>Mimi Rocha<\/strong><\/span>, um dos mais aplaudidos m\u00fasicos do Cear\u00e1, fala sobre a influ\u00eancia de <span style=\"color: #993366\"><strong>Pat Metheny<\/strong> <\/span>sobre a cena musical do Estado, a partir dos anos 1980, destacando os efeitos do trabalho do multi-instrumentista e compositor norte-americano, nos anos pr\u00e9-Internet. Tempos em que os m\u00fasicos cearenses se esmeravam para tirar de ouvido os acordes e as melodias de <span style=\"color: #993366\"><strong>Pat<\/strong><\/span>.<!--more--><\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo s\u00e1bado, 20, \u00e0s 19 horas, no Centro Cultural Banco do Nordeste, pelo projeto Jazz em Cena,<strong><span style=\"color: #800080\"> Mimi Rocha<\/span> <\/strong>apresenta a estreia do show <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Tributo a Pat Metheny<\/strong><\/span>, ao lado de Herlon Robson (teclados), St\u00eanio Gon\u00e7alves (guitarra), N\u00e9lio Costa (contrabaixo) e Denilson Lopes (bateria). Na entrevista, <span style=\"color: #800080\"><strong>Mimi Rocha<\/strong><\/span> compartilha mem\u00f3rias dos tempos em que as fitas K7 ouvidas na estrada e os discos de vinil escutados em casa trouxeram a obra de <span style=\"color: #993366\"><strong>Pat Metheny<\/strong><\/span> em definitivo para a vida e a obra dos nossos m\u00fasicos. Al\u00e9m de destacar em detalhes por que a musicalidade de <span style=\"color: #993366\"><strong>Pat<\/strong> <\/span>\u00e9 t\u00e3o especial. Confira:<\/p>\n<p><strong>Dalwton &#8211; Como voc\u00ea conheceu o trabalho do Pat Metheny e como isso marcou a sua trajet\u00f3ria como m\u00fasico?<\/strong><br \/>\n<strong>Mimi &#8211;<\/strong> Conheci a obra do Pat Metheny atrav\u00e9s de um amigo, j\u00e1 falecido, o M\u00e1rcio, na \u00e9poca do Latim em P\u00f3 (grupo cearense dos anos 80). A gente viajava de carro pro Pec\u00e9m, e ele gravou uma fita K7 do <em>American Garage<\/em>, disco do Pat (de 1979, segundo \u00e1lbum do Pat Metheny Group). Na \u00e9poca fic\u00e1vamos tentando aprender as m\u00fasicas, n\u00f3s ainda bem verdes, tocando havia pouco tempo. Isso era por volta de 1983, 84, por a\u00ed&#8230; E fiquei fascinado porque eu j\u00e1 era f\u00e3 do fusion, do McLaughlin, Jeff Beck, Chick Corea, mas quando eu ouvi o Pat, com aquela coisa mais mel\u00f3dica e a guitarra limpa, realmente aquilo me pegou. Ou seja, ele juntava a harmonia de rock, do <em>American Garage<\/em>, com a coisa mais jazz\u00edstica, umas baladas. E um som de banda, de grupo tocando. Pra mim, esse disco \u00e9 incr\u00edvel e ainda \u00e9 a maior refer\u00eancia do trabalho do Pat. Foi nessa \u00e9poca que eu o conheci.<\/p>\n<p><strong>Dalwton &#8211; Qual foi o impacto dele sobre a cena cearense, os m\u00fasicos cearenses que surgiriam a partir dos anos 1980?<\/strong><br \/>\n<strong>Mimi &#8211;<\/strong> Quando o Pat surgiu, com aquele timbre de guitarra com os dois delays e o chorus, um timbre limpo mas bem marcante, foi uma grande influ\u00eancia sobre mim e sobre guitarristas como o Marcos Maia e o Cristiano Pinho. Todo mundo meio que come\u00e7ou a tocar com aquele timbre do Pat. E isso virou Brasil afora. O Ricardo Silveira, Victor Biglione, muitos guitarristas se influenciaram por aquele timbre de guitarra dele e pela forma de improvisa\u00e7\u00e3o, que juntava o fraseado do bebop com o do fusion e o country. Uma das marcas mais incr\u00edveis do Pat \u00e9 a onda do country tamb\u00e9m, o fraseado southern, como chamam nos EUA. Muita gente fez m\u00fasicas pro Pat. O Marcos Maia tem uma m\u00fasica chamada <em>Pro Pat<\/em>. Eu tamb\u00e9m fiz um teminha (<em>Bai\u00e3o pra Lyle e Pat<\/em>). Todo mundo foi influenciado. Mesmo os compositores, como o Rui Vasconcelos, o Nei. Eles compuseram coisas na \u00e9poca com letra e tal, mas influenciada pelo Pat. Aquela m\u00fasica <em>Parque Arax\u00e1<\/em>\u00a0tem uma harmonia bem parecida com as cosias do Pat. Foi realmente um turbilh\u00e3o! O Pat virou nosso her\u00f3i naquela \u00e9poca. Continua at\u00e9 hoje, mas naquela \u00e9poca foi bem forte, realmente<\/p>\n<p><strong>Dalwton &#8211; \u00c9 verdade que voc\u00ea e muitos m\u00fasicos daquela gera\u00e7\u00e3o, especialmente guitarristas, passavam horas e horas tirando de ouvido as m\u00fasicas do Pat, a partir de discos e fitas?<\/strong><br \/>\n<strong>Mimi &#8211;<\/strong> \u00c9 verdade. A gente passava o dia todinho ouvindo o Pat no vinil. Eu tinha umas fitas K7 gravadas em 16 rota\u00e7\u00f5es, pra entender o fraseado do Pat. Aqueles cromatismos, interpola\u00e7\u00f5es, aquele caminho mel\u00f3dico de repeti\u00e7\u00e3o&#8230; Realmente influenciou muito a gente. O Marcos Maia tirava muita coisa dele, de ouvido tamb\u00e9m. A gente chegou a tocar na \u00e9poca do Latim em P\u00f3 a m\u00fasica <em>Daybreak<\/em>, instrumental. Que \u00e9 uma m\u00fasica que at\u00e9 hoje eu toco. Ela \u00e9 do <em>New Chautauqua<\/em>\u00a0o primeiro disco solo do Pat. E a gente j\u00e1 tocava isso a\u00ed. Depois come\u00e7amos a tocar aquela m\u00fasica <em>Last Train Home<\/em>. Virou tipo um standard. A gente tocava algumas coisas do primeiro disco dele, que tem naquele primeiro <em>Real Book<\/em>. Na \u00e9poca tudo era mais dif\u00edcil. N\u00e3o tinha Internet. E a gente corria atr\u00e1s de ouvir no vinil mesmo. E algu\u00e9m quando tirava um acorde passava pro outro. Era isso mesmo. Escutando e tirando de ouvido.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=50zbmdPJr0E<\/p>\n<p><em>Na falta de um v\u00eddeo de Mimi tocando Metheny, segue um tocando Samba Pa Ti, do Santana<\/em><\/p>\n<p><strong>Dalwton &#8211; Pensando nisso em 2017, mais de 30 anos depois, como a musicalidade do Pat Metheny influenciou o seu trabalho, como guitarrista e compositor?<\/strong><br \/>\n<em>Mimi &#8211;<\/em> A influ\u00eancia do Pat sobre meu trabalho, no lado composicional, \u00e9 muito grande. Me identifico muito com o tipo de composi\u00e7\u00e3o que ele faz, o tipo de conceito que ele coloca nos arranjos, na instrumenta\u00e7\u00e3o que ele usa. Tanto que no meu disco usei dois teclados, como ele tamb\u00e9m usa uma massa sonora. A guitarra fazendo uma melodia, mas outros instrumentos fazendo contraponto. Ele usa muito a t\u00e9cnica do contraponto, que n\u00e3o \u00e9 muito usada no jazz nem no fusion. Geralmente no jazz voc\u00ea tem uma melodia e a harmonia. O Pat n\u00e3o. Ele tem contracantos, conven\u00e7\u00f5es, camadas&#8230; Isso influenciou muito no meu jeito de tocar.\u00a0E tamb\u00e9m a escolha de notas dele, pra acordes maiores, menores e dominantes. Ele preza muito pela beleza da nota. A escolha de nota do Pat tamb\u00e9m me influencia muito. Ele sempre escolhe a nota bonita. Nunca vai muito pro lado do bebop, que \u00e9 de escolher as notas mais esquisitas, dissonantes. Mesmo em harmonias simples, ele consegue um colorido nas notas, com as sextas, nonas, d\u00e9cimas-terceiras&#8230; Isso influencia muito o meu trabalho. Outra coisa \u00e9 que ele, mesmo sendo um virtuoso e trabalhando com o jazz e a improvisa\u00e7\u00e3o, \u00e9 um cara econ\u00f4mico. Ele sabe como construir um momento no solo, como criar uma aten\u00e7\u00e3o no ouvinte, n\u00e3o s\u00f3 jogando notas ao l\u00e9u, como em alguns estilos, como o bebop, em que \u00e0s vezes \u00e9 nota demais.\u00a0O Pat como diretor musical, como arranjador, \u00e9 um cara incr\u00edvel. O Nando Lauria, que gravou no meu disco, me mostrou o tipo de trabalho que o Pat usa, o mecanismo de trabalho dele. Ele deixa uma esquete ali, mas aproveita o talento do m\u00fasico, confia no m\u00fasico pra eles resolverem o melhor. N\u00e3o chegar com tudo escrito e bem definido. Claro que tem as coisas que a gente tem que delinear, mas abre tamb\u00e9m para o talento de cada um. \u00c9 algo que eu fa\u00e7o tamb\u00e9m no meu trabalho.<\/p>\n<p><strong>Dalwton &#8211; Em meio a uma obra t\u00e3o vasta quanto \u00e0 do Pat, como voc\u00ea est\u00e1 escolhendo o repert\u00f3rio do show do CCBNB, pelo projeto Jazz em Cena?<\/strong><br \/>\n<strong>Dalwton &#8211;<\/strong> Eu j\u00e1 toquei muitas m\u00fasicas do <em>American Garage<\/em>\u00a0e algumas de outros discos, como o <em>We Live Here<\/em>. Toco ainda, inclusive na noite, nas jams, m\u00fasicas como <em>James<\/em>, <em>Last Train Home<\/em>, <em>Minuano<\/em>&#8230; Mas claro que para esse show in\u00e9dito vou ter que passar por v\u00e1rias fases da carreira dele. Vou me concentrar nessa fase do <em>American Garage<\/em> e dos primeiros discos do Pat Metheny Group. E aquele disco <em>Secret Story<\/em> (1992), o segundo disco solo dele, que \u00e9 uma obra-prima. Ent\u00e3o vai ter muita coisa dessa primeira fase dele, que me influenciou muito. <em>American Garage<\/em>, <em>New Chautauqua<\/em>\u00a0e devo incluir o meu <em>Bai\u00e3o pra Lyle e Pat<\/em>. O repert\u00f3rio deve passar por essas fases, o Pat Metheny Group e o trabalho solo dele, nos primeiros discos.<\/p>\n<p><strong>Dalwton &#8211; O que o p\u00fablico pode esperar desta noite?<\/strong><br \/>\n<strong>Mimi &#8211;<\/strong> Espero que o p\u00fablico se sinta muito \u00e0 vontade, com um show super bacana de ouvir, agrad\u00e1vel, uma banda super afinada pra gente reproduzir da melhor forma, claro que com a nossa leitura, essa obras-primas do Pat, que talvez hoje seja o maior representante da m\u00fasica instrumental no mundo. O cara mais bem sucedido, com uma carreira incr\u00edvel, com v\u00e1rios pr\u00eamios Grammy, milhares de projetos lan\u00e7ados e sempre estando em turn\u00ea. \u00c9 isso a\u00ed. Acho que vamos conseguir fazer uma boa rever\u00eancia a esse mestre.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\n<strong> Mimi Rocha &#8211; Tributo a Pat Metheny<\/strong><br \/>\n<strong> Quando:<\/strong> s\u00e1bado, 20, \u00e0s 19 horas<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Centro Cultural BNB (rua Conde D\u00b4Eu, 560 &#8211; Centro)<br \/>\n<strong>Entrada gratuita<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dalwton Moura Em entrevista, o guitarrista, compositor, arranjador e diretor musical Mimi Rocha, um dos mais aplaudidos m\u00fasicos do Cear\u00e1, fala sobre a influ\u00eancia&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":17764,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[126,129,283,1,361],"tags":[],"class_list":["post-17762","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-em-fortaleza","category-entrevistas","category-nacional","category-sem-categoria","category-shows"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17762"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17762\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17766,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17762\/revisions\/17766"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17764"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}